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Exposição "Sagrada Família" - Centro Cultural dos Correios / RJ

Posted by Samantha Freitas on 27 de janeiro de 2013 06:00 in , , , , , ,

Lulu Santos, acha válida "toda forma de amor". Nós, do Retalhos Assimétricos, achamos válidas toda as formas de cultura. Então, o que seria apenas um encontro para um lanche e bate-papo no Centro do RJ, eu e Nanda, retalhenses de carteirinha resolvemos visitar algumas exposições e transformar em um verdadeiro Encontro Cultural.

Ao todo visitamos 6 exposições: 
- Vida em Movimento - Exposição de Fotografia - Centro Cultural dos Correios
- Sagrada Família - Esculturas Arte Popular/Barroca - Centro Cultural dos Correios
- A história do Dinheiro - Centro Cultural Banco do Brasil
- Galeria de Valores - Clementina Duarte - Centro Cultural Banco do Brasil
- História do Banco do Brasil x História do Brasil - Centro Cultural Banco do Brasil
- Arte Contemporânea - Zona Temporária - Centro Cultural Banco do Brasil

Mas estarei comentando especialmente a exposição que mais nos marcou: a Exposição da Sagrada Família. 

A sinopse do folder dizia: 
"A Sagrada Família - Artes Barroca e Popular Brasileiras em exposição no Centro Cultural Correios - A vida de Cristo e sua família foram, e ainda são, fontes de criação”, afirma Romaric Sulger Büel, curador da exposição “A Sagrada Família”, que reúne cerca de 100 obras de importantes colecionadores das duas expressões artísticas, dando ao visitante a possibilidade de conhecer uma das mais importantes matrizes das artes visuais brasileiras."

Aguçou nossa curiosidade e subimos por um elevador antiquíssimo. Lá, nos  surpreendemos com a mistura da Arte Popular com a Barroca. Muitos artistas que estão em “A sagrada família” são anônimos. Isso, porque o curador achou que era mais importante organizar e valorizar a fé do que destacar o autor.

A Sagrada família foi retratada por mãos nordestinas, mineiras, nortistas. Mas além da Sagrada Família, encontramos uma peça com os passos da Crucificação.

Na primeira parte da exposição, em sua grande maioria, havia presépios. Argila  era o material mais utilizado. Em sua grande maioria, os primeiros itens da exposição lembravam muito itens de artesanato vendidos na famosa Feira Nordestina no Pavilhão de São Cristóvão.

Não sou uma pessoa que me impressiono fácil, já que morei 6 anos morando no interior de MG e posso dizer até que muitas das peças me pareciam bastante familiares. Mesmo assim, fiquei impressionada com a riqueza de detalhes. 

Nanda me chamou a atenção para a beleza e perfeição de narizes minúsculos. Fiquei procurando tal beleza, já que a maioria dos narizes eram tortos, outros meio batatais, outros mais compridos.. Porém, todos eram perfeitos em sua composição e combinavam com perfeição nos rostos modelados.

O segredo da exposição? Misturar Arte popular com Barroca... Artistas anônimos. Não vi uma obra sequer de um artista conhecido. Estamos viciados demais em gente de sucesso e muitas vezes, esquecemos que são justamente os anônimos, que intuíam iluminados como deveriam amassar e transformar argila em peças expressivas. Nada daquelas fôrmas para criar peças iguais, em série. Cada uma das peças expostas, era especial, perfeita e única. 

Alguns presépios me surpreenderam MUITO. Havia um em especial... Enorme, e tinha quase uma fazenda inteira em volta do estábulo. Não me venha com essa história que o presépio tem que ter um boizinho, uma vaquinha, uma ovelhinha... Esse presépio era muito diferente. Chamou minha atenção por me parecer muito mais compatível com a realidade do nascimento de Jesus. Se foi mesmo num estábulo ou manjedoura, na verdade nunca saberemos. 

Mas se foi realmente neste lugar como dizem, posso dizer com todas as letras, que esta obra me marcou. Ela tinha um brilho todo especial mesmo sendo totalmente era esculpida em madeira e numa cor nogueira escura. Não havia cores, mas havia dezenas de bois, camelos, ovelhas. Até mesmo um urso identificamos ali. Sério. isso tornava tudo muito mais real. Não era uma peça de cada, era exatamente como deve ter sido na realidade. Um rebanho inteiro somente de ovelhas, pastoreadas. Acima do estábulo, dois anjos e uma galinha. Outra grande surpresa para mim... O que uma galinha estaria fazendo no telhado e ainda cercada por anjos? O que aquele artista quis nos dizer? Ele certamente, cercado de fé, entusiasmo e alegria, foi além das palavras e descrições da bíblia. Ele provavelmente teve uma grande inspiração que seu talento fez questão de transformar numa peça perfeita e única. 

Mais adiante, começaram as peças individuais. Nossas Senhoras com Menino Jesus. Não sou católica e não conheço a história dos santos/santas da Igreja Católica, mas pude notar a repetição da imagem de algumas santas. Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora Desatadora dos nós estavam presentes em várias peças. Argila, madeira, tronco de coqueiro. 

Uma peça em argila com detalhes finíssimos e de uma perfeição gritante. Eu já tentei modelar argila. Nem te conto como é difícil, caro leitor. Mais difícil ainda é conseguir fazer detalhes tão pequenos e finos no rosto e nas dobras dos seus mantos. Precisa muito mais do que talento. Precisa de dedicação. E isso, torna cada peça única.

Nessa ala de arte mais popular, essas peças foram as que mexeram com minha imaginação, que mexeram com minha alma, que tocaram meu coração. 

E então, passamos para a ala barroca. Tudo muito igual, muito certinho.  Muito cheio de frufrus e rostos arredondados. Consigo reconhecer Arte Barroca a quilômetros de distância. E não foi diferente ali. Peças lindas, mas parecidas demais entre si. 

Uma das últimas peças na área barroca, encontramos uma estátua enorme de uma Nossa Senhora que não reconhecemos. E ao olharmos sua mão, percebemos dedos chamuscados, quebrados e faltantes. Não, meus amigos, embora lepra fosse uma doença comum naquela época, não acredito que o artista que a modelou, a tenha cogitado a hipótese de moldá-la incompleta. 

Infelizmente, no Brasil, ainda existe muito descaso na conservação de obras, manutenção e restauração das obras. O que é uma pena, pois esse, é o legado da arte que deixamos para nossas gerações futuras.

Só para finalizar, podem até me chamar de "pobre de mau gosto", mas preferi mil vezes o colorido e imaginação dos artistas da área popular...


Exposição “A Sagrada Família”
Visitação: 24 de janeiro a 3 de março de 2013 - terça a domingo 12h às 19h 
Entrada franca
Centro Cultural Correios (Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro 2253-1580)



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3 comentários:

  1. Sou gaúcha transformada em mineira há muitos anos, e posso dizer que que a arte barroca desenvolvida em Minas Gerais é riquíssima e surpreendente. Quando se trata de artistas atuais representando o que tem de mais antigo na nossa arte e cultura então, é de se apaixonar. Acredito que os cariocas não vão se arrepender de uma visita a exposição.
    Muito criativa sua descrição do passeio Sammy. Parabéns!

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  2. Linda descrição do passeio, Sammy, adorei. O texto ficou ótimo, com lindas imagens, muito bem escolhidas! Adorei a estória do presépio com rebanhos completos e um galinha entre os anjos... peças assim fazem a arte sacra ficar mais próxima das pessoas comuns.
    Parabéns a vc e a Nanda pela escolha do passeio!

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  3. Só tenho uma coisa para dizer: eu estava lá e tirei as fotos! Rs.

    A estátua que eu mais gostei foi a quarta de cima para baixo!

    Lindas palavras Sammy, descreveram muito bem nosso enlevo!

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