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[Batata Quente 3 - parte 2] - As Crônicas de San Atório - Capítulo dois: Encontros e Caminhos

Posted by Marcinha on 11 de setembro de 2013 06:00 in , ,

Olá, retalhenses e leitores!
Cá estou, com algum atraso, me desculpem por isso.
Estou postando hoje a continuação do nosso terceiro Batata Quente, As Crônicas de San Atório. Para quem quiser conferir a primeira parte dessa história, é só acessar o link:
Batata Quente na Área!!! Crônicas de San Atório!

Aqui está a continuação... vamos à segunda parte! Quero dedicar esse capítulo à Denize, nossa Olhos Celestes, que recentemente deixou o blog por motivos pessoais.
Denize, te adoro, garota!

As Crônicas de San Atório - Capítulo dois: Encontros e Caminhos


- Me chamo Martha, conhecida como a Guerreira Sombria. - adiantou-se a guerreira, ainda sob efeito do álcool, estendendo a mão para a loira de capuz. - Já o nome da trapaceira aqui não faço a mínima...
- Quem está chamando de trapaceira, sua bêbada? - retorquiu a taverneira.
- Uma certa ruiva que batizou minha cerva com uma pinga de quinta categoria... ou coisa pior! - grunhiu, com a voz arrastada.
- Pois essa ruiva esperta tem nome; me chamo Santhara. Além do mais, mulheres metidas a brincar de guerreiro bem merecem um corretivo de vez em quando.
- Ora sua... - avançou a guerreira, ainda bastante trôpega, pousando as mão agressivas no pescoço da ruiva.
- Ei, o que é isso?! Parem! - gritou Deziree, tentando decidir se intervia ou não na cena.
Numa fração de segundo, Petrika e  Nardanna se entreolharam, e a primeira deu uma piscadela para a amiga. Fez um gesto sutil e imperceptível com uma das mãos, e Martha parou no mesmo instante.
Estupefata, a guerreira olhava boquiaberta para o cordão no pescoço da ruiva. Nunca havia visto jóia tão bem trabalhada: uma caveira demoníaca com chifres em arco, tendo dois rubis encrustados nos olhos, tão brilhantes que pareciam acesos.
- Onde conseguiu essa jóia? - inquiriu a guerreira, encantada com o objeto - Já procurei em todas as vilas por onde passei, e nunca encontrei uma crânio de dêmônio tão perfeitamente entalhado.
Santhara encarava a guerreira atônita. Lançou um olhar incrédulo para o próprio colo, onde brilhava a diminuta coruja de prata que lhe pendia do cordão. Olhou novamente para a guerreira, indagando:
- Você não está nada bem, não é?
- Ficarei bem se me vender este colar! Eu sempre quis uma caveira como essa sua...
- Está bem, está bem! - interrompeu a ruiva, enquanto retirava a delicada corrente de coruja do pescoço e a pasava às mãos da guerreira. - É sua! Isso já está ficando muito bizarro.
Enquanto a guerreira colocava o colar no próprio pescoço, sustenando um sorriso de completa satisfação, Nardanna encarou sua parceira com um tom repreensivo.
- Peeeeeet!
- O quê? - retorquiu a maga, ostentando um sorriso travesso - A briga sessou, não foi?
Deziree riu, levando a mão a testa, divertida. Como lhe seria útil, em sua vida de salteadora, possuir uma ínfima parte dos dons mágicos e ilusórios de Pethrika.
Enquanto ria da situação, viu passar ao longe um pequeno vulto branco. Ficou alerta, enquanto tentava disfarçar para não alertar as outras sobre o que vira. Entretanto, o vulto já havia desaparecido.
Tentando desfazer o mal estar que ainda sentia pela atitude de Martha, Santhara engrenou:
- Bem, parece que meu emprego se foi. Aquele bode velho jamais vai me perdoar pela garrafada que acertei nele. Preciso arranjar outro ganha-pão.
- Nem olhe pra nós. A sociedade está fechada. - protestou Nardanna - Eu e Pethrika damos conta perfeitamente do nosso empreendimento.
- E a Deziree? - retorqui Santhara, maneando a cabeça para apontar a encapuzada.
- Free-lancer. - respondeu a loira por si mesma, sem desviar o olhar da adaga com que limpava agora as pontas das unhas.
A ruiva de um muxoxo e correu os olhos até a guerreira.
- Bem, eu estou precisando de uma escudeira. - afirmou prontamente Martha, sentindo-se um pouco menos bêbada com seu amuleto de caveira para lhe proteger.
- Pode esquecer! - retrucou a ruiva - Meu primo Sancho é escudeiro e já me contou histórias cabeludas demais. Muito obrigada.
A guerreira apenas deu de ombros.
- Está bem. - suspirou a ruiva - Vou tentar a sorte no torneio de bardos então. Pode ser que eu consiga algo lá. Alguém me acompanha?
- Bardos? - repetiu a guerreira com certo desdém - Alaúdes nada tem a ver comigo mas... lhe farei companhia, se quiser. Estou em dívida com você e, em agradecimento pelo colar, pretendo segui-la até que eu possa retribuir o favor.
- Eu acho um ótimo programa! - exclamou Deziree - Torneios lotados de trouxas... ãhhh... de viajantes... sempre podem render bons negócios para mim. E além do mais... - ela estancou de repente, deixando a frase incompleta.
Havia visto novamente. O vulto branco passara correndo por entre as moitas a alguma distância, não deixando dúvida do que se tratava. Era o coelho branco mais incomum que já vira. O pequeno animal parou, tirando um relógio de corrente do bolso do colete. Verificou as horas e saiu apressado em seguida. Deziree o seguia com os olhos arregalados, extremamente interessada. Era o mesmo coelho que tantas vezes aparecera em seus sonhos.
- Nós estamos fora dessa; não é mesmo, Pet? - afirmou Nardanna - Eu e minha parceira somos uma dupla com foco em um só objetivo. Então certamente...
- Vocês poderão ganhar muito ouro lá. - interrompeu a feiticeira ruiva - Estive em todos os torneios anteriores e conheço as pessoas certas. Com a minha ajuda, vocês se darão muito bem naquele lugar.
- Então certamente nós podemos abrir uma excessão! - adiantou-se Pethrika, com um sorriso largo e entusiasmado - Nardanna também concorda em que devemos abrir nossos horizontes... não é, Danna? - indagou, cutucando a outra.
- Completamente! - concordou a arqueira, com entusiasmo dissimulado. Toda a arrogância havia desaparecido.
- Excelente. - comemorou Santhara, divertindo-se com a cena.
- E quanto a você, Deziree? - indagou Pethrika - Vai conosco? Você ia dizendo que...
- Que não posso. Não vou com vocês. - afirmou a salteadora, lançando olhares esquivos e disfarçados em direção ao coelho.
- Deixa eu ver se eu entendi... - adiantou-se Nardanna, visivelmente indignada - Você foi contratada para manter a nossa segurança e, agora que iremos a um torneio movimentadíssimo, você quer cair fora?
- Nosso contrato acabou, senhoras. Tenho uma busca pessoal a empreender. - respondeu a loira, fazendo uma mesura - C'est la vie, mademoiselles.
Deziree olhou uma vez mais por sobre o ombro, verificando a posição do coelho branco. O pequeno animal consultava o relógio mais uma vez e, apertando mais o passo, desapareceu em meio a folhagem.
- Preciso ir!  - exclamou Deziree, e desatou a correr na direção que o coelho tomara.
- Pet! Faça algo! - exigiu a arqueira, postando as mãos à cintura, após apontar a loira que se distanciava cada vez mais.
- Não posso fazer isso, Danna. Seria antiético. - afirmou a maga, balançando a cabeça em negação. - Deixe-a ir.
- Perfeito! - expirou Nardanna, sentindo-se exausta - Duas caçadoras de encrenca sem guarda-costas. Brilhante.
- Bem... dadas as circunstâncias... - foi se chegando a ruiva - posso emprestar minha leoa de chácara para fazer a segurança de vocês. Acertamos alguns detalhes e pronto! - propôs Santhara, batendo pestanas forçadamente enquanto um sorriso cínico lhe coroava o rosto.
- Sua leoa do quê? - indagou a guerreira, incrédula.
- Você não disse que quer me retribuir um favor? - retorquiu a feiticeira ruiva - Então, é sua chance! Fique quietinha e me deixe negociar. -  e, voltando-se para Nardanna e Pethrika, inquiriu - Então... temos um acordo?
- Um acordo em que termos? -  indagou Nardanna, bastante desconfiada.
- Precisamos saber o que vai querer em troca. - endossou Pethrika.
- Ah, gurias, pequenos detalhes! Acertamos isso no caminho. - afirmou Santhara, com uma expressão tranquilizadora - Melhor começarmos a caminhada. Venham. O torneio dos bardos é para lá.


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[HUMOR:] Cachaça da Boa

Posted by Marcinha on 6 de setembro de 2013 06:00 in , ,
Olá, retalhenses e leitores.

Nessa sexta-feira como texto de humor, vou postar algo com um historinha estilo "flash-back".

Há alguns anos, desde a popularização da internet, as pessoas adquiriram o hábito de trocar e-mails com piadas ou textos engraçados, como forma de aliviar o estresse do trabalho. Afinal, é quase automático e tão simples: você lê o e-mail, gosta, reencaminha para a sua lista, rapidinho. E então o que você leu o gostou, praticamente a empresa inteira em que você trabalha acaba lendo também.

Então nada disso existia antes da internet, não é? Ledo engano! Essa pratica de partilhar piadas sempre existiu, só que de forma mais rudimentar: um "gaiato" aparecia com um texto engraçado, e alguém datilografava numa folha (detalhe: datilografava!) fazendo uma matriz com umas cinco vezes a mesma piada. Então o segundo passo era a sessão de xerox da empresa, onde eram feitas várias cópias. Estas voltavam sorrateiramente pra mesa do gaiato, que cortava as folhas com uma régua separando as piadas. Finalmente, a última fase era entregá-las pros colegas, e logo haviam várias tirinhas com piadas espalhadas pelas mesas do escritório.

Como eu sei disso? Com frequência meu pai ou minha mãe levavam algumas dessas piadas pra mim durante a minha adolescência, eu adorava lê-las e as guardava.
Uma que hoje é popular na internet, mas já esteve no roll das tirinhas de xerox, é essa hilária que reproduzo abaixo:

Eu tinha lá em casa dez garrafas de cachaça, da boa.
Mas minha mulher obrigou-me a jogá-las fora.
Peguei a primeira garrafa, bebi um copo e joguei o resto na pia.
Peguei a segunda garrafa, bebi outro copo e joguei o resto na pia.
Peguei a terceira garrafa bebi o resto e joguei o copo na pia.
Peguei a quarta garrafa, bebi na pia e joguei o resto no copo.
Pequei o quinto copo joguei a rolha na pia e bebi a garrafa.
Peguei a sexta pia, bebi a garrafa e joguei o copo no resto.
A sétima garrafa eu peguei no resto e bebi a pia.
Peguei no copo, bebi no resto e joguei a pia na oitava garrafa.
Joguei a nona pia no copo, peguei na garrafa e bebi o resto.
O décimo copo, eu peguei a garrafa no resto e me joguei na pia.


(Autor Desconhecido)

Essa era minha favorita!
Espero que tenham gostado.



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Batata Quente na Área!!! Crônicas de San Atório!

Posted by Unknown on 31 de agosto de 2013 06:00 in , , , , ,
Após nosso período de férias, para dar uma animada, vamos ressucitar um MEGA-DESAFIO!
Para dar uma animada, vamos ressucitar nosso Desafio da Batata Quente!
Para quem não conhece o desafio, dá uma olhada nas Batatas-Quentes anteriores:

-  Parte Final

As regras serão as seguintes:  
(copiadas e adaptadas das regras das primeiras batatas!):

1- Iniciando a história, um com um tema baseado na Idade Média.

2- O textos será desenvolvido por quem quiser participar (conto com a participação de TODAS!)

3- Para que a história não fique longa nem sem um final, proponho que cada participante contribua com no mínimo dois trechos, e por isso todos devem publicar no comentário deste post “Quero Batata Quente”. A história deverá ter 10 partes e quem for publicando sua nova parte, não esqueça de linkar as anteriores para facilitar o leitor que por um acaso chegar.

4- Sempre que um participante postar a sua continuação, o próximo será quem se candidatar primeiro publicando nos comentários "A Batata Quente é minha”, e assim sucessivamente. Acompanharei o desenvolvimento das histórias e tentarei informá-los quando estiver próximo ao final.

5- Cada participante terá UMA SEMANA (sete dias) para postar a sua continuação. Se acontecer de postar antes do prazo, melhor, mas se por ventura a candidata tiver algum problema particular (ou de inspiração) e não conseguir postar no prazo, faça o obséquio de informar no blog que irá atrasar e dar um prazo médio para a publicação (se achar necessário pode passar a Batata Quente para outro que estiver interessado).

6- Ao final das histórias faremos um post colocando todas as partes juntas e uma imagem referente à história.

7- Em cada postagem coloquem a tag “BatataQuente” + "Crônicas de San Atorio" e sua tag pessoal.

8- Lembrem-se sempre de intitular o post com "Batata-Quente (3) - Parte xx", onde xx será a parte da história.

Bom, acho que é isso. Se alguém tiver alguma crítica e/ou sugestão para esse desafio é só dizer. Gostaria realmente que todas participassem mesmo que seus trechos sejam pequenos ou até mesmo de um parágrafo só. Minha intenção é interagir nossas mentes férteis.




Parte 1 - Na taverna do Fauno


 Por causa da chuva que caía naquele domingo, todo povoado estava se abrigando na taverna. Ela estava mais cheia do que nunca.

Martha levantou-se de sua mesa, tropeçando em suas próprias pernas. Sua cadeira se espatifou quando a empurrou para trás. Porcaria de mobília podre... Aquele fauno velho, o Silvicha nunca providenciava nada novo e os clientes eram obrigados a se equilibrar em pedaços de madeira e barris.

Chutou os pedaços restantes de madeira e começou a abrir a grande quantidade de nós de suas calças. Tinha mesmo bebido demais... Arrotou alto para impor respeito, mesmo assim, os demais guerreiros não a levavam a sério com seu pequeno porte e por manter seus cabelos negros, trançados nas costas chegando quase à cintura. Que guerreiro imporia respeito com tanto cabelo?

Santhara, uma das taverneiras havia servido cerveja misturada com aguardente. Martha bebia facilmente três barris de cerveja da boa, mas  a mistura de bebidas parecia ser muito mais do que ela era capaz de absorver.

Abanou a fumaça à sua volta, reclamando sem parar da quantidade de roupa que precisaria tirar para mijar. Encaminhou-se para a latrina num estágio entre entorpecida e irritada. Ser uma guerreira tinha dessas desvantagens... Armadura, capa, cota de malha, espada, escudo... carregar tudo para todo o lado... Se ainda tivesse um escudeiro...

Suspeitava que Santhara era uma feiticeira ou uma puta. Aqueles cabelos vermelhos semi-escondidos sob o capuz não pareciam normais. Tocou rapidamente a estrela do cabo da espada para espantar o mal, não podia arriscar má sorte agora.

*******

Em outra mesa, uma feiticeira e uma ranger com o arco pendurado, jogavam dados a dinheiro. Uma turba gritava a volta delas apostando sem parar. A Ranger, era extremamente sexy e inclinava o corpo para mostrar o colo branco... Aquilo cheirava a malandragem... Conhecia as duas de vista, estavam sempre fingindo jogar e incitando os bêbados a apostarem.

Bateu na cabeça de leve e lembrou... Já havia ouvido falar delas! Eram Nardanna e Petrika... Elas eram amigas e a segunda, era uma feiticeira ardilosa que usava seus dons ilusórios para trapacear e levar dinheiro dos homens que passavam por seus caminhos...

Não estava nem aí para elas... Mas sacudiu sua bolsa e não tinha mais moedas. Não seria difícil chantageá-las para conseguir mais algum ouro. Quando começou a se aproximar, notou que elas havia uma mulher loura misteriosa as acompanhando. Porque alguém usaria um capuz dentro da taverna? Aquilo não cheirava bem. Não a conhecia mas percebeu que seus olhos atentos espreitavam todos à volta...

Aproximou-se lentamente, tentando não ser notada, mas a loura foi mais rápida e encostou uma adaga em seu pescoço, perguntando baixinho:

- Veio apostar ou caçar briga? 

Sua mão desceu até a cintura e instintivamente puxou a espada. Logo estabeleceu-se a confusão...

Santhara servia bebidas numa mesa próxima, quando viu o velho Silvicha agarrando o traseiro de uma jovem mocinha que tinha começado a trabalhar ali há poucos dias. Não pôde se conter diante do asco daquele velho...
- Ora seu...



Nesse momento, ela pegou uma garrafa na mesa mais próxima e acertou a cabeça do fauno que cambaleou para trás.
Dois bardos começaram uma discussão sobre o torneio que haveria em alguns dias e que tinha lhes trazido para o vilarejo. E sem qualquer aviso, um barril vazio voou na direção de Martha e a misteriosa.

A loura agiu rapidamente. Soltou o pescoço de Martha e com um só golpe, partiu a madeira podre em pedaços.

Pethrika, assustada, não pensou duas vezes, olhou a volta e mentalmente traçou um caminho rápido até a saída, correndo para fora desviando com agilidade dos socos e pontapés dos bêbados que se engalfinhavam. Foi seguida por Nardanna que gritava enquanto enfiava as moedas entre os seios:

- Volte aqui, Pet! Me ajude a recolher o ouro!

O clima foi ficando ainda mais quente na taverna com o fauno subindo em uma mesa e exigindo o término da briga. Em poucos segundos, todos estavam xingando e arremessando móveis e objetos.





Quando Martha percebeu, estava do lado de fora, na chuva ao lado da feiticeira, da arqueira, da loura e de Santhara.

As cinco se entreolharam e mediram-se ferozmente. E foi nesse exato instante que um Orc atravessou a janela inconsciente. As cinco mulheres se abaixaram ao mesmo tempo e Santhara disse:

- Esse Orc sempre sai da Taverna de modos pouco convencionais. - balançou a cabeça e baixou o tom de voz, confidenciando - E ele NUNCA paga a conta.  Fico me perguntando se ele não tem ouro e finge estar desmaiado ou se ele pensa que é um dragão tentando aprender a voar...

A guerreira loura gargalhou alto, assustando as demais, que começaram a rir para aliviar o estresse. E então, ela estendeu a mão:

- Meu nome é Deziree... Essas são Pethrika e Nardanna. E vocês, quem são?

*******


E aí? Quem se habilita a pegar a próxima Batata-Quente?????












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DICAS: O que é ALITERAÇÃO?

Posted by Marcinha on 26 de agosto de 2013 06:00 in , , ,


Leitor quer saber se o exemplo abaixo caracteriza ou não um caso de aliteração: “A aposta é arriscada, pois não se pode prever se a renúncia do Estado em receber receitas presentes redundará num fomento econômico que, ao final, reabasteceria os cofres públicos.”

Para quem não está lembrado, aliteração é uma figura de estilo que consiste na repetição de um mesmo fonema: “Quem com ferro fere com ferro será ferido” (repetição do “f”).

Existem aliterações famosas na nossa literatura. Temos um belo exemplo em versos do poeta simbolista Cruz e Souza: “Vozes veladas, veludosas vozes, volúpias dos violões, vozes veladas vagam nos velhos vértices velozes dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.”

No texto jornalístico, em geral, a aliteração não faz sentido. Quanto ao exemplo que o nosso leitor nos apresenta, há realmente uma excessiva repetição do “r”: renúncia, receber, receitas, redundará, reabasteceria.

Fonte:
Professor Sérgio Nogueira

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Humor: "O Agrônomo Suiço" - Fernando Sabino

Posted by Marcinha on 2 de agosto de 2013 06:00 in , ,
O poeta estava calmamente no bar, tomando um aperitivo, quando lhe telefonaram.
Quem o chamava ao telefone era eu. O poeta não tem telefone em casa e há dias que eu o vinha procurando: a menos que me tivesse enganado, ele sabia de um amigo seu que conhecia um agrônomo suíço, interessado em administrar fazendas. Ora, outro amigo meu, a quem dei conhecimento da existência desse suíço, me disse que estava precisando exatamente de uma pessoa assim. E me pediu que conseguisse maiores informações com o poeta.
No bar, àquela hora, fazia um barulho infernal.
O poeta veio ao telefone e mal conseguiu ouvir o meu nome.
- Quem?
- Eu, rapaz! Então não está conhecendo a minha voz?
- Eu quem?
Levou uns bons cinco minutos para descobrir com quem estava falando. Talvez já tivesse tomado mais de um aperitivo, é possível.
- Que houve? Aconteceu alguma coisa?
Eu mal conseguia escutá-lo e ele não me ouvia de todo.
- Você se lembra daquele agrônomo que um conhecido seu...
- Daquele o quê?
- Daquele AGRÔNOMO!
- Você está enganado, não conheço ninguém com esse nome.
- Eu nem falei ainda o nome dele! É um suíço.
- Luís?
- SUÍÇO! Você um dia me falou...
- Não conheço nenhum Luís. Eu estava pensando que você...
- Fale mais alto! Sua voz está sumindo.
- Não, estou por aí mesmo... Você é que anda sumido.
Respirei fundo e voltei à carga:
- Eu sei que você não conhece o suíço. Um conhecido seu é que conhece.
- Escuta, que brincadeira é essa? Eu estava aqui tomando o meu uísque...
- Desculpe incomodá-lo no bar, mas você não tem telefone em casa...
- Não tem importância. Só que está parecendo brincadeira. Entendi você falar num suíço...
- Isso!
- Isso? Ah, eu tinha entendido suíço, imagine.
- Pois é isso mesmo, quer dizer: é suíço mesmo. O homem está em cima de mim para arranjar...
- Que homem? Não estou entendendo nada, muito barulho aqui.
- Um amigo meu, você não conhece. Está precisando de um agrônomo para a fazenda dele.
- Fazendo o quê?
Perdi a paciência:
- Olha, telefona para minha casa amanhã de manhã, está bem?
Mas o poeta agora estava interessado:
- Não precisa se zangar! Aconteceu alguma coisa com você?
- Conversar com bêbado dá é nisso.
- Você está bêbado?
- Bêbado está você, essa é boa!
- Espera! Entendi direitinho você falar que estava bêbado. Deve ser o barulho. Espera um pouco.
Ouvi pelo fone sua voz para os que o rodeavam:
- Vocês aí, querem fazer o favor de falar um pouco mais baixo? Um amigo meu está em dificuldades, e eu não escuto nada.
De novo para mim:
- Alô! Pode falar agora que estou ouvindo perfeitamente. Você está precisando de alguma coisa?
- Estou: que você me telefone amanhã de manhã.
E desliguei.
No dia seguinte era ele quem me procurava:
- Você talvez não se lembre, mas ontem eu estava calmamente no bar, tomando um aperitivo, quando você me telefonou no maior pileque para me contar que estava sendo perseguido por um sujeito chamado Luís. Que você quis dizer com isso?
- Isso, não: suíço - arrematei.

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DICAS: Concordância verbal com os pronomes QUE e QUEM

Posted by Marcinha on 22 de julho de 2013 06:00 in , , ,
Concordância Verbal com os pronomes QUE e QUEM:

1a) Quando o sujeito é o pronome relativo “QUE”, a concordância se faz obrigatoriamente com o antecedente (=palavra que está antes do pronome QUE): “Fui eu que falei”; “Foi ele que falou”; “Fomos nós que falamos”.

2a) Quando o sujeito é o pronome relativo “QUEM”, a concordância se faz normalmente na 3ª pessoa do singular: “Fui eu QUEM RESOLVEU o caso”; “Na verdade, são vocês QUEM DECIDIRÁ a data”.
Observe que, se invertermos a ordem, não haverá dúvida alguma: “QUEM RESOLVEU o caso fui eu”; “QUEM DECIDIRÁ a data são vocês”.


Embora pouco usual, não é considerado erro o fato de o verbo concordar com o pronome que antecede o QUEM: “Fomos nós quem RESOLVEMOS o caso.” “Não sou eu quem DESCREVO.”

Observação: quando não houver o pronome QUE, o verbo deverá obrigatoriamente concordar com o núcleo do sujeito (=pronome que está antes da preposição “de”): “UM dos casais já TINHA mais de vinte anos de vida em comum.” “NENHUM de nós dois PÔDE comparecer ao encontro.” “ALGUÉM da equipe RESOLVEU o problema.” “QUAL de vocês CHEGOU em primeiro?” “QUEM dentre nós ESTÁ DISPOSTO a sair?” “MUITOS de nós LERAM o livro.” Nesse caso poderíamos usar “Muitos de nós LEMOS o livro”, se quiséssemos subentender a ideia de “eu também”.

Professor Sérgio Nogueira
http://g1.globo.com/platb/portugues/

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Reflexões, desabafo e pedidos de conselho

Posted by Marcinha on 30 de junho de 2013 08:25 in ,

O que, exatamente, faz de um autor ser um autor, um escritor, um poeta, um compositor? De onde vem esses arroubos de por para fora sua criação? De que fonte teimosa jorra sua inspiração, que não está sufocada pelo dia a dia?
Peguei-me pensando nesta questão. Pensando principalmente em indivídios criativos que, como eu, trabalham em uma área diferente da área criativa que desenvolvem apenas para lazer.
Eu, por exemplo, escrevo e desenho, ambos com desenvoltura, mais como hobby. Trabalho com meu marido em uma oficina de customização de automóveis antigos, anexa à minha casa, em expediente integral, geralmente com uma folga semanal, sem observar os feriados nem dias santos.
Entendam, eu não estou reclamando. Eu amo o trabalho na oficina, adoro trabalhar com metal, sei manusear as ferramentas elétricas, os materiais de pintura... eu tenho um raciocínio mecânico muito bom e grande parte das soluções de imprevisto são dadas por mim. Eu me realizo lá, é "minha praia". Mas o serviço é braçal e cansativo, e quando termina o expediente já estou rezando por banho e cama...
Sem contar que, com casa e trabalho a passos de distância, acabo ficando com meus horizontes restritos. Não vejo gente, não respiro novos ares, não tenho novas idéias.
Serão esses os fatores que estarão embotando minha criatividade?
O fato é que... Jesus, nem me lembro a última vez que desenhei! E escrever... confesso que tem sido uma alquimia complicada nos últimos tempos. Pensada, repensada, medida... cuidadosamente. Já houve um tempo em que as idéias se atropelavam. Tempo em que eu digitava frenéticamente um texto, com outro já me cutucando na mente. Sintos saudades dessa época... e não sei dizer o que mudou.
Não estou parada, entretanto. Como dever de casa para reencher meu pote vazio, estou separando tempo para retornar a leitura mais frequente. Dentre outros, tenho uma coleção chamada Enciclopédia da Fantasia, são seis volumes com fábulas de todo o mundo. Bem além de Chapeuzinho Vermelho, nelas existem fábulas árabes, africanas, chinesas, histórias lindas de que eu nunca havia tomado conhecimento. Essa enciclopédia sempre aviva minha imaginação. Há histórias tão belas que já pensei em transcrever algumas para cá, vez por outra.
Por último, aceitando humildemante algum conselho, algum dos escritores, leitores e amigos presentes teriam alguma dica para me dar? Estilo "como escrever textos em meio a correria da rotina". Muito obrigada a todos!

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HUMOR: Negócio de Ocasião

Posted by Marcinha on 28 de junho de 2013 06:00 in , , , , ,

Negócio de Ocasião

(Fernando Sabino)

 

 


Quando mandou colocar mármore no chão de seu apartamento, o vizinho de baixo veio reclamar: às oito horas da manhã os operários começavam a quebrar mármore mesmo em cima de sua cabeça. Durma-se com um barulho desses!
– Está bem, está bem - concordou ele, acalmando o vizinho: - Vou mandar começar mais tarde.
Mandou que os operários só começassem a trabalhar a partir das nove horas. Dois dias depois tornava o vizinho:
– Assim não é possível. Já reclamei, o senhor prometeu, e o barulho continua!
– Mas é só por uns dias - argumentou ele: - O senhor vai ter paciência…
E mandou que os trabalhos só se iniciassem a partir de dez horas. Com isso pensava haver contentado o vizinho. Para surpresa sua, todavia, o homem voltou ainda para protestar e desta vez furibundo, armado de revólver:
– Ou o senhor pára com esse barulho ou eu faço um estrago louco.
Olhou espantado para a arma e, cordato, convidou-o a entrar:
- Não precisa se exaltar, que diabo. Vamos resolver a coisa como gente civilizada. Eu disse que era só por uns dias… Se o senhor quiser que eu pare, eu paro. Cuidado com esse negócio, costuma disparar. Qual é o calibre?
– Trinta e dois.
– Prefiro trinta e oito. Mas esse parece ser muito bom… Que marca?
– Smith-Wesson.
– Ah! Então deve ser muito bom. Cabo de madrepérola.. . Quanto o senhor pagou por ele?
– Cinqüenta.
– Não foi caro. Sempre tive vontade de ter um revólver desses. Quem sabe o senhor me venderia?
– Não vim aqui para vender revólver- explodiu o outro – mas para lhe avisar que esse barulho…
– Não haverá mais barulho, esteja tranqüilo. Agora, quanto ao revólver… Quer vender?
- O senhor está brincando…
– Não estou não: pela vida de minha mãezinha. Quer saber de uma coisa? Dou cem por ele. Sempre tive vontade. . . Vamos, aceite! Cem, ali na bucha, pago na hora.
O homem começou a titubear. Olhou o revólver, pensativo: cem era um bom preço. Já pensara mesmo em vendê-lo… Olhou o dono da casa, tornou a olhar o revólver:
– Toma: é seu- decidiu-se.
Antes de entrar na posse da arma, o comprador foi lá dentro buscar o dinheiro e estendeu-o ao vizinho. Depois empunhou o revólver e chegou-lhe aos peitos:
– Bem, agora ponha-se daqui para fora. E fique sabendo que eu faço o barulho que quiser e quando quiser, entendeu? Venha aqui outra vez reclamar e vai ver quem é que acaba fazendo um estrago louco.

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Educação ou Formação?

Posted by Marcinha on 23 de junho de 2013 06:00 in , , , , , ,
Não costumo falar de política, de sociedade, de movimento cultural, de economia ou de qualquer outro tema que movimente a coletividade rumo a evolução. Me afastei dessa temática desde que tomei conhecimento de como funciona a máquina do Estado, lá nos meus 18 anos, quando eu usava uma estrelinha vermelha do PT no peito. Desde muito tempo, eu me alienei, voluntariamente.

Mas... não podemos negar que esse levante inesperado do povo cordeiro brasileiro tem dado o que pensar até mesmo aos mais céticos. Por todos os lados as pessoas têm comentado as manifestações públicas, e até mesmo aqui no Retalhos esse tema já foi abordado pela nossa colaboradora Sammantha Freitas no texto "Toda revolução começa com uma fagulha..."  Pois este texto foi a semente do que posto aqui hoje.

Mas não vim falar de política. Vim falar de educação. Sou professora formada. Lecionei por quatro anos apenas. Ver a educação de perto foi que bastou para que eu decidisse abandona-la para sempre. Mudei de profissão.

Voltando ao texto, Sammantha cita que, entre outras coisas, o Brasil precisa de Educação. Mais educação, mais escolas, mais crianças e jovens nas salas de aula. Será? Ou será que o que o brasileiro precisa é de Formação?

Vamos dar uma olhadinha no dicionário:

e.du.ca.ção

Substantivo feminino.

1.
Ato ou efeito de educar(-se).
2.
Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano.
3.
Civilidade, polidez. [Pl.: –ções.]

§
e.du.ca.ci:o.nal adj2g.

for.ma.ção

Substantivo feminino.

1.
Ato, efeito ou modo de formar.
2.
Constituição, caráter.
3.
Modo por que se constituiu uma mentalidade, um caráter.
4.
O conjunto dos elementos que constituem um corpo de tropas.
5.
Conjunto de aviões em voo, de navios de guerra em operação, etc.
6.
Anat. Nome genérico de estrutura ou parte dela, e que tem aspecto definido. [Pl.: –ções.]


Sublinhei os significados mais pertinentes a minha idéia, destacando-os. Eu vejo da seguinte forma: educação é importante, e você aprende na escola, sim. A escola te instrui, te ensina civilidade. Mas na minha opinião, não tem a obrigação de te ensinar princípios. A formação de caráter, de valores, pode ser complementada pela escola, mas... é uma atribuição da família.

Sammantha escreveu: "Mas você, caro leitor, comete diariamente pequenos atos ilícitos - Se não comete, já cometeu ou ainda vai cometer. Não há ninguém que se salve."
"Quer um exemplo? Vamos lá... Você já recebeu algum troco errado? Devolveu? (...) Já pagou um "café" para um guarda? Já andou com carteira de motorista vencida? Já colou numa prova? Já levou alguma caneta, clips, papel do trabalho para casa? Já fingiu que estava dormindo para não ceder lugar no ônibus? (...) Já levou alguma revista do consultório médico para casa para ler? Não importa qual ato você cometeu. Não existe menor ou maior."

Analisou os atos? Não estamos falando só de crimes. Estamos falando de ética, consciência, honra.
Eu não vejo isso no brasileiro. Vejo hipocrisia.

Vou dar um exemplo. Em 1994 a banda brasileira de heavy metal Sepultura, reconhecida bem mais no exterior que em nosso próprio país, subiu ao palco do Hollywood Rock, no Brasil, festival que reuniu outras grandes bandas internacionais. Max Cavalera, vocalista do Sepultura, sempre teve orgulho de se propagandear brasileiro e subiu ao palco com uma bandeira do Brasil, na qual se enrolou como num manto durante um momento do show. Por causa de um breve incidente, onde o músico tropeçou na referida bandeira, ele foi escoltado até a delegacia ao final da apresentação da banda e preso, sob a acusação de ter pisado em um dos nossos Símbolos Nacionais.


O que dizer... o "cabeludo" já está errado. Esse negócio de heavy metal, o cara todo tatuado, não é boa coisa... com que direito ele quer se enrolar no nosso símobolo augusto da paz? Não! Põe esse cara na cadeia! Nem é ano de copa!

Agora... vai que fosse ano de Copa do Mundo, não é verdade? Aí pode.... pode tudo....



Devo comentar mais alguma coisa sobre isso? Devo falar de respeito... e limites? Não, né? É... vocês entenderam.

Vou dar outro exemplo. Tive um professor de Geografia no curso pré-vestibular que era um cara altamente politizado. Ele trabalhava também em uma escola que tinha uma cantina particular em seu interior, e aumentou repentina e absurdamente o preço da merenda. Dinaldo, esse professor, organizou os alunos em uma passeata no pátio da escola com cartazes e tudo o mais e os insulflou a boicotar a cantina. A pesseata e o boicote foram um sucesso. E culminaram na demissão dele.

O sistema não permite esse tipo de anarquista contaminando as ovelhas os jovens com esse tipo de idéias. É por essa ameaça velada que a maioria dos profissionais de educação se omite, ensinando tão somente o que está nos currículos escolares. Valores, cortesia, honestidade, lealdade, justiça... tudo isso fica em segundo plano, até mesmo em último. Não conte com a escola para ensinar nada disso.

Voltemos à temática atual, que me trouxe a este post. O povo está se mobilizando, o "gigante deitado" finalmente está desperto. Os manifestantes estão nas ruas, gritando palavras de ordem, reivindicando seus direitos, dizendo um sonoro "basta" à corrupção neste país. Lá estão os trabalhadores, os estudantes, os militantes políticos, os cidadãos politizados erguendo sua voz e protestando! Mas.... no meio destes existem tantos aproveitadores... vândalos, baderneiros... infiltados, depredando e saqueando.



Em última análise, eu acredito que os valores que regem a nossa conduta, guiam as nossas escolhas, nos ditam o certo e o errado são os únicos parâmetros capazes de criar uma sociedade mais justa. E esses valores vêm de berço, vêm da família, vêm do exemplo, e você os carrega para sempre em seu coração.
Quando um office-boy for incapaz de levar um clipe de papel do escritório para casa e um político for incapaz de desviar verba púlblica prejudicando a população, saberemos que as TVs estão desligadas à noite, e pais e filhos, finalmente, estão conversando.

Para terminar, eu peço apenas mais um momentinho do seu tempo. Eu ficaria feliz se você lesse o texto abaixo em voz alta. É retirado de um filme, Coração de Dragão, e não é nada demais. Mas declare esse juramento para si mesmo e reflita sobre como se sente. Creio que é de uma dose de algo assim que todo brasileiro precisa.

Juramento ao Velho Código
“Um Cavaleiro Jura Bravura,
Seu Coração Só Tem Virtudes,
Sua Espada Defende O Oprimido,
Seu Poder Apóia Os Fracos,
Sua Palavra Só Fala A Verdade,
Sua Fúria Destrói A Maldade.”

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DICAS: MAL ou MAU?

Posted by Marcinha on 17 de junho de 2013 06:00 in , , ,
1) MAU é um adjetivo e se opõe a BOM:

“Ele é um mau profissional.” (x bom profissional);

“Ele está de mau humor.” (x bom humor);

“Ele é um mau caráter.” (x bom caráter);

“Tem medo do lobo mau.” (x lobo bom);

2) MAL pode ser:

a) advérbio (= opõe-se a BEM):

“Ele está trabalhando mal.” (x trabalhando bem);

“Ele foi mal treinado.” (x bem treinado);

“Ele está sempre mal-humorado.” (x bem-humorado);

“A criança se comportou muito mal.” (x se comportou muito bem);

b) conjunção (= logo que, assim que, quando):

“Mal você chegou, todos se levantaram.” (= Assim que você chegou);

“Mal saiu de casa, foi assaltado.” (= Logo que saiu de casa);

c) substantivo (= doença, defeito, problema):

“Ele está com um mal incurável.” (= doença);

“O seu mal é não ouvir os mais velhos.” (= defeito).

Fonte: Professor Sérgio Nogueira
http://g1.globo.com/platb/portugues/

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Homenagem

Posted by Marcinha on 16 de junho de 2013 06:00 in , , ,
O que nos forma como indivíduos, como criadores? Que influências compõe nossa bagagem cultural e se derramam sobre nossas idéias criativas, sobre nossos textos?
Quem me vê escrever neste blog não suspeita que meu lado "escritora" veio se desenvolver há pouquíssimo tempo. Minha infância e adolescência foram cercadas de heróis que desenhavam... Ziraldo, Maurício de Souza, Renato Silva, também Van Gogh, Da Vinci... e eu desenhava, desenhava... horas a fio, tentando me igualar aos mestres.
Nunca tive paixão pelas letras... De onde vem agora essa vontade de encantar usando as palavras?
Pensei e repensei sobre a origem disto. E nada de achar nem mesmo um só herói literário que se destacasse na minha memória.
Então, num relance recordei, que lá pelos treze anos eu recitava uma poesia inteirinha, e cada palavra dela tinha muito significado para mim. (E a recito de memória até hoje.)

Como dizia o poeta...

Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão... nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão

- Vinícius de Moraes -



Assim sendo, considero este um herói litérário da minha adolêscencia até porque, até onde eu me lembro, não houve nada que eu tenha lido até hoje de autoria desde homem que não me tenha feito refletir e suspirar.
Fica aqui minha homenagem a Vinícius, O Poeta.

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O Beijo da Meia-Noite - Resenha (por Marcinha)

Posted by Marcinha on 11 de junho de 2013 06:00 in , , ,

O Beijo da Meia-Noite é o primeiro volume da Série Midnight Breed, que conta a história da Raça. O termo Raça se refere à Raça dos vampiros, originada do cruzamento entre seus antepassados extraterrestes e algumas raras humanas especias, conhecidas como as Companheiras da Raça. Apenas essas humanas, que podem ser reconhecidas por uma característica marca de nascença, conseguem gerar filhos dos vampiros, e estes sempre nascem machos. Dessas uniões sobrevive a Raça, em abrigos onde vivem todos os vampiros Civis ou no quartel general onde residem os membros da Ordem, os vampiros guerreiros guardiões da própria Raça e dos humanos que desconhecem a existência dos vampiros com os quais convivem. Esse anonimato dos vampiros me fez lembrar a trama do RPG Vampiro - A Máscara.

Vamos à sinopse deste volume:

Gabrielle Maxwell é uma renomada artista plástica que vive na cidade de Boston. Abandonada pela mãe ainda na infância ela carrega uma marca de nascença que mudará sua vida. Depois de uma exposição de fotos bem-sucedida é testemunha de um assassinato sangrento. Transtornada com as cenas de terror ela procura explicações... E apenas um homem, Lucan Thorne, será capaz de ajudá-la.

Lucan despreza a violência de seus irmãos sem lei. Ele próprio um vampiro, é um guerreiro da Raça, e jurou proteger sua espécie - e os humanos - da ameaça crescente dos Renegados. Lucan não pode arriscar um relacionamento com uma mulher mortal, mas quando seus inimigos escolhem Gabrielle como vítima, sua única escolha é trazê-la para o escuro submundo que comanda. Agora, nos braços desse intimidante líder da Raça, Gabrielle enfrentará um destino extraordinário, repleto de perigos, sedução, e dos mais sombrios prazeres...

A presença incômoda dos Renegados é um tempero especial na trama desta obra. Eles são o lado obscuro da Raça, são os vampiros que se deixaram dominar pela besta interna, cedendo à Sede e sendo dominados por ela. São viciados em sangue. Assassinos. Perseguidos e combatidos pela Ordem, eles resistem, e reagem. Uma grande guerra está sendo organizada pelo líder dos Renegados. E ele não é um vampiro qualquer, como Lucan há de descobrir.

Toda a história é envolvente em sua teia de conspirações, alianças e traições dentro da esperada (e desejada) ambientação da luta do bem contra o mal. Ainda mais quando o bem se apresenta personificado em um macho lindo de cerca de dois metros de altura, músculos sólidos e volumosos e uma pegada selvagem que os vampiros da primeira geração tem como ninguém.

Confesso que conhecer o Sr Lucan Thorne foi "eletrizante" exatamente como a Nanda havia dito quando recomendou a leitura. Posso entender perfeitamente por que Gabrielle se derrete completamente por ele no livro. Ela o conhece e o deseja, simplesmente. Não é sedução, só instinto. Não importa se ela é fotógrafa ou o que vai acontecer na próxima hora. Perto de Lucan, Gabrielle é apenas uma bela fêmea deixando-se levar pelos seus instintos mais básicos, aceitando sem pudores ou restrições o homem que ela deseja. Totalmente hot.

Com poucas palavras e uma atitude ao mesmo tempo selvagem e protetora, Lucan conduz Gabrielle atravéz de um vertiginoso relacionamento regado a paixão, cumplicidade, teimosia e alguns muitos desencontros.

Para finalizar minhas considerações, eu recomendo esta leitura, com-ple-ta-men-te! O livro tem cenas hot, cenas de ação, trama intrigante, personagens carismáticos... eu amei a história e estou com enorme expectativa para ler os próximos volumes. Ná verdade, já estou lendo O Beijo Escarlate, segundo volume da série, que pretendo resenhar em breve.

Outros dois livros desta série já foram resenhados aqui no blog por Nanda Cris, como você pode conferir abaixo:

O Despertar da Meia-Noite (volume 3)

A Ascenção da Meia-Noite (volume 4)

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Resposta ao Desafio do Dia dos Namorados por Marcinha

Posted by Marcinha on 9 de junho de 2013 06:00 in , , ,

Olá Retalhenses e leitores! Antecipando o Dia dos Namorados, venho postar meu texto, baseada na bela imagem que recebi do meu marido. Espero que todos gostem e, particularmente, que ele goste e que saiba que escrevi este texto com o mesmo carinho com que ele escolheu esta imagem para mim.

Como a maioria dos meus textos, este também fala de coisas incomuns e usa meios pouco ortodoxos para levar sua mensagem.

Acima de tudo, o texto de hoje conta a história de um homem que ama com uma profundidade incomum.




A Loba

Estava desaparecida há três meses quando ousou aproximar-se de casa novamente. Sentia-se profundamente angustiada naquela noite. Era o primeiro Dia dos Namorados que passaria sem ele em tantos anos quantos podia se lembrar.
Rodeou a casa com a leveza de uma animal selvagem. Expiou pela janela do quarto, encoberta pelo manto da noite. Lá estava ele como de hábito, sentado ao computador. Mas estava tão diferente...
Havia emagrecido e aparentava um enorme pesar. Observava uma foto após a outra na tela como se nem ao menos as visse. Seu movimento ritmadamente mecânico dava a certeza de que sua mente não estava focada no que fazia.
Estaria pensando nela?
Desviou os olhos da janela e se recostou a parede, tentando retomar o foco. Não era hora pra se perder em devaneios românticos. Para dizer a verdade, fora uma total idiotice ter vindo.
Respirou fundo, com os olhos fechados, preparando-se para correr para longe dali. Entretando, mesmo com as pálpebras cerradas, pode perceber a mudança na luz.
A lua estava prestes a aparecer por entre as núvens. Droga, era só o que faltava.
Moveu-se rapidamente cruzando o quintal, no momento em que a lua brilhou no céu por um instante. A idéia de colocar um vestido branco esvoaçante naquela noite fora a pior de sua vida. Se fosse vista cruzando o quintal iluminada pela lua pareceria um fantasma. Escondeu-se quieta nas sombras, já encostada ao muro oposto, torcendo pra não ter sido vista durante a travessia. Só precisava de alguns minutos pra se recuperar do sufocamento que sentia.
Mas a noite estava prestes a piorar. O dono da casa vira seu vulto fantasmagórico. Abriu a porta da casa num rompante e se pôs a escutar atento.
Ela o conhecia. Sabia que estava armado.
"Merda!", ela praguejou num sussurro.
Ouviu os passos dele pelo quintal, procurando pelo invasor, com a arma em punho. Ela levou a mão à garganta, sorveu o ar com desespero, curvou-se para frente, apoiando as mão nos joelhos. Precisava dominar a sensação. "Oh, Deus, faça com que as nuvens se fechem novamente", ela implorava internamente.
O cenário a sua volta sumia e reaparecia por breves momentos. Sentia o suor frio lhe brotar da testa enquanto lutava para continuar respirando. As nuvens abrandaram a luminosidade da luz parcialmente.
- Ponha as mão onde eu possa ver! - o dono da casa ordenou secamente, já com a arma apontada para a cabeça dela.
Um rosnado de desprazer lhe escapou dos lábios, e ela se ergueu num rompante, tendo os olhos inflamados de fúria. O homem a sua frente ficou lívido assim que a reconheceu.
- Martha?!
- Júlio. - ela grunhiu com esforço.
- Você... ah... meu Deus... pensei que estava morta... a polícia... nenhuma nótícia sua... - o homem gaguejava, inseguro sobre o que pensar, enquanto ela vigiava a lua, arfando um pouco menos e sustentando o olhar surpreso dele - ONDE DIABOS VOCÊ ESTEVE?!!
- No inferno. - ela rebateu imediatamente, a voz sombria - Por isso não voltei para casa.
- O que, por Deus, pode impedir você de voltar pro seu marido?! - inquiriu o homem, indignado. - Pensei que estava morta! A última notícia que tive pela polícia foi o acidente com o Dodge. Mas não encontraram você com o carro, nem seu... corpo... nem... nenhuma pista! Você desapareceu sem deixar rastro! Onde diabos se meteu por três malditos meses?!
Ela se apiedou dele. Muitas vezes pensara sobre como ele deveria estar, se era certo revelar que estava viva.
Mas... estava viva? Aquilo era vida?
O brilho lunar surgiu mais vivo desta vez, e todo o quintal a volta deles se iluminou. Martha se curvou, levando os braços cruzados à altura do estômago, como se um coice a tivesse acertado. Soltou o ar num urro estrangulado.
- Preciso ir embora. - ela afirmou, assim que conseguiu proferir algum som entendível.
- Ir embora? Assim? Sem me explicar nada? Não pode! Quer me enlouquecer? - exasperou-se o homem, passando ambas as mãos pela cabeça como se fosse perder a razão.
- Não sou mais a mulher que você amou! - ela vociferou, enquanto a dor só piorava.
Ela se curvou com mais um rajada de dor. Sentiu os nós dos dedos se expandindo e a dor latejante e a raiva que acompanhavam a transforamção.
E, mais que tudo, sentiu vergonha. Só queria um buraco no chão onde pudesse desaparecer.
Escondeu ambas as mão as costas e ergueu o dorso, encarando-o. Os lábios tremiam, enquanto ela tentava controlar a dor que lhe expandia os ossos.
- Sou um monstro. - ela bufou - Uma aberração. E uma assassina. Estou amaldiçoada.
- Martha, o que está dizendo?! - ele a sacudiu, desesperado, esperando uma resposta.
Consumida pela dor e pela sensação sufocamento, ela não conseguiu reagir ao movimento brusco dele. Suas mão balançaram enormes e desajeitadas à frente do corpo. Cobertas de pelos, exibiam dedos nodosos e garras ameaçadoras.
Júlio empalideceu pela segunda vez quando percebeu as mãos animalescas de sua mulher.
- Eu mato gente. O tempo todo. - ela afimou, parecendo distante, como se recordasse um pesadelo.
- Eu nunca imaginaria... - ele afirmou, observando as mãos monstruosas no seu agarre. - Meu Deus, Martha! - e dizendo isso, abraçou-a com toda a força.
Ela ficou paralisada pelo choque. Esperava tudo, menos ser abraçada desta forma, no meio de uma transformação. Agrarrou-se com força a seu marido, enquanto as lágrimas rolavam como uma represa que levara tempo demais para se romper.
- Na noite do acidente havia muito sangue... minha perna estava estraçalhada... o cheiro de sangue o trouxe... ele era imenso, muito maior que um lobo... ele me mordeu e mordeu, várias vezes... pensei que fosse me devorar... mas atiraram nele... mataram ele...
- Meu Deus, Martha... - ele a confortou, afagando-lhe as costas.
- Eu fugi, me arrastando... escapei. - ela continuou, aos soluços - Minha perna se curou sozinha em poucos dias... pensei que fosse um milagre... não era...
- Está tudo bem agora, Martha...
- Não, não está! - ela vociferou, recuando, escondendo e rejeitando as próprias mãos - Eu sou um monstro!
- Você é minha mulher!
- Eu vou matar você, não entende?
- Estou morto em vida sem você ao meu lado!
- Existem caçadores... de monstros como eu... virão atrás de mim... você estará no fogo cruzado...
- Martha, isso é um casamento... cuidar um do outro. Vou ficar com você, proteger você, haja o que houver...
- Não...
- Eu te amo.
Ela deixou que as lágrimas fluíssem sem se importar. Os soluços se transformaram em um uivo longo e confotável, algo que ela nunca experimentara. Sustentou o olhar do homem amoroso à sua frente e então ergueu a face para o céu, enquanto sua expressão serenava. A dor diminuíra sensivelmente desde que se sentira confortada, aceita. O amor tem o poder de curar qualquer ferida.
Fechou os olhos deixando que a transformação acontecesse. A face de loba logo apareceu, feroz e selvagem, como era de sua natureza. Um momento depois, uma imensa fera jazia de quatro no chão, e encarava o homem com um olhar selvagem.
Júlio sustentava o olhar do animal. Não fazia idéia do que viria a seguir.
A loba o encarou por mais um momento. Então saltou na direção dele.

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Resposta ao desafio da imagem da leitora Bianca Santana por Marcinha

Posted by Marcinha on 2 de junho de 2013 18:54 in , ,
Olá Retalhenses e leitores... Marcinha na área, garantindo o enfoque mais polêmico desse blog ou seu dinheiro de volta!

A leitora Bianca Santana desafiou as autoras deste blog com esta muito-bem-escolhida-imagem:



Duas retalhenses ja responderam ao desafio antes de mim, como pode ser conferido aqui: resposta da Nanda Cris e resposta da Samantha Freitas.

Sendo a terceira da fila, deixo com vocês minha versão... espero que todos gostem!

(Nota: Zan'thala foi inspirada no visual de Calypso, que aparece nos filmes da série "Piratas do Caribe")

...

O Lobo do Mar

Cansado, depois de horas de caminhada sem rumo pela cidade, Jack retornou àquele local. Fazia o mesmo todos os dias, desde que a tragédia se abatera sobre sua vida.
O velho lobo do mar olhou fixamente para a flor que trazia nas mãos. Sentado em um banco de madeira, sozinho, ele a observava. À sua volta, a geada que começava a cair implacável não o faria gelar até os ossos. Sua raiva borbulhava internamente de tal forma, que o aquecia.
Aquela flor vermelha, tropical, viçosa, ainda cheia de vida... era um insulto.
Desprendeu os olhos da flor que o esbofeteava e encarou o mar à sua frente. Cinzento e tempestuoso, o mar o encarou de volta, em desafio. A espuma branca do oceano revolto sob o vento cortante do inverno. O som das ondas. O que já fora música, era agora lamento para sua alma. Uma lágrima de ódio rolou-lhe pela face queimada do frio, perdendo-se na barba grisalha.
- Maldita seja. - praguejou ele.
Lembrava-se nitidamente do que acontecera, embora lhe parecesse que isso fora há uma eternidade. Mas nem se passara tanto tempo, fazia hoje exatamente um ano.
Um ano desde que seu navio aportara na costa da África, em pleno verão. Como o capitão da imensa embarcação pesqueira, ele achou por bem liberar seus marinheiros por dois dias, para que eles se divertissem uma pouco. A vida no mar podia ser dura para os homens mais jovens, sedentos pelos afagos de uma bela mulher.
Isso nunca fora preocupação para ele. O velho lobo do mar amava apenas seu navio e seu ofício, nada mais.
É claro que ele também se divertia com frequência. Mas era apenas isso. Nenhuma mulher jamais o prenderia, nenhuma se colocaria entre Jack "Wolf" Jones e a vida feliz que levava no mar.
Mas, como diz o ditado, "jamais é tempo demais".
Na costa da África, ele conheceu Zan'thala. Seu imediato a trouxe até ele e os apresentou. "Negra, macia e doce como a jaboticaba madura", lhe dissera seu sub capitão. O cão sarnento sabia exatamente o que estava fazendo.
- Bastardo. Amotinado. Maldito seja, Henry, para todo o sempre! - rugiu entredentes.
Jack e Zan'thala se divertiram intensamente naquela noite, e nas noites que se seguiram. O lobo do mar levara até os lençóis da negra uma paixão com a qual ela nunca sonhara. Em poucos dias estava cega de amor por ele. E foi aí que a coisa deixou de ficar divertida.
Zan'thala o cobriu de agrados e atenções, tentando seduzi-lo a viver em terra com ela. Jack se negou secamente. Repetiu seu característico discurso de que uma mulher jamais o afastaria do mar.
Esse foi seu grande erro.
A mulher ficara furiosa. Estava ferida, preterida, rejeitada e tinha uma expressão que beirava a loucura. Se Zan'thala fosse apenas uma mulher comum, não seria tanto problema; ela choraria, esbravejaria e se acalmaria por fim.
Mas era uma feiticeira aborígene.
- Eu te amaldiçoo. - sibilou ela, apontando um osso ritualístico para o peito dele - Eu te proíbo de estar no mar novamente. Seu amado oceano será pra ti dor e morte, como essa paixão que queima agora no meu peito!
Ao fim dessas palavras, os olhos dela brilharam em fogo por um breve momento, e Jack soube que sua vida jamais seria a mesma.
- Desfaça isso, bruxa! - gritou o capitão, avançando sobre a mulher, apenas em tempo de ouvir Henry chegando como um tubarão branco.
- Acabou, Jack! Acabou!
Um murro certeiro no queixo apagou o velho lobo instantaneamente.


Acordara no dia seguinte em um hospital, em Nova Iorque. Sua irmã fora buscá-lo de avião assim que soube de seu "súbito desmaio". Henry a avisara, e fora bastante prestativo em ajudá-la a retornar para a América levando o irmão inconsciente. Em seguida se tornou capitão do navio pesqueiro que por anos fora a vida de Jack.
Um ano depois, Henry lhe enviara aquela flor para lhe lembrar a data. Também escrevera um bilhete.
"Estão florescendo por toda a Costa aqui na África, neste calor agradável. Esta é a maior virtude de viver no mar, a liberdade de ir ao encontro de outros climas, novas terras... Mas você não sabe o que é isso há um ano, não é? Uma pena, realmente. Bem, então... aproveite a neve!
Ass: Capitão Herny Nicholson"

- Maldito... amotinado! - esbravejou Jack.


Não podia mais aguentar. Um ano fora do mar já fora demais pra ele. Não aguentaria mais tempo.
A maldição era real, bem real. Sentira seus efeitos assustadores todas as vezes que tentara enfrentá-la. Mas agora não importava mais. Nada importava.
Levantou-se do banco com o fôlego renovado. Olhou para a flor tropical pela última vez e a esmagou entre os dedos. Deixou-a cair com desprezo.
Olhou o mar bravio a sua frente, revolto sob a geada contínua. Caminhou a passos firmes. Vestido como estava, Jack entrou no mar.
A água devia estar gélida, mas ele não sentiu. Um calor intenso se apoderou dele, como das outras vezes. Continuou caminhando, cada vez mais para o fundo.
Agora sua pele ardia, estava vermelha como se o mar fosse ácido. Sentia por dentro seus órgãos queimarem, como se lava borbulhasse em seu estômago. A cabeça latejava como se fosse explodir. Passou as mãos pela testa, ele ardia em febre. A sensação de queimação continuava a se espalhar por todo o corpo, como se seu sangue fervesse nas veias. Sentia uma dor aguda nos ossos, como se carbonizassem.
"Seu amado oceano será pra ti dor e morte, como essa paixão que queima agora no meu peito." - ela dissera.
Sentindo-se sufocado pela fervura na garganta, ele não conseguia mais respirar. A dor era insuportável a esta altura, como se estivesse imerso em uma caldeira. Com um último suspiro, ele afundou a cabeça, desaparecendo no mar que tanto amava.


Três dias depois o cadáver de Jack foi encontrado, deformado pela água e obviamente semi-congelado depois de 72 horas de temperaturas baixíssimas. A polícia divulgou a causa-mortis de Jack N. Jones como hipotermia. Não poderiam estar mais longe da verdade.


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Na Segunda Caverna de Zenthor (A Guerreira e o Ogro - capítulo 3)

Posted by Marcinha on 06:00 in , , , , ,
Assim que terminou a mistura que resultou em um vasilhame repleto de tinta vermelha, o ogro selou o pote colando a tampa com cera quente, para que não entornasse no caminho. Em seguida, ele tomou um alforje grande onde colocou a tinta e algumas ferramentas e, jogando-o às costas, fez sinal para que a guerreira o seguisse. Ela agarrou a espada e prendeu-a a cintura, sem parar de caminhar, acompanhando o ogro que andava a passos largos. Em vários trechos Markka teve de apressar o passo a fim de não ficar para trás, enquanto se perguntava como uma criatura pesada a ponto de fazer o chão tremer sob seus pés podia ser ágil daquela maneira.
Depois de um quarto de hora seguindo por uma trilha em meio à vegetação alta, o ogro parou e olhou atentamente a toda a volta. Depois de ter certeza que estavam sozinhos, ele afastou a densa trama de cipós e folhagens que se dependurava sobre a pedra, revelando uma rocha enorme que estava solta da parede. Ele a moveu para o lado com um pouco de esforço, revelando a entrada da caverna. Fez um sinal para que a guerreira entrasse, e selou a entrada novamente, trancando-os por dentro.
O coração de Markka acelerou um pouco, e ela roçou o braço discretamente no punho da espada, só para sentir a presença de sua arma. Respirou fundo, a fim de dissipar a apreensão que ameaçava dominá-la, e que já fazia a cabeça doer um pouco. Olhou em volta, tentando deliberadamente se distrair.
A caverna era imensa em seu interior, e modestamente iluminada por uma abertura no teto, há uma boa altura do chão. Alguns cristais dispostos estrategicamente, refletiam o sol que fluía pela abertura, propagando a luz por todo o interior. A guerreira ficou bastante admirada com a engenhosidade do ogro.
Zenthor depositou o alforje sobre uma bancada de pedra e dirigiu-se ao fundo da caverna, onde havia um grande volume oculto por uma espécie de lona, inteiramente costurada com o couro de vários animais. O ogro removeu a lona com um puxão para o alto e esta esvoaçou, revelando uma sólida carroça de madeira.
– Aí está. – disse o ogro finalmente.
Markka olhou admirada a imensa carroça a sua frente, robusta como se o ogro a tivesse projetado para suportar qualquer intempérie ou guerra. Ela encarou o ogro, e assentiu com um leve arquear de sobrancelha, então pôs-se a circundar o veículo sem nada dizer.
A carroça era alta e confortável, com dois sólidos bancos de madeira dispostos um atrás do outro, onde seis poderiam se sentar com folga. Mais atrás havia um bom espaço, notadamente um compartimento de carga. Toda a carroça era coberta com uma estrutura retrátil em madeira e couro, permitindo que o veículo pudesse ser usado com teto ou sem. Por baixo do corpo da carroça corriam dois eixos robustos que sustentavam quatro rodas de madeira maciça, com mais de um palmo de espessura, visando dar maior estabilidade. Markka se deteve quando percebeu que, nas sólidas rodas de madeira, o ogro havia entalhado em cada uma um desenho que lembravam uma grande estrela de cinco pontas.
– Qual a função do desenho nas rodas? – perguntou ela, intrigada.
– Apenas estética. – respondeu o ogro, satisfeito com o interesse dela.
E a estética não parara por aí, como a guerreira bem pode constatar. Haviam aparadores sobre cada uma das rodas, com o intuito de reter a lama desprendida com o movimento. Mas, longe de serem apenas peças funcionais de madeira, elas foram cuidadosamente esculpidas em formato côncavo, depositando-se como conchas emborcadas nas laterais, cada uma sobre sua roda.
A frente do veículo haviam dois varões robustos de madeira entalhada, entrelaçados por filetes trançados de couro. A guerreira deduziu que eram arreios para mais de um animal.
– Já possui os animais para puxá-la? – indagou a guerreira.
– Ainda não, mas pretendo adquiri-los em breve. Há alguns dias recebi a resposta de um criador do norte, dizendo que os bisantes agora já tem idade para serem negociados. Quero comprar dois machos jovens, e para isso precisarei viajar. – explicou o ogro – Não quero perder este lote, ouvi dizer que esta é a ninhada com as pernas mais robustas que ele conseguiu desde que começou a cruzar esta nova linhagem.
– Com que outro animal ele tem cruzado os bisantes comuns?
– Acho que nunca se saberá. Muitas moedas de ouro já foram gastas em cerveja de primeira, mas o velho nem assim revela seu segredo. É desse mistério que ele vive.
A guerreira assentiu, e tornou a rodear a carroça, investigando os detalhes, sentindo o relevo entalhado enquanto deslizava a mão pela superfície. O ogro a observava, satisfeito com a reação dela, sentindo-se orgulhoso em ver seu trabalho admirado.
Quando ela se voltou para falar, os olhares se encontraram e ela ficou constrangida por um breve momento. Sentia-se um pouco devassada quando a observavam daquela maneira. Respirou fundo e voltou ao que ia dizer:
– Você fez realmente um belo trabalho nessa carroça, Zenthor. – disse ela – É bastante habilidoso. Espero que os animais que irá adquirir sejam belos e robustos como o veículo que irão conduzir.
– São bizantes quase comuns, guerreira, com a típica cabeça roliça e baixa, os chifres enrolados, a pelagem comprida e espessa, só diferenciados pelas pernas troncudas. Segundo o mercador há novilhos castanhos e negros com ele e preciso me decidir sobre quais pretendo comprar, para que possa comprar o couro dos bancos  na mesma viagem. Talvez traga couro a mais para trocar toda a capota. Quero que combinem. – explicou o ogro, com naturalidade.
A guerreira sorriu discretamente. Começava a admirar o perfeccionismo do ogro.
– Por que não viaja comigo? - disse o ogro, repentinamente.
– Para que eu iria? É uma longa viagem, se bem me lembro onde os criadores do norte se estabeleceram. Além do que dois viajantes significam despesas em dobro... e problemas em dobro também.
– Pense no lado bom das coisas. – insistiu o ogro – Você poderia me ajudar a escolher os animais e o couro que melhor combinasse com a carroça; duas cabeças são melhores do que uma. Além disso...
– Mas Zenthror...
– ... preciso de um segundo cavaleiro. Como vou montar dois bisantes na viagem de volta?
Markka sabia que os bisantes poderiam seguir tanquilamente em caravana, se Zenthor apenas atrelasse o segundo animal a sua montaria. O fato é que ele insistiria até que ela concordasse com a viagem. Alguém com persistência suficiente para construir sozinho uma carroça tão rica em detalhes tinha mesmo de ser um cabeça-dura-insistente. Mas em vez de se exasperar, ela começava a achar isso um pouco engraçado.
– O que me diz? – insistiu o ogro mais uma vez – Me ajuda a trazer os bizantes na viagem de volta? Ou acha que não conseguiria montar um deles?
– Ah, sem essa hein! – ela teve de rir – Esta bem, chato. Um viagem longa, gélida e exaustiva. É. Por que não?

.....

(Nota da Autora: os seguimentos anteriores desta saga podem ser lidos nos links a seguir: Capítulo 1 e Capítulo 2 .)


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26 de maio

Posted by Marcinha on 26 de maio de 2013 06:30 in , ,
pai.xão

Substantivo feminino.
1.Sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade.
2.Amor ardente.
3.Entusiasmo muito vivo.
4.Atividade, hábito ou vício dominador.
in.ten.so

Adjetivo.
1.Que tem ou se manifesta com força ou energia.
2.Impetuoso, veemente.
3.Que se manifesta ou se faz sentir em grau elevado.
4.Que se realiza com, ou exige o uso de grande força ou energia; duro, penoso.
5.Muito ativo.

Falar em paixão intensa, chegaria a ser uma redundância?
De certa forma, seria acrescentar uma intensidade desnecessária a algo que é intenso por si só.
Hmmm... e se essa intensidade não for desnecessária? E se for vital frisá-la?
O que fazer se a pessoa que você está tentando descrever não for nada menos que uma intensa apaixonada? Alguém que abraça uma causa com uma paixão que beira o exagero?
De fato, você pode usar também outras duas palavras para descrever esse modo de ser arrebatador:
Nanda Cris.
Ela é assim com tudo. É caso de vida ou morte pintar as unhas todos os domingos ou doar alimentos não perecíveis a uma instituição de caridade.
Se ela lhe disser "pretendo fazer isso" não se ponha na frente dela. Ela é obstinada, no melhor enfoque desta palavra.
Graças a ela estamos todas aqui. Vou compartilhar um pouquinho dessa história.
A maioria das autoras desde blog fazia parte de um site de escritores. Houveram divergências nesse site que impossibilitaram nossa permanência lá. Resolvemos nos retirar. E ficamos sem lar na web, sem ter onde publicar nossas criações.
"Qualquer uma poderia ficar chateada, desanimada... mas não esta mulher!"
Nanda possuía um blog semi-novo, único dono, com pouco uso e não hesitou em nos ceder o espaço.
Assim nasceu o Retalhos Assimétricos.
Desde então colaboradores vieram e se foram, e alguns membros da formação original ainda estão atuantes neste espaço. Mas podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que a fundadora deste blog é a mais dedicada colaboradora. Mesmo que ela tenha 5493 coisas para fazer em um só dia, ela mantém o foco no objetivo, e cria promoções, inventa rodízios de postagem, marca reuniões, distribui tarefas e assim mesmo acaba abraçando mais do que conseguiria dar conta. "Conseguiria", eu disse, por que ela sempre dá conta de tudo no final.
Eu realmente acho que essa paixão nos contamina bastante, e podemos dizer que depois de tanto tempo juntas nesse projeto, nós todas somos um pouco "Nandas" também. Essa é a grande alquimia da interação humana. Como disse Antoine de Saint-Exupéry... "Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."
E, aproveitando este momento "citando os sábios", eu gostaria de repetir para você, Nanda, o que o grande filósofo Diego disse ao Sid em "A Era do Gelo 2":
"Nanda, vc é aquela coisa grudenta e gosmenta que mantém o nosso grupo unido!"
(Marcinha fazendo uma careta e morrendo de rir da sua cara.)
Parabéns pelo seu aniversário!
Parabéns pela paixão intensa com que você destrincha seus desafios!
Parabéns pela lealdade que você dedica aos seus amigos e aos seus projetos!
Parabéns por ser quem você é!
Tenho um enorme orgulho em dizer que você é minha irmã e um imenso prazer em te-la como minha amiga!

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