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Batata Quente 2 - Parte Final

Posted by Denize Ternoski on 21 de janeiro de 2013 08:00 in , ,

palavras: açucarado  -  fecho-ecler  -  êmbolo  -  pôster  -  lacrimejar

Batata Quente 2
FINAL

Suzanne olhava para o mestre gárgula desnorteada, os olhos arregalados.
- Você está bem? – Cristopher perguntou, preocupado.
- Deusa...? Gárgula? – Ela olhou lentamente para ele, os olhos suplicantes, como se pedisse que ele lhe dissesse que tudo aquilo não passava de um sonho.
- Sim,- ele assentiu devagar – é você.
- Não, não pode ser, eu sou tão insignificante! Não posso ser uma Deusa. – ela protestou.
- Aceite sua verdadeira forma, - a voz do mestre soou rígida como pedra, fazendo Cristopher e Górgon estremecerem. – é só o que precisa fazer.
Suzanne olhou de uma gárgula para outra, esperando que alguém protestasse, mas nada aconteceu.
- O que devo fazer então? – perguntou, a voz fraca.
- Venha comigo. – o mestre falou.
Cristopher deu um passo a frente, mas Górgon o impediu e Suzanne seguiu sozinha com o mestre para uma sala particular.
A sala parecia muito velha e nela havia apenas uma mesa de madeira maciça, forrada de papeis amarelados, um pôster de uma enorme gárgula numa das paredes, que Suzanne reconheceu como sendo o mestre, só que um pouquinho mais jovem, e uma lâmpada fraca que pendia de um fio no teto.
- Você precisa se concentrar, Diinon. Feche os olhos e se concentre nessas palavras: Sou uma gárgula!
Suzanne o olhou com receio, mas ele assentiu com a cabeça.
- Apenas faça isso, eu cuido de todo o resto. Confie e não se desconcentre em hora alguma, eu lhe prometo que não vai doer nada, se você mantiver a concentração. Imagine-se uma gárgula.
Suzanne assentiu, suando. Fechou os olhos e o mestre começou a fazer uma prece em uma língua muito antiga, parecia mais antiga que o próprio mundo, e uma energia azul, quase roxa, muito forte, começou a emanar dele, ele pôs a mão sobre a cabeça de Suzanne, que tremia como se um frio intenso a castigasse.
Ela sentia tudo se remexer dentro dela, em sua mente ela repetia “sou uma gárgula, sou uma gárgula...” e via imagens de várias gárgulas diferentes, seu estomago dava nós atrás de nós, ela sentia como se um êmbolo* estivesse ali dentro, fazendo tudo girar e pressionando seu estômago de um lado para o outro.
Por um instante pensou em seus pais, em sua vida normal, tudo que deixaria para trás se realmente se tornasse uma gárgula, e uma dor imensa transpassou seu peito, como uma estaca enfiada em seu coração, ela gemeu e começou a lacrimejar, o mestre estremeceu e sua magia diminuiu, mas Suzanne recuperou a concentração rapidamente, sentindo que seu corpo todo formigava, uma energia cada vez mais intensa passava pelo seu corpo.
De repente Suzanne começou a ter consciência de muitas vidas, memórias de muitas décadas da história do mundo estavam ali em sua mente, ela não era mais a menina indefesa de 18 anos, era a Diinon.
A magia havia cessado e ela abriu os olhos, imediatamente o mestre ajoelhou-se em reverência. Suzanne estava transformada em uma gárgula de estatura maior que as outras, e era um ser lindo, apesar do corpo de pedra, as asas enormes e garras muitíssimo afiadas, os olhos brilhavam num verde intenso e ela era bela, muito bela.
- Vamos, temos muito que fazer meu Senhor e servo. – ela disse, sua voz soava alta e imponente, era a mesma voz de Suzanne, mas mil vezes mais autoritária.
O mestre se levantou e a seguiu, quando adentraram a sala onde Cristopher e Górgon esperavam, os dois ajoelharam-se. Cristopher lançou um olhar ainda mais apaixonado à Deusa.
- Levantem-se, - ela ordenou. – vamos destruir La unua.
- Suzanne...- Cristopher suspirou.
- Sou sua Diinon, me chame assim. – ela disse, mal olhando para Cristopher, e seguiu caminhando serenamente em direção ao portão.
Lá fora La unua já esperava por eles, ele queria mais que um gole do sangue da Deusa, ele queria exterminar toda a raça gárgula. Quando a Deusa apareceu bem diante dos seus olhos ele uivou, amedrontado. Cristopher e Górgon apareceram logo atrás, mas não precisavam fazer nada, a Deusa por si só era capaz de matar um bando de vampiros sozinha.
Para mostrar seu poder, quando La unua levantou voo a Deusa rapidamente voou até ele agarrando-o, ele agora estava em pânico, precisava da Deusa ainda em estado humano para poder acabar com todos, agora que ela tinha sofrido a transformação ele sabia que não teria chance alguma. Ela simplesmente agarrou-o pelos ombros e rasgou-o ao meio, como se estivesse abrindo um fecho-ecler**, e depois lançou-o ao chão enquanto ele virava poeira.
Cristopher e Górgon olhavam maravilhados o poder da Deusa.  Quando ela pousou ao lado deles, Górgon pediu licença e com uma reverência se retirou e voltou ao seu lugar de estatua, dizendo apenas:
- Meu serviço aqui terminou. – lançou um ultimo olhar desaprovador para Cristopher e virou pedra outra vez.
- Suzanne... digo, Diinon, - Cristopher estava encabulado, não sabia como prosseguir. – você... a Senhora, disse que me amava, ontem mesmo enquanto ainda era humana.
Ela o fitou, confusa. Suas memórias humanas haviam sido apagadas no instante em que se transformara em gárgula, na sua mente haviam apenas as memórias de séculos como a Deusa das estátuas vivas.
- Você, pequeno aprendiz, - ela falou, a voz doce – tem um cheiro açucarado, – ela tentou fazer soar como um elogio, de certa forma compadecia-se com a paixão dele – mas é ainda muito fraco. Se se apaixonou por uma mortal em sua missão, sendo eu, a Deusa, ou qualquer outra pessoa, é ainda dependente demais dos sentimentos, não pode ser assim, isto te causará a destruição um dia.
- Mas, eu tenho certeza que não! Meu amor por você é o mais puro que existe, não me importo se sou uma gárgula ou o que quer que seja! Esse amor não vai morrer.
Ele tinha lágrimas nos olhos, estava em sua forma humana e parecia totalmente indefeso, tentando convencê-la de seus sentimentos, não acreditava que ela simplesmente esqueceu que o amava.
- Se você assim diz, bravo iniciante, prove-me! Dou-lhe um século para se tornar o mais forte e perspicaz dos guerreiros, um século para me fazer te amar, começando agora.
Ela sorriu-lhe e entrou no portal, deixando-o de boca aberta e sem reação, até que o dia clareou e ele transformou-se em pedra de novo.

*Pistão
**Zíper




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3 comentários:

  1. Run, Cristopher, run!
    Um século passa voando meu amigo, melhor correr, rs.

    Bravo, Olhos, Bravo! Mandou muito bem, desfecho bombástico para nossa trama coletiva. Parabéns mesmo, gostei de verdade!

    Não achei nada para chamar a atenção, arrasou, gatona.

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  2. SENSACIONAL!!! Um final surpreendente Olhos! Sabe quando a gente já imagina aquele finalzinho água com açúcar de viveram felizes para sempre? Pois é...eu até gosto de finais assim mas...vc dignificou esse final com uma prova de amor! \0/ PARABÉNS!
    Estou tão orgulhosa do nosso conto coletivo! Todos participaram (até o Balta!)e se envolveram. Parabéns ao grupo! E agora a Olhos nos dá o presente de um final fantástico!

    Mais uma coisa...vc arrasou no uso das palavras Olhos! Encaixou direitinho sem parecer forçado nem nada. Viu tia Sammy como ela é boa nisso?

    Agora eu estava pensando aqui...não seria bom se juntássemos todas as partes em um post só? É realmente difícil ir encontrando todas as partes.

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  3. sim sim, se quiser eu faço o post.
    Que bom que gostaram amigas!!
    E, serio, não se preocupem em me dar um desafio achando q é dificil demais, eu AMO desafios e sempre vou tentar fazer o meu melhor pra vocês ^^

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