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Encontro - Resposta ao desafio da Pat

Posted by Lívia Marques on 27 de junho de 2012 11:06 in , , ,


Encontraram-se na fila do supermercado. Ela ia fingir que não o viu, mas ele logo a reconheceu e a chamou pelo nome:
-Marta! Sou eu! Há quanto tempo? 20 anos?
-É, respondeu ela, deve fazer mais ou menos isso que não nos vemos. Como você está?
Meu Deus, a última coisa que ela queria saber era como ele estava. Ela ainda se lembrava da decepção que sofrera anos atrás. Estavam na faculdade, ele fazia Engenharia e ela Belas Artes. Se apaixonaram de forma louca e não se desgrudavam apesar de serem completamente diferentes. Ele gostava de sertanejo e ela de rock progressivo. Ele não entendia nada de artes, ela constantemente ia a galerias e museus. Ele gostava de beber, ela ficava só no suco de laranja. Ele praticava esporte, ela passava o tempo todo lendo. Mesmo assim o namoro foi durando.
Ele foi seu primeiro amor, daqueles que deixa a gente boba, sem noção do ridículo. POr ele, ela fazia de tudo. Até namorar exposta dentro do carro e ser pega pela polícia do bairro, ela de saia levantada, ele de calça arriada. Foi a maior vergonha que ela já passou, ainda bem que estava escuro demais para os policiais verem seu rosto direito.
Saíam todos os dias com a turma da faculdade e ela sempre dirigia pois ele estava sempre bêbado demais. Passavam o fim de semana na casa dele porque tinha mais espaço e ela dividia o apartamento com mais duas amigas que não davam folga. Viajavam pelas cidades históricas e acampavam na Serra do Cipó. Conheceram os pais dela na Páscoa e os pais dele em Corpus Christi. Eram inseparáveis.
Por isso ela não acreditou quando ele engravidou aquela caloura da Arquitetura. Como isso era possível? Eles eram grudados um no outro. A que horas isso aconteceu que ela não viu? Devia haver algum engano. E a sua história? E o seu amor? Mas ele assumiu tudo e se dispôs a casar com a moça, como se não houvesse compromisso nenhum com ela. E assim acabou um caso de amor. Mal resolvido por sinal.
Agora lá estavam os dois naquela fila, contemplando os estragos do tempo. Ela 15kg mais gorda e ele grisalho e barrigudo. Por fim ele respondeu:
- Vou levando. A vida de casado é muito corrida, você não acha?
- Não sei, não me casei. Tive um filho mas não me casei. Disse ela.
- Ah, você está solteira até hoje? Perguntou ele com ironia na voz.
- Bem, solteira não digo. Tenho um relacionamento que já dura 5 anos mas não moramos juntos. Ele é 10 anos mais novo do que eu.
- Ele fingiu que acreditou, enquanto a vez dela no caixa chegava. Ela dedicou sua atenção a esvaziar o carrinho do supermercado e se despediu dele.
E o pior, é que, pensou ela, apesar de toda história juntos ela nem se lembrava o nome dele.



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O casal - resposta ao desafio da Pat

Posted by Lívia Marques on 22 de junho de 2012 18:45 in , , , ,
  





Estavam casados há 35 anos. O amor já acabara há tempos, o que restou foi o mau humor e a indiferença entre os dois. Ele estava gordo e careca e ela cheia de varizes e com o cabelo tingido de um louro palha que não lhe caía bem. Os dois envelheceram mal. O casamento não rendera filhos, mas nunca tiveram aquela vontade de tê-los e depois o câncer no útero que ela teve apagou todas as esperanças que pudessem ter.
Ele jamais a traíra, mesmo quando o sexo ficou relegado a segundo plano. Não porque a amasse muito e lhe fosse fiel, mas porque não tinha imaginação. Imaginação era o que ela mais tinha, mas faltava-lhe a coragem. E assim foram levados pela vida. Trabalhavam, voltavam para casa, comiam , dormiam e passavam o fim de semana e as férias lendo e assistindo televisão.
Ele se aposentou e ficou mais tranquilo. Ela ganhou férias prêmio com direito a viagem para Porto Seguro para duas pessoas. Resolveram viajar depois de 15 anos passando férias em casa. Houve uma certa comoção por parte dela: iria ver gente diferente, gente bonita, quem sabe poderia até dançar? Já ele estava mais interessado em jogar dominó ou ler o jornal na beira da piscina do hotel.
No primeiro dia de viagem ela foi para a praia e ele ficou no hotel. Ela descobriu um bar onde tocava axé no último volume e se dançava com direito a coreografia. Ele passou o dia na piscina lendo jornal e papeando com senhores da sua idade. À noite visitaram a Passarela do Álcool e experimentaram o famoso Capote. Voltaram para o hotel um pouco embriagados pela bebida muito forte. Não se sabe o motivo, se foi a embriaguês ou a insinuante brisa do verão, o fato é que se amaram naquela noite.
No dia seguinte reinou um clima de desconforto entre os dois e quase não conseguiram se olhar no café da manhã. De novo passaram o dia separados e de novo se embriagaram e de novo fizeram amor. Isso se seguiu por dias até que no passeio ao parque aquático estavam conversando e rindo como dois adolescentes. Não viram nada demais em passear de mãos dadas à noite. E no outro dia ele foi à praia e ela ficou só tomando sol quietinha na barraca.Namoraram como se fossem jovens outra vez.
Voltaram para casa mais leves, depois de 15 dias se divertindo, prontos para voltar à rotina. Rotina de indiferença e mau humor. Assim foram vivendo a vida, esperando chegar as próximas férias.





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Final de semana

Posted by Lívia Marques on 11 de junho de 2012 10:49 in , ,

Final de semana chegando, tudo pronto e planejado para dois dias de puro prazer. Marido indo pescar, crianças na casa da mãe e ela com planos de arrasar. O som já preparado com músicas suaves, alternadas com jazz e alguma coisa mais pesada para dar uma certa tensão ao clima. A casa arrumada  e organizada com toda a atenção: flores e aroma de jasmim.
No banheiro velas perfumadas, toalhas novas, tapete felpudo. Na cama, lençóis novos de algodão egípcio super macios, feitos para a ocasião. O abajur ligado, o quarto a meia luz. No criado aquele livro há muito desejado. O robe de chambre já pronto no banheiro junto aos chinelos felpudos de salto. A camisola de seda dobrada junto à cama. No barzinho o cocktail já preparado e disposto na taça alta.
Tudo perfeito... só falta ligar pra pizzaria. Afinal uma noite em casa sozinha tem que ter pizza pra acompanhar. Ela nem acredita que vai poder tomar banho de banheira, com seus sais de banho, ouvindo uma musiquinha tranquila sem ser interrompida por socos na porta e gritos de “mamãe sai daí” e “amor me deixa entrar”. Vai se embebedar com o cocktail carregado na vodka e no conhaque que ela mesma preparou e dançar pelada pela casa. É claro que fechou as cortinas, não curte voyerismo, aliás que graça tem a pessoa ficar se mostrando e o outro observando sem fazer nada? Que coisa mais besta.
A campainha toca e é o entregador. Veste o robe e paga a pizza, de quebra pediu mais seis cervejas. Pretende mesmo ficar de porre esta noite. O marido não bebe, prefere coisas naturais, por isso ela abdica do álcool o ano inteiro. Mas hoje a noite é sua. Põe o CD do Queen pra tocar e acha pouco, ela quer uma música mais pesada: põe Metallica, e a casa treme. É agora que os vizinhos vão começar a reclamar! Mas ela não se intimida, canta com microfone no karaokê e arrebenta.A seleção de músicas es tá boa: AC/DC, Marillion, The Who e a campainha da porta tocando sem parar. Ah, não brinca que já vão encher a paciência! Abre a porta e dá de cara com o marido com uma cara perplexa de quem não está entendendo nada. A viagem deu errado, o carro quebrou e tiveram que voltar pra trás. Só faltava essa. O fim de semana estragado por causa de um carro quebrado! Ele pelo menos deixou passar o pileque e propôs aproveitar os lençóis novinhos. Até que não foi de todo perdido.

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Resposta ao desafio da Pat

Posted by Lívia Marques on 2 de junho de 2012 08:33 in

1- A arma estava carregada no coldre... uma Glock 28 que era do seu pai.
2- -Corra! Não temos tempo....
3- Seja bem vinda a realidade.
4- Os assassinos pagariam com a própria vida.
5- Tudo depende de que lado você está.

Perseguição


A arma estava carregada no coldre... uma Glock 28 que era do seu pai. De alguma maneira Ane pensou que ela se ajustaria ao seu corpo como se fosse um órgão seu . Enganou-se. A arma pesava em sua cintura e fazia barulho enquanto ela se mexia. Ela se sentia extremamente desconfortável e o medo daquilo disparar acidentalmente era enorme. Quem garantia que não dispararia se estivesse destravada? Ou pior, que ela se lembraria de destravar para disparar quando necessário? O arrependimento já tomava conta de Ane. Onde ela estava com a cabeça de pensar que seria capaz de caçar os assassinos de Biga? Devia ter contratado pessoas qualificadas, que entendiam do assunto. Mas contava apenas com a ajuda de Noel. O que era muito devida às circunstâncias. Já que ninguém dera muito crédito ao desaparecimento de Biga uma semana antes.
Noel era um rapaz sereno, meio estúpido talvez ,mas com um senso de justiça enorme.Foi ele quem propôs fazer a ronda perto da casa do pastor da igreja anglicana. Lá era um dos lugares favoritos dos passeios de Biga, pois tinha árvores grandes e jardins lindíssimos. Foram até lá com a noite bem avançada, uma noite sem lua. Precisaram levar a lanterna e tomaram muito cuidado para não serem vistos. Os cuidados foram desnecessários: não havia ninguém por lá. Ouviram miados e gritos abafados vindos da igreja e resolveram averiguar. Começaram a escalar o muro e quando já estavam do lado de dentro Ane tropeçou e caiu sobre si mesma fazendo a arma disparar em seu pé.  Noel mais do que depressa a ajudou a levantar e ouvindo barulhos da igreja disse:
_Corra! Não temos tempo de ficar aqui parados esperando ser pegos. Temos de dar um jeito de sair daqui e depressa.
Com muita criatividade foram ao portão principal e atiraram no cadeado fazendo-o abrir. Mas foi tarde demais, o vigia da igreja já estava vindo em sua direção armado de um porrete e muito assustado por sinal. As explicações começaram. Ane e Noel falavam ao mesmo tempo, mas por incrível que pareça a história foi a mesma: ela tinha levado um tiro no pé e eles foram buscar abrigo na igreja, mas para isso tiveram que arrebentar o cadeado. Ninguém disse de onde veio a arma que deu os tiros e o vigia também não perguntou. Com tudo mais ou menos resolvido chamaram um taxi e foram ao hospital tratar do pé de Ane, que a esta altura já chorava de dor. O prognóstico foi de três semanas de cama sem botar o pé no chão.
_Droga, lá se foi nossa busca aos assassinos de Biga, disse Ane.
_Seja bem vinda à realidade querida. Temos que esperar você melhorar, mas enquanto isso eu posso ir tomando providências, anunciou Noel.
Uma coisa era certa: os assassinos pagariam com a própria vida a crueldade feita com a doce Biga. Essa era uma promessa proferida por Ane e por Noel.
Enquanto Ane se restabelecia do ferimento, Noel procurava pistas em toda a cidade. Começou pelas pessoas mais próximas, mesmo aquelas que não tinham motivos para querer Biga morta, mas afinal tinha que concordar que Biga não era das mais fáceis. Era briguenta e irritadiça e constantemente arrumava confusão. Procurou entre os vizinhos, os fornecedores de pão , leite, jornal o açougue;  na prefeitura, nas quatro igrejas da cidade, na estação de trem, na rodoviária e até no pequeno aeroporto. Não encontrou nenhuma pista. Todos com quem conversou não tinham reclamação de Biga ou não se lembravam dela. Ninguém pareceu suspeito ou desonesto. Isto levou duas semanas, por fim teve uma ideia. Correu para a casa de Ane e perguntou:
_Você tem certeza que Biga morreu?
_ Mas é claro que sim! Respondeu ela estupefata. Que outra razão teria pra sumir assim da minha vida?
_É que procurei em todos os lugares e não encontrei uma só pista. Só tem um lugar em que ela pode estar.
- Onde? disse Ane
_ Aqui!
O primeiro lugar que Noel foi procurar foi no sótão, um lugarzinho aconchegante que Ane deixava sempre livre de poeira. E claro, Biga estava lá! Com nove filhotes branquinhos como neve. Devem ter puxado o pai, pois Biga era pretinha como pixe. Ane não pôde acreditar que chegara a sair armada procurando vingança, enquanto Biga estava aconchegada no sótão com seus filhotinhos. Que loucura, onde estava com a cabeça? Se as pessoas soubessem disso, ela estaria perdida, mas no final tudo depende de que lado você está. E ela estava do lado do amor incondicional por sua gata.

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Amizade

Posted by Lívia Marques on 1 de junho de 2012 09:29 in , , ,

Esta é uma homenagem à melhor amiga do mundo.


Amizade

Eram colegas. Foi Lívia quem apresentou o colégio à Pat quando ela chegou do sul. Faziam parte da mesma turma na escola, mas não eram assim tão íntimas. Andavam juntas, fumavam escondido no banheiro da escola e bebiam no fim de semana o famoso hifi. A bebida preferida dos estudantes que não tinham dinheiro para se embebedar com cerveja. Como Pat morava longe, ela sempre dormia na casa de Lívia, uma prática comum naqueles tempos, que não queria dizer muita coisa em termos de intimidade.   Afinal Lívia já tinha uma melhor amiga , Cléo, e eram inseparáveis.
Mas a amizade de Lívia  e Pat foi crescendo e saiam sempre juntas e até conheceram o namorado da Lívia juntas. Foi numa feira em uma praça e a Pat embriagada começou a paquerar todos os meninos que passavam por ela, enquanto a Lívia morria de vergonha e tentava amenizar de alguma forma. Foi então que Lívia reparou em um garoto próximo a elas e bateu um ”click” como nos romances. Pat aproveitou que estava bêbada e os apresentou na cara dura. Mais tarde combinaram de sair e aí começou o namoro que virou casamento e dura até hoje. Pat foi madrinha é claro.Cléo, a melhor amiga da Lívia, por ciúmes da Pat acabou brigando com ela e a amizade terminou. Nessa altura Pat já era muito próxima e acabou virando a melhor amiga. As duas terminaram o 2º grau e foram prestar vestibular: nenhuma passou de primeira, tiveram que fazer cursinho. É claro que foram para o mesmo cursinho, só não ficaram na mesma sala, pois uma queria humanas e a outra exatas. Passaram no vestibular mais ou menos na mesma época e o primeiro namorado que Pat teve na cidade foi Lívia quem apresentou.
As coincidências começam quando Pat começou a namorar um garoto com o mesmo nome do namorado da Lívia. No início virou confusão. Tinham que falar meu Léo pra cá, seu Léo pra lá e quando estavam juntos era um caos. Mas eram inseparáveis. Saíam quase todos os fins de semana ou iam para o sítio de Lívia e Léo. Varavam a noite jogando buraco e invariavelmente elas perdiam. Eram tempos divertidos.
Lívia engravidou e teve uma menina e Pat foi madrinha. Pat se casou e Lívia foi madrinha. E ainda por cima viajou junto na lua de mel! É que o Léo da Lívia estava com stress e o médico mandou que ele tirasse uns dias de folga. Ele só conseguiu tirar a licença do serviço na semana posterior ao casamento da Pat, assim tiveram que marcar a viagem para o domingo já que seriam padrinhos no sábado. E o único pacote de viagem que sairia no domingo era o mesmo que o da Pat e o Léo. Mas o detalhe é que o Léo da Lívia não sabia que a Pat iria viajar neste pacote, foi uma surpresa para todos quando descobriram. Afinal a viagem foi super divertida e eles aproveitaram muito. Mas ficou o estigma da Lívia ter viajado na lua de mel da Pat!
Um ano mais tarde Pat teve gêmeas e Lívia foi madrinha, a coincidência está no fato em que além de a obstetra ser a mesma, o hospital ser o mesmo, a sala de parto ser a mesma, até o quarto em que Pat ficou (nº 417) também foi o mesmo em que Lívia ficou quando ganhou sua filha. Aliás suas filhas, pois Lívia teve mais uma menina e ficou no mesmo quarto de novo!
Passaram por cada uma, são muitas as histórias que têm pra contar. Gostam dos mesmos livros, dos mesmos filmes, dos mesmos atores, das mesmas músicas.Lívia arrumou uma gata e depois um cachorro, Pat arrumou um cachorro e agora recentemente, uma gata! A diferença entre Pat e Lívia é que uma é loira e a outra é morena.
 Às vezes se pensava que Lívia era a mais forte das duas, pois Pat era meio avoada, tinha até apelido e Lívia a defendia com unhas e dentes. Mas isso se mostrou uma inverdade depois que Lívia ficou doente. Hoje é Pat quem segura a barra de Lívia e se sai muito bem.
As duas continuam melhores amigas, mas se falam por telefone ou internet. Veem-se ao vivo só umas duas vezes por ano. A Lívia tem um sítio novo há cinco anos e a Pat só foi lá duas vezes com muito custo e ameaças. A Lívia já desistiu de chamar. Os Léos nem se falam mais, não se lembram dos tempos de buraco. As filhas estão grandes, já com namorados. E cada uma vai seguindo a sua vida.
O que será que aconteceria sem essa amizade que esse ano faz 25 anos de existência? A vida teria sido muito diferente, mais vazia ou seria completada por outras pessoas? Acho que não seria possível substituir nenhuma das duas.
 Elas são como irmãs só que nascidas em casas diferentes 

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Desafio da Pat, geladeira, mofo, conspiração, fanática, pedacinho

Posted by Lívia Marques on 30 de maio de 2012 10:16 in , ,

 Hoje acordei inspirada: vou começar a nova dieta das celebridades que vi no Face. Já comprei o suplemento, que foi caro pra xuxu, mas vai valer a pena. Vou emagrecer pelo menos 10 kg e ficar magérrima e linda. Sei que o primeiro dia é sempre o mais difícil por isso já me garanto, vou ao supermercado e me abasteço de coisas lights e diets. Abro a geladeira pra pensar: não posso jogar tudo fora, afinal tem muita coisa não tão perecível assim, que daqui a duas semanas quando eu estiver magrinha vou poder comer. Por exemplo: a muzzarela, o hambúrguer congelado, os nuggets, os danetes que têm a data de validade estendida, a pizza congelada, o queijo gorgonzola que definitivamente não perde por causa do mofo que já vem nele. E assim dou meu jeitinho de brasileira. No café da manhã comi uma torrada e uma xícara de café preto, às 10:00 estava com o estômago nas costas então comi uma maçã, não deu nem pro início, só fez aumentar minha fome. Ao meio dia bateu um cheiro de feijoada! Feijoada numa segunda feira, ninguém merece! É uma conspiração com meu regime, só pode ser. Enquanto eu como arroz com legumes e bife grelhado o outro come feijoada! Estou ficando traumatizada, pois mais tarde descobri com a vizinha que a “feijoada” era um reles feijão com bacon (hummmmmm)! Depois do almoço fui para a academia, preciso malhar pra perder mais depressa os quilinhos ganhos nos meus anos de inércia. Mas não quero ficar fanática, dessas que só pensam em academia e suco natural, comida vegetariana e tal. Morro de preguiça. Depois da aula me bateu uma fome! E nem está na hora do lanche, acho que vou improvisar um suquinho, ou melhor, uma vitamina que enche mais.E ô tempo que não passa pra chegar o café da tarde! Tô morrendo de fome. Até que enfim posso tomar meu café. Mais uma torradinha, (desta vez com um pouquinho de Nuttela) e um copo de suco de laranja. Vamos ver até quando isso enche meu estômago. Os suplementos até agora não estão adiantando nada, continuo com fome pra valer, quero só ver se queimam gordura como o prometido. Assisto um pouco de televisão: Extreme MakeUp, umdia ainda faço parte de um programa desses. Já pensou ser “remodelada” por uma equipe de profissionais da moda? Que luxo! Ainda bem,chegou a vez do jantar, um filé de peixe com legumes, pode ser na manteiga? Juro que não como o arroz. E assim se encerra o meu primeiro dia de dieta. Até que fui bem, devo ter emagrecido uns dois kg ou mais. Mas eis que toca a campainha, que gracinha é a filhota da vizinha aqui da frente com um pedaço de bolo de chocolate pra mim! Agradeço e como um pedacinho, pois ninguém é de ferro. Vou dormir tranquila com a sensação de dever cumprido. Amanhã é outro dia e prometo cumprir a dieta assim como hoje. Boa noite.


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Traição

Posted by Lívia Marques on 29 de maio de 2012 21:13 in , , ,

Chegou em casa cansado de mais um dia de trabalho, porém as lembranças desse dia amenizavam o cansaço. Hoje ele tivera seu segundo encontro com a recepcionista do 3º andar. Que mulherão, morena, voluptuosa com os lábios cheios e com um senso de humor aguçado, sem contar a caliência na cama. Era uma verdadeira deusa. Compensava os riscos que estava correndo. Afinal um homem precisa provar sua virilidade com mulheres de verdade e a dele já estava passada a tempos. Parindo e cuidando dos filhos e da casa, não sobrava tempo pra se arrumar e se cuidar.Ele trabalhava a semana toda de 7:00 às 19:00 para dar conforto à família, portanto também merecia seus momentos de conforto e de diversão, não estava fazendo mal a ninguém. Era um casinho passageiro, sem maiores consequências, todos os seus amigos em algum momento da vida já haviam tido um caso assim e nenhum deles foi descoberto, porque aconteceria com ele? Não resta dúvida que teria de tomar cuidado com seu sogro, que por acaso era seu chefe, mas um pouco de adrenalina não mata ninguém. E assim ia prosseguindo sua vida dupla, bom amante com a recepcionista, cobrindo-a de flores e champagne e pequenos presentinhos baratos, pois afinal era só uma recepcionista! E em casa bancando o pai de família, comparecendo de vez em quando na cama da esposa para não levantar suspeitas.As coisas começaram a esquentar no dia em que a recepcionista pediu sua primeira joia: uma pulseira de ouro e brilhantes que havia visto na joalheria próxima ao escritório. Ele, no início se recusou a dar, mas como ela fez manha e ameaçou greve ele cedeu em menos de um dia.Passaram-se dias de calmaria. Até deu pra comemorar as bodas de prata coma patroa com uma festa bancada pelo sogro. Tudo do bom e do melhor. Uma variedade enorme de gulodices em que a esposa se fartou, saindo novamente da dieta. Por falar em dieta, ele também precisava começar uma o mais rápido possível, sua barriguinha de chope há muito dera lugar a uma respeitável barriga de gestação! E quanto à calvície, será que ficaria muito ridículo um implante de i cabelos, coisa pouca, só mesmo pra disfarçar as entradas, e quem sabe um pouco de coloração pra disfarçar os cabelos brancos. Era uma coisa a se pensarLogo que pôde conversou com sua recepcionista sobre suas ideias de beleza, ela ficou entusiasmada e quis , ela mesma cuidar de tudo e assim marcaram salão e esteticista.  Na mesma noite, arrumou uma desculpa para passar a noite no escritório e foi jantar com a amante para estrear o novo visual. Escolheram um lugarzinho aconchegante mas na moda, já que ela fazia questão, e se sentaram em uma mesa nos fundos. No meio da refeição houve um burburinho danado e sons de flashes espocando: era a Lady Gaga entrando no restaurante pendurada com seu mais novo namorado. Os flashes não paravam e acabaram fotografando todos, pois afinal todos ali eram também celebridades em suas áreas. Não adiantou sair correndo escondido debaixo do jornal para não ser reconhecido, isso foi até pior! E no dia seguinte já deu pra imaginar as colunas sociais: Evandro Ataíde de Melo Alencar jantando com uma amiga no Che’z. Sogrinho não gostou nada e a esposa pediu o divórcio. Hoje, trabalha em uma firma de 5ª categoria enquanto a mulher fez regime e viaja o mundo inteiro e a recepcionista está casada com o dentista do 7º andar.


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Resposta ao desafio da Telma

Posted by Lívia Marques on 11:48 in , ,

Ela diz que todo mundo acredita em magia negra, mas são poucos os que acreditam em magia branca. Não sabe qual é a dificuldade em se entender a diferença: uma atrapalha os outros a outra não. Não se trata de fazer o bem ou o mal, é questão de interferir na vida dos outros. Por exemplo, em qualquer religião que se siga, está-se correndo o risco de praticar magia negra pelo simples fato de interferir na vida do  próximo mesmo que seja para o que se acha ser o seu bem. Ninguém tem nada a ver com a vida alheia. Que cada um cuide da sua. A fase da sua vida onde foi mais feliz foi quando se envolveu com a wicca. Aprendeu sobre a grande mãe, seu filho e seu consorte, uma outra divina trindade.Aprendeu sobre como manejar as ervas e as plantas fazendo seus banhos e seus patuás de três ervas, cheios de fragrâncias pungentes que inebriavam qualquer pessoa que estivesse perto . Serviam pra tudo: doença, amor, dinheiro, e até pra nada, só mesmo para o aroma. Aprendeu os feitiços simples de como queimar o louro para dar poder de visão, como colocar um raminho de alecrim sob o travesseiro das crianças para dar atenção na escola, como esmagar os grãos de mostarda para chamar dinheiro e sempre deixar um fio de cabelo no arbusto em que recolheu as ervas em sinal de agradecimento.Aprendeu a arte de amassar o pão, o alimento da alma, cantando e dançando ao som de músicas pagãs.Entendeu que o que via além de seus olhos era verdade, e aprendeu a decifrar os sinais.Aprendeu a comemorar os sabás e os esbás, as mudanças de estações e as mudanças da lua. Aprendeu o nome das Deusas e foi escolhida por duas delas e as amou e prestou loas a seus nomes. Não participou de nenhum coven, era solitária, mas leu livros e mais livros sobre a Arte. Usou seu átame para traçar círculos de proteção, bebeu do cálice, e utilizou a varinha de romãzeira para proferir feitiços ao ar. E todas essas vezes foi para si que pediu. Assim foi até que os outros que não entendiam resolveram que não podia ser mais assim. Ela era uma má influência para os outros, aquilo tinha de parar. Ela não teve escolha, não tinha ninguém a quem pudesse recorrer, assim teve de se alienar de suas atitudes, de seus feitiços. Mas sua crença permanece... pois ela é uma bruxa.



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Resposta ao desafio da paty

Posted by Lívia Marques on 10:21 in , , , , ,
Ano de 2083. As florestas devastadas, o derretimento da calota polar, as guerras pelo último aquífero, o aquecimento solar ... Estamos vivendo uma época de caos,como nunca se viu antes. Esperamos um milagre a cair do céu, mas do céu só os mísseis teleguiados apontados estrategicamente para os locais de destaque do globo. Todos têm medo, aqueles que não têm vivem nos manicômios esquecidos de suas identidades e de seus passados, por isso não dão conta do seu presente. Talvez assim eles sejam os mais felizes... Por todo o lado pipocam hordas de rebeldes, requerendo seu quinhão de alimentação, de terras, de armas, de montaria e do que for para se por em segurança e para lutar para conseguir seu lugar ao lado dos grandes. Só assim teriam chance de se equivalerem aos grandes lutadores para obter um lugar de destaque quando o caos acabar. Houve uma lenda de um grande soldado dos rebeldes que desafiou uma legião de soldados da cavalaria motorizada. Ele sozinho conseguiu destruir o galpão de armamento dos fascistas com uma grande explosão e fugiu a cavalo, deixando os motoqueiros a comer poeira. Não se sabe se é lenda ou verdade, mas dá certo gostinho de vitória toda vez que a ouvimos. Aqui tudo é racionado: pão, leite em pó, água, legumes desidratados, carne seca, ovo em pó, até o vinho e a cerveja para os soldados. Quando acabar não sei onde vão buscar ânimo, pois até das mulheres eles enjoaram. Estão com a moral muito baixa, pois sabem que aonde chegaram não tem volta o que foi destruído não mais se regenera. Daqui pra frente é aprender a viver num planeta sem árvores e água  racionada.Para todos nós vai ser difícil, mas como vamos explicar aos nossos filhos que ainda não nasceram que o planeta deles não era assim? Com o que vamos comparar as árvores e os rios e os pássaros e toda a natureza que se foi?Isso vai ser muito triste. Por que não pensamos nisso antes? Será esse realmente nosso final? Pelo menos estamos verdadeiramente aprendendo viver em grupos sociais, cada grupo é responsável por um serviço para a comunidade, seja o da cozinha, limpeza, estrebarias, ou outro qualquer. Acho que o pior é o da plantação, pois a terra já se recusa a dar alguma coisa. E precisamos comer. Os animais sumiram, ficaram só os domésticos e há notícias de grupos desgarrados a comer a si próprios por falta de opção. É horrível dizer isso, mas acho que também chegaremos lá. Quando a fome assola o estômago, as pessoas ficam loucas, acham que suportam tudo, mas a fome não. Se pelo menos não houvesse a guerra. Já é ruim o bastante viver em um mundo destruído por nossas próprias mãos e agora vem os grandes governantes instalar o caos em nosso mundo, lutando para conseguir o restinho da água que resta.Eles que nunca se importaram em salvaguardar nem a água nem a terra nem as florestas, agora requerem para si tudo o que restou como se fosse de direito. É isso que ferve no sangue dos rebeldes. Apesar de a maioria dos rebeldes sonhar em obter reconhecimento no final do caos. No fim são todos da mesma corja, não tem diferença. Só podemos confiar em nós mesmos.Afinal já é hora de aprender a viver e trabalhar sozinhos, em nossos grupos, sem a liderança de nenhum ditador a nos mandar obedecer suas ordens. Agora pelo menos somos mais livres do que antes. Acho que é mesmo o nosso fim. Agora é confiar na salvação eterna, na misericórdia do grande pai dos pais, para que não soframos muito neste martírio que vai ser a vida na Terra.



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Dsafio para a Pat

Posted by Lívia Marques on 28 de maio de 2012 16:18 in , , ,
Tenho um texto que eu acho muito bom, escrito pela minha filha de treze anos, muito criativo e instigante, mas que ela não terminou. Gostaria que a Pat terminasse esse texto sem perder a o jeitinho da Júlia, acho que vai ser fácil. No final quero louros para as duas, ok? Bjos.

Texto da Júlia


  Hoje é sábado, dia de curtir com os amigos, quando então decidi sair para ver um filme novo no cinema com minhas amigas e iria voltar de carona.
   Vimos o filme, e me deixaram em casa, até que, quando estava destrancando o portão senti algo me sufocando e foi aí que senti um cheiro muito ruim, e não me lembrei de mais nada.
   Acordei aos poucos, muito assustada, pois estava em um galpão, amarrada e com uma fita na boca. Esse lugar era cheio de bonecas assustadoras, algumas não tinham cabeça, outras cabelo, mas senti que todas estavam me encarando, e sei também que parece estranho bonecas encarando pessoas, então foi aí que pensei que tinham me drogado para me sequestrar. Mas qual seria o motivo do sequestro se minha família não tem muito dinheiro e ninguém é tão importante ao ponto de sequestrarem alguém?
   Fiquei me questionando silenciosamente sobre o porquê do sequestro, até que um homem estranho, que me parecia familiar entrou no galpão e me desamarrou, e trouxe para mim algumas das bonecas sem braços e pernas. Ele não falou nada, só levou até mim as bonecas “quebradas” e suas partes.
   Achei que ele queria que concertasse as bonecas, mas sempre que algum brinquedo meu estragava, meus pais mandavam eles para o Hospital dos Brinquedos, mas mesmo assim tentei concerta-las. Consegui colocar os braços de uma das 5 bonecas estragadas.
   O homem levou as bonecas embora e deu um relógio e um travesseiro. O relógio já marcava 01h25min e então resolvi dormir.
   Acordei com a luz do sol no meu rosto, a luz havia passado por uma greta do portão de metal. Como estava desamarrada fui olhar o galpão, e vi que haviam janelas no alto da parede.
   Como estava morta de cansaço e fome, queria sair logo daquele lugar assustador. Dentro da bolsa que levei para o cinema havia canetas, e um bloquinho, mas percebi que o tão misterioso e assustador havia pegado a bolsa, pois meu celular também estava lá.
   Olhei no relógio e eram 07h40min ainda, então fiquei deitada no chão com apenas um travesseiro. Acabei pegando no sono.
   Mais ou menos duas horas depois o homem me acordou, e me deu um café da manha muito bom, com pão, manteiga, leite e café. Como estava morta de fome, comi tudo.
   Depois de comer ele me levou até um banheiro, bastante sujo, mas tive que usar.
  Algum tempo depois ele me deu mais bonecas para concertar, e então eu pedi meu bloquinho e minhas canetas. Comecei a anotar tudo que encontrava ou ouvia depois de concerta-las.
   Tinha momentos que ouvia gritos, mas gritos de desespero. Achei que estava louca e nada daquilo estava realmente acontecendo
   O homem não apareceu desde o café da manha, então estava com muita fome. Para me distrair fui olhar o galpão de novo.
   Andando pelo imenso local assustador e lotado de bonecas estragadas, achei uma porta atrás de uma das prateleiras onde estavam bonecas parecidas com as que concertei.
   Arredei a prateleira e abri a porta, e lá estavam mais e mais bonecas, mas desta vez concertadas. Mesmo sabendo que encontraria apenas bonecas, andei em todo o local.
   Na sala onde estavam as bonecas concertadas encontrei dois meninos deitados com travesseiros iguais os meus. Os meninos pareciam ter de 13 á 15 anos, mais ou menos minha idade.
   Chamei-os, e um deles acordou bastante assustado me perguntando:
-Quem é você e o que faz aqui?
-Sou Marcela. E não sei bem o que me trouxe aqui. Qual o seu nome? Perguntei.
-Sou Igor.
   Com nossas perguntas o outro menino acordou e perguntou ao amigo quem eu era. Mas eu mesma o respondi:
-Sou Marcela! E você?
   Mesmo assustado e desconfiado me respondeu:
-Sou Felipe.
   Fui os questionando até que perguntei algo que os meninos logo se assustaram:
-Afinal, o que essas bonecas são e porque temos que concerta-las?
   Igor, que não ficou muito surpreso me respondeu:
-São bonecas traiçoeiras, que depois de serem abandonadas por suas donas, querem vingança.
 -Como assim vingança? Perguntei assustada.
-Elas querem matar criança por criança, mas com uma morte lenta e dolorosa.
-Aff! Isso é impossível Igor! Retruquei.
-Não, não é! Olhe com seus próprios olhos o que elas mesmas já fizeram conosco!
   Felipe e Igor logo levantaram as mangas da blusa e me mostraram cortes e roxos em todo o braço.
 -E não para por aí, depois dos cortes e socos, elas jogam álcool em todos os cortes.
-Meu Deus, isso quer dizer então que quanto mais bonecas eu estava concertando, mais vocês estavam sofrendo?
-Mais ou menos isso.
-Então o que precisamos fazer é estragá-las novamente certo?
-Sim, mas elas são fortes demais, e ainda tem o zelador para ajudáa-las!
-Como sairemos daqui? E como vamos detê-las?
-A única coisa que sei é que estamos ferrados!


E ai Paty, aceita o desafio?

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Desafio 28/05

Posted by Lívia Marques on 10:56 in , , , , , ,

E lá se foi meu feriado... quatro dias da mais profunda preguiça, só esparramada na areia bebendo o sol e o mar. Nada na cabeça a não ser a praia do dia seguinte. Mas agora isso é passado, tenho que voltar a pensar no dia depois de amanhã, que significa trabalho. Aff. Ninguém merece tamanha desconsideração por parte do destino: ter de trabalhar para viver. Por que não ter nascido rica e bonita? Cheia da grana e de glamour? Com a vida ganha? Tinha que vir pobre mesmo! Pobre não, remediada! Mas ainda tenho o pouquinho do domingo para aproveitar a praia e o restinho do calor que ainda teima em vingar no outono mesmo. No céu da Cidade Maravilhosa o sol se esconde atrás de uma nuvem. Não, não é uma nuvem, é um enorme balão a gás em forma de tubarão. Essas crianças acham cada brinquedo que eu vou te contar. Não são só as crianças com seus brinquedos, os adultos também, com seus jogos de vôlei, futebol de areia e peteca, quando não tem coisa mais perigosa. Não sou  rabugenta, só não quero comer areia e levar bolada na cara. Porque não podem jogar adedanha? É só dispor de caneta e papel ! Tudo bem que não é tão emocionante, mas tudo por um bem comum. Se bem que a última vez que eu levei uma caneta para a praia ela estourou por causa do calor e deixou um enorme roxo na toalha! Até hoje minha mãe me culpa pelo ocorrido, como se fazer palavras cruzadas na praia fosse um crime! O casal ao meu lado trouxe uma penca de crianças com eles. Custo a acreditar que são todos  filhos deles. Fazem uma algazarra danada, cheios de energia e fome por picolé.É menino que não acaba mais. Já, já começam um castelo de areia para o mar destruir. Na minha barraca minhas amigas discutem por qualquer bobagem. Como sempre acontece no final de feriado, o dia passou voando.  Sinto-me embriagada apesar de não ter bebido nada alcólico. Acho que é o finzinho do sol, essa quentura gostosa que faz a gente se sentir confortável e de bem com a vida.  Está na hora de ir embora, mas não olhe agora, o garoto que eu estou a fim está vindo na minha direção. Droga! Justo hoje que não fiz a unha, estou descabelada e nem estou de batom! Ele vai me achar uma desleixada.  Não, mas espere aí, ele desvia a direção e sobe a rampa da areia. Ufa! Essa foi por pouco. Não gostaria que ele me visse assim. Então já vou. Calço meu chinelo e me despeço do mar. Até semana que vem se Deus quiser.

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Resposta ao desafio da Paty

Posted by Lívia Marques on 16 de abril de 2012 11:53 in , , ,

                                      
Lá estava eu, em frente à plataforma 9 3/4, esperando o expresso de Hogwarts chegar. Era meu segundo ano na escola, não tinha mais aquele medo terrível como da primeira vez, de saber a que Casa pertenceria. Eu sou da Grifinória é claro! A Casa de Harry Potter. Não poderia ser de outra forma(apesar de a minha mãe ser da Corvinal), afinal meus pais foram amigos dele e lutaram também contra Voldemort n’A Batalha. Sou filha de Lino Jordan e Cho Chang, uma mistura pra lá de exótica eu sei, mas que ,de acordo com meus colegas, deu certo!Meu pai hoje tem uma rádio que se chama Observatorium, uma homenagem aos tempos do Observatório Potter , minha mãe o ajuda e cuida de meus irmãos.
Esse é o primeiro ano de Alvo Severo, o segundo filho de Harry Potter e Gina Weasley em Hogwarts. Vejo que ele está muito assustado, pelo que Tiago me contou é medo de ir parar na Sonserina, já que leva o nome de Severo Snape, um antigo professor e patrono da Sonserina. Acho que isso não é suficiente para definir sua Casa, mas seu medo é genuíno. Tiago é o filho mais velho de Harry Potter, somos do mesmo ano na escola e ele é conhecido pelo seu senso de humor assim como seus tios Fred e Jorge Weasley. Não chegou a conhecer seu tio Fred, pois ele morreu n’A Batalha. Já seu tio Jorge é conhecido por todo o mundo bruxo por ser o dono da franquia Genialidades Weasley, uma das lojas mais bem sucedidas do mundo bruxo.
Mesmo antes de entrar no trem já captei olhares lânguidos de Escórpio para Rosa. Ele é filho de Draco Malfoi e ela de Rony Weasley e Hermione Granger. Vai ser engraçado se os dois se enamorarem, afinal os pais se detestam, mas é muito cedo pra se pensar em namoricos, ainda nem chegamos a Hogwarts. E de mais a mais a professora Minerva McGonagall, diretora da escola, não aprova namoros na instituição, o que deixa os passeios a Hogsmead mais excitantes.
Acho que vocês vão gostar de saber que Rony Weasley e seu pai, o velho Sr Arthur, conseguiram o prêmio de Empresa do Ano pela sua gestão à frente da “Coisas de Trouxas SA” , uma das maiores empresas do país, especializada em adequação de coisas de trouxas para o mundo bruxo. Realmente muito inovador. A criação da empresa e seu sucesso, mudou completamente a condição financeira e social de Sr Weasley pai. Já Hermione, é a nova Relações Públicas do Ministério da Magia. Cargo feito sob encomenda! Estou brincando, afinal no novo Ministério da Magia as coisas são transparentes: não há protecionismo. Gina conseguiu licença saúde indefinida por seu Transtorno Bipolar, e hoje está por conta da casa e dos filhos. E é claro que Harry Potter conseguiu um cargo de prestígio, ele é o braço direito do Ministro da Magia. E dizem que ele mesmo não conseguiu o cargo de ministro devido à sua pouca idade.
Como diz a professora Sibila Trelawney “o mundo é uma carta de Tarot, a roda da vida, dá muitas voltas”. Quem poderia imaginar que depois de tantas aventuras e perigos toda essa turma iria, um dia, se estabelecer e viver como famílias de classe média, heim?

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Posted by Lívia Marques on 25 de fevereiro de 2012 10:02 in , ,



VOCÊS SABEM O QUE É UM PALÍNDROMO?

Um palíndromo, como sabe, é uma palavra ou um número que se lê da  mesma maneira nos dois sentidos normalmente, da esquerda para a direita e ao  contrário.

Exemplos: OVO, OSSO, RADAR. O  mesmo se aplica às frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase; é o caso do  conhecido:
SOCORRAM-ME, SUBI NO ONIBUS EM MARROCOS.

Diante do interesse pelo assunto (confesse, você leu a frase de trás p'ra  frente), tomámos a liberdade de seleccionar alguns dos melhores palíndromos da  língua de Camões...
Se você souber de algum, acrescente e passe adiante.
ANOTARAM A DATA DA MARATONA

A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA

A DROGA DA GORDA

A MALA NADA NA LAMA

A TORRE DA DERROTA

LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL  É COR AZUL

O CÉU SUECO

O GALO AMA O LAGO

O LOBO AMA O BOLO

A CARA RAJADA DA JARARACA

SAÍRAM O TIO E OITO MARIAS
E agora?

Você sabe o que é tautologia?

É o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia,
de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido.
O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Mas há outros,
como você pode ver na lista a seguir:
- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- quantia exacta
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com
- expressamente proibido
- em duas metades iguais
- sintomas indicativos
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- a razão é porque
- anexo junto à carta
- de sua livre escolha
- superávit positivo
- todos foram unânimes
- conviver junto
- facto real
- encarar de frente
- multidão de pessoas
- amanhecer o dia
- criação nova
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planear antecipadamente
- abertura inaugural
- continua a permanecer
- a última versão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer em pessoa
- gritar bem alto
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- exceder em muito .

Note que todas essas repetições são dispensáveis.
Por exemplo, 'surpresa inesperada'. Existe alguma surpresa esperada?  É óbvio que não.
Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que
utiliza no seu dia-a-dia. 

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Piadinhas de carnaval

Posted by Lívia Marques on 17 de fevereiro de 2012 11:57 in , ,





Dois amigos se encontram: 
- Você sabia que o Arnaldo está hospitalizado? - comenta um deles 
- O cara tá mal, parece que nem dá pra reconhecer direito...
 - Não pode ser! - disse o outro, aflito - Ainda ontem eu vi o Arnaldo num baile de carnaval, dançando com uma loira deliciosa! 
- Pois é, a mulher dele também viu!


Todo dia a bicha passava pela construção. Era o pobre do semicoflauta passar e o servente da obra gritar: 

- Bichona! Chibungo! Frangão! 
Ah... a boneca ficava uma fera e mandava o troco: 
- Paraíba! Saquarema! Morto de fome! Flagelado! 
E isto era todo dia, chibungo pra lá, flagelado pra cá. Aí, chegou o Carnaval. O fresquinho mandou fazer uma fantasia linda de baiana, toda rendada. Pintou-se, penteou-se, enfeitou-se e desceu para ir para a festa. Virou a esquina e foi passando em frente à obra. Lá estava o servente da obra. No que ele viu a baiana rebolando do outro lado, reconheceu logo quem era e abriu a boca pra gozar o pobre, percebeu que até que ela estava bonitinha. Aí encheu os peitos e gritou: 
- Boneca!!! 
Ah... ela não aguentou de emoção. Virou-se pra obra, abriu os braços e gritou, morrendo de felicidade: 
- Arquiteto!!!





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Amizade

Posted by Lívia Marques on 14 de fevereiro de 2012 18:53 in , ,

Amizade tem que ser uma rua de mão dupla
em que a gente dá e recebe
da mesma forma, na mesma proporção
senão fica desigual, fica injusto.
Amigo tem que estar disposto a te ver, a partilhar
a te receber em casa e a te visitar
senão não é amizade.
Amigo tem que te deixar sonhar, mas te trazer à realidade
deixar seus pés no chão
senão você voa pra longe
Amigo tem que chorar junto, sofrer junto
segurar a barra
senão pra que serve o ombro?
Amigo tem que se aventurar junto, fazer coisas junto,
compartilhar experiências
senão pra que servem as memórias?
Amigo compra briga
enfrenta leão
tudo pra te fazer um pouco mais feliz.

Lívia Christina Nogueira e Marques


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A mulher que lê...

Posted by Lívia Marques on 12:43 in , , ,





Um casal sai de férias para um hotel-fazenda...
O homem gosta de pescar e a mulher gosta de ler.
Numa manhã, o marido volta de horas pescando e resolve tirar uma soneca.
Apesar de não conhecer bem a lagoa, a mulher decide pegar
o barco do marido e ler no lago.
Ela navega um pouco, ancora e continua lendo seu livro.

Chega um tenente da guarda ambiental do parque em seu
barco, pára ao lado da mulher e fala:

- Bom dia madame. O que está fazendo ?

- Lendo um livro, responde. (Pensando: será que não é óbvio?)

- A senhora está em uma área restrita em que a pesca é proibida, informa.

- Sinto muito tenente, mas não estou pescando, estou lendo.

- Sim, mas, a senhora tem todo o equipamento de pesca. Pelo que sei a
senhora pode começar a qualquer momento. Se não sair daí
imediatamente terei de multá-la e processá-la.

- Se o senhor fizer isso terei que acusá-lo de assédio sexual.

- Mas eu nem sequer a toquei ! diz o tenente da guarda ambiental.

- É verdade, mas o senhor tem todo o equipamento. Pelo que
sei, pode começar a qualquer momento !

- Tenha um bom dia madame - diz ele e vai embora.

Moral da história:
Nunca discuta com uma mulher que lê, pois certamente, ela pensa!

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A estrada

Posted by Lívia Marques on 11:13 in ,

    

Que a estrada se erga ao encontro do seu caminho

Que o vento esteja sempre às suas costas

Que o sol brilhe quente sobre a sua face

Que a chuva caia suave sobre seus campos

E até que nos encontremos de novo


Que Deus o guarde na palma da sua mão


autor desconhecido



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Romance

Posted by Lívia Marques on 12 de fevereiro de 2012 09:31 in , ,



Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu. Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Carlos Drummond de Andrade


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Posted by Lívia Marques on 10 de fevereiro de 2012 11:32 in , , , ,

Uma heroína quase esquecida
A fascinante história de Aracy Guimarães Rosa, uma brasileira que ajudou a salvar dezenas de judeus do nazismo e foi colocada por Israel no mesmo patamar de mitos como Oskar Schindler.
Dona Aracy faleceu no dia 03/03/2011 aos 102 anos.

Em 1985, Aracy vê seu nome no Jardim dos Justos. Ao lado, o diploma do Museu do Holocausto.
Paranaense de Rio Negro, filha de pai brasileiro e mãe alemã, separada do primeiro marido, Johannes Edward Ludwig Tess, numa época em que o casamento era sagrado, Aracy Moebius de Carvalho mudou-se para a Alemanha em 1934 para morar com uma tia e com o filho Eduardo, então com cinco anos. Fluente em alemão, francês e inglês, encontrou trabalho no consulado brasileiro em Hamburgo, como chefe do setor de vistos. Chocada com a perseguição aos judeus promovida pelo nazismo, Aracy resolveu ignorar as determinações do Itamaraty para impedir a entrada dos "semitas"no Brasil e ajudou a conceder vistos a dezenas deles, talvez uma centena. Em 1938, o diplomata João Guimarães Rosa, que depois se tornaria um dos maiores escritores brasileiros, foi nomeado cônsul-adjunto em Hamburgo. Ele teve pleno conhecimento da "transgressão" de Aracy e lhe deu apoio. Casaram-se em 1940. Viveram em Hamburgo, sob bombardeios da RAF (Royal Air Force), até voltarem ao Brasil, em 1942. Grande sertão: veredas, de 1956, obra-prima da literatura brasileira, foi dedicado a Aracy, carinhosamente chamada de "Ara" por Guimarães Rosa. Dedicado, não; dado:"A Aracy, minha mulher, Ara, pertence esse livro".
A solidariedade do casal a perseguidos não se limitou à época do nazismo. Em 1964, eles ajudaram o jornalista e crítico literário Franklin de Oliveira a se exilar. Em 1968, quando as trevas do AI-5 desabaram sobre o País, Aracy, já viúva, escondeu em sua casa no Rio de Janeiro o cantor e compositor Geraldo Vandré, perseguido pela repressão política. Pelo seu trabalho em Hamburgo, em 1983 Aracy de Carvalho Guimarães Rosa foi incluída entre os quase 22 mil nomes que estão no Jardim dos Justos, no Museu do Holocausto, em Jerusalém. Tratase de uma homenagem e um reconhecimento que o Estado de Israel presta aos góim (não-judeus) que ajudaram judeus a escapar do genocídio. Entre os mais famosos estão o empresário alemão Oskar Schindler - que inspirou o filme A lista de Schindler, de Steven Spielberg - e o diplomata sueco Raoul Wallenberg. Apenas outro brasileiro, o embaixador Luiz de Souza Dantas (1876-1954), recebeu a mesma honraria, em 2003. "Discreta, sem jamais ter caído na tentação de se promover por ter sido quem foi, Aracy paga hoje o preço do esquecimento", diz o historiador e escritor René Daniel Decol, empenhado no resgate dessa personagem. "Até sua influência sobre o escritor tem sido negligenciada pela crítica, pelos historiadores da literatura e pela mídia."
Segundo a Concise Encyclopedia of the Holocaust, editada pela International School for Holocaust Studies, Yad Vashem, Aracy começou a ajudar os judeus depois do progrom ocorrido na noite de 9 de novembro de 1938, que ficaria conhecido como Kristallnacht - Noite dos Cristais. Naquela noite, hordas nazistas na Alemanha e na Áustria atacaram e destruíram sinagogas, residências e estabelecimentos comerciais judaicos, matando cerca de 90 pessoas, marcando o início da repressão aos judeus que terminaria na "solução final", o extermínio puro e simples. Apesar de ter um filho pequeno e a mãe que dependia dela, Aracy não se intimidou. "Minha mãe achava aquilo tudo injusto, ignorou a determinação do Itamaraty e, com a maior discrição, continuou a preparar os processos de vistos para judeus, à revelia de seus superiores", disse a ISTOÉ o advogado Eduardo de Carvalho Tess, filho de Aracy. Para tanto, ela contou com a cumplicidade de um funcionário da polícia de Hamburgo, que emitia passaportes para judeus sem o infame "J" vermelho que os identificava como tais. Isso viabilizava a emissão de vistos para eles, que passavam por europeus. "Depois, ela enfiava os vistos no meio da papelada que despachava com o cônsul-geral, que os assinava sem ver", diz Tess.
Clandestinamente o carro do serviço consular para transportar judeus que se escondiam em sua casa e em casas de amigos e para distribuir entre eles alimentos que ela desviava da cota que o consulado recebia - na época da guerra, a Alemanha vivia sob racionamento. "Muitas vezes, ela transportou judeus no porta-malas do carro do consulado. Eu me lembro que era um Opel Olympia alemão. Chegou a levar uma pessoa até a Dinamarca", diz o filho. Personalidade forte, Aracy não se intimidava quando era parada pela Gestapo. Pelo menos uma vez, enfrentou os policiais de dedo em riste, desconcertando-os com seu alemão impecável. "Minha mãe exibia muita segurança e autoridade, os alemães respeitavam a autoridade."

campo concetracao
O trabalho de Aracy evitou que muitos judeus tivessem o mesmo destino de milhões de vítimas dos campos de extermínio nazistas.
Testemunhos de judeus que foram salvos por Aracy contam que ela os acompanhava até o camarote do navio para assegurar proteção diplomática e, muitas vezes, levava as jóias, bens e dinheiro dos refugiados em sua bolsa para evitar que fossem confiscados pela polícia nazista. Uma delas é Maria Margareth Bertel Levy, que também está prestes a completar 100 anos e, por problemas de saúde, já não pode mais falar. Em 2006, contudo, ela gravou um depoimento ao historiador René Decol: "Aracy me levou pessoalmente ao navio, usando seu passaporte diplomático." Margareth talvez seja a última das pessoas salvas por Aracy ainda viva. "Pelas informações que tenho, minha mãe deve ter salvo, no total, cerca de 100 pessoas", calcula Tess. Uma das poucas vezes que Aracy falou sobre si foi em 1983, quando recebeu a homenagem do Estado de Israel: "Nunca tive medo, quem tinha medo era o Joãozinho (o escritor Guimarães Rosa). Ele dizia que eu exagerava, mas não se metia muito e me deixava ir fazendo", disse Aracy ao Jornal do Brasil.
Aracy atuou espremida entre o nazismo alemão e o Estado Novo de Getúlio Vargas, no contexto maior de uma era que o filósofo britânico Isaiah Berlin definiu como "a mais terrível da história". O Brasil atravessava tempos de racismo e xenofobia. Desde 1921, sucessivos governos vinham criando barreiras à entrada dos "apátridas" da Primeira Guerra Mundial, em especial aos judeus russos fugidos da Revolução Bolchevique de 1917, tratados num documento oficial como "semitas indesejáveis para compor a população brasileira". Em 1933, Adolf Hitler tomou o poder na Alemanha e começou a perseguir judeus, ciganos, homossexuais, liberais, socialistas e comunistas. No Brasil, a Assembléia Constituinte de 1934 discutiu abertamente políticas de "branqueamento", a eugenia estava em alta, o assunto da hora era o "perigo amarelo" (os japoneses) e nossas elites acreditavam na relação entre a etnia e a ética. Chegou-se a discutir a proibição à imigração de japoneses e negros, mas logo essa aberração foi substituída por cotas de imigração, que privilegiavam alemães, portugueses e suecos. Em 1935, Hitler criou as Leis de Nuremberg contra os judeus e começou a avançar sobre o Leste Europeu. Aumentou então a fuga de judeus para as Américas. De início, eles entravam no Brasil na cota de alemães e austríacos. O Itamaraty reagiu com a Circular Secreta 1127, de 1937, restringindo a entrada de todos os "semitas".

Aracy era uma diplomata meticulosa, que se preocupava em anotar detalhes do trabalho
As embaixadas brasileiras na Europa tinham ordens expressas do Itamaraty para não conceder vistos a judeus. As representações mais duras foram as da Alemanha, onde o embaixador Cyro de Freitas Vale era um germanófilo, anti-semita e simpatizante assumido do nazismo, e da Itália, onde o encarregado de negócios, Jorge Latour, também era um anti-semita agressivo. O chefe de Aracy, o cônsul-geral do Brasil em Hamburgo, Joaquim de Souza Ribeiro, não era anti-semita, mas um diplomata disciplinado. Dificultava ao máximo a concessão de vistos a judeus para não desagradar ao embaixador e ao governo. "Eram raríssimos os funcionários do Itamaraty que ajudavam os judeus", diz a professora da USP Maria Luiza Tucci Carneiro, autora de O anti-semitismo na era Vargas. "Se a Aracy facilitou, o fez correndo perigo."
De volta ao Brasil, ela se dedicou inteiramente a colaborar com a atividade literária do marido. Mas ainda voltaria a desafiar o arbítrio. O escritor Franklin de Oliveira relata no prefácio de 1992 de Grande sertão: veredas, que em 1964, quando começou a caça às bruxas, Aracy e Guimarães Rosa quiseram que ele fosse se esconder na casa deles. A oferta foi recusada, e então eles organizaram uma lista de embaixadas nas quais o escritor pudesse buscar asilo. Em 1968, pouco depois de ter se tornado viúva, Aracy participava de reuniões de intelectuais que se opunham à ditadura militar no País. No dia 13 de dezembro, quando o regime baixou o AI-5, um dos artistas caçados pela polícia encontrou guarida no apartamento de Aracy no Posto 6, Arpoador, com vista para o Forte de Copacabana. Era o compositor Geraldo Vandré, autor de Pra não dizer que não falei das flores. "Do apartamento, ele podia ver a movimentação de soldados e policiais na rua", diz Tess.
E diria que o mais interessante, é que no Brasil Aracy não é reconhecida por seus feitos, a não ser como esposa de Guimarães Rosa.

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