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Romance do Substantivo masculino e o Artigo feminino

Posted by PatyDeuner on 8 de março de 2012 15:07 in , , , , , ,




Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. 
Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.
O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.
Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.
Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.
Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.
Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

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Momento Romântico

Posted by Kbeça on 6 de março de 2012 13:32 in , , , , , ,
Porque a vida sem romance, não tem graça. ;)


O Som do Silêncio por GafanhotoVerde no Videolog.tv.

Espero que tenham gostado.


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Isso é que é aprender!

Posted by PatyDeuner on 3 de março de 2012 19:07 in , , , , ,
Vi esse vídeo e fiquei lembrando dos meus tempos de escola, quando não conseguia decorar as fórmulas e a ultima saída era fazer uma colinha. Com certeza se eu tivesse um professor desses, até hoje eu saberia de cor as fórmulas.



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Censurado o dicionário Houaiss

Posted by PatyDeuner on 18:56 in , , , , , , ,

Ou botaram alguma coisa na água do bebedor do MPF (Ministério Público Federal) de Belo Horizonte ou o parquet não sabe para que serve um dicionário.

É despropositada a ação civil pública que o MPF ajuizou pedindo a retirada de circulação do dicionário "Houaiss", porque a obra contém "expressões pejorativas e preconceituosas" contra os ciganos.

Entre as múltiplas definições para a palavra, constam "aquele que trapaceia, velhaco, burlador" e "agiota, sovina". Evidentemente, o "Houaiss" marca esses usos como pejorativos.

Não cabe ao lexicógrafo dar lições de moral ou depurar o idioma das injustiças sociais que ele carrega, mas tão somente registrar as acepções presentes e passadas dos vocábulos. Se deixa de fazê-lo, a obra torna-se inútil.

Por isonomia, o MPF deveria também mandar recolher todos os dicionários que trazem, por exemplo, o termo "beócio". Para essa palavra, o "Aurélio" registra: "curto de inteligência; ignorante, boçal". Se olharmos para a etimologia, descobriremos que estamos diante de um imemorial preconceito dos atenienses, para os quais os habitantes da Beócia não passavam de camponeses estúpidos.

Na mesma linha vão "capadócio" (natural da Capadócia, mas também ignorante, trapaceiro, canalha), "filisteu" (antigo habitante da Palestina e pessoa inculta, vulgar), "vândalo" (membro de uma tribo germânica e destruidor), além de "lapônio", "ladino", "safardana", "maltês".

Também carregam alguma dose de intolerância termos como "judiar" (agir como judeu e maltratar), "cretino" (quem padece de hipotireoidismo), "escravo" (que vem de eslavo).

No fundo, línguas são verdadeiros catálogos de preconceitos, às vezes nem originais, mas herdados de outros povos. Com o passar do tempo, já nem os reconhecemos como tal, mas as palavras em que resultaram enriquecem e dão caráter histórico ao idioma. Privar a língua dessa dinâmica é torná-la uma língua morta.

Hélio Schwartsman
Folha de São Paulo

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Cartas de Marye

Posted by Baltazar Escritor on 28 de fevereiro de 2012 19:57 in , , , ,
Resposta ao desafio.

De: Marye
Para: Papai

Papai, a mamãe disse que o senhor foi viajar pra bem longe pra gente ficar protegida. Eu fiquei triste do senhor ter que ir pra tão longe, a mamãe disse que já se passou um ano e meio que o senhor foi pra guerra, eu fiquei triste quando não te vi no meu aniversário. Eu já to indo pra escola, no começo eu não queria, mas a professora disse que eu podia aprender a escrever e te mandar uma carta. Papai eu te amo.

De: Elisa
Para: Johnna

Querido, eu sei que você foi lutar pela nossa liberdade, mas droga, eu não aguento de saudade. Pra que eles precisam de você aí? Você é um marceneiro, não um soldado. Eu fui ver o nosso terapeuta e ele me receitou uns remédios pra dormir, porque geralmente fico a noite acordada pensando que talvez você possa estar ferido ou até mesmo morto. Eu já te enviei uma duzia de cartas e até agora você só respondeu uma. A Marye quis escrever uma agora que eu matriculei ela na escola, peço que leia a carta da sua filha e responda ela, ou você vai deixar uma criança decepcionada com o pai pro resto da vida.

De: Johnna
Para: Marye

Oi meu anjo, que bom que você já sabe escrever, eu queria ter visto você no seu primeiro dia de aula, mas eu prometo que vou estar no seu próximo aniversario e vou te dar um monte de presentes. Também te amo do fundo do coração minha princesa.

De: Johnna
Para: Elisa

Meu amor, eu sei que as coisas estão difíceis, mas é por pouco tempo, o general nos convocou pra uma reunião de emergência ontém, os rebeldes cercaram o acampamento e ele nos disse que teríamos que usar a "alternativa hormonal". Disse não haver riscos, mas não explicou mais nada às tropas, eu estou com medo do ponto em que isso possa chegar. Desculpe não responder suas cartas, os ataques não nos deixam outra alternativa a não ser mudar constantemente o lugar do acampamento não abrindo brechas para passagem de mensageiros, mês passado os bombardeios nos obrigaram a cavar trincheiras e nos enterrar feito toupeiras. Eu amo vocês, se conseguirmos escapar do cerco eu e outros soldados já temos permissão pra voltar pra casa. Saudades.

De: Marye
Para: Papai

Papai, hoje eu briguei com a minha professora, ela é muito chata. Eu falei que o senhor era o melhor papai do mundo e que tinha ido pra guerra ser o meu herói e acabar com todos os homens maus, a professora disse que guerra é uma palavra feia e que quem vai pra ela não tem pena da família que deixa pra trás. Ela também disse que quem vai pra guerra acaba morrendo e não volta pra casa, disse que o homem que manda no país é quem cria as guerras e manda pessoas inocentes pra serem sacrificadas. Eu disse pra ela que você é um bom papai e não faz nada das coisas feias que ela falou, você não faz né? Eu perguntei pra mamãe o que é morte, porque a professora não parava de falar disso quando tava falando de guerra, a mamãe começou a chorar e me disse um monte de coisas tristes e eu chorei também. Agora morte também entrou pra lista de palavras feias. Eu disse pra mamãe que ia te escrever uma carta, mas ela não quis escrever uma também. Me promete que não vai morrer papai? Te amo.

De: Johnna
Para: Marye

Meu anjinho, não brigue com sua professora, ela tem razão quando diz que guerra é uma palavra feia, mas as vezes temos que fazer coisas feias pra proteger as pessoas que amamos, eu não gosto de estar na guerra e de ter você e sua mãe tão longe de mim. E não se preocupe, seu papai vai estar vivinho da silva no seu aniversário. Te amo filhota.

De: Johnna
Para: Elisa

Não tenho muito tempo, só quero dizer que te amo e sempre te amei. A "alternativa hormonal", estão nos forçando a tomar varias injeções e alguns já morreram devido aos efeitos colaterais, e a guerra, a guerra é uma farsa. Não ouve atentado terrorista, nem há bombas atômicas por aqui, foi só uma desculpa pra encobrir o que eles estão fazendo. Testando amplificadores de desempenho, armas de som, e outros tantos diabos. São uma organização, uma seita, eu ouvi os superiores conversando, se tudo funcionar por aqui eles pretendem usar as armas pra destruir mais da metade do mundo e... droga, estão aqui fora...

De: Mensageiro Anonimo
Para: Esposa do JC

Dona, seu marido é um idiota completo, um tremendo imbecil, íamos receber dispensa logo daqui uma semana e ele se envolve nas coisas dos chefes. Quando o pegaram ele jogou um papel embolado no chão, eram as duas cartas que ele escreveu, sinto lhe dizer dessa maneira, mas acho que a senhora merecia saber,  eles o mataram. Johnna Clark foi um dos grandes companheiros que tive a sorte de encontrar por aqui, o único que me dava esperança e tranquilidade, e olha que é difícil tranquilizar um mensageiro que tem que arriscar a vida todo dia pra atravessar as linhas inimigas. Eu devia essa ultima entrega de correspondência à ele. Meus pêsames, é só.

***

Na cidade de Elverbrowm, Arizona, no ultimo dia 15, uma menina e sua mãe, ambas afro-americanas foram assassinadas a sangue frio, suspeitas apontam ao grupo conhecido com o Ku Klux Klan. Embora alguns sites de grupos independentes afirmem ser uma queima de arquivo ordenada pelo governo, não temos nada que comprove essa versão.
BBC News
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Embora custe a acreditar em tudo, minha fonte nos EUA garante serem verdadeiros os relatos aqui transcritos, me mandando pelo correio as cartas originais, que fiz questão de traduzir, embora tenha demorado a entender os três tipos de letra diferentes. Segundo me foi relatado, uma hora antes de ser assassinada a senhora Elisa Clark entregou ao carteiro um envelope lacrado destinado ao Mensageiro Anonimo e lhe pediu de forma abaixo do profissional, fugindo de todas as normas, que jogasse no quintal de alguém aleatoriamente. Por capricho do destino, esse envelope foi parar nas mão do meu contato. Ainda não sabemos quem é o Mensageiro Anonimo, mas deixo claro que se precisar de refugio e ler estas linhas pode recorrer a mim ou ao meu companheiro nos EUA.

Ultima nota: Marye Ale Clark, ao ver um homem com uniforme do exército americano indo em sua direção, achou se tratar de seu pai vindo pro seu aniversário e foi ao seu encontro. Morreu com um tiro no topo da cabeça enquanto abraçava o assassino.





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Os Fantásticos Livros Voadores de Mr. Morris Lessmore - Vencedor do Oscar de Melhor Curta-Metragem

Posted by Kbeça on 27 de fevereiro de 2012 13:10 in , , , , , ,
O título já diz tudo e como este blog é composto por leitores (afinal, até os escritores são leitores) não poderia deixar passar essa super obra-prima, de uma sensibilidade e beleza incomparáveis.




Espero que gostem.

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Posted by Lívia Marques on 25 de fevereiro de 2012 10:02 in , ,



VOCÊS SABEM O QUE É UM PALÍNDROMO?

Um palíndromo, como sabe, é uma palavra ou um número que se lê da  mesma maneira nos dois sentidos normalmente, da esquerda para a direita e ao  contrário.

Exemplos: OVO, OSSO, RADAR. O  mesmo se aplica às frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase; é o caso do  conhecido:
SOCORRAM-ME, SUBI NO ONIBUS EM MARROCOS.

Diante do interesse pelo assunto (confesse, você leu a frase de trás p'ra  frente), tomámos a liberdade de seleccionar alguns dos melhores palíndromos da  língua de Camões...
Se você souber de algum, acrescente e passe adiante.
ANOTARAM A DATA DA MARATONA

A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA

A DROGA DA GORDA

A MALA NADA NA LAMA

A TORRE DA DERROTA

LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL  É COR AZUL

O CÉU SUECO

O GALO AMA O LAGO

O LOBO AMA O BOLO

A CARA RAJADA DA JARARACA

SAÍRAM O TIO E OITO MARIAS
E agora?

Você sabe o que é tautologia?

É o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia,
de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido.
O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Mas há outros,
como você pode ver na lista a seguir:
- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- quantia exacta
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com
- expressamente proibido
- em duas metades iguais
- sintomas indicativos
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- a razão é porque
- anexo junto à carta
- de sua livre escolha
- superávit positivo
- todos foram unânimes
- conviver junto
- facto real
- encarar de frente
- multidão de pessoas
- amanhecer o dia
- criação nova
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planear antecipadamente
- abertura inaugural
- continua a permanecer
- a última versão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer em pessoa
- gritar bem alto
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- exceder em muito .

Note que todas essas repetições são dispensáveis.
Por exemplo, 'surpresa inesperada'. Existe alguma surpresa esperada?  É óbvio que não.
Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que
utiliza no seu dia-a-dia. 

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