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Desafio de Natal by Sammy Freitas

Posted by Samantha Freitas on 25 de dezembro de 2012 09:00 in , ,

Pela primeira vez na vida, Maria não tinha montado sua árvore de natal. O desânimo de fim de ano, tantos problemas acumulados e para piorar aquela piada maia relacionada ao fim do mundo, para quê montar a árvore ou se preocupar com o natal se o mundo acabaria... 
Pois é... mas não acabou. E as compras ficaram para última hora, ajustes, enfeites, véspera de natal e ela corria contra o tempo.
Chamou seus dois filhos mais novos e lhes deu uma tarefa aparentemente simples: A montagem da árvore.

Quando os meninos terminaram ela gritou para eles:

- Acendam as luzes de natal, por favor. Quero ver como a árvore ficou...
  
Pedro e Luís brigavam por tudo. Já previa que essa decoração daria em confusão, mesmo assim, não havia tempo a perder. Então, continuou na cozinha preparando a ceia quando enfim ouviu a briga. Luís, jazia com o nariz sangrando enquanto Pedro, o menor batia sem piedade.


- Parem essa briga agora - gritou separando os meninos - O que ele fez para você? Luís, o que está acontecendo?

Luís limpou o suor da testa, se preparando para continuar batendo enquanto Pedro gritava: 
- Me bater não vai mudar nada, Papai Noel não existe mesmo!

Maria sempre teve receio do dia em que seus filhinhos perderiam a inocência típica das crianças com aquela que provavelmente seria a primeira grande decepção que sofreriam. Pedro tinha 8 e Luís, 11. Já era hora disso acontecer, mas ainda assim ficou surpresa. Não era cedo demais para as crianças deixarem de acreditar em Papai Noel? Tentou se lembrar quando deixou de acreditar... Devia ter uns... doze anos...

Respirou fundo e preparou-se psicologicamente para as perguntas que viriam a seguir.

- O que está acontecendo aqui? Crianças, porquê estão brigando desta vez?

Luís, magoadíssimo explicou:
- Mamãe... Pedro disse que Papai Noel não existe. É verdade isso? Eu acredito em você, porque adultos não mentem... Diga, mamãe... Papai Noel existe?

Maria não gostava de mentir para os filhos. E sempre prezou por dar explicações coerentes e lógicas, porém, Papai Noel, era uma rara exceção às mentiras que ela se permitia a eles. Dessa vez, não poderia mentir mais. Desligou o fogão e chamou as crianças. 

- Bem meninos... A verdade... é que... Bom.. Vocês sabem só de uma parte da história. Papai Noel existe sim, mas não dessa maneira tradicional que vocês estão acostumados a ver. Na verdade, São Nicolau, aquele que deu o nome ao Papai Noel, nasceu há muitos séculos atrás, por volta de 3 d.C. na Grécia. Ele era muito rico e quando seus pais morreram aos 19 anos, ele resolveu seguir uma vida religiosa. Reza a lenda, que na cidade onde nasceu, viviam três irmãs que não podiam se casar por não terem o dinheiro para o dote. O dote, meus filhos, era uma espécie de taxa que o pai pagava ao noivo para casar com suas filhas. Sendo assim, como o pai era muito pobre, ele resolveu vender as filhas quando chegassem à idade adulta.

Os meninos se mexerem assustados. Já pensou se a mamãe resolvesse vendê-los???

Maria, continuou a história, mesmo sabendo que eles não entenderiam ainda parte dela. 

- E então, quando a primeira filha atingiu a maioridade e ia ser vendida, Nicolau soube do que estava acontecendo e, em segredo, jogou através da janela uma bolsa cheia de moedas de ouro, que foi cair exatamente numa meia, posta para secar na chaminé. A mesma coisa aconteceu quando chegou à vez da segunda. O pai das meninas, ficou muito intrigado e para descobrir o que estava acontecendo, permaneceu espiando a noite toda quando chegou a época da terceira filha fazer 18 anos. Firmou a vista e disse para as meninas: 

- Esperem, ele está bem ali!

Ele então reconheceu Nicolau, e ficou tão agradecido, que pregou sua generosidade a todo o mundo. 

- Mas mamãe, o que essa história tem a ver com o 'nosso' Papai Noel que costumava nos dar brinquedos?

Maria fez um carinho nos meninos, que nem se lembravam da briga e agora estavam interessadíssimos na história...

- E aí, lá pelo século 13 dC, São Nicolau já tinha morrido há muito tempo, mesmo ganhou a fama de bom velhinho e sua figura era lembrada como um bispo montado num burro e carregando brinquedos feitos por ele nas horas vagas durante o ano. A distribuição de brinquedos costumava acontecer no dia 6/12, porém, a Igreja Católica, resolveu em uma Convenção juntar a comemoração de São Nicolau com o nascimento de Cristo. Hoje em dia, o mundo mudou muito. Por isso, a maioria dos pais, resolveu assumir o compromisso de São Nicolau e distribuir a seus filhos no Natal brinquedos. 

Os dois meninos ficaram quietos. Não sabiam se ficavam tristes por Papai Noel não existir, ou pelo sacrifício que sabiam que sua mãe fazia em dois empregos para poder lhes dar presentes todos os anos... 

Maria levantou-se e ia voltar a cozinhar, quando Luís disse:

- Mamãe, eu ainda não entendi uma coisa. Você disse que Papai Noel ainda existia, mas se ele morreu há tanto tempo, porque você disse isso?

Maria sorriu e disse com delicadeza:

- Papai Noel pode não existir mais fisicamente, filho, mas a sua bondade e o espírito de Natal, sempre vão existir e permanecer em nossos corações...

Agora, vão se arrumar que estamos atrasados para a festa de natal do orfanato.
Os meninos correram para tomar banho e se preparar para a festa que a mãe proporcionava todos os anos. 

Chegaram atrasados no orfanato e ouviram às vozes infantis... O coral começou a cantar naquele momento as músicas favoritas de natal dos meninos. 

Empolgados, participaram ativamente da grande festa de amor. Papai Noel realmente podia até não existir, mas aquela magia, não ia acabar nunca...






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3 comentários:

  1. Menina, que sintonia é essa que a gente está? Sua idéia é mega semelhante a minha!
    Gostei da pesquisa que vc fez e dos fatos históricos entremeados com a estória fictícia. Ou aconteceu mesmo?
    Ótimo primeiro texto! ;-)

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  2. Magnífica estréia Sammy!!!
    Parece que vc combinou mesmo com a Nanda no foco do texto hem?
    Gosto muito quando dados reais são entremeados nas estórias. Torna tudo mais interessante e verídico de alguma forma.
    As frases estão bem encaixadas e não percebi nenhum deslize de concordância ou cadência.
    PARABÉNS!
    E BEM-VINDA AO GRUPO!

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  3. Ahahaha eu nem tinha lido seu texto ainda, mas como esse ano foi a despedida do 'papai noel' para o meu filho, eu contei essa história para ele e ele ficou triste, porém se conformou ;-)
    Pior foi o pai que lançou na lata dele: Ora, deixe de ser mariquinha, papai noel nunca existiu! (tadinho!)

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