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O Mulão Ruge

Posted by Marcinha on 21 de setembro de 2013 06:00 in , , , , , , , ,
Olá leitores e retalhenses!
Para apresentar este texto, eu gostaria de fazer um adendo. Embora eu costume tomar sempre cuidado para que meus contos estejam escritos de acordo com o aceitável, neste em especial tomo algumas liberdades poéticas. Existem várias palavras grafadas em língua estrangeira, em especial por causa da nacionalidade das personagens. Também existem várias palavras grafadas com "r" duplo, para marcar o sotaque francês de uma das personagens. É algo que eu realmente acho um charme, esse "r" forçado quando franceses falam Portugês. Peço perdão a quem essas inovações incomodarem, mas não pude abrir mão delas para essa história.
Por fim, esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

O Mulão Ruge


Francine deu a última olhada no letreiro novo de seu estabelecimento comercial. "Centro Recreativo e Terapêutico O Mulão Ruge" estava escrito em néon, com letras elegantes sobre a porta de vidro dupla na entrada. Era um trocadilho interessante, bastante sarcástico como ela própria; além de aproveitar a semelhança sonora com a expressão Moulin Rouge ainda fazia alusão às gírias aprendidas no Brasil. "É aqui que o mulão ruge, mon cher", pensava ela consigo mesma enquanto um meio sorriso travesso lhe coroava a face empoada.
Cruzou a porta rumo ao balcão do pequeno bar que servia como recepção, ouvindo o suave "toc toc" de seus saltos 15 no assoalho de madeira. Serviu-se de um copo de uísque, e o saboreou lentamente com os cotovelos apoiados sobre o balcão de madeira rústica. Tamborilou as longas unhas vermelhas sobre o bar umas três vezes, antes de se empertigar decidida. Buscou na agenda de seu smartfone a número de Giovanna, e iniciou a ligação. Queria confirmar se sua sócia chegaria da Itália em tempo hábil para a inauguração do Mulão Ruge.
Três semanas depois da inauguração, o estabelecimento estava bombando, como se diz aqui no Brasil. Francine estava eufórica com o sucesso e os lucros que sua idéia lhe trouxera. Criara um ambiente discreto, revestido da fachada de um bar temático exclusivamente para homens. Por fora, parecia um centro terapêutico realmente e podia ser confundido facilmente com uma clínica, a exceção do nome estranho. Por dentro o ambiente lembrava uma taverna, com seus móveis rústicos e toda a decoração feita com réplicas de armas medievais e quadros a óleo que reproduziam batalhas e embates entre guerreiros e criaturas místicas.
No interior deste ambiente, os homens se sentiam bárbaros e se portavam como tal. Com o detalhe de que Francine aceitava em seu seleto clube apenas os bárbaros barbaramente ricos.
Naquela aura lúdica, o Mulão Ruge nem parecia um bordel. É claro que havia "as meninas", que circulavam alegremente entre as mesas como taverneiras atenciosas, servindo bebidas e esbanjando charme, cada uma representando sua personagem. Francine desempenhava com maestria a personagem que realmente era: a prostituta francesa. Sempre doce e sexy com suas echarpes de plumas rosadas, espartilhos e meia arrastão, delicadas saias de tule e cílios postiços que lhe davam um ar de boneca. Trazia uma piteira sempre consigo, embora não fumasse e um chicotinho enrolado a cintura. Apesar de aura de Lotita, havia um quê de sádico no seu tratamento com os homens, o que fazia dela a mais requisitada dentre todas, todas as noites.
Por passar grande tempo nas suítes com os clientes, ela precisava de Giovanna consigo. Já haviam trabalhado juntas em um bordel na Europa, e ela conhecia bem sua sócia italiana: era honesta, limpa, tinha um tino absurdo para os negócios e possuía uma personalidade forte e até mesmo rude. Quando qualquer tumulto acontecia no estabelecimento, o que era raro, mas podia acontecer, era Giovanna quem falava grosso com seu sotaque da Toscana e colocava as coisas nos eixos novamente sem que Francine precisasse nem mesmo lascar suas unhas. Era uma espécie de guarda costas, a sua sócia, sempre vestida como "a metaleira", com seus trajes negros, blusas com demônios estampados e bijuterias com cruzes e caveiras. Apesar de ser meio "endurecida" no sexo, o que lhe trazia poucos clientes, Giovanna tinha seu lugar cativo na vida e nos negócios de Francine por essas outras imprescindíveis qualidades.
Certa noite, pensava exatamente em todas estas coisas, quando um novo cliente passou pela porta. Pareceu um pouco desconcertado quando foi abordado entusiasticamente pela jovem Cowgirl logo na entrada. Trocou algumas breves palavras com a loira, que apontou com o chapéu de rodeio em direção a Francine.
O homem agradeceu com um aceno de cabeça e pôs-se a caminhar em direção ao bar, onde a francesa estava. Ele perscrutava o ambiente com os olhos de modo discreto, embora parecesse absorver cada detalhe. Era um homem maduro, que usava óculos de grau e um cavanhaque parcialmente grisalho. Vestia um jeans escuro e uma blusa negra com um brasão à altura do peito que lembrava um dragão. Seu corpo era volumoso e sólido, e até mesmo suas mãos largas como patas faziam com que ele lembrasse a figura de um ogro. Em contraste, seus modos lembravam os de um aristocrata quando se dirigiu a francesa.
- Senhora Francine?
- Senhorrita. - respondeu ela, exagerando ainda mais o sotaque que considerava seu charme, e sorriu - Mas pode me chamarr somente de Frrancine. Prrocurrando meus serrviços?
- Não, sinto muito, senhorita. Procuro por Giovanna. Ela está?
- Infelizmente non, mon cher. Ela teve prroblemas pessoais essa noite, e non vem. - disse, fisgada pelo ciúme - Entrretanto, non há nada que Giovanna pudesse fazerr porr você que eu non faça ainda melhor. - afirmou ela, com um meio sorriso sugestivo, enquanto esticava as pontas dos dedos para acariciar o brasão bordado no peito do homem.
Ele baixou os olhos, encabulado, e se esquivou sutilmente do contato dela.
- Temo que meu assunto seja apenas com Giovanna, senhorita Francine. Bem, lamento ter tomado seu tempo; continuarei tentando contato com ela pelo celular. Foi um prazer conhecê-la, mademoiselle. - ele apertou a mão de Francine de maneira tão formal que pareciam fechar um negócio - Se puder, diga a ela que Marcus esteve a sua procura, por favor.
Então, com um aceno de cabeça, ele se virou e seguiu para a porta. Francine acompanhava com o olhar atônito enquanto o homem de costas largas se dirigia para a saída. Que diabos fora aquilo? Por que um cliente de Giovanna se recusaria de maneira tão veemente a ser atendido por ela? Que novas façanhas sexuais estaria praticando a italiana que Francine sempre considerara ser ruim de cama?
Naquela noite a francesa custou a dormir. E antes que finalmente pegasse no sono, quase ao amanhecer, decidiu que investigaria tudo o que pudesse sobre o tal Marcus.
Na noite seguinte, Francine chegou ao Mulão Ruge já em pleno horário de movimento. Fora atrasada pela insônia da noite anterior e pelas olheiras negras que ficaram em seu rosto. Precisou de compressas de chá gelado nos olhos e uma camada extra de maquiagem para se tornar apresentável antes de sair de casa.
Giovanna estava no bar, de onde fiscalizava o movimento das meninas com olhos atentos. A italiana observava se o cliente da mesa oito não seria engraçadinho demais com a enfermeira ruiva que se exibia para ele, uma vez que ele só tinha pago por uma lap dance. Nesse momento Francine chegou e desabou na poltrona ao lado do bar, parecendo exausta. Cruzou as pernas exibindo as meias-ligas negras, com laçarotes em cada uma das coxas. Estendeu a mão direita para Giovanna, com uma expressão exageradamente suplicante, e a sócia imediatamente lhe serviu uma cuba libre lotada de gelo. A francesa ergueu os cabelos segurando-os como um coque, e encostou o copo gelado na nuca depois de beber o primeiro gole.
- Estou morrtinha.
- Estou imaginando. Você nunca chega atrasada, bela mia. O que houve?
- Nada demais. Como está sua mãe? Rresolveu tudo ontem?
- Si, grazie. Mama está ótima, novamente. Foi solamente una travessura.
- Que ótimo, Gio. - afirmou a francesa, forçando-se a dar uma pausa antes de entrar no assunto que realmente queria - Ah! Ontem a noite um cliente deixou um rrecado parra você.
- Recado pra mim?
- Oui. Pediu parra dizer que Marcus esteve aqui prrocurrando porr você.
- O Marcus? Veio aqui? - indagou a italiana, corando levemente.
- E non quis serr atendido porr ninguém. Perrguntou por você e vasou, como dizem. É seu cliente parrticularr?
- Si. Sim, é meu cliente. Não deve ter conseguido me ligar ontem. O celular estava péssimo.
- Giovanna... - iniciou a francesa, com um tom de repreensão - Exclusividade non é bom parra os negócios. Deverriam ser todos clientes da casa, non de uma só...
- Você mesma disse que ele não quis ser atendido por outra, não foi? Então não me culpe. Cáspita!
E, tendo praguejado, deixou o bar para que Francine cuidasse, e foi vagar entre as mesas, conversando com os clientes.
 
 
 
 
Três dias depois, Giovanna estava ao bar como de costume, vigiando a movimentação, enquanto Francine a observava. A italiana estava diferente, havia se arrumado mais, como se fosse a um show de rock pesado. Havia finas mechas roxas no seu cabelo escuro, o que deixava sua face habitualmente dura com uma atmosfera mais leve e sensual. Não tardou a que Francine descobrisse o porquê do visual caprichado naquela noite.
Quando Marcus cruzou a porta dupla de vidro, os olhos da italiana exibiam um brilho diferente. Ele a cumprimentou, beijando-lhe a mão, e deu um tímido "boa noite" para Francine. Estava belo como sempre, com suas roupas escuras e uma blusa onde havia um estampa frontal, retratando um mago medieval e seu dragão, a observá-lo através de uma janela de pedra. "Trouxe algumas coisas de que vai gostar, Giovanna", disse ele, levantando levemente o braço para sinalizar a maleta executiva que trazia consigo. Giovanna corou e fez um breve aceno de cabeça concordando e o conduziu sem demora para uma das suítes. Francine já se contorcia de curiosidade quando a porta se fechou, interrompendo sua visão do casal.
 
 
 
No dia seguinte, a francesa havia convocado todas as meninas durante a tarde, para o balanço mensal. Era um dia de relatórios sobre faturamento e prestação de contas, além do pagamento das meninas que, fora as gorjetas, recebiam seu salário por mês. Essas tardes nunca contavam com a presença de Giovanna, que cuidava da mãe durante o dia. Era a oportunidade perfeita para Francine inquirir suas funcionárias, longe da presença de sua sócia.
Uma a uma, Francine perguntou diretamente o que sabiam sobre o tal cliente misterioso de Giovanna. Permaneceu sem resposta até chegar a Kelly, a cowgirl, que afirmou conhecê-lo anteriormente. A francesa a conduziu imediatamente ao seu escritório privativo, a fim de obter dela todas as informações possíveis.
- Porr que Giovanna aprresentou vocês? Fizerram um prrogrrama a trrês?
- Não! - riu a loira - Foi no dia em que tive problemas com a polícia. Foi ele que apareceu para me ajudar.
- No dia em que te pegarram com drrogas?
- Exato.
Ela se calou, envergonhada. Entretanto respirou fundo e resolveu contar toda a história, vendo que Francine não desistiria de saber cada detalhe.
- Eu nunca te contei isso, por que não vinha ao caso, mas as drogas com as quais os porcos me pegaram não eram pra mim. Aquele meu namorado, o Rato, tinha acessos tão furiosos que eu acabava subindo o morro pra comprar droga pra ele. Naquela noite um PM me pegou na saída da boca de fumo. Chegando à delegacia, eu não tinha pra quem ligar, então liguei pra Gio. E ela disse que mandaria um amigo pra me ajudar.
- Ela mandou o Marcus pra te tirrarr da delegacia?
- Foi. Ele conversou longamente com o delegado, pagou a fiança e tudo o mais, e me levou pra casa de carro.
- Só isso? Está faltando coisa aí, Kelly. Da maneirra como você fala dele, nom ficarram meia horra juntos e prronto. Me conte tudo.
- Está bem. Não fomos diretamente pra minha casa. Eu estava apavorada e chorava sem parar. Então ele disse que me levaria a algum lugar onde pudéssemos conversar um pouco. Tomou um caminho que eu não conhecia e logo estávamos subindo uma serra. Ele bateu um pega na subida, com um engraçadinho que o provocou. Aquela banheira que ele dirige anda um bocado, além de ter um ronco infernal. - ela riu - A cada curva acelerada eu sentia a traseira do carro deslizar sobre o asfalto, enquanto os faróis do Fiesta novo em folha tentavam se aproximar de nós. Eu estava apavorada. Mas foi uma adrenalina tão incrível que me fez parar de chorar e esquecer a delegacia e a humilhação.
A loira se calou um momento, como se repassasse na memória as imagens daquela noite, como um filme. Francine ordenou que ela continuasse, com sua habitual impaciência.
- Quando ele parou o carro no alto da serra, estávamos em um mirante de onde se podia ver toda a cidade acesa lá em baixo. Era uma visão deslumbrante. Saímos do carro e ele me deixou sentar sobre a mala do Dodge para admirar a vista. Me perguntou se eu queria conversar sobre o que havia acontecido. - a loira levantou os olhos que mantivera baixos até então, e encarou Francine - Contei tudo a ele. Minhas subidas à boca, meu namorado drogado que brigava comigo a ponto de me fazer dormir chorando quase todas as noites, minha dependência emocional desse relacionamento falido, minha solidão... tudo. Me abri com ele naquela noite como não me abri com ninguém durante minha vida inteira. Sentia que ele me entendia e não me recriminada. E fui em frente, sem parar de falar. Acho que passei toda a minha vida a limpo naquele momento, para mim mesma.
- E ele não te disse nada? - inquiriu a francesa: queria saber sobre o homem, não a história de vida de sua funcionária mais problemática.
- Disse que eu era corajosa por encarar os fatos da minha vida com tanta sobriedade. E que eu tinha tudo para encontrar uma pessoa que me ame de verdade, por que o Rato nunca me amou. Ele me disse que quem ama cuida, quem ama não expõe o outro dessa maneira. - ela baixou a cabeça novamente, como se se sentisse envergonhada - No final da noite eu estava tão envolvida que tentei transar com ele. Só que ele não quis.
- Como assim ele non quis?
- Eu me ofereci abertamente. Eu não tinha mais nada pra dar a ele em agradecimento por tudo o que ele havia feito por mim, a não ser o meu corpo. Eu quis dar prazer a ele, como nunca quis dar a outro homem. E eu disse tudo isso a ele. Então ele me deu um beijo no rosto e me disse que, se eu quisesse agradecer, que fosse amiga dele, por que é disso que ele mais precisa.
- Esse carra é bicha?
- Eu duvido. Eu pude ver nos olhos dele o desejo sendo controlado enquanto ele se negava a me ter. Ele simplesmente foi nobre comigo, Francine. Eu nunca havia sentido isso com nenhum homem. Ele ignorou o meu corpo, e conversou diretamente com a minha alma.
 
 
 
Francine ainda permaneceu atônita em sua cadeira giratória muitos minutos depois de Kelly ter deixado o escritório. Não podia aceitar nada do que a cowgirl lhe contara. Os homens não são assim. Não existem homens assim. Homem algum resistiria a Kelly quando ela estava disposta a seduzir, com seu corpo voluptuoso e aquela carinha de menina inocente, se fosse hetero. Ela simplesmente não podia aceitar. Havia algo obscuro em toda essa história.
O pior de tudo é que a fantasia que se criava na cabeça de Francine começava a deixá-la encantada. Se fosse possível, apenas "se", um homem com essas atitudes seria um reflexo de tudo o que ela desejara um dia. Em suas fantasias de menina, era assim que seu príncipe encantado sempre fora. Era sólido, um audaz guerreiro de aparência rude, que falava pouco e sempre faziam o que era certo. Podia ser alvo do assédio de todas as mais formosas donzelas do reino, que isso não importaria. Esperaria pacientemente por sua eleita. E em seus devaneios infantis, a eleita fora sempre ela.
Fora ela. Não era mais digna de um príncipe assim, agora que estava na idade adulta. A vida a marcara profundamente, e as horríveis cicatrizes a tornaram insensível, amarga, desonesta, egoísta. Teria vergonha de si mesma se seu príncipe aparecesse hoje.  
 
A curiosidade a acossara tanto que ela resolveu endossar a imagem de si mesma, do quanto podia ser mesquinha e torpe. Girou a cadeira para o seu notebook, que possuía conexão com todo o programa de segurança. Digitou a data da noite anterior, selecionou a suíte de Giovanna nos arquivo e passou a examinar a gravação registrada dentro do quarto.
Mantinham esse sistema e essas gravações como segurança; caso acontecesse uma tragédia ou um acidente grave em uma das suítes, assim teriam material em vídeo para entregar à polícia. Havia um acordo tácito entre ela e sua sócia de que aquelas imagens jamais seriam assistidas por nenhum motivo que não fosse irrefutável. Sabia que sua curiosidade inquieta não se encaixava no caso, mas nada iria detê-la até que ela descobrisse o que estava acontecendo entre Giovanna e aquele homem tão incomum. Queria saber que artimanhas sua sócia usara para fisgar um peixe impescável.
Adiantou o vídeo até o ponto em que o casal entrou no quarto. Viu Giovanna se sentar na cama redonda forrada de cetim, sorrindo como uma menina, enquanto Marcus pousava a misteriosa maleta na cama e se ocupava com o frigobar, servido refrigerante com gelo para Giovanna e para si mesmo. Então ele se sentou frente a ela, e conversaram um pouco sobre a mãe dela e como fora a semana dos dois.
Em dado momento ele tomou os dois copos e os pôs de lado, sobre um aparador. Então deu um sorriso de quem estava completamente seguro de si, e abriu a maleta, mostrando o conteúdo a Giovanna, que exibiu uma reação entre o espanto e o divertimento. Mas bem mais espantada estava Francine, ao descobrir o quão bizarro era o conteúdo da maleta que a incomodara desde a noite anterior.
Marcus foi retirando da maleta os objetos um a um, e dando algumas explicações cada vez que passava algo às mãos de Giovanna. Havia quatro álbuns grandes, que em vez de fotografias continham inúmeros recortes de jornais e revistas, relativos a bandas de rock que Francine desconhecia. Havia ainda dois livros importados e raros, como ele mesmo explicara, e alguns DVDs e pendrives repletos de shows de bandas clássicas e de "barulho", seja lá o que isso queria dizer. Giovanna estava extasiada com tudo e fazia uma pergunta atrás da outra. Marcus explicava cada detalhe com paciência e carinho, sentindo-se recompensado com a alegria e o interesse dela. Ao final de tudo, ele disse a Giovanna que ela podia ficar com maleta e seu conteúdo o tempo que fosse necessário para assistir tudo, desde que todo o tempo necessário não excedesse uma semana. Os dois riram, e Giovanna o tranquilizou, dizendo que em uma semana sem falta devolveria tudo. Sabia o quanto ele tinha ciúme e cuidado com suas coisas, e com aquela coleção em particular.
Então veio a parte mais surpreendente. Ele olhou a italiana nos olhos, e acariciou o cabelo dela, dizendo que as mechas haviam ficado lindas. Ela sorriu e o beijou no rosto, e eles se deitaram na cama um de frente para o outro, totalmente vestidos como estavam, unidos num abraço cheio de ternura. Enquanto ele afagava os cabelos dela, ela lhe acariciava a barba, e conversavam sobre coisas íntimas dos dois, inclusive o fato de Giovanna ter uma namorada, coisa que Francine não sabia. A mulher com quem a italiana estava ha cerca de um ano constantemente a fazia sofrer, e Marcus a aconselhava sobre o relacionamento, afirmando de várias formas diferentes que o diálogo sincero é a pedra fundamental de um relacionamento e o primeiro passo para a solução de qualquer problema.
Depois de conversarem por horas, o silêncio tomou conta do quarto. Continuavam acariciando um ao outro ternamente, mas não houve mais palavras. Parecia que apenas a presença e o conforto de estarem juntos era o suficiente. Permaneceram assim, silenciosos e aconchegados, até que o avançar da hora o fez despedir-se dela para ir embora.
 
 
Na noite que se seguiu a Francine ter assistido ao vídeo de segurança, a francesa retornou cedo ao Mulão Ruge, para aguardar a chegada de sua sócia. Estava lindamente vestida, com um vestido nos estilo das dançarinas de can can, rodado e mais curto na frente do que atrás, e com muitas camadas de babado interno. Sentia-se poderosa vestida dessa forma, e tinha os cabelos presos em um elegante coque alto adornado com uma flor negra que lembrava um crisântemo.
Esperou o passar das horas com certa impaciência, perguntando-se internamente por que sua sócia estava atrasada justamente naquela noite. Quando finalmente Giovanna chegou, Francine já se sentia irritada como uma jaguatirica engaiolada. Praticamente avançou sobre sua sócia assim que a viu.
- Está atrrasada!
- Ma quê?! Quinze minutos, ragazzina! Qual seu problema hoje?
- Prreciso falarr com você, em parrticularr. Vem comigo. - disse a francesa acenando com a cabeça na direção de seu escritório.
Assim que a francesa fechou a porta do escritório atrás de si, passou a chave para trancá-la, coisa que não tinha o hábito de fazer.
- Que diabos a está deixando tão impertinente, Francine?
- Querro lhe fazerr una perrgunta, e querro que seja absolutamente sincerra, oui?
- Va benne... pergunta. - ordenou a italiana.
- O que você sente pelo Marcus, Giovanna?
A italiana ficou estarrecida por um momento, sem articular uma palavra. Esperava que Francine perguntasse qualquer coisa, menos sobre os sentimentos dela e principalmente sobre esses sentimentos em relação ao Marcus.
- Por que pergunta? - retorquiu, desconfiada.
- Querro saberr, Gio; prreciso saberr. - respondeu Francine com sinceridade, e respirou profundamente, tentando serenar seus pensamentos - Me diga, porr favorr. É mais imporrtante parra mim saberr se você o ama do que se estão tendo um caso. - e insistiu na pergunta - Está apaixonada porr ele, Giovanna?
- Não. - afirmou a italiana com serenidade, observando na expressão de sua sócia que havia algo de muito sério nessa questão - Não estamos apaixonados, nem ele, nem eu. E não temos um caso. Somos amigos, muito amigos. Marcus é como un fratello mio... estou dizendo um irmão. Capisci?
- Está sendo honesta comigo, Gio? É imporrtante.
- Si, cara mia. Por que tantas perguntas?
- Porque estou serriamente interressada nele, chérrie.
 
 
Duas noites mais tarde, Marcus abria a porta de seu apartamento para Francine, que chegou pontualmente como o combinado. Vestia preto da cabeça aos pés e estava linda no corselet de veludo que marcava as curvas de seu corpo, e fazia um belo conjunto com a saia longa e volumosa, e as luvas de cetim que ultrapassavam os cotovelos. No pescoço trazia uma gargantilha de contas negras que lhe caía pelo colo nu como ornamentos de um lustre, e a maquiagem e o cabelo preso para cima tinham algo de sóbrio e sensual ao mesmo tempo. Marcus pareceu bastante impressionado enquanto aquela dama gótica cruzava sua sala como um anjo negro.
Tentando não perder o foco, ele lhe serviu uma água tônica com limão e gelo assim que ela se acomodou no sofá. Então passou a lhe mostrar o que ela viera ver.
Em suas mãos havia vários CDs e DVDs de Folk Metal, e ele falava com desenvoltura sobre a mistura de som pesado com música celta, sobre os instrumentos que reproduziam com perfeição os medievais como a mandola e a viola de roda, e sobre bandas que tocavam esse estilo como Eluveitie e Arkona. Discorreu sobre os músicos e suas crenças, sobre as mensagens mitológicas nas letras, e sobre tantos detalhes que deixaram Francine fascinada. Enquanto os acordes do álbum Helvetius enchiam a sala, ela admirava o homem que fala com paixão sobre música e mitologia. E estava cada vez mais certa do propósito que a levara até ali.
- Então, creio que seja material suficiente para encher com música mais adequada sua taverna todas as noites, mademoiselle. - ele disse, encerrando os esclarecimentos.
- Oui! - ela sorriu - Agrradeço prrofundamente pelo emprréstimo de seus CDs e por todas as explicações. Tudo o que me contou foi muito interressante. Sua companheirra certamente adimirra o mesmo tipo de música, non?
- Seria o lógico. - ele concordou com um erguer de sobrancelas - Mas, no momento, não tenho com quem dividir meus gostos.
- Você e Giovanna non estão juntos?
- Não. - ele respondeu sem se alterar em nada - Giovanna é uma amiga muito querida. Mas é apenas isso. Nada mais.
- E seu corração está aberrto parra a chegada de uma companheirra, Marcus? - indagou a francesa, que agora estava de pé frente a ele, olhando-o nos olhos - Está prrocurrando por alguém?
- Não, não estou procurando. - respondeu ele, muito sério - Acredito que as pessoas certas nos chegam no momento certo, sem que precisemos procurar.
Francine ficou bastante abalada com a frase dele. Era um pensamento profundo, cheio de sensibilidade. Nunca conversara com um homem daquela forma.
Ela havia se aproximado dele, lânguida e receptiva e ele continuava inabalado. Qualquer homem que conhecera em toda a sua vida já a teria beijado ou estaria prestes a fazê-lo. Mas Marcus não dava sinal de que moveria um músculo.
- Acha que posso serr a pessoa cerrta, Marcus? - ela provocou, por fim.
- Se quiser fazer as coisas do jeito certo, Francine, podemos descobrir. - ele afirmou, com uma expressão de que se encontrava inteiramente compenetrado nela.
- E o que serria o jeito cerrto?
- Procuro uma companheira, Francine. Uma mulher que goste da minha companhia, que queira estar ao meu lado, para que possamos compartilhar nossos momentos bons e maus. Uma mulher que seja minha amiga, minha amante, minha irmã... essa mulher será minha amada, minha razão para lutar e meu descanso após a luta. Para a mulher que me amar com esse comprometimento eu darei meu coração, arrancando-o do peito e entregando-o nas mãos dela sem receio. Por que é apenas dessa maneira que eu sei amar, Francine.
- É isso tudo o que eu querro parra mim. - ela afirmou, convicta, mergulhada nos olhos castanhos do homem a sua frente.
 
 
 
 
Epílogo
 
- Já escolhi a cor como me pediu, mademoiselle.
- Oui! - Francine se virou e sorriu, em expectativa, enquanto continuava mexendo o recheio de leite condensado e limão - E que corr elegeu o meu namorrado?
- "Rock". - ele riu, admitindo o clichê, e admirou mais uma vez o vidro de esmalte enquanto explicava - Não escolhi pelo nome, e sim pela cor. Há outros pretos em sua frasqueira de esmaltes, mas este é realmente negro e tem uma pigmentação metálica verde muito bonita. Se houvesse uma tinta automotiva exatamente assim, eu com certeza pintaria meu carro com ela.
- Então está escolhido. - ela afirmou, animada - Pintarrei as unhas com ele, assim que terrminar de fazer minha obrra prrima.
- Que seria...?
- Torta de limão. Non vai se arrependerr de prrová-la, mon cherr. - ela piscou, com um sorriso maroto.
- Quer ajuda, Francine? – ele se ofereceu, de boa vontade.
- Ah, que lindo! Como poderrei recusarr? Prrecisarrei de ajuda com a farrinha de trrigo daqui ha pouco. Porr enquanto, um abrraço já ajuda bastante.
Marcus a abraçou por trás, pousando o queixo barbado ao lado do pescoço dela. Enquanto a admirava cozinhar, indagou:
- O que mesmo estamos comemorando hoje, Francine?
Ela demorou um momento para responder:
- Duas coisas. A prrimeirra é que, finalmente, consegui uma aluna de frrancês. Desde que me afastei da rrotina do Mulão Ruge estou inquieta porr não terr um trrabalho, além de fazerr a contabilidade parra Giovanna. Agorra vou começarr a darr aulas!
- Muito bom, Francine! Fico feliz, querida. Que essa seja a primeira de muitas alunas para você. - ele disse, ainda abraçado a ela da mesma forma.
- Obrrigada... - ela respondeu, respirando fundo
- E qual é a segunda comemoração? - ele indagou.
- Fazemos dois meses de namorro hoje. - ela explicou, com a voz mais suave que de costume.
- Fazemos? - ele exclamou, um pouco encabulado - Nunca me lembro de datas assim, me perdoe.
- Perdoo se você parrar de falarr com essa barrba no meu pescoço... - ela ronronou - non vou conseguirr terrminarr a torrta dessa maneirra...
Ela roçou a lateral do rosto na barba dele, enquanto ele a apertava mais para perto de si. Francine começou a mexer os quadris lentamente, atiçando reações imediatas no corpo dele, e sentindo-se recompensada por fazê-lo perder o controle tão facilmente.
- Francine... assim não vai terminar sua torta... - ele sussurrou, lutando para se conter - eu não sou de ferro...
- Non? - ela deu um sorriso de lado, com uma expressão de menina travessa - Com essa rrigidez que sinto, eu jurrava que erra...
Ela se virou e o beijou com paixão, e ele correspondeu na mesma intensidade. Ela arranhava as costas dele, enquanto se acariciavam, perdidos naquele beijo eterno e ofegante.
Em poucos minutos a torta havia ficado para trás e estavam na cama. À medida que as carícias se tornavam mais quentes, Francine abria mais e mais portas para ele. Queria compartilhar com aquele homem o que jamais compartilhara em sua vida. Queria que o amor fosse profundo, arrebatador, selvagem, extasiante. E ela o provocava cada vez mais devassamente. Em dado momento ele parou, ofegante, e acariciou os cabelos desarrumados dela com uma ternura angustiada. Havia um esforço imenso nele para controlar o ímpeto que explodia dentro dele, quando falou:
- Francine... vá devagar, minha menina. Eu te amo, Francine, muito... verdadeiramente. Você merece todo o meu amor, e todo o meu respeito. Mas me enlouquecendo desse jeito... você desperta o animal em mim.
- Essa é a última frronteirra, mon cherr. - ela afirmou, enquanto ardia em desejo - Querro você sem barreirras, querro toda a sua paixão, querro tocarr o céu com você cada vez que fizerrmos amorr. Querro conhecerr esse animal que me esprreita como um prredadorr e que você tem mantido trrancado todo esse tempo. Querro sentirr você, porr inteirro.
Marcus a observava, perscutando cada reação do rosto dela. Então algo nele parou de lutar. Ele a encarou com seriedade e enrolou os cabelos dela firmemente em uma das mãos, enquanto o outro braço a puxava com firmeza para junto de si. Então mergulhou em sua boca, beijando sua amada com o calor e a selvageria de um guerreiro que vem da batalha.





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Morrer de amor

Posted by Unknown on 19 de junho de 2013 06:00 in , , , ,

Quando tinha 17 anos comecei a namorar sério pela primeira vez e estava encantada! Pra mim ele era o homem perfeito: lindo, charmosos, carinhoso e mais do que qualquer outra coisa, ele me entendia. 
Dois anos depois ele pôs fim ao relacionamento me deixando completamente sem chão. Pensei que fosse morrer. Não queria comer e nem sair de casa. Afastei-me dos amigos e ligava incessantemente para ele todos os dias na esperança que ele voltasse atrás. Imaturidade de adolescente? Pode até ser que sim, mas quem já passou pelo famoso “pé na bunda” ainda apaixonada pela pessoa, vai me entender. Acho que não depende da idade. Adolescente ou não, a dor é impiedosa, e se não formos fortes o suficiente, a depressão pode se instalar. É claro que, quanto mais o tempo passa, mais maturidade e experiência sentimental adquirimos, e conseguirmos lidar melhor com o coração partido. 
Há pouco tempo fiquei sabendo que a dor de amor tem até nome. Chama-se “Cardiomiopatia de Takotsubo”, uma espécie de infarto sem nenhuma artéria bloqueada. Os sintomas são dores no peito, e os exames de eletrocardiograma mostram as mesmas mudanças de um infarto. O “angiograma mostra que a principal câmara de bombeamento do coração tem uma anomalia peculiar e diferente: falha em contrair e aparece parcialmente ou completamente paralisada”, explica Lyon, no site The Conversation. Suspeita-se que essa síndrome tenha um culpado: a adrenalina. É um hormônio de resposta ao estresse que prepara o corpo para correr ou lutar. Em níveis médios, a adrenalina acelera o coração, a fim de deixar o organismo preparado para um esforço extra. Só que quando a dose de adrenalina está muito mais elevada do que deveria, o efeito é contrário. Os batimentos cardíacos começam a diminuir e os músculos do coração podem ficar temporariamente paralisados.

Agora você vê. Algumas pobres pessoas que tiveram o coração partido, podem realmente sofrer desse mal (de nome muito esquisito, diga-se de passagem), e nem mesmo se dão conta, tamanha é a dor de se perder um grande amor. Mas acho que ninguém precisa realmente se preocupar com isso, porque essa síndrome nada mais é que um mecanismo do corpo para lidar com o excesso de estresse, e ninguém nunca morreu por causa disso. Eu mesma estou aqui até hoje lhes contando essa história e sem nenhum efeito colateral. Como podem ver, não morri. E digo mais: tudo nessa vida passa, até mesmo o sofrimento da perda de um grande amor. Se você está passando por isso agora, levante-se e vá fazer uma caminhada ou uma corrida pra aliviar o estresse, porque esse tipo de adrenalina é muito mais saudável, e você é muito mais importante que qualquer pessoa que tenha roubado seu coração.

E lembre-se: você pode deixar que alguém abrigue-se em seu coração e frequente os recantos da sua alma, mas nunca deixe que esse alguém roube-lhe a vida...

Fonte dos dados técnicos desse texto: Superinteressante

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Dia dos Namorados

Posted by Unknown on 12 de junho de 2013 06:00 in , , , , ,
Foi designado a mim, um desafio muito interessante para esse dia tão romântico. Falar sobre o meu amor (marido, namorado, noivo, ficante...), e como é meu relacionamento. Isso em conjunto com uma imagem  que, depois de algumas sugestões, acabei por eu mesma escolhê-la. Não pensem que foi menos desafiante por isso, porque escolhi a imagem e só depois pensei em como acrescentá-la a história. Acredito que todos os relacionamentos duradouros acabam por passar por fases e transformações. E essa foi a minha transformação.
                                                     TRANSFORMAÇÃO
Era uma vez uma paixão sem sutilezas. Arrebatador e indômito. Não era preciso palavras, apenas um errático olhar bastava para direcionar os mais ambiciosos pensamentos. Beijos eram trocados nos mais inusitados lugares e de formas tão variadas quanto à criatividade permitisse, mas a intensidade era sempre tão sedutora que parar era um desafio. A paixão sempre derramava sensações tão fortes que acabava por deixar ambos intumescidos após uma frenética demonstração de desejo.

Eram casados e partilhavam uma vida tão comum quanto qualquer casal, mas a paixão não era um arquétipo... era totalmente exclusivo de dois amantes que viviam em êxtase. Nem mesmo a gravidez e os meses subsequentes ao nascimento das filhas amainaram as demonstrações de amor do casal.

E assim se seguiram os anos, as filhas cresceram, os problemas foram surgindo, perdas familiares foram acontecendo. Então os arroubos de paixão foram sucumbindo, e aos poucos transformados em momentos de compaixão e ternura. O amor não acabou, apenas se transformou. Eles foram sentindo cada fase da paixão ser refreada pelo tempo e pelos percalços da vida. Houve dias em que a paixão se acendia de tal forma que as lembranças dos tempos ardentes vinham à tona, mas depois tudo voltava a ser tão morno quanto à água de um banho de mar. Os olhares agora se encontravam, e numa conversa muda pediam perdão e paciência, com a promessa de que dias melhores viriam.

Em uma noite particularmente especial entre os dois, ambos saciados e satisfeitos por terem alcançado o êxtase que tinham prometido um ao outro depois de semanas adiando o momento, se deram as mãos por debaixo das cobertas e ambos encararam a escuridão do quarto sem conseguir dormir. Continuaram acariciando as mãos em silêncio e sentiram uma grande satisfação nesse gesto tão simples. Era uma sensação serena e terna, que ambos acabaram por identificar como sendo...amor. Tão puro e gratificante quanto qualquer tormenta de paixão. Ele sussurrou baixinho “eu te amo”, com uma intensidade que fez a pele dela se arrepiar, e o ventre se apertar. Ela retribui com a mesma frase de amor, entre soluços emocionados e abraçou-o com tanta força que praticamente se fundiram. Ambos compreenderam naquele momento que nada no mundo podia se comparar com o amor que compartilhavam. Não era necessário nenhum perdão pela transformação que o relacionamento deles havia sofrido, pois não era uma perda e sim uma conquista. A conquista do amadurecimento, da concretização do amor verdadeiro, que independe da idade ou do tempo. Eles seriam para sempre companheiros, amigos e amantes. 

                                                  Para todo o sempre.




“O amor é o sentimento mais perfeito, que envolve o ser humano em sua totalidade: corpo e alma.”




O dia dos namorados
Seu surgimento foi em homenagem aos deuses Juno e Lupercus, conhecidos como os protetores dos casais. No dia 15 de fevereiro, faziam uma festa a estes, agradecendo a fertilidade da terra, os rapazes colocavam nomes de moças em papeizinhos para serem sorteados. O papel retirado seria o nome de sua esposa.

Como muitos casais apaixonados eram impedidos por suas famílias de casarem-se, um padre de nome Valentino passou a realizar matrimônios às escondidas, quando os casais fugiam, para que não ficassem sem receber as bênçãos de Deus.

Com isso, o dia 14 de fevereiro passou a ser considerado o dia de São Valentin (Valentine’s Day), em homenagem ao padre, sendo comemorado nos Estados Unidos e na Europa como o dia dos namorados.

A data existe desde o ano de 1949 e sua divulgação no Brasil foi feita pelo empresário João Dória, que havia chegado do exterior. Representantes do comércio acharam uma ótima ideia para aquecer as vendas e escolheram o dia 12 de junho para ser o dia dos namorados em nosso país. A data foi escolhida às vésperas do dia de santo Antônio, o santo casamenteiro.

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Desafio da Imagem - Por Giulia Rizzuto

Posted by Giulia Rizzuto on 9 de fevereiro de 2013 11:26 in , , , , ,
Por um milagre eu finalmente não escrevi uma história com personagens sobrenaturais, rebeldes, nem nada no tipo. Mas não tem problema. Quem disse que uma simples história de amor já não é boa o bastante?


Essa pode parecer apenas mais uma história de amor proibido. Em partes, realmente é. Mas é minha história: a história de uma garota que se apaixona perdidamente por alguém pelo qual ela nunca poderia se apaixonar. Nem ela por ele, nem ele por ela. Bom, então vamos á história:

Thainá era uma típica adolescente de 18 anos: ouvia música, saía pra baladas, tirava fotos, estudava. Sua matéria favorita era Filosofia. Seu professor também. Embora namorasse, Thainá tinha uma certa quedinha (pra não dizer um abismo!) por seu professor. Ele era alto, esbelto, inteligente, lia muito e tinha um ótimo gosto musical. Mas além de seu namorado – o qual ela adorava – outras duas coisas se posicionavam em seu caminho: Fábio, seu professor, tinha 32 anos, e ele era seu professor! Nunca que ela poderia se envolver com um professor. Bom, pelo menos era isso o que ela achava.
Todas as aulas, Thainá prestava uma irrepreensível atenção á aula. Sempre suspirando á cada passo que Fábio dava, enquanto explicava a matéria. Até que, um belo dia, seu namorado Henrique disse que iria a Brasília passar uns meses, pois sua mãe estava doente e ficaria lá para tratamento.
-Mas Brasília é muito longe de Curitiba, e eu não tenho dinheiro para pagar o avião! – contestou a garota.
Mas não, ele foi do mesmo jeito, deixando nela um vazio imenso.
Nisso, Thainá e Fábio se aproximaram muito, construíram uma amizade verdadeira. Ela desabafava as coisas que a afligiam e ele a escutava, e vice-versa. Um dia, Fábio convidou Thainá pra ir tomar um Milk Shake com ele. “Por que não ir?” Pensou a garota.
E lá foi Thainá. Riram, conversaram, até que na hora de se despedir, Fábio a beijou. Era um beijo doce, mas ao mesmo tempo com um gostinho proibido de “vamos repetir”. Ao entrar em casa, a menina foi direto para seu quarto, onde ficou com a cabeça girando em meio ao beijo e ao “isso é errado”. E a relação respeitosa professor-aluno? Mas o problema era que ela gostou. Ela adorou, na verdade. Ela queria beijá-lo de novo, mesmo que não o pudesse.
No dia seguinte, segunda feira, sua primeira aula era com ele. “Com que cara vou olhar para ele agora, meu Deus?”. Nervosa, Thainá entrou na sala e se sentou no lugar habitual, a primeira carteira. O professor começou a aula tratando-a normalmente, e disse para a classe que iria produzir um teatro com eles, a peça Romeu e Julieta, de William Shakespeare. Ele seria o Romeu.
E, adivinhem só, quem ele escolheu pra Julieta? É claro, ele escolheu Thainá!
E em cada ensaio, o modo com o qual ele a pegava nos braços era tão gracioso e seguro, seu olhar era tão amoroso e transmitia tanta paz que a fez se apaixonar por ele. Uma paixão mesmo, mais forte do a que pelo seu “namorado”. Por que as aspas? Bom, ela deixara de considerar um namoro a partir do momento que ele parou de ligar, de mandar SMS, de dar um “oi” no Facebook. Ele a exclui, aliás. Pra ela, Henrique era passado. Seu presente, confuso. E seu futuro? Bom, ele era inimaginável.
Chegou o grande dia, o dia da apresentação. Thainá estava linda: seus longos e lisos cabelos louros estavam ligeiramente presos, com algumas madeixas soltas que lhe caíam sobre o rosto. O vestido era alaranjado com detalhes em dourado nas mangas – que iam até os cotovelos – e na gola. Os arabescos prateados na borda do vestido, iluminados á luz do palco, refletiam em seu rosto e faziam-na transparecer um ar angelical.
Fábio estava igualmente lindo: deixara a barba crescer, com um provocante aspecto de “esqueci-de-me-barbear”. Os trajes eram roxos, com as mangas, gola e borda em fita prateada. A calça era num roxo mais escuro, mas que combinada perfeitamente.
A peça correu super bem, e na cena final, todos deram as mãos e agradeceram, sendo aplaudidos em pé. O espetáculo foi perfeito!
Thainá esperava do lado de trás do anfiteatro do colégio, ainda nas roupas da apresentação, contemplando o céu. O pôr-do-sol agraciava sua visão, fazendo-a pensar mais e mais em tudo o que lhe acontecia. Sentiu um braço familiarmente forte lhe envolver a cintura e puxá-la pra perto.
“Fomos espetaculares”, sussurrou Fábio, ao ouvido de Thainá.
“Concordo”, disse ela, com o rosto queimando em um misto de vergonha e felicidade.
Fábio a virou pra si e lhe contemplou os olhos com um ardor novo. Ele nunca a olhara daquele jeito. Ali mesmo, ele a beijou. Mas não como o outro beijo, muito pelo contrário. Foi um beijo mais carregado de paixão. Um beijo que a convidava a um amor sem limites, um amor verdadeiro. Ali, á sombra da árvore da escola, a luz alaranjada do pôr do sol os iluminava de um modo que os dois pareciam perfeitos um para o outro. Com uma linda vista abaixo e os trajes da apresentação realçando o amor dos dois, Fábio a afasta um poucos centímetros e profere a frase:
“Daria-me a honra de namorar comigo, Julieta?”
“Com toda a certeza, ó Romeu!”
E assim, a vida seguiu seu curso, com duas novas pessoas felizes. A idade não valia de nada. Eles se amavam, e era isso o que importava.



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Desafio da Imagem - by PatyDeuner

Posted by PatyDeuner on 7 de fevereiro de 2013 12:02 in , , , ,
Fiquei tão apaixonada com a imagem que a Nanda me deu, que o mínimo que podia fazer para agradecer era fazendo um poema. E me aventurei nesse desafio. Mesmo não sendo lá muito boa em poemas, acho que o resultado foi satisfatório. Pelo menos eu gostei muito de escrevê-lo.

Ela diz que sou um ser luminoso.
Mas, nem as luzes da lua e do sol, brilham mais que seus olhos.
Ela diz que sou branco como as nuvens.
Mas é seu sorriso que se mistura a neve clara.
Ela diz que sou macio e suave.
Mas é seu abraço e seu toque que me amortecem.
Ela diz que sou um ser mágico.
Mas é ela quem transforma meu mundo em magia.
Ver seu rosto é como ver um anjo, enchendo de significado minha existência.
Refresca o coração, alumia os olhos e adoça a alma.
Estar ao seu lado é como ter tantas canções no peito, que é impossível não cantá-las.
E por isso espero ansioso ela chegar.
Quando à noite finalmente ela desponta, sinto seu véu brilhante cobrindo meu regaço.
Meu peito expande e minha alma brilha, enquanto inspiro seu perfume e me aconchego em seu abraço.
Então, depois dos mais ternos carinhos de saudade, ela sobe em meu dorso com a leveza de uma brisa.
E seu calor me acolhe inteiro, fazendo-me forte e poderoso.
Abro minhas asas douradas e lanço nossos corpos ao ar.
Num mergulho pelo céu infinito, ansiando às estrelas chegar.
Em silêncio, voo sem nenhuma palavra dizer.
Mas em nossa dança com o vento, não preciso nada falar.
Ela diz que sou um ser mágico.
Agora começo a acreditar.




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Uma pequena fábula sobre o amor

Posted by Unknown on 15 de janeiro de 2013 07:00 in , ,

Era uma vez.... uma mulher... gostaria de falar que era uma mulher linda, esplendorosa. Uma mulher excepcional, inteligente, culta... Nada disso se aplicava. Era uma mulher.  Aproximadamente 3,4bi da população mundial é composta por mulheres. E ela, era apenas mais uma nesse mundo.

Esta mulher, não era sexy, não era sensual. Nem mesmo poderia se considerar um grande padrão de beleza. Tinha seu charme. Uns quilinhos a mais no corpo curvilíneo, pernas bem torneadas, pele branca e ligeiramente rosada. Um ar simpático e pueril. Cabelos longos, rosto arredondado e um olhar sincero e divertido.

Descrevo esta mulher para entenderem que ela era aparentemente, uma mulher comum. Convivia com seus amigos, era sociável, e de tempos em tempos, até tinha um namorado...

Mas essa mulher, tinha um problema... Ela não era capaz de amar. Então, não acreditava no amor. Tinha o coração fechado. 

Ela não era sociopata! Ela tinha sentimentos! Era doce... carinhosa... gostava das pessoas e as pessoas gostavam dela. Mas ela sempre teve muito medo de se machucar. Policiou-se tantas vezes, que um dia percebeu que mesmo se quisesse, não seria capaz de amar alguém.

Teve várias paixonites. Considerava-se até mesmo meio ciumenta. E o mais engraçado, é que depois de um tempo, ela achou que queria conhecer o amor... Todas as vezes que engrenava em um relacionamento, pensava... é agora! Vou amar... Mas nenhum de seus namorados fazia aquilo que os grandes mestres da literatura diziam... Não tinha "friozinho na barriga" (só quando estava com fome!), nem "coração palpitante" (só quando esquecia o celular vibrando no bolso da camiseta do uniforme).

Ela tentava... Entregava-se aos relacionamentos, e mesmo exigindo em seus pensamentos um amor todo certinho e cheio de regras, estava muito longe de conseguir...

Achava, em sua ingenuidade, que o amor poderia ser fabricado... Uma pitada de beijos, outra de sexo, outra de carinhos e o amor estava pronto... Como ela estava enganada. O amor é espontâneo, é irracional, não se prende a situações pré-estabelecidas...

Por não encontrar o amor em um parceiro, esta mulher, decidiu entregar-se. Aos amigos... ao voluntariado... aos desconhecidos... às causas humanitárias... ela se entregava ao mundo, menos a si mesma.

Seguiu as instruções de Francisco de Assis e espalhou luz onde havia escuridão e desesperança... Foi paciente e bondosa, como aprendeu com Fernando Pessoa, deu sorrisos amorosos e estendeu sua mão por ensinamento de Madre Teresa de Calcutá... Mas nada era suficiente. Ela não conseguia sentir esse amor de que falavam tanto... 
Não me refiro a amor ao próximo... Esse, ela tinha de sobra... mas um amor romântico.

Um belo dia... esta mulher sonhou... e em seu sonho, percebeu que o que ela tinha, na verdade era maldição... quantos corações despedaçara apenas por não querer se envolver? Lembrou especificamente de um rapaz, que fez de gato e sapato...  Quanto tempo manteve o pobre apaixonado, alimentando sua paixão com migalhas. Será que ele teria lançado uma maldição? Ou seria ela mesma a campeã de auto-sabotagem?

Estaria ela pagando pelo que fez? Pagã que era, resolveu fazer rituais para Afrodite, a deusa do amor, pedindo para se apaixonar. Seus rituais não funcionavam...  o que estaria faltando?  o que estava errado?

Desistiu... desistiu do amor.. desistiu da vida... Foi ao seu lugar favorito para pensar, uma pedra no alto do Arpoador, em frente à Praia do Diabo no Rio de Janeiro. 

Era lua cheia. Deveria estar concentrada em fazer um esbat para a Deusa-Mãe. Mas não fez... E ali, em prantos, fez um último apelo... Não pediu um amor... não pediu um namorado. Humildemente, pediu apenas que fosse restabelecido em seu coração, sua capacidade de amar. Passou a noite inteira chorando. Afrodite, compadecida de suas lágrimas, resolveu atender a esse sincero pedido...

Cansada de chorar uma noite de lágrimas, ela encostou a cabeça em uma pedra e cochilou. E mesmo dormindo por pouco tempo, seu sono foi profundo.

Acordou com o toque de alvorada do Forte de Copacabana na Praia do Diabo. Abriu os olhos devagar, e o mundo tinha um colorido todo especial. O amanhecer, recheado de tons alaranjados misturados ao azul d céu.. Ela ouviu os pássaros passando em revoada... sentiu o cheiro da maresia... Passou a enxergar com novos olhos.

E foi neste momento, que ela percebeu... Ela estava pronta para AMAR.


















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Desafio de Halloween

Posted by PatyDeuner on 16 de dezembro de 2012 11:59 in , , , ,
 



Na clareira rodeada de carvalhos
Seus olhos brilhavam de antecipação
Seu amor em breve voltaria
Com uma grande e renovada paixão.

A luz tênue do luar de solstício
Espalhava-se lânguida pelo chão
Tudo estava preparado
Capa, chapéu, varinha, caldeirão.

Penetrando na grande espiral da vida
O feitiço tinha uma só direção
Magicamente seria transportado
Com os desejos do seu coração.

Bolhas grossas rompiam da mistura
Que fervia em erupção
Cada especiaria sendo despejada
Com amor e concentração.

Pelos de unicórnio para adoçar a língua
Com tempero de saliva de dragão
Terra de túmulo para aguçar o desejo
Pernas de aranha completam a poção.

Recitando seu nome baixinho
Suspirou pedindo perdão
O amor tinha seus sacrifícios
Dizia a sua intuição.

Seria ela pretensiosa e egoísta?
Sem ao menos pedir sua permissão?
Mas sabia que algo ele sentia
Quando de leve acariciou sua mão.

Lembrando disso renovou sua coragem
Bateu 3 vezes na borda do caldeirão
Repetindo de maneira suave
As últimas frases da canção.

“Céu, terra, fogo e ar
Conspirem a favor da minha paixão
Se eu for merecedora do seu amor
Leve a ele meu coração.” 



P.s.: Significado das especiarias colocadas na poção segundo livros de bruxaria:

- Pelos de unicórnio = açúcar
- Saliva de dragão = vinagre de vinho
- Terra de túmulo = chocolate
- Pernas de aranha = alecrim = amor


Escolhi fazer uma poesia fácil com rimas simples. Minha inspiração veio do seu texto de Halooween Nanda! Nada como um feitiço de amor pra dar uma boa estória não é?


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Prova de Amor

Posted by Olhos Celestes on 10 de novembro de 2012 11:00 in , , , ,
Continuação do conto ta Telma (e meu) com as frases propostas em desafio pela Paty por e-mail:


1- Tenha paciência que sua hora vai chegar em breve.
2- Estava completamente nu, deitado sobre uma areia que parecia mover-se.
3- - Pare agora seu bastardo nojento!
4- Seus olhos brilharam com uma luz tão cálida que deixei-me levar.
5- O desejo aferrou-se dentro dele queimando seus quadris, enquanto a consciência desvanecia-se.


Quando Guilherme saiu daquele auditório já sabia exatamente o que fazer, tinha absoluta certeza do que faria, e quando pensou em arrependimento rapidamente fez sua mente focalizar na sensação de suas mãos tocando o corpo de Catharina, e então o sentimento de arrependimento não era nada perto daquilo. Faria o que estava escrito naquele primeiro bilhete que ela lhe dera, e depois a encontraria naquele lugar tão especial que ela citara no bilhete que lhe foi entregue há pouco e então ficariam juntos para sempre. O momento estava próximo, isso lhe causava uma enorme agitação interior.
Dirigiu até sua casa apressado, a imagem de Catharina não saída da sua cabeça, tanto que por um momento quase bateu o carro, cruzando sem querer um sinal vermelho. O susto o fez chacoalhar a cabeça e se concentrar no caminho. Chegando em casa, como já era tarde da noite, encontrou as luzes apagadas, foi até seu quarto e viu sua esposa já dormindo, com a cara inchada de choro. “Tenha paciência que sua hora vai chegar em breve.” Ele pensou, e então se encaminhou para o quarto do filho. Olhou para o menino dormindo feito um anjo e por um momento hesitou, achou melhor voltar para o quarto da mulher. Chegando lá tirou o punhal do bolso e o ergueu no ar. Como se pressentisse o que ia acontecer a mulher acordou, tento tempo ainda para um ultimo grito de pavor antes que Guilherme cravasse o punhal em seu pescoço.
Sem sentir remorso Guilherme caminhou até o quarto do filho, que havia acordado com o grito da mãe. Ele ergueu o punhal para a criança, que lhe retribuiu com um olhar doce e saudoso de amor pelo pai, ele não sabia o que estava acontecendo, era pequeno demais para entender. Guilherme não conseguiu desferir o golpe, deixou que uma lágrima lhe escapasse os olhos, mas então pensou em Catharina, precisava vê-la, e para isso precisava fazer aquilo. Não, ela entenderia, tinha de entender. Pegou o menino no colo e o colocou no banco de trás do carro, guardou o punhal no porta-luvas e se pôs a dirigir.
Foi até o local indicado no bilhete, dirigiu muito até chegar lá, estava exausto, seu filho chorou pedindo atenção no banco de trás até adormecer. Chegaram numa praia deserta, a viagem fora muito longa e o dia já amanhecia, não demorou para Guilherme encontrar a cabana que Catharina lhe descrevê-la no bilhete. Foi até lá com o filho no colo e bateu na porta, esperando que ela o recebesse com um sorriso.
- Porque trouxe o moleque? – Foi a primeira coisa que ela disse ao abrir a porta, deixando Guilherme um tanto envergonhado por não ter feito todo o possível para vê-la sorrir.
- Seus olhos brilharam com uma luz tão cálida que deixei-me levar. foi o que respondeu.
Catharina lançou um olhar de total desaprovação para ele.
- Esse não era o combinado meu bem, - disse – livre-se dele.
Guilherme olhou para seu filho com dor.
- Você consegue meu bem... – Catharina encostou seus lábios demoradamente nos dele, para dar-lhe confiança.
Guilherme recebeu o beijo sentindo seu corpo todo arder, quando o beijo acabou, sem pensar duas vezes, entregou seu filho nos braços de Catharina, que o pedia. Deixou que levasse o menino sem se preocupar, mas antes de ir Catharina ainda deu-lhe ordens:
-Não me siga, sei o que fazer com ele. Enquanto isso meu bem, tira sua roupa e me espere ali mesmo, na areia da praia.
Com o corpo pulsando de uma paixão ainda não correspondida, Guilherme fez o que sua amada dissera, despiu-se e se deitou na praia, esperando por um tempo interminável. Pensou, depois de um tempo, que ela não viria mais, que ficara tão irada por ele ter trazido o filho junto que jamais voltaria para ele, mas não, ela viria, deveria esperar exatamente  como ela dissera, ela era assim mesmo.
Esperou. Estava completamente nu, deitado sobre uma areia que parecia mover-se quando ela chegou. O sol já estava bem alto no céu, queimando sua pele. Ela apareceu deslumbrante, vestia uma camisola branca de renda e nada mais, os cabelos negros ao vento, encantadora, maravilhosa, parecia um anjo, ele jamais vira algo tão belo. Sentiu um calafrio percorrer o corpo todo, sua masculinidade ficando ereta e pulsando, doendo, o desejo incontrolável tomando conta de cada célula sua enquanto ela chegava cada vez mais perto.
Majestosamente deitou-se sobre ele, passando as mãos por seu corpo, pousando a mão dele em sua coxa, ele não hesitou dessa vez, foi subindo a mão por dentro da camisola, e quando sua mão encontrou o que queria Catharina o olhou com olhos arregalados e furiosos.
- Pare agora seu bastardo nojento!
Ele não conseguiu compreender, parecia outra pessoa falando no lugar dela, os olhos brilhavam com uma maldade assustadora, parecia que um demônio havia tomado conta daquele corpo de anjo que ele estava tocando. Porém foi tudo rápido demais até para seus pensamentos, que ainda estavam inebriados de desejo junto com seu corpo pulsante, neste momento sentiu um baque, rápido e forte em sua cabeça, e ainda sem entender nada o desejo aferrou-se dentro dele queimando seus quadris, enquanto a consciência desvanecia-se.

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Uma boa dica...

Posted by Nanda Cris on 30 de agosto de 2012 15:44 in , , ,
Aproveitando um momento de bobeira no trabalho, uma matéria na internet foi puxando a outra e eu acabei chegando nesta reportagem aqui: Para Sempre by Antonio e Margarida (Especial 60 anos de casados!!!) e, ao ler a reportagem, vi uma frase que eu acho que é o PRINCIPAL segredo para um relacionamento tão longo:

"Assumir o casamento como um vínculo sacramental indissolúvel. Por isso, a solução dos problemas foi resolvê-los e não a separação."

Adorei, adorei.
Eu sempre disse isso. Vc não aguenta mais o João? Ele é bobo, feio e chato? Vc vai e termina com ele. Ufa. Que alívio. Aí vc começa a namorar o Zé. Conforme o tempo vai passando, a nuvem rosa se dissipa e o Zé parece tão problemático quanto o João. Às vezes até com os mesmos problemas, mas sem as mesmas qualidades. De que adiantou? Valeu a pena?
Escolheu um companheiro? Saiba amá-lo com as qualidades e com os defeitos. Cada partezinha dele. Porque, aí sim, o relacionamento dura. E amar o belo e perfeito é mole. Difícil é amar na vida real.

Dedico esse post ao meu amorzinho (Kbeça). Que nós também cheguemos a 60 anos de casados! (e, a esta altura, 70 de relacionamento, rsrs).

PS: Foto em homenagem à Drica Chica na nossa viagem de comemoração de um ano de casados para Paraty.


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Um Deus Ateu - Guilherme Arantes

Posted by PatyDeuner on 4 de julho de 2012 11:53 in , , , ,

Bom gente, eis meu texto para o desafio musical que o Baltazar me passou. Devo admitir que não tenho muita certeza se tem a ver com a música, pois sua letra, a meu ver, pode ter variadas interpretações. Gostaria realmente do palpite de vocês quanto a isso.

O vídeo:



A letra da música:

Quem
Te roubou o inocente jardim
Tuas faces de rubras maçãs
Teu condão
Talismã
Quem levou
Nossas verdes manhãs de sol
Tardes sem fim
Inventou a distância cruel
Levou a linha, a vareta e o papel
Lavou o céu
Secou o mar
Jogou nuvens de areia nos olhos
Muralhas de pedras
Brilhantes que furtam a visão
Como um deus ateu
Vaguei vagabundo
Morei num barril
Andei condenado
A viver buscando
Cana de açucar
Duna de sal
Moinho de sonho
Usina do amor
No torvelinho
Na febre no frio
Não se perdeu
Nosso ébrio navio 

Meu texto: PROCURA-SE UM AMOR

A publicação era em negrito com letras garrafais “PROCURA-SE UM AMOR”. Era preciso chamar a atenção para o tópico impresso no semanário. Pela terceira semana consecutiva eu publicava o mesmo conteúdo na certeza que ela leria. Mas até agora nada. Ela sumira na imensidão da cidade. Apareceu como anjo em minha vida, e sumiu como areia fina levada pelo vento. Posso lembrar cada detalhe do dia em que ela apareceu aqui naquela mini saia de couro procurando pelo autor do último artigo que eu publiquei. O encontro foi eletrizante. E mágico. Em poucos dias vivi o amor mais intenso de toda a minha vida. Mas a felicidade escapou de minhas mãos. Eu só queria poder de novo acordar em manhãs verdes e beijá-la ainda sob os lençóis. Carregá-la no colo e levá-la pra cama depois de adormecer no sofá. Passar tardes inteiras espalhados pela grama do jardim. Ver suas faces rubras e seu sorriso iluminado me pedindo mais um beijo. Admirá-la enquanto cozinha seu espaguete horrendo, e comeria agradecendo aos céus. Acariciar aquela mexa de cabelo que sempre escorre de seu coque roçando seus ombros nus.
Onde estaria ela agora? A felicidade não podia durar tão pouco.
O conteúdo da publicação :
                                                             “Me apaixonei pelo seu sorriso. 
                                                      Sem ele estou na escuridão.
                                                      Se me ama, volte logo
                                                      E traga junto meu coração.”


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Armadilha

Posted by Olhos Celestes on 29 de junho de 2012 20:18 in , , ,
Resposta ao desafio da Nanda...
(Não adianta, nunca respondo na ordem certa meus desafios :S, sempre escrevo o que vem de inspiração primeiro na cabeça ^^)


Panorama: O frio era tanto que não havia nenhum animal em léguas e léguas. Toda a água estava congelada. O sol não se dignava a aparecer há muitos e muitos meses. Todo o entorno era de um branco cegante. Até onde os olhos podiam alcançar, o vazio dominava, quebrado apenas por rajadas de vento e neve esporádicas.



Armadilha



Jared caminhava apressado naquele cenário desolador, estava a procura de quem o chamava, e devia ser por algo muito importante e confidencial para ser tratado ali, no meio daquele nada de gelo e névoa. Sabia que a dama que o chamava estava com pressa, e ele atenderia sem relutar, só não entendia por que ele estava sendo chamado, já que não era o mais forte que ela conhecia.
Impossível acreditar que fosse um humano nessas condições, caminhando por aquela imensidão congelada com um simples jeans e uma jaqueta de imitação de couro, mas não precisava se esconder, como o sol estava fazendo há meses naquele lugar, nenhum humano de verdade passava por ali a tanto tempo quanto o sol se fora, e se algum aparecesse, ótimo, pois estava morrendo de fome. Tratou de tirar logo o pensamento da cabeça, precisava chegar logo e descobrir o que Felícia queria, o chamado estava mais forte e ele resolveu correr.
 Porém enquanto corria Jared não pôde deixar de pensar no que Felícia estaria fazendo ali, se bem sabia a menos de dois dias ela estava no verão da Inglaterra, muito perto de onde ele mesmo estava. Porque fora para lá tão depressa? E o que era tão importante para chamá-lo as pressas?
Aquele branco  o estava cansando, parecia nunca ter fim, toda aquela neve estava confundindo os seus sentidos, e o vento não ajudava em nada. Tentou ouvir algo mais para se guiar, Felícia deveria estar perto de algo, água, floresta, qualquer coisa, não poderia estar no meio do nada propriamente dito. Tentou em vão aguçar seus sentidos, não haviam animais há quilômetros, a água congelada não fazia barulho, não havia nada mesmo para seguir, apenas o chamado que ficava fraco a medida que ele entrava mais e mais naquele mar branco que confundia até a sua visão perfeita.
Um uivo mais forte do vento e ele por um segundo pensou que o chamado estava vindo de outro lado, aquela voz suave que sussurrava no seu ouvido, mudou de direção, depois confundiu-se de novo, estava quase entrando em desespero, o que seria possível se tivesse ainda sentimentos e emoções.
Ah, por que era tão fraco? Tantos vampiros já haviam aprendido a voar com bastante prática, era só uma questão de se mover tão leve e rápido e pairar no ar, mas ele não, sempre fora tão imbecil para conseguir aprender tais coisas...
Agora se lastimava, o que o atrapalhava eram justamente seus sentimentos, sim, ele os tinha ainda, por algum erro do destino ele herdara seus sentimentos da sua terrível vida humana, não dividia isso com nenhum outro vampiro, tinha medo que soubessem que ele era diferente, e sabia que era por causa de suas emoções que era tão lerdo, tinha medo de aprender coisas novas, tinha medo de tudo. E tinha medo dessa imensidão branca, e da sede que só aumentava, e do chamado que não conseguia seguir direito, se ainda tivesse lágrimas choraria.
Ela o estava chamando, não era qualquer um, embora devesse responder ao chamado de qualquer um do clã que precisasse de ajuda, ela era a mais especial de todos, não por que era vice-líder do clã, mas por que era a sua paixão secreta. Ah, fora ela que o transformara, apaixonara-se por ela ainda como humano, sem saber que era apenas uma presa sua, um brinquedo na verdade. Quando descobriu o desespero foi tão grande que ele implorou para ser transformado, e ela cedeu.
Jared balançou a cabeça, jogando para longe as lembranças, precisava se concentrar! De repente sentiu que alguém o seguia. Alguém? Ali? Só podia ser outro vampiro, e com certeza não era Felícia, sentia algo diferente quando ela estava por perto. Virou-se, não viu nada, seus sentidos disseram que o seguidor estava do outro lado, virou-se, nada além do branco sem fim. Começou a ficar angustiado, sentia três deles agora, mas onde?
De repente um baque, algo atingiu-lhe na cabeça e o fez parar. Fora apenas o susto que o fez paralisar pois nada o feriu, mas isso bastou para que três vampiros bem mais fortes que ele o agarrassem, e então ele sentiu o coração apertar, não pelo medo ou pelo susto, mas por que de repente ele sentiu ela se aproximando. Não estava entendendo nada, afinal, o que estava acontecendo? Viu sua amada chegar voando e pousar graciosamente a sua frente, seus cabelos negros e vestido escuro contrastando lindamente com a neve, ela trazia em mãos uma lança, o que fez Jared tremer.
- Olá, Jared... – Ela disse, aquela voz tão doce derreteu-o. – Deve estar se perguntando por que o chamei aqui, bem, - Ela acariciou a lança. – você sabe que é uma aberração entre nós, e eu fiz questão de vir pessoalmente fazer o trabalho. – Deu-lhe um sorriso cínico mostrando os caninos. – Quais são suas ultimas palavras?
Jared de repente entendeu tudo, era uma armadilha. Achou que conseguia esconder de todos os seus sentimentos, mas ela os conhecia, e justo ela o trouxe para a armadilha, e agora era de fato o fim de sua vida de sofrimentos. Sentiu-se na verdade muito aliviado por isso.
- Eu sempre vou te amar. – Foi só o que disse, e então Felícia transpassou seu coração de pedra com a lança imaculada, a única arma capaz de matar um vampiro.

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Anjo de Olhos Negros

Posted by Olhos Celestes on 25 de junho de 2012 17:21 in , , ,
Explicando... Com muita vontade de escrever algo, pedi ao Baltazar que me desse palavras para um texto, ele me deu algumas já faz um tempo, mas entre uma troca de fraldas e outra (rsrsrsrsr) só tive tempo agora para escrever esse texto que eu queria muito (e saiu menos inspirado do que eu esperava devido ao meu cansaço) e de toda forma vou postar aqui pra vocês, ainda tem mais um texto que tenho que fazer, mas vai esperar um pouquinho...


As palavras desse foram: Borboleta, tatuagem, senhora, risada, vidro.






Anjo de Olhos Negros


Aqueles grandes olhos me cativaram... não, cativar é pouco, me apaixonei por aqueles olhos enormes de uma forma impossível de explicar. Sempre sonhei em encontrar alguém assim, que eu amasse incondicionalmente, e que me amasse também, mas juro que esperava que seus olhos fossem azuis, mas seus olhos grandes eram negros...
O que não me impediu de me apaixonar perdidamente já na primeira vez que os vi. E aqueles olhos negros grudaram nos meus, bastou isso para me derreter inteira, para o resto da vida.
Ela era pequena, parecia tão frágil, seu olhar infantil, mas que por algum motivo me transmitia uma sabedoria maior, muito maior do que a que um dia eu terei. Isso me intrigou, me fascinou, me intimidou... E se eu não for boa o suficiente para ela?
A resposta veio logo em seguida, quando vi dentro daquele olhar negro a necessidade que ela tinha de mim, uma felicidade sem tamanho me envolveu... então eu era extremamente importante pra ela, de certa forma. Uma vida toda se passou em minha mente, olhando para aqueles olhos de vidro. Tantos sonhos, tantos erros, tantos acertos, a lá estava eu, diante da pessoa mais linda do mundo, de todos os mundos com certeza!
E talvez da mais inteligente, quem sabe... aquele olhar infantil, aquela fragilidade escondia alguém muito especial, alguém que eu jamais conhecerei por completo, mas que tenho certeza que foi enviada a esse mundo pela Senhora com uma missão muito importante, só isso pode explicar sua inteligência anormal, e aquele brilho tão sábio em seus olhos... ela é especial... e eu sei que viverei por ela e, se preciso for, morrerei por ela
E isso me lembra de uma promessa que fiz, que parecia com tantas outras, como uma promessa de fazer uma tatuagem, ou de parar de comer besteira, enfim... Quando a fiz tinha muita importância, depois me esqueci dela, e agora, olhando nos olhos dessa minha eterna amante, percebo que ela é a prova viva da Deusa me pedindo para cumprir minha promessa, dou uma risada nervosa, talvez seja uma das promessas mais importantes que já fiz na vida, e vou cumpri-la, não sei como.
Tanta sabedoria no seu olhar de borboleta... no seu jeitinho de borboleta, nada me lembra mais dela do que uma borboleta. No caso dela não estou falando do bicho em si, apenas da beleza e da leveza das borboletas, apenas...
Mas nada disso explica tudo que ela é, nada jamais explicará! O amor da minha vida, a pessoa que sonhei em encontrar a vida toda, em pensar que ela sempre esteve tão perto, e ao mesmo tempo tão longe... Em pensar que ela me faz tão feliz! E quando a olho me dá uma louca vontade de chorar e rir ao mesmo tempo... Quem é ela afinal? Aquela garota de grandes olhos negros que me enfeitiçou por completo?
Um anjo, com toda a certeza!
Seu olhar, seu sorriso, seus gestos, suas lágrimas, tudo é tão perfeito...
E para minha surpresa, tão maravilhosa, eu vi seus olhos transformando-se de negros para azuis... a verdadeira magia inexplicável de tudo que sonhei até hoje está nela, e acredito que a verdadeira sabedoria também...
Ela é a minha Menina dos Olhos Azuis, e sempre será.



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