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BORBOLETA

Posted by PatyDeuner on 4 de julho de 2012 12:01 in , , , ,


                             Respondendo ao desafio da Olhos com essa imagem inspiradora!

- Olha mamãe!
- Que foi Clarinha? Aproveite o parque porque não temos muito tempo!
Ela gritou pra sua filha sem tirar os olhos das mãos que trabalhavam com destreza no bordado monocromático.

De tempos em tempos consultava as horas para não se atrasar. Seu marido chegava às 18:00h, e ainda tinha que passar na padaria e fazer o lanche. À noite preparava tudo para o dia seguinte. O uniforme da escola, a merendeira, o terno do marido e a lista dos afazeres matinais, organizados por ordem de prioridades. Graças a Deus sempre conseguia sentar um pouco para assistir a última novela do dia. Tinha todas as suas tarefas sincronizadas para que lhe sobrasse esse tempo. Às vezes tinha a sensação que o tempo nunca era suficiente.

- Mamãe você tem que ver isso!
- Só um minuto filha! Daqui a pouco já estamos indo embora!
Quase perdeu o último ponto na tentativa de olhar o que a Clarinha queria com ela. Mas conseguiu recuperá-lo a tempo.
“Tempo” Por um minuto parou seu bordado fixando os olhos no horizonte e pensou na profundidade daquela palavra. Tudo se determinava com o tempo. Ou era o tempo que determinava? A vida seria dominada pelo tempo ou teríamos alguma chance de manipulá-la ao nosso favor?

Ficou ali um tempão pensando sobre aquilo, e aos poucos foi se dando conta de onde estava, de como estava. Os sons do parque preencheram seus ouvidos, a brisa leve acariciou seu rosto e sentiu o toque suave do sol em suas mãos. Girou seu rosto para ver a filha a poucos metros dela com um sorriso imenso nos lábios e a mão estendida na sua direção. Na ponta do dedo pousava uma linda borboleta colorida, que parecia sorrir também. Era a borboleta mais linda que já vira. Se é que algum dia realmente tinha reparado em alguma. Na verdade sentia que jamais havia reparado em muita coisa na sua rotina. Largou seu bordado no banco e foi de encontro à filha. A borboleta voou, lenta e cautelosa enquanto ambas, mãe e filha acompanhavam seus movimentos. Deram-se as mãos e passearam todo o resto da tarde pelo parque. Cada pedrinha, cada folha caída no chão, era motivo para um mundo interior de conversas e brincadeiras.

Nesse dia chegaram em casa muito depois das 18:00h. Esquecera-se do tempo. E sentia-se muito mais leve e feliz.



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