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Desafio duplo respondido!

Posted by Denize Ternoski on 29 de janeiro de 2013 06:00 in , , , ,
Resposta ao desafio das 5 frases e de imagem.
Frases:

Me dá só um momento que estou tentando pensar!
O brilho do aço cruzou o céu como um relâmpago.
Não dava para entender nada do que ele dizia.
A boa música sempre faz milagres.
E crescia cada vez mais.

Imgem:

A Maldição da Faia

Quando António Augusto decidiu construir seu palácio, o Palácio e Quinta da Regaleira*, há uma centena de anos atrás, imaginou que muitas histórias se passariam ali. Histórias místicas, dotadas de personagens corajosos, até sobrenaturais. Mas nunca imaginou que uma história com esta poderia acontecer em seu palácio...
Joanah e Jonas eram irmãos gêmeos. No auge de seus dezesseis anos, ambos tinham corpos atléticos e eram ruivos. Seus pais eram Irlandeses, mas fugiram de sua terra natal assim que os gêmeos nasceram, pois devido a uma maldição, o povo unanime, desejava a morte das crianças. Puseram-se em um navio e foram parar em Portugal, um pais de língua e costumes diferentes, e desde então vinham tentando viver em paz ali.
A casa humilde ficava nos arredores de Braga, numa vila pacata chamada Vila Verde. Os pais trabalhavam num mercadinho de alimentos e os gêmeos cresceram sem nunca frequentar uma escola, pois a família não tinha dinheiro para pagar uma. As crianças tinham uma dificuldade enorme para aprender a ler e escrever, então os pais teriam que pagar uma escola especial para eles, e sem o dinheiro necessário os gêmeos cresceram sem serem alfabetizados.
Mas apesar desse pequeno problema, tudo fluía bem. Mal sabiam eles que, mesmo não estando em sua terra natal, a maldição se realizava.
Ao nascer os filhos gêmeos ruivos de uma gêmea ruiva nascida em Cork, a árvore da discórdia nasceria. A árvore da discórdia era uma faia**, cujos frutos eram castanhas que cresciam envoltas em uma bolota de espinhos. A diferença é que nessa faia específica, sua bolotas eram de um vermelho vivo, muito chamativas.
Tudo não passava de uma desavença muito antiga. Havia em Cork uma bruxa, ela não fazia mal a ninguém, mas ela adorava essas castanhas específicas, mas a árvore é um tanto rara e havia apenas uma pessoa que ela conhecia que tinha em seu quintal uma árvore dessas. Era uma mulher ruiva e que tinha um irmão gêmeo. A bruxa sempre ia até a casa da mulher pedir-lhe castanhas, e esta nunca lhe dava uma sequer.
A mulher teve dois filhos, também gêmeos, e tentou ensinar-lhes a odiar a bruxa. A bruxa, que era muito boa de coração, sabia que não era culpa das crianças que sua mãe tivesse esse preconceito com ela, e começou a tentar se aproximar das crianças, trazia-lhes presentes que fazia, roupas, brinquedos de madeira e pães, e as crianças começaram a sentir a gentileza da bruxa.
Um dia contaram a sua mãe que a bruxa lhes visitava e que era uma mulher muito boa, pediram que ela não tivesse mais preconceito. A mulher, irada, foi até a casa da bruxa, que estava sob a luz do luar fazendo uma oração ao lado de uma pedra-altar em seu jardim. O brilho do aço cruzou o céu como um relampado, e sem aviso nenhum a mulher enfiou  uma faca em seu peito, dizendo que ela deveria pagar com seu sangue por ter se aproximado e encantado seus filhos com bruxaria.
A bruxa, que até então tinha feito tudo de bom coração, nunca cometera uma ato de maldade e tentava ao máximo não usar seus poderes se não fosse para ajudar o próximo, ficou extremamente irada e magoada com a atitude da mulher em querer sua morte.
Nos segundos em que ainda suspirava para a morte e esvaia-se em sangue, lançou uma maldição: sempre que filhos gêmeos ruivos nascessem de uma gêmea ruiva, uma arvore da discórdia nasceria para cada um deles, e a cada ano que completassem mais uma arvore nasceria em algum lugar, e a única forma de acabar com a maldição viria do coração dos gêmeos.
Quando finalmente morreu seu sangue irrigou a terra e ali mesmo no outro dia via-se uma árvore grande e cheia de frutos. As pessoas começaram a colher seus frutos, mas cada uma que tocava em algum fruto ou na árvore em si, era dominado por uma ira incontrolável, e começava a brigar com qualquer um que estivesse em sua frente. Quem se espetasse com os espinhos do  fruto causaria repulsa nas outras pessoas e teria que viver sozinho pelo resto da vida, sofrendo um preconceito inexplicável. Já quem conseguisse comer o fruto adoeceria e teria uma morte lenta.
Aquela foi a primeira árvore, para que todos soubessem que a maldição era verdadeira, e muitos tentaram cortar a árvore, mata-la, mas só crescia e crescia cada vez mais. Desde então o povo começou a caçar todo filho gêmeo oriundo de uma gêmea já ao nascer, para que não se espalhassem muitas árvores dessas pela cidade. Sendo assim haviam apenas umas quatro delas, de quatro crianças que nasceram e foram tiradas dos seus pais e mortas com facadas no coração, mas suas árvores continuavam crescendo fortes e belas.
Os moradores as cercavam e colocavam placas impedindo o acesso às árvores, mas sempre tinham alguns que ignoravam a maldição e se aventuravam a tentar pegar seus frutos, que eram extremamente mais vistosos que qualquer outro.
Os pais de Joanah e Jonas acreditavam que se tirassem as crianças de sua terra natal a maldição não prosseguiria, e só no aniversário de 16 anos dos gêmeos, quando ao amanhecer, encontraram uma faia enorme bem no meio do quintal, que crescera da noite para o dia ali mesmo, em Portugal, e já dava frutos, é que perceberam que o esforço fora em vão. A maldição prevalecia e tinha alcançado a eles.
Os pais avisaram aos filhos que jamais tocassem em qualquer coisa oriunda daquela árvore, e quando os filhos pediram explicações o pai, Mathews, começou a xingar e dizer pragas em português, inglês e até numa língua um pouco mais antiga, não dava para entender nada do que ele dizia. A mulher, Alicia, tentou em vão controlar e acalmar o marido, que de tão irado que estava com a maldição, sofreu um infarto e morreu ali, na frente da família.
Os filhos deixaram passar apenas dois dias do enterro do pai, e inconformados que estavam, pediram a mãe uma explicação plausível sobre o que realmente estava acontecendo, e esta lhes contou tudo sobre a maldição, e disse-lhes que a essa altura já deveriam ter outras 31 árvores espalhadas pela Irlanda (considerando que não tivesse nascido mais nenhum gêmeo), e que o país deveria estar em guerra e muito debilitado, se muitas pessoas já estivessem tocado em seus frutos até então.
Os gêmeos pensaram, pensaram, e chegaram a conclusão que um deveria matar o outro, com uma facada no coração, para que a maldição acabasse. Por sorte a mãe descobriu o plano antes que se completasse, acabando com a burrada dos dois.
- Ora, e vocês acham que mataram os nenês gêmeos como? Isso não resolve, a solução tem que ser outra. – ela disse, e concluiu. – Sei de um lugar não muito longe daqui, e mesmo que tenha sido construído aqui, faz parte da cultura do nosso povo. Lá talvez vocês encontrem a resposta.
E a mãe levou-os numa viagem até Quinta da Regalia, um lugar muito, mas muito misterioso e lindo. E lá deixou-os, eles deveriam seguir sozinhos pelo poço iniciático, para ter as revelações de que precisavam, pelo menos era nisso que a mãe acreditava.
E eles desceram por uma imensa escadaria em espiral, imaginando que aquela descida não acabaria nunca, e quando finalmente chegaram ao chão pisaram em uma estrela de oito pontas, simbolizando a perfeição e o poder da Mãe Terra, e ali sentiram um poder gigantesco repuxar cada membro de seus corpos.
Seguiram então pelos corredores labirínticos e escuros, que eram o caminho de volta para a superfície, ambos totalmente calados, cada um sentindo dentro de si como se fossem mais poderosos, mas sábios. Mas ainda não haviam encontrado a solução.
Jonas então parou, no meio daquela escuridão, e desabou exausto no chão úmido. A irmã tentou levantá-lo pelo braço, também estava exausta, mas sentia que a resposta estava muito perto.
- Me dá só um momento que estou tentando pensar! – Jonas a repreendeu, angustiado.
- Não pense, - Joanah respondeu. – lembre da maldição e siga apenas o seu coração, esqueça os pensamentos.
Jonas suspirou e com muito esforço se pôs em pé e voltaram a caminhar. Agora, tentando se concentrar em seus sentidos, também sentiu a força que Joanah estava sentindo, caminharam as escuras sentindo aquela força até uma parede, sentiam a força vindo dali, mas não encontravam porta alguma. Joanah, levada por seus sentimentos, começou então a tatear a parede e uma porta secreta se abriu, entraram, mas num primeiro momento não viram nada além de mais escuridão e ouviram o baque da porta fechando-se atrás deles.
Só então perceberam algo brilhando em meio a escuridão. Aproximaram-se, era um linda harpa dourada. Primeiro os dois olharam maravilhados para o instrumento, e então, sem aviso nenhum, Jonas (que nunca havia tocado nenhum instrumento em sua vida) começou a dedilhar a harpa e uma melodia muito linda surgiu. Ele tocava freneticamente e Joanah, por instinto,  começou a cantar em uma língua muito antiga, que só em seu coração entendia o que dizia a musica. Era uma bela musica de amor e reconciliação.
De repente não estavam mais no meio das pedras e da escuridão, estavam de volta à frente do Palácio, ao lado de Alicia, tocando. Uma lágrima escorreu dos olhos da mãe e eles pararam.
Conversaram por pouco tempo, os irmãos contando-lhe o que haviam descoberto, eles tinham o dom para a musica, e aquela harpa era um presente mágico, provavelmente se outros gêmeos estivessem vivido encontrariam a harpa em qualquer outro lugar, enquanto seguiam seu caminho de sabedoria. Disseram à mãe que voltariam à terra natal e acabariam com a maldição, a mãe temeu por seus filhos, mas em seu coração sabia que eles conseguiriam.
Quando lá chegaram, a Irlanda estava realmente tomada por conflitos e mortes, e quando o povo mais antigo viu os gêmeos, na hora souberam que eram os que fugiram, e vieram até eles prontos para mata-los, com ódio nos olhares. Os gêmeos rapidamente começaram a tocar e cantar, e as pessoas que antes estavam tomadas pelo ódio, começaram a dançar alegremente.
Os gêmeos continuaram a tocar, e por todo lugar que passavam as pessoas ficavam alegres e se abraçavam, ou dançavam.
Quando chegaram então a árvore da discórdia mais antiga, a primeira, puseram-se a cantar mais freneticamente. A árvore começou a chacoalhar-se, seus galhos pareciam ter vida, e de um vermelho vivo ela começou a se transformar num verde maravilhoso, um verde alegre.
Ao terminar a canção, os gêmeos foram os primeiros a colher, cada um, um fruto da árvore, e comeram. Nada aconteceu, a castanha estava doce e maravilhosa. A maldição tinha acabado e todas as árvores antes malditas, agora davam frutos maravilhosos.
- Papai sempre dizia, a boa música faz milagre. – Jonas disse, e os dois se puseram a rir aliviados.

*A Quinta da Regalia fica em Sintra, Portugal. Para saber mas clique http://www.cm-sintra.pt/Artigo.aspx?ID=2907
**Faia é um nome dado para várias árvores, a que escolhi para o texto é popularmente conhecida como castanha portuguesa. Visualize-a clicando aqui (antes) e (depois) Aqui




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5 comentários:

  1. Denize, gostei muito da história! Cara que maldição sinistra! E puxa, esse povo, mata os bebês, vê que não resolve e mesmo assim continua matando? Povo fanático, rs

    E essa gêmea! Que maluca! Coitada da bruxa! Não quer dar castanhas, não dá... Egoísta! rsss

    Só não entendi porque a árvore dos gêmeos só nasceu quando fizeram 16 anos...

    Só acho que tem alguns períodos, que tem que ser separados por parágrafo, pois começam a explicar coisas diferentes. E em algumas partes, quando ficam todas as informações juntas, torna a leitura um pouco confusa.
    Existem muitos parágrafos que precisam ser separados.

    Especialmente neste pedaço, seria interessante separar em dois parágrafos: "Mas apesar desse pequeno problema, tudo fluía bem..." - sugiro fazer um parágrafo a partir de "Ao nascer filhos gêmeos...."

    Dá uma relida no texto e vê se consegue separar mais parágrafos, vai tornar a leitura mais fácil ;-)

    Gostei desses trechos:
    "E lá deixou-os, eles deveriam seguir sozinhos pelo poço iniciático, para ter as revelações de que precisavam, pelo menos era nisso que a mãe acreditava."


    "A maldição tinha acabado e todas as árvores antes malditas, agora davam frutos maravilhosos." (Ah, sim, tem uma vírgula aí ;-)

    Parabéns pelo desafio duplo!

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  2. História incrível Olhos! Quanta imaginação! Gostei muito, muito, muito! E um final realmente feliz...adoro finais felizes.
    Minhas observações seriam as mesmas da Sammy, e achei ainda algumas palavrinhas com errinhos de digitação...coisa pouca. Então, se vc reler com cuidado, vai achar as falhas fácil fácil. :)

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  3. "Desde antão o povo " - então

    "Isso não resolve, a solução tende ser outra." - tem que ser outra ou tende a ser outra.

    "Jonas suspirou e com mito esforço" - muito.

    Olhos, nossa, deixa eu recobrar o fôlego. Muita informação ao mesmo tempo, tinha trama pra ser um livro inteiro, e veio tudo num só conto, fiquei até meio atordoada.
    Achei a narrativa meio corrida, mas pode ser porque, como falei acima, era muito para contar e pouco tempo.

    Mas achei que vc casou as frases e a imagem muito bem, arrasou.

    Beijo!

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  4. Obrigada meninas! Fiz as correções q vcs disseram e tentei separar alguns paragrafos, mas é aquilo que a Nanda disse, a história tem muito conteúdo, daria fácil um livro se eu alongasse e aprofundasse mais os fatos, a ideia ficou fervilhando muito tempo na minha cabeça e só foi crescendo, então fica dificil diminuir o ritmo ja q tive q por uma ideia gigante e cheia de pesquisas e um texto relativamente pequeno...
    mas q bom q gostaram!
    e Sammy, não tem um porquê de ter nascido a arvore quando eles fizeram 16. ia nascendo uma para cada um a cada aniversário, acho q foi pura coincidencia. AGORA... se fosse um livro a explicação seria q a bruxa estava vivendo em um outro mundo (tipo uma reencarnação ou algo melhor ainda!) e, vendo q tudo estava um caos em sua terra de origem, decidiu mandar um aviso aos gêmeos quando eles completassem idade suficiente para acabar com a maldição, ja que eles seriam os unicos que poderia fazê-lo, afinal todos os outros gemeos eram mortos né... ela era uma pessoa muito boa afinal. rsrsrsrs

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  5. Antes tarde do que nunca, cá estou eu, me desculpem o atraso...
    Nossa, Dê, que texto maneiro! Um história bem densa para um conto, fiquei boquiaberta, eu que estou acostumada a produzir textos que retratam cenas rápidas... Vc está de parabéns, Denize, amei a trama, os elementos mágicos, as sensações que vc passou no texto... muito bom mesmo! OBS: eu raramente comento a ortografia em si, pq como revisora eu sou um desatre, me "passa" muita coisa meeesmo.

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