Mostrando postagens com marcador cronicas de san atorio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cronicas de san atorio. Mostrar todas as postagens
6

[Batata Quente 3 - Parte 6] - As Crônicas de San Atório - Capítulo seis: "Muito o que Explicar"

Posted by Marcinha on 23 de dezembro de 2013 12:15 in , , ,
Recapitulando as partes anteriores da história:

Parte 1 + explicação da brincadeira - "As Crônicas de SanAtório - Na taberna do Fauno"(by Sammy)

Parte 2: "Encontros e Caminhos" (by Marcinha)

Parte 3: "Um bofe no caminho" (by Paty)

Parte 4: "O Sexto Elemento" (by Nanda)

Parte 5: "O Paladino do Mal" (by Sammy)

Muito o que Explicar


- Quem diabos estava de guarda quando aquele bastardo fugiu? - rosnou Martha, com sua habitual acidez bastante aumentada pela manhã - Ahhhhhh, esquece! Ele já se foi mesmo!

- Fui eu, guerreira, e peço perdão a todas pela minha falha. - afirmou o arqueiro - Ainda estou enfraquecido pela mutilação que sofri, e devo ter cochilado.

- Até onde me consta o único mutilado foi Bjartan... - retorquiu a guerreira, inclinando a cabeça com uma expressão de total desconfiança - O que vimos em você foram cortes nas costas, profundos até... Quer explicar sua afirmação, Halt?

- Eu me expressei mal. - revidou o arqueiro, com visível reserva - Era aos cortes que me referia. - afirmou, olhando disfarçadamente para Nardanna, tentando avaliar a expressão dela.

Nardanna, Santhara e Pethrika nada disseram, entretanto compartilharam da desconfiança de Martha. Especialmente Nardanna sentiu um aperto no peito; nutria uma súbito afeto pelo arqueiro recém chegado ao grupo, mas a lógica lhe indicava que o deslise de Halt com as palavras tinha raízes mais profundas que uma simples confusão momentânea.

O silêncio permaneceu por algum tempo, trazendo certa tensão ao grupo.

Foi Martha que falou novamente.

- Creio que esta não seja a melhor hora para explicarmos tudo o que certamente há para explicar. No momento nosso problema maior é o fato de Bjartan ter fugido sem conseguir seu intento, o que o fará voltar, sem dúvida. Teremos tempo de conversar sobre parentes desaparecidos quando estivermos em lugar seguro. - A guerreira lançou um olhar mordaz para a ruiva - E quando chegarmos lá, onde quer que seja, você terá muito o que explicar, Santhara.

A ruiva simplesmente apertou os lábios, numa demonstração de que seria quase impossível arrancar-lhe qualquer informação sobre o filho que ela protegia a todo custo.

- Posso levá-las ao Rei de San Atório. - interferiu Halt, subitamente - É o mínimo que posso fazer, para agradecer pelo meu resgate e compensá-las pelo mal que fiz perdendo nosso prisioneiro. Tenho as graças do Rei em pessoa, que as tomará em sua proteção particular, certamente, depois de meu pedido. Espero, de coração, que aceitem meu convite e a proteção que posso conseguir.

Martha arqueou a sobrancelha e correu o olhar pelas outras mulheres, tentando sondar-lhes a opinião.

- É nossa melhor chance no momento. - manifestou-se Nardanna.

- Danna... sinto um péssimo presságio. - sussurrou Pethrika para sua parceira - Não podemos simplesmente voltar à nossa rotina? Acho que é hora de dissolvermos o grupo. - sugeriu, recorrendo a lógica fundamental.

- Não é assim que funciona, Pet. - retorquiu Nardanna com doçura - Bjardan nos conhece a todas agora. Quem garante que não usará qualquer uma de nós para chegar à Santhara no futuro?

- Concordo com Nardanna. -  endossou Halt, recebendo uma olhar tão venenoso de Martha que optou por calar-se, entes que terminasse por responder à guerreira com o mesmo tom de hostilidade
.
- Eu aceito de bom grado a proteção do Rei, Halt. - interrompeu Santhara - Afinal o alvo sou eu. Espero que sob os muros do Rei estejamos todas seguras.

- Garanto que estarão. - assentiu o arqueiro - O Cidade Real é protegida por incontáveis tipos de magia e um numeroso e bravo exército.

- Vamos com ele, Pet? - insistiu Nardanna.

- Vamos, Danna. Você está certa. - concordou a maga.

- Está decidido, então. - manifestou-se Martha, quando as outras a olharam em dúvida - Irei onde meu grupo for.

- Coloquemo-nos em marcha, então. - sentenciou o arqueiro.

Em pouco tempo haviam recolhido tudo o que usaram no acampamento e cavalgavam rumo ao seu novo destino. Audaz, sendo o mais robusto dentre os animais, era montado por Martha que levava Santhara na garupa. Pethrika montava Safira, e carregava parte dos pertences da guerreira, para aliviar a carga do cavalo negro. Halt havia recebido Legolas para montar, e diminuía bastante a marcha, argumentando que não estava acostumado àquela montaria. Mas era óbvio que sua intenção era emparelhar com Palermo e fazer companhia a Nardanna no fim da fila.






Bjartan materializou-se no alto de uma torre que parecia abandonada. O cheiro no interior do aposento mais alto era nauseante, mas ele aguentou firme. Mesmo profundamente mutilado, ele permanecia de pé, o mais altivo que seu corpo sem forças poderia aguentar. Nunca demonstrava fraqueza diante de sua Mestra.

A bruxa olhou com desprezo para Bjartan, ensanguentado e pálido como estava. Gritou; um grito esganiçado e pavoroso, enquanto derrubava de cima do altar de pedra à sua frente toas as feitiçarias nas quais vinha trabalhando. Um rastro de ossos de animais e sangue se estendeu pela superfície de pedra, enquanto os encantamentos espalhavam-se pelo chão do aposento arruinado. Ela gesticulou de modo insano, e os olhos arregalados emprestavam uma expressão louca ao rosto antigo e enrugado. Gritou com ele novamente, crispando os dedos nodosos, enquanto arrastava a barra do manto esfarrapado pelo assoalho imundo à medida que caminhava.

- Energúmeno! Incompetente! Maldito! Não faz nada direito! - gritou a velha bruxa, esbofeteando-o com os dedos magros como os de uma múmia.

- Falhei... perdão... - ele sussurrou humildemente; a perda de sangue e o esforço da fuga o haviam quase exaurido - Ajude-me... estou fraco...

- Vou recuperá-lo, meu servo... para que termine o serviço que deixou para trás. Para sua sorte, consegui recentemente o que preciso para fazer a poção que salvará sua vida inútil. Não se encontram chifres de fauno todos os dias, como deve saber. - e, tendo afirmado isso, deu uma risada maléfica
.
O som do riso de escárnio se espalhou pela torre... os olhos de Bjartan vasculharam os arredores e notaram uma silhueta conhecia presa por correntes à parede, com o corpo pendente e a cabeça baixa na escuridão do canto isolado. Já havia sido sangrado, e um pedaço de um dos seus chifres já fora removido, assim como boa parte dos pelos de seu cavanhaque e cauda. Silvicha parecia desmaiado naquele momento.






As quatro montarias e seus cinco ocupantes pararam, a beira de uma encosta de onde se podia ver a Cidade do Rei. As amuradas sussessivas abrigavam inúmeras construções e torres, em camadas cada vez mais altas, até a construção maior do cume da cidade, onde se encontrava o salão do Rei. Era um bela visão; a cidade de pedra clara brilhava levemente dourada sob a intensidade do sol. Sem dúvida alguma, a vista valia a parada momentânea que fizeram para contemplá-la.

Halt e Nardanna se entreolharam, com um sorriso espontâneo. Havia orgulho no olhar dele, orgulho por poder mostrar a mulher que ele julgava única o lugar onde ele morava, mostra-lhe seu mundo. Desde o primeiro momento em que pousara seu olhar naqueles enormes olhos castanhos da arqueira, tinha sido como se algo dentro dele despertasse imediatamente. Não sabia o que era, e estava longe de ser uma paixão súbita e superficial. Era algo que vinha... do fundo de sua alma.

Nardanna baixou a cabeça e focou novamente o a Cidade do Rei. Apenas focou, pois na verdade nem a estava vendo. Sua mente trabalhava sem descanso, tentando entender a confusão de sentimentos dentro dela. Sentia uma confiança inabalável em Halt, esse homem que mal conhecia. Achava que tinham afinidade por que ambos eram arqueiros, e por que possuiam tantas coisas em comum de que gostavam, como descobriram na noite em que caçaram juntos. Mas havia algo mais. Mais intenso, mais profundo... e mais perigoso. Por nada deste mundo Nardanna permitira-se alguma vez aproximar-se de alguém, e depositar sua confiança tão prematuramente. Mas , em se tratando de Halt, algo naqueles olhos de aparência sábia parecia falar ao fundo da sua alma...

Sem aviso, o local onde estavam foi coberto por uma densa sombra, enquanto a Cidade à frente prosseguia iluminada pelo sol. Os cinco pares de olhos atentos voltaram-se para o céu simultaneamente. Nuvens sombrias se formavam velozmente e não eram nuvens naturais, com toda a certeza. Pareciam serpentes enfumaçadas, desenhando espirais enquanto se aproximavam, com sua cor cinza doentia. As serpentes de nuvens se espalhavam pelo céu, evoluindo rapidamente, e terminaram por formar um símbolo no firmamento. Era uma runa única e amaldiçoada, conhecida de Santhara.

- É Bjartan! Corram! - gritou a ruiva, enquanto a cor lhe sumia do rosto.

- Para a Cidade! - ordenou Halt, atiçando as montarias e pondo as mulheres em movimento.

O arqueiro murmurou uma palavra antiga e desceu a palma da mão com toda a força sobre o lombo de Palermo. A lhama soltou um resmungo que não lhe era comum, e disparou com Nardanna ladeira abaixo, rumo à entrada da cidade. Atrás dela, seguiram os outros, tirando a maior velocidade que podiam de suas montarias, fugindo do mal que os perseguia.

O céu se tornava cada vez mais coberto pelas serpentes escuras, que pareciam já quase sólidas. Sem aviso, partes delas começaram a tocar o chão, parecendo cometas que caíam, deixando crateras do tamanho de um homem onde atingiam o solo. As mulheres gritaram, em pânico, quanto atiçavam ainda mais suas montarias.

- Cavalguem e zigue-zague! - gritou Martha - Desviem!

Todas passaram a oscilar no trajeto, muitas vezes quase se chocando umas às outras em meio ao desespero da fuga. Palermo continuava a liderar o grupo, como se o próprio Pégasus tivesse se apossado de seu corpo. Cobrindo a retaguarda vinha Halt, cavalgando Legolas enquanto sussurrava palavras de poder e vigiava de perto as mulheres que tomara sob sua responsabilidade. À volta deles, os tentáculos nebulosos continuavam a vir do céu, golpeando o chão, por vezes perto demais.

Ao final da evocação de Halt, uma luz se fez acima deles, como um globo luminoso. A luminosidade conjurada se espalhou, intimidando temporariamente as serpentes maléficas no céu. A bola de luz também foi percebida pelos guardas nas ameias da murada da Cidade. O portão elevadiço começo a se abrir lenta e firmemente.

Sem diminuir a marcha, os cinco passaram pelo portão da cidade a todo o galope. Imediatamente o portão começou a se fechar, mas eles já estavam a salvo. Podiam ver a barreira invisível de magia que cobria toda a cidade, repelindo o mal que os perseguia, fazendo-o recuar.

Halt saltou de Legolas com agilidade, entregando-o a um sentinela que corria em sua direção, e dando instruções ao homem para que desse descanso e alimentação aos animais exaustos. Palermo parecia a ponto de desfalecer, com as narinas dilatando-se aceleradamente. Halt passou a mão pela fronte da lhama antes que o sentinela a levasse, e o animal pareceu imediatamente um pouco mais confortável.






Halt levou as mulheres à presença do Rei. Explicou tudo o que havia acontecido desde que elas o haviam encontrado desacordado no rio, o resgatado e curado. O rei ouvia a tudo, consternado. Agradeceu às mulheres com sinceridade por tudo o que haviam feito por Halt, e lhes ofereceu abrigo e proteção enquanto precisassem. As mulheres agradeceram e aceitaram.

Então o rei voltou-se para Halt, com uma voz sombria e pesarosa.
- Quem foi o maldito que o mutilou?
- Podemos falar mais tarde, meu senhor? - retorquiu Halt imediatamente, e o Rei entendeu que as mulheres de nada sabiam.






Quando Martha, Santhara e Pethrika já estavam acomodadas nos aposentos que foram destinados para elas, Halt levou Nardanna até seu aposento particular. Embora isso fosse algo que Nardanna jamais fazia, a confiança que sentia naquele homem não a deixava ter dúvidas cada vez que ele propunha algo.

Eles cruzaram a pesada porta de madeira que dava para o quarto onde Halt vivia. Nardanna ficou boquiaberta com a paz que o lugar exalava. Haviam arcos de vários formatos em uma das paredes, que poderia ser definida como "a parede das armas". Mas, tirando este detalhe, tudo o mais era claro, limpo e cheio de sutis obras de arte. Havia um quadro a óleo na cabeceira da espaçosa cama que retratava um anjo em pleno vôo, com sandálias trançadas nos tornozelos e um esvoaçante manto branco. Na pintura, os braços do ser celestial pareciam retesar um arco, embora o ser alado não segurassem arma alguma.

Halt pediu licença por um momento, para buscar algo que pudessem comer. Saiu deixando Nardanna só em seu quarto.

A arqueira começou a vagar pelo aposento, investigando com curiosidade os objetos pessoais do homem que ela aprendera em pouco tempo a admirar. Olhou para os inúmeros livros e pergaminhos, que jaziam em uma estante abarrotada deles. Viu esculturas em formas de asas e várias medalhas, provavelmente concedidas pelo Rei.

Então viu algo que fez seu coração diminuir dentro do peito.

Havia uma boneca de pano no canto do quarto, uma diminuta boneca imunda de terra, com parte de seus cabelos de lã arrancados e as pernas chamuscadas e enegrecidas. Uma pontada de dor aguda atingiu-a de imediato, e ela levou a mão a testa, tentando conter a dor e as lembranças.

Havia fogo. Havia cavalos; homens montados cavalgavam em círculos em torno dela e traziam tochas acesas nas mãos enquanto gritavam uns para os outros. Ela e um menino se abraçavam no chão. Ela era uma criança, suja e apavorada, em meio ao ataque repentino e brutal que seu vilarejo sofria. O menino se agarrava a ela, e a pequena Nardanna abraçava sua boneca mais querida, tentando protege-la dos homens malvados. Ouviu a voz de sua mãe gritando seu nome. Sentiu-se ser levantada pelos braços maternos no instante em que um dos malfeitores agarrava o menino que a abraçava. A mãe conseguiu agarrá-la e correr com ela para a mata. O menino tentara agarrar-se a ela, à pequena Nardanna, mas conseguira pegar apenas a boneca. Nardanna chutava e se debatia na colo da mãe, enquanto via o menino carregado à força por um dos invasores, agarrando com força sua boneca mais querida.

Exatamente a mesma boneca que acabara de encontrar no quarto de Halt.



|
Gostou?
7

[Batata Quente 3 - Parte 5] - As Crônicas de San Atório - Capítulo Cinco: "O paladino do Mal"

Posted by Aptos on 30 de novembro de 2013 06:00 in , , , ,
Recapitulando:

Personagens:
    Martha (guerreira)
    Santhara (feiticeira)
    Nardanna (caçadora)
    Petrika (maga)
    Deziree (guerreira) - saiu da trama no episódio 2. Talvez volte!
 

As partes da história:

    Parte 1 + explicação da brincadeira - As Crônicas de SanAtório (by Sammy)
    Parte 2  - Encontros e Caminhos  (by Marcinha)
    Parte 3 - Um bofe no caminho (by Paty)

    Parte 4: - O Sexto Elemento (by Nanda)


O Paladino do Mal



Santhara congelou ao ouvir aquela voz baixa e metálica. Ele deveria estar morto e enterrado. Aliás, da última vez que o vira, ele estava dentro de uma mortalha branca. Era um homem tão perigoso, que havia sido enterrado nu e de bruços. Sua ordem costumava enterrar seus membros com honrarias, ouro e suas armas, mas Bjartan era uma exceção. Quando abandonou o código de conduta e se importou muito mais com ouro do que com as pessoas, ele abriu mão da lealdade, coragem e todo o altruísmo e deixou o grupo de paladinos seguindo pela senda da crueldade, utilizando todo o vasto conhecimento que outrora servia ao bem, apenas na intenção de conseguir poder e riquezas. 

Olhou rapidamente à sua volta, pensando em como escapar - sabia que se conseguisse fugir, seria perseguida e suas amigas seriam poupadas. Não que fossem grandes amigas, mas uma aliança era uma aliança. Sentia-se presa ao juramento de Martha e principalmente, sentia-se culpada pelo enfraquecimento de Petrika. 

Bjartan moveu-se rapidamente e em silêncio e antes mesmo que pudesse se afastar, ele estava a seu lado sussurrando em seu ouvido: 

- E então Santhara... procurei por você por muito tempo... Quantas vezes precisarei repetir que você me pertence? Nem a morte é capaz de me derrotar e nem você jamais conseguirá se esconder de mim. Quero você para usar como eu quiser e acima de tudo, eu quero meu filho de volta. Preciso do sangue dele para completar o ritual.

Santhara ficou lívida com a menção de seu filho. Nunca permitiria que ele fizesse qualquer mal à criança:

- Nunca! Você é o mal encarnado. Subjuga demônios com o sangue de inocentes.

Bjartan segurou a cintura de Santhara com força e sussurrou:

- Se eu não conseguir encontrar meu primogênito, farei outro filho em você agora e sacrificarei suas amigas para uma magia bastante antiga, que irá reduzir sua gestação para apenas 2 luas. Você acha que sabe o que posso fazer, mas eu posso ser muito pior do que você imagina. Essas mulheres vão sofrer. É isso o que quer? Terá mais algumas mortes em sua consciência, Santhara... Ser culpada pela morte de seus pais e irmãos não foi suficiente? Além disso, depois que eu terminar com você e pegar meu novo filho, ainda posso receber minha recompensa que um certo fauno pediu pela sua cabeça....

Santhara lembrou das antigas maldições ensinadas por sua avó e tentou cuspir o rosto de seu algoz. Porém, antes que a cusparada amaldiçoada o atingisse, Bjartan deu um tapa tão forte que Santhara caiu no chão, ainda vendo pontinhos pretos piscando em sua frente. Cordas prenderam os pulsos de Santhara e Bjartan sorria maldosamente abrindo o cinto da calça enquanto ela debatia-se loucamente e gritava, mas ele era implacável estapeando com força. Estava em dúvida se sentiria mais prazer em violá-la várias vezes ou espancá-la sem parar. Pouco se importava com a platéia - não pretendia deixar ninguém vivo quando terminasse.

Um soluço desesperado escapou da garganta de Santhara. Foi então que seus sentidos apurados perceberam uma movimentação no cavalo de Martha. Aquele pobre diabo que fizera tanta questão que Petrika salvasse, estava se mexendo - recuperando forças. Usou sua visão periférica para tentar descobrir qual das meninas estava mais perto e tinha mais chance de ajudar àquele homem que descia do cavalo sorrateiramente.

Olhou para Martha e girou os olhos na direção do cavalo. Martha acompanhou o olhar e assentiu com a cabeça. Levantou vagarosamente usando a árvore como apoio e aproximou-se de Petrika e Nardanna. As duas estavam tão cansadas que seria impossível qualquer ajuda.

O homem terminou de descer da sela. Martha sentiu vontade de rir. O novato-ex-morto-vivo não tinha nada de alto, forte e espadaúdo. Pelo contrário, era ligeiramente menor do que ela. Era esquálido e seu rosto magro parecia cansado, porém bem vivo. Passou por baixo de Audaz e sorriu ao ver um arco longo e duas flechas numa montaria bem estranha. Seria uma lhama?

Martha balançava as mãos na frente dele, quase implorando que ele a desamarrasse, mas ele a ignorou. Pegou o arco, tensionou... Sorriu com a envergadura e finalmente soltou a flecha. Um assobio curto e a flecha atravessou a parte do corpo que transformaria Bjartan num eunuco.

Santhara, ainda descomposta levantou-se rapidamente e derrubou-o no chão. Puxou uma adaga da liga e encostou na garganta do Anti-Paladino.

O arqueiro cortou as cordas de Martha e Petrika, mas quando seus olhos encontraram os de Nardanna, ele não conseguiu fazer mais nada. Suspirou profundamente e sem desviar os olhos, cortou com cuidado as cordas e correu para ajudar Martha a amarrar Bjartan que gritava palavrões em meio a uma poça de sangue entre as pernas.

Martha aproveitou para chutar duas vezes e xingar:

- Seu !@##$%@#@#$#@###@$@#, como se atreve a me atacar ou minhas amigas? - chutou novamente - Devia pensar melhor em se meter conosco.... - mais dois chutes - Agora nem tem mais brinquedinho! - debochou...

Nardanna que também estava encantada com o homem, finalmente conseguiu falar:

- Quem é você, arqueiro desconhecido? 

- Meu nome é Halt, sou arqueiro do rei. Fui emboscado e jogado no rio. Tinha perdido a consciência, mas acordei me sentindo bem melhor e rapidamente entendi a situação de perigo. E você, linda donzela, quem é?

Nardanna também não conseguia tirar os olhos dele. Cutucou Pethrika que ainda estava exausta e deu um sorrisinho:

- Sou Nardanna. Estas são Pehtrika, Martha e Santhara. Aquele saco de estrume ali eu não sei quem é, mas a ruiva parece saber. - olhando para Santhara que chorava baixinho - Aliás, você dá muito azar, viu? Primeiro se estranha com a Martha, quase mata Pehtrika com aquela cura e ainda nos faz ser emboscada por um qualquer...

Halt olhou novamente para Nardanna sorrindo:

- É meu dever levar este homem para Gorlan para ser julgado e preso. 

Peth finalmente falou:

- Acho prudente montarmos acampamento, o fim do dia está próximo e estamos todas cansadas....

Rapidamente dividiram as tarefas. Nardanna foi caçar com Halt, Martha alisava o cabo do machado e de vez em quando, lembrava de chutar o prisioneiro. Santhara e Petrika improvisavam uma cabana de folhas e acendiam a fogueira, quando o casal chegou com 6 coelhos que foram rapidamente limpos e assados no fogo. 

Fizeram turnos de vigia. No entanto, conforme a madrugada foi passando, a segunda dupla estava tão cansada, que não percebeu a fuga do prisioneiro que havia poupado energia, murmurou um encantamento e prometeu voltar e se vingar. Arrastou-se devagarzinho para as sombras e desapareceu...








|
Gostou?
4

[Batata Quente 3 - parte 4] - As Crônicas de San Atório - Capítulo Quatro: O sexto elemento

Posted by Nanda Cris on 6 de novembro de 2013 06:00 in ,
Olá minha gente!

Aqui vai minha contribuição para as Crônicas de San Atório!
Vamos ao mini flash-back antes?

Personagens:

  • Martha (guerreira)
  • Santhara (feiticeira)
  • Nardanna (caçadora)
  • Petrika (maga)
  • Deziree (guerreira) - saiu da trama no episódio 2. Talvez volte!

As histórias:


Agora sem mais enrolação, aqui vai minha parte na narrativa, espero que gostem!

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x

Parte 4 - O sexto elemento

Martha puxou uma corda que estava na sela de Audaz e avançou decidida para o desconhecido. Puxou seus braços para trás e começou a amarrar firmemente. O sangue passou a brotar com ainda mais intensidade e o homem, ainda desacordado, soltava gemidos de dor. Nardanna olhou enojada para a cena, desviou os olhos e encarou Santhara e Petrika. A primeira tinha olhos avaliadores voltados para o desacordado enquanto a segunda olhava em volta com um ar assustado como  se estivesse esperando que o espírito do Coveiro de Cima fosse brotar das árvores ou do rio a qualquer momento. Olhou novamente o homem e a brutalidade com que Martha o prendia, logo não haveria mais o que salvar. Estaria morto se a perda de sangue não estancasse.

- Petrika, você não vai curá-lo? - Santhara perguntou, tentando esconder a reprovação da voz.
- Não sei se seria inteligente mexer com uma alma pertencente ao rio. - disse Petrika sem parar de olhar em volta.

A taberneira segurou-a pelos braços, sacudindo-a levemente e viu os olhos de Petrika voltarem-se para ela, ressabiados. Nardanna olhava a cena com interesse, esperando seu desenrolar.

- Petrika, você não pode deixar esse cara morrer. Você pode curá-lo, deixe de ser medrosa. Minha leoa de chácara dá conta de um reles espiritozinho do rio, se é que ele vai aparecer!
- Não seja desrespeitosa! - A maga se aproximava do pânico.
- Vamos! Precisamos fazer o bem, sem olhar a quem!

As duas se olharam por um longo tempo. Tão longo que Martha já estava levantando o homem do chão e puxando-o em direção a Audaz que relinchava e sapateava, aflito pelo cheiro de sangue. Nardanna ainda encarava, pronta para intervir. Um gemido mais alto do desconhecido fez com que Petrika desviasse os olhos para o chão e soltasse um longo suspiro, aquiescendo com a cabeça.

- Então me solte, Santhara. Farei o que me pede, mas espero que os Deuses vejam que eu fui obrigada.
- É a decisão mais acertada, Pet.
- Se você está dizendo... - Petrika resmungou para si mesma e chamou por Martha que estacou no começo da segunda tentativa de jogar o homem na cela de seu cavalo.

- O que é, mulher? - A guerreira estava de muito mal humor. Já estava com vontade de urinar de novo e fazer toda aquela força para arrastar o homem estava quase fazendo com que mijasse nas calças.
- Deixe-me curá-lo primeiro.
- Aproveite seus dons e use para algo útil: ao terminar, jogue-o no lombo de Audaz, ok? - Sem esperar resposta, acrescentou - Vou mijar.

Petrika aproximou-se do homem ainda reclamando baixinho.

- Será que as madames vão querer também um coquetel, ou uma massagem nos pés? Desde quando eu virei empregada de todo mundo?

Empunhou as mãos nas costas do homem e esqueceu-se das companheiras de viagem. Todo o seu corpo voltado para sua missão.

Nardanna aproximou-se de Santhara e sussurou ao seu ouvido:

- Cuidado com quem você mexe, Santhara. Se algo acontecer a Petrika, não haverá nenhum lugar seguro para você no mundo, eu me certificarei disso.
- Está me ameaçando, caçadora? A mim? Lembre-se que quem ameaça à mim, ameaça à Martha. Eu me pergunto quanto tempo seu ar de superior vai permanecer no rosto quando sentir o peso da lâmina de minha guarda-costas?
- E eu me pergunto se você se lembra quem gerou, através de magia, essa aliança tão singular. Quem dá, também pode tirar. Fica a dica.

Sem mais, Nardanna afastou-se sentindo os olhos de Santhara perfurarem suas costas. Aproximou-se da maga, que ainda estava de olhos fechados, as mãos posta sobre a ferida que já tinha parado de sangrar e parecia quase curada. Elas tremiam levemente e Petrika estava um pouco pálida, mas fora isso parecia em ótima forma. Um feitiço tão poderoso e ela estava levando muito bem. A ranger pôs a mão no ombro da maga e sussurrou:

- Sabe que pode usar minha energia sempre que quiser, não é?

Petrika não respondeu, mas Nardanna sentiu um fluxo de sua energia ser sugada para o ombro da parceira. Tentou manter-se ereta. Mostrar fraqueza na frente daquelas duas não era o melhor modo de se manter segura ou à sua amiga.

- Preciso me lembrar do tamanho do poder dela no futuro. - a taberneira estava entretida em pensamentos quando sentiu uma firme mão no seu ombro. Deu um pulo e um gritinho.
- Está devendo, Santhara? - Martha perguntou, com malícia no olhar.
- Eu? Imagina... só refletindo sobre alguns pontos...
- Sei... - e elevando a voz, gritou: Ei, vocês duas! Está quase escurecendo já! É pra hoje essa cura aí?!

Como que atendendo a uma ordem, Petrika retirou as mãos e as costas do homem estavam completamente curadas mas ela estava pálida e fria. Nardanna não parecia muito melhor. Elas estavam de pé, mas pareciam se escorar uma a outra.

- Vocês estão bem? - perguntou Santhara muito interessada na resposta.
- Óbvio que estamos bem, que pergunta idiota! - respondeu a ranger, num sopro de voz, que desmentia a rudeza das palavras - Trate de ajudar Martha a colocar o infeliz em cima do cavalo, vou ajudar Petrika a se recuperar, ela não está em condições de ficar sozinha.

E assim dizendo, retirou-se, cambaleando e levando consigo a maga quase desfalecida.

- Sempre bom saber os limites e fraquezas de quem nos cerca... você não acha, Martha?
- Do que você está falando, ruiva?
- Nada não, apenas pensava alto... você segura os braços e eu as pernas... vamos colocá-lo em cima do cavalo e partir para o mais longe possível desse rio. Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay.

Estavam tão entretidas na tarefa que não perceberam nada de anormal até chegarem no carvalho onde haviam parado anteriormente e para onde Petrika e Nardanna haviam se encaminhado. Martha sacou sua espada o mais rápido que pôde e Santhara aguçou os ouvidos enquando puxava uma adaga do meio dos seios. Vigilantes, aproximaram-se das duas colegas desacordadas. O mais estranho é que elas estavam com as mãos presas atras das costas e com uma mordaça em suas bocas.

- Quem diabos...
- Quieta, Martha. - a ruiva sussurrou, apreensiva. Não queria denunciar sua posição.
- Ora, ora. O que belas damas fazem nesta floresta hostil, sequestrando pessoas? - a voz era sarcástica e baixa, quase como se estivesse falando diretamente em suas mentes.
- Ah, dane-se a sutileza... - a guerreira falou como que para si e, elevando a voz, gritou: Quem está aí? Venha sentir o gume de minha espada!

Mal terminou a frase, Martha fez uma expressão de dor e caiu desmaiada no chão. Santhara apavorou-se e sentiu a mente trabalhar em disparada, maquinando um jeito de se safar e levar Legolas consigo. Seu olhar se fixou na visão de cordas sendo conjuradas do nada e se prendendo por magia nos pulsos da guerreira desacordada.

- Mas o que?
- Santhara, querida, quanto tempo.

A ruiva olhou na direção da voz e se surpreendeu com a pessoa que seus olhos viram.


- Pensei que você estava morto...
- A ideia era essa, minha linda.

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x

Quem quer pegar a batata quente?!



|
Gostou?
4

Crônicas de San Atório em HQ (HQ de R$1,99)

Posted by Marcinha on 5 de novembro de 2013 11:41 in , , ,
Olá gente!
Um idéia louca me passou pela cabeça hoje e pus em prática rapidamente, só pra não perder a piada! rss..

(clique na imagem para ampliar)

Nanda, eu não queria revelar seu segredo... hahahahahahahahahaha...
Beijos!



|
Gostou?
3

[Batata Quente 3 - parte 2] - As Crônicas de San Atório - Capítulo dois: Encontros e Caminhos

Posted by Marcinha on 11 de setembro de 2013 06:00 in , ,

Olá, retalhenses e leitores!
Cá estou, com algum atraso, me desculpem por isso.
Estou postando hoje a continuação do nosso terceiro Batata Quente, As Crônicas de San Atório. Para quem quiser conferir a primeira parte dessa história, é só acessar o link:
Batata Quente na Área!!! Crônicas de San Atório!

Aqui está a continuação... vamos à segunda parte! Quero dedicar esse capítulo à Denize, nossa Olhos Celestes, que recentemente deixou o blog por motivos pessoais.
Denize, te adoro, garota!

As Crônicas de San Atório - Capítulo dois: Encontros e Caminhos


- Me chamo Martha, conhecida como a Guerreira Sombria. - adiantou-se a guerreira, ainda sob efeito do álcool, estendendo a mão para a loira de capuz. - Já o nome da trapaceira aqui não faço a mínima...
- Quem está chamando de trapaceira, sua bêbada? - retorquiu a taverneira.
- Uma certa ruiva que batizou minha cerva com uma pinga de quinta categoria... ou coisa pior! - grunhiu, com a voz arrastada.
- Pois essa ruiva esperta tem nome; me chamo Santhara. Além do mais, mulheres metidas a brincar de guerreiro bem merecem um corretivo de vez em quando.
- Ora sua... - avançou a guerreira, ainda bastante trôpega, pousando as mão agressivas no pescoço da ruiva.
- Ei, o que é isso?! Parem! - gritou Deziree, tentando decidir se intervia ou não na cena.
Numa fração de segundo, Petrika e  Nardanna se entreolharam, e a primeira deu uma piscadela para a amiga. Fez um gesto sutil e imperceptível com uma das mãos, e Martha parou no mesmo instante.
Estupefata, a guerreira olhava boquiaberta para o cordão no pescoço da ruiva. Nunca havia visto jóia tão bem trabalhada: uma caveira demoníaca com chifres em arco, tendo dois rubis encrustados nos olhos, tão brilhantes que pareciam acesos.
- Onde conseguiu essa jóia? - inquiriu a guerreira, encantada com o objeto - Já procurei em todas as vilas por onde passei, e nunca encontrei uma crânio de dêmônio tão perfeitamente entalhado.
Santhara encarava a guerreira atônita. Lançou um olhar incrédulo para o próprio colo, onde brilhava a diminuta coruja de prata que lhe pendia do cordão. Olhou novamente para a guerreira, indagando:
- Você não está nada bem, não é?
- Ficarei bem se me vender este colar! Eu sempre quis uma caveira como essa sua...
- Está bem, está bem! - interrompeu a ruiva, enquanto retirava a delicada corrente de coruja do pescoço e a pasava às mãos da guerreira. - É sua! Isso já está ficando muito bizarro.
Enquanto a guerreira colocava o colar no próprio pescoço, sustenando um sorriso de completa satisfação, Nardanna encarou sua parceira com um tom repreensivo.
- Peeeeeet!
- O quê? - retorquiu a maga, ostentando um sorriso travesso - A briga sessou, não foi?
Deziree riu, levando a mão a testa, divertida. Como lhe seria útil, em sua vida de salteadora, possuir uma ínfima parte dos dons mágicos e ilusórios de Pethrika.
Enquanto ria da situação, viu passar ao longe um pequeno vulto branco. Ficou alerta, enquanto tentava disfarçar para não alertar as outras sobre o que vira. Entretanto, o vulto já havia desaparecido.
Tentando desfazer o mal estar que ainda sentia pela atitude de Martha, Santhara engrenou:
- Bem, parece que meu emprego se foi. Aquele bode velho jamais vai me perdoar pela garrafada que acertei nele. Preciso arranjar outro ganha-pão.
- Nem olhe pra nós. A sociedade está fechada. - protestou Nardanna - Eu e Pethrika damos conta perfeitamente do nosso empreendimento.
- E a Deziree? - retorqui Santhara, maneando a cabeça para apontar a encapuzada.
- Free-lancer. - respondeu a loira por si mesma, sem desviar o olhar da adaga com que limpava agora as pontas das unhas.
A ruiva de um muxoxo e correu os olhos até a guerreira.
- Bem, eu estou precisando de uma escudeira. - afirmou prontamente Martha, sentindo-se um pouco menos bêbada com seu amuleto de caveira para lhe proteger.
- Pode esquecer! - retrucou a ruiva - Meu primo Sancho é escudeiro e já me contou histórias cabeludas demais. Muito obrigada.
A guerreira apenas deu de ombros.
- Está bem. - suspirou a ruiva - Vou tentar a sorte no torneio de bardos então. Pode ser que eu consiga algo lá. Alguém me acompanha?
- Bardos? - repetiu a guerreira com certo desdém - Alaúdes nada tem a ver comigo mas... lhe farei companhia, se quiser. Estou em dívida com você e, em agradecimento pelo colar, pretendo segui-la até que eu possa retribuir o favor.
- Eu acho um ótimo programa! - exclamou Deziree - Torneios lotados de trouxas... ãhhh... de viajantes... sempre podem render bons negócios para mim. E além do mais... - ela estancou de repente, deixando a frase incompleta.
Havia visto novamente. O vulto branco passara correndo por entre as moitas a alguma distância, não deixando dúvida do que se tratava. Era o coelho branco mais incomum que já vira. O pequeno animal parou, tirando um relógio de corrente do bolso do colete. Verificou as horas e saiu apressado em seguida. Deziree o seguia com os olhos arregalados, extremamente interessada. Era o mesmo coelho que tantas vezes aparecera em seus sonhos.
- Nós estamos fora dessa; não é mesmo, Pet? - afirmou Nardanna - Eu e minha parceira somos uma dupla com foco em um só objetivo. Então certamente...
- Vocês poderão ganhar muito ouro lá. - interrompeu a feiticeira ruiva - Estive em todos os torneios anteriores e conheço as pessoas certas. Com a minha ajuda, vocês se darão muito bem naquele lugar.
- Então certamente nós podemos abrir uma excessão! - adiantou-se Pethrika, com um sorriso largo e entusiasmado - Nardanna também concorda em que devemos abrir nossos horizontes... não é, Danna? - indagou, cutucando a outra.
- Completamente! - concordou a arqueira, com entusiasmo dissimulado. Toda a arrogância havia desaparecido.
- Excelente. - comemorou Santhara, divertindo-se com a cena.
- E quanto a você, Deziree? - indagou Pethrika - Vai conosco? Você ia dizendo que...
- Que não posso. Não vou com vocês. - afirmou a salteadora, lançando olhares esquivos e disfarçados em direção ao coelho.
- Deixa eu ver se eu entendi... - adiantou-se Nardanna, visivelmente indignada - Você foi contratada para manter a nossa segurança e, agora que iremos a um torneio movimentadíssimo, você quer cair fora?
- Nosso contrato acabou, senhoras. Tenho uma busca pessoal a empreender. - respondeu a loira, fazendo uma mesura - C'est la vie, mademoiselles.
Deziree olhou uma vez mais por sobre o ombro, verificando a posição do coelho branco. O pequeno animal consultava o relógio mais uma vez e, apertando mais o passo, desapareceu em meio a folhagem.
- Preciso ir!  - exclamou Deziree, e desatou a correr na direção que o coelho tomara.
- Pet! Faça algo! - exigiu a arqueira, postando as mãos à cintura, após apontar a loira que se distanciava cada vez mais.
- Não posso fazer isso, Danna. Seria antiético. - afirmou a maga, balançando a cabeça em negação. - Deixe-a ir.
- Perfeito! - expirou Nardanna, sentindo-se exausta - Duas caçadoras de encrenca sem guarda-costas. Brilhante.
- Bem... dadas as circunstâncias... - foi se chegando a ruiva - posso emprestar minha leoa de chácara para fazer a segurança de vocês. Acertamos alguns detalhes e pronto! - propôs Santhara, batendo pestanas forçadamente enquanto um sorriso cínico lhe coroava o rosto.
- Sua leoa do quê? - indagou a guerreira, incrédula.
- Você não disse que quer me retribuir um favor? - retorquiu a feiticeira ruiva - Então, é sua chance! Fique quietinha e me deixe negociar. -  e, voltando-se para Nardanna e Pethrika, inquiriu - Então... temos um acordo?
- Um acordo em que termos? -  indagou Nardanna, bastante desconfiada.
- Precisamos saber o que vai querer em troca. - endossou Pethrika.
- Ah, gurias, pequenos detalhes! Acertamos isso no caminho. - afirmou Santhara, com uma expressão tranquilizadora - Melhor começarmos a caminhada. Venham. O torneio dos bardos é para lá.


|
Gostou?
4

Batata Quente na Área!!! Crônicas de San Atório!

Posted by Aptos on 31 de agosto de 2013 06:00 in , , , , ,
Após nosso período de férias, para dar uma animada, vamos ressucitar um MEGA-DESAFIO!
Para dar uma animada, vamos ressucitar nosso Desafio da Batata Quente!
Para quem não conhece o desafio, dá uma olhada nas Batatas-Quentes anteriores:

-  Parte Final

As regras serão as seguintes:  
(copiadas e adaptadas das regras das primeiras batatas!):

1- Iniciando a história, um com um tema baseado na Idade Média.

2- O textos será desenvolvido por quem quiser participar (conto com a participação de TODAS!)

3- Para que a história não fique longa nem sem um final, proponho que cada participante contribua com no mínimo dois trechos, e por isso todos devem publicar no comentário deste post “Quero Batata Quente”. A história deverá ter 10 partes e quem for publicando sua nova parte, não esqueça de linkar as anteriores para facilitar o leitor que por um acaso chegar.

4- Sempre que um participante postar a sua continuação, o próximo será quem se candidatar primeiro publicando nos comentários "A Batata Quente é minha”, e assim sucessivamente. Acompanharei o desenvolvimento das histórias e tentarei informá-los quando estiver próximo ao final.

5- Cada participante terá UMA SEMANA (sete dias) para postar a sua continuação. Se acontecer de postar antes do prazo, melhor, mas se por ventura a candidata tiver algum problema particular (ou de inspiração) e não conseguir postar no prazo, faça o obséquio de informar no blog que irá atrasar e dar um prazo médio para a publicação (se achar necessário pode passar a Batata Quente para outro que estiver interessado).

6- Ao final das histórias faremos um post colocando todas as partes juntas e uma imagem referente à história.

7- Em cada postagem coloquem a tag “BatataQuente” + "Crônicas de San Atorio" e sua tag pessoal.

8- Lembrem-se sempre de intitular o post com "Batata-Quente (3) - Parte xx", onde xx será a parte da história.

Bom, acho que é isso. Se alguém tiver alguma crítica e/ou sugestão para esse desafio é só dizer. Gostaria realmente que todas participassem mesmo que seus trechos sejam pequenos ou até mesmo de um parágrafo só. Minha intenção é interagir nossas mentes férteis.




Parte 1 - Na taverna do Fauno


 Por causa da chuva que caía naquele domingo, todo povoado estava se abrigando na taverna. Ela estava mais cheia do que nunca.

Martha levantou-se de sua mesa, tropeçando em suas próprias pernas. Sua cadeira se espatifou quando a empurrou para trás. Porcaria de mobília podre... Aquele fauno velho, o Silvicha nunca providenciava nada novo e os clientes eram obrigados a se equilibrar em pedaços de madeira e barris.

Chutou os pedaços restantes de madeira e começou a abrir a grande quantidade de nós de suas calças. Tinha mesmo bebido demais... Arrotou alto para impor respeito, mesmo assim, os demais guerreiros não a levavam a sério com seu pequeno porte e por manter seus cabelos negros, trançados nas costas chegando quase à cintura. Que guerreiro imporia respeito com tanto cabelo?

Santhara, uma das taverneiras havia servido cerveja misturada com aguardente. Martha bebia facilmente três barris de cerveja da boa, mas  a mistura de bebidas parecia ser muito mais do que ela era capaz de absorver.

Abanou a fumaça à sua volta, reclamando sem parar da quantidade de roupa que precisaria tirar para mijar. Encaminhou-se para a latrina num estágio entre entorpecida e irritada. Ser uma guerreira tinha dessas desvantagens... Armadura, capa, cota de malha, espada, escudo... carregar tudo para todo o lado... Se ainda tivesse um escudeiro...

Suspeitava que Santhara era uma feiticeira ou uma puta. Aqueles cabelos vermelhos semi-escondidos sob o capuz não pareciam normais. Tocou rapidamente a estrela do cabo da espada para espantar o mal, não podia arriscar má sorte agora.

*******

Em outra mesa, uma feiticeira e uma ranger com o arco pendurado, jogavam dados a dinheiro. Uma turba gritava a volta delas apostando sem parar. A Ranger, era extremamente sexy e inclinava o corpo para mostrar o colo branco... Aquilo cheirava a malandragem... Conhecia as duas de vista, estavam sempre fingindo jogar e incitando os bêbados a apostarem.

Bateu na cabeça de leve e lembrou... Já havia ouvido falar delas! Eram Nardanna e Petrika... Elas eram amigas e a segunda, era uma feiticeira ardilosa que usava seus dons ilusórios para trapacear e levar dinheiro dos homens que passavam por seus caminhos...

Não estava nem aí para elas... Mas sacudiu sua bolsa e não tinha mais moedas. Não seria difícil chantageá-las para conseguir mais algum ouro. Quando começou a se aproximar, notou que elas havia uma mulher loura misteriosa as acompanhando. Porque alguém usaria um capuz dentro da taverna? Aquilo não cheirava bem. Não a conhecia mas percebeu que seus olhos atentos espreitavam todos à volta...

Aproximou-se lentamente, tentando não ser notada, mas a loura foi mais rápida e encostou uma adaga em seu pescoço, perguntando baixinho:

- Veio apostar ou caçar briga? 

Sua mão desceu até a cintura e instintivamente puxou a espada. Logo estabeleceu-se a confusão...

Santhara servia bebidas numa mesa próxima, quando viu o velho Silvicha agarrando o traseiro de uma jovem mocinha que tinha começado a trabalhar ali há poucos dias. Não pôde se conter diante do asco daquele velho...
- Ora seu...



Nesse momento, ela pegou uma garrafa na mesa mais próxima e acertou a cabeça do fauno que cambaleou para trás.
Dois bardos começaram uma discussão sobre o torneio que haveria em alguns dias e que tinha lhes trazido para o vilarejo. E sem qualquer aviso, um barril vazio voou na direção de Martha e a misteriosa.

A loura agiu rapidamente. Soltou o pescoço de Martha e com um só golpe, partiu a madeira podre em pedaços.

Pethrika, assustada, não pensou duas vezes, olhou a volta e mentalmente traçou um caminho rápido até a saída, correndo para fora desviando com agilidade dos socos e pontapés dos bêbados que se engalfinhavam. Foi seguida por Nardanna que gritava enquanto enfiava as moedas entre os seios:

- Volte aqui, Pet! Me ajude a recolher o ouro!

O clima foi ficando ainda mais quente na taverna com o fauno subindo em uma mesa e exigindo o término da briga. Em poucos segundos, todos estavam xingando e arremessando móveis e objetos.





Quando Martha percebeu, estava do lado de fora, na chuva ao lado da feiticeira, da arqueira, da loura e de Santhara.

As cinco se entreolharam e mediram-se ferozmente. E foi nesse exato instante que um Orc atravessou a janela inconsciente. As cinco mulheres se abaixaram ao mesmo tempo e Santhara disse:

- Esse Orc sempre sai da Taverna de modos pouco convencionais. - balançou a cabeça e baixou o tom de voz, confidenciando - E ele NUNCA paga a conta.  Fico me perguntando se ele não tem ouro e finge estar desmaiado ou se ele pensa que é um dragão tentando aprender a voar...

A guerreira loura gargalhou alto, assustando as demais, que começaram a rir para aliviar o estresse. E então, ela estendeu a mão:

- Meu nome é Deziree... Essas são Pethrika e Nardanna. E vocês, quem são?

*******


E aí? Quem se habilita a pegar a próxima Batata-Quente?????












|
Gostou?

Copyright © 2009 Retalhos Assimétricos All rights reserved. Theme by Laptop Geek. | Bloggerized by FalconHive.