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Resposta ao Desafio da Leitora Bianca Santana - Desafio da Imagem

Posted by Samantha Freitas on 30 de maio de 2013 13:00 in , , , ,
No dia 22 de Maio de 2013, a leitora Bianca Santana, nos desafiou com uma imagem. Segue abaixo a resposta ao desafio! Leia aqui o desafio.

Estou numa pegada romântica e sofredora, devido a ter acabado de ler "O amor nos tempos do Cólera" do Gabriel Garcia Marquez. Então, o texto, saiu curtinho, com uma história sofrida, porém escrito com o maior carinho.





Era a primeira nevada de janeiro. As pistas de caminhada e corrida, estavam levemente cobertas por uma fina camada de gelo. Embora a leve escuridão marcasse o término da tarde, nenhum dos postes tinha se acendido ainda.

Mark não sentia frio. Embora nevasse e a temperatura estivesse beirando zero grau, não estava tão frio que fosse impossível suportar. Seu paletó surrado, suas velhas e cerzidas calças e seus tênis já haviam visto dias melhores, mas desde que Lauren se fora, ele não fazia a menor questão de viver mais.

Estava quase desistindo, quando semanas atrás sua filha o encontrou. Conversaram bastante e ela havia lhe prometido uma surpresa para hoje...

Fechou os olhos e reviu cenas antigas de sua vida. Como ele e Lauren se esbarraram no Park. Ele, sentado em um banco, enquanto pintava a paisagem e ela, sempre correndo animada pelas trilhas. 

Um dia ele, encantado com sua elegância, começou a pintá-la, observando os poucos momentos em que ela parava para beber água ou mesmo amarrar o tênis e assim, guardando de memória, começou a fazer um retrato daquela que amava em silêncio.

Até que um dia, ela o notou. Curiosa, parou e ali, naquele início de conversa, perceberam tantas coisas em comum, que a conversa se estendeu até o fim da manhã sem que se passasse um minuto sequer de silêncio.

Suas almas se entendiam como muitas pessoas sequer imaginavam que poderia acontecer um dia.

E assim, o romance começou. Viam-se todos os dias. Mark, retomou a faculdade de economia e largou as cadeiras de Belas-Artes. Pintar, voltou a ser um hobby e agora, só pensava em se tornar alguém que pudesse dar a Laureen uma vida de conforto.

Conseguiu um bom emprego como executivo júnior e juntava dinheiro para fazer aquilo que ele julgava mais romântico. Gostava de surpreender Laureen. Porém, sempre eram mimos pequenos. Uma flor, um gesto, um carinho...

Juntou dinheiro e aproveitou o recém-inaugurado programa "Adote um Banco" do Central Park e finalmente foi capaz de redigir sua declaração de amor numa pequena plaquinha que seria afixada num banco. Escolheu aquele banco querido, em que se sentaram juntos pela primeira vez descobrindo mais afinidades em um dia do que muitos casais jamais descobrem por toda a vida.

E levou-a radiante pelo parque, prometendo uma surpresa. Ziguezagueou pelas alamedas, distraindo propositalmente até encontrá-lo.

Ajoelhou-se em frente a seu grande amor, e repetiu as palavras gravadas no banco: "Minha doce Laureen, Eu te amo, te adoro e sempre lembro de você. Quer casar comigo?"

Laureen desmanchou-se em sorrisos e um sim entremeado de lágrimas foi ouvido.

Aquele foi o dia mais feliz de sua vida. Casaram-se seis meses após o pedido. O parque fazia parte de suas vidas. Seus fins de semana, eram dedicados a piqueniques e mesmo depois de anos casados, agiam como adolescentes.

A única tristeza do casal, era Laureen não conseguir engravidar. Até que veio a grande depressão e as falências. E, seguida dela, a perda de seu emprego, o vício em jogos e bebidas. Não conseguia suportar viver às custas da mulher. E seu relacionamento foi se deteriorando até os afastar. Um dia, em meio a brigas e discussões, saiu de casa para não mais voltar.

Nunca soube que deixou Laureen grávida. Vagou pelas ruas bebendo e esquecendo de quem foi um dia. Dormia no parque, comia sobras de lanches, sopões e nos dias mais frios, sempre havia um abrigo a lhe acolher.

E hoje, depois de tantos anos, sua filha recém-descoberta finalmente resolveu que ele estava pronto para conhecer sua neta. Ela trouxe pela mão uma pequena saltitante, que lhe entregou uma tulipa vermelha.

Sorriu desdentado para a filha que prometeu ajudar e tirá-lo da rua. Não aceitou. Apesar de viver nas ruas, era um homem orgulhoso. Não aceitaria isso. Despediu-se da filha

Estava triste por ter perdido o crescimento de sua filha, porém satisfeito por conhecer sua neta.

Girou levemente a tulipa entre os dedos e soube que ainda havia alguma esperança.



*     *     *      



*Nota da Autora: O Central Park possui vários programas de doações para conservação do parque. Um dos programas realmente chama-se Adopt a bench, e ele consiste em fazer uma doação para conservação (a partir de US$7,000, porém quando o valor é superior a US$ 25,000, automaticamente, o doador ganha o direito de ter uma plaquinha fixada num dos bancos do parque. Lembrando, que atualmente, o Central Park possui aproximadamente 9 mil bancos, dentre os quais já foram "adotados" 2 mil bancos. Existem realmente pedidos de casamento, mas a grande maioria é em memória a parentes e amigos falecidos. Porém todos têm algo interessante e uma história por trás da placa. Veja algumas fotos aqui (será que você achará a placa que escolhi para contar uma história???)

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8 comentários:

  1. Bem, eu não gosto de historias tristes, todo mundo sabe disso, e fiquei com muita pena do Mark.

    Mas a história é plausível e tocante. Sempre tive (e tenho) medo de um dia dar tudo errado e eu parar na rua, morando embaixo de um viaduto.

    Adorei a ideia dos barcos no central park, achei maneiro vc colocar um fato real na sua história, acho que os textos que contém pesquisa merecem mais o nosso respeito do que os que apenas psicografamos com a ajuda do caboclo.

    Agora, eu, como uma boa geminiana, não podia deixar seu desafio passar! Achei a placa!

    http://www.flickr.com/photos/polzonoff/2407664689/in/set-72157604500528696

    Ótimo texto, Sammy. Tocante na medida certa, casou perfeitamente com a imagem. Parabéns. Tomara que a Bianca goste. ;-)

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    1. Tks friend :-)
      Erros de português?
      Acho que o Florentino me deixou triste, por isso , quando vi essa foto, me deu um quê de tristeza também e acabei influenciada, rsss

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  2. Nossa, Samantha, amei a história e me emocionei muito. Parabéns! Obrigada por ter se dedicado tão lindamente ao meu desafio.

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  3. Lindo texto, Samantha. Como disse a Nanda, a idéia dos bancos do Central Park foi genial, e teve tudo a ver com a imagem.
    Achei seu texto com uma pegada melancólica muito boa, condizente com a imagem. Este homem está, no mínimo, desolado. Achei que teve tudo a ver.
    Desafio muito bem resolvido. Parabéns!
    Estava sentindo falta dos seus textos, Samantha Maria :)

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  4. Bianca,
    Fico muito feliz por ter gostado da história. Pode ter certeza que eu me coloquei no lugar dele e pensei em escrever com a alma de alguém com a expressão que ele apresentava na fotografia... ;-)

    Aguarde, que a Nanda e a Denize também aceitaram seu desafio, então você ainda pode sair surpresa, elas são excelentes escritoras!


    Marcinha, eu também estava sentindo falta de escrever, sabe? Andava só fazendo resenhas e isso não é bemmmmm o que me satisfaz... Que bom que vocês gostaram. Eu escrevi o começo e fiquei vários dias empacada, até que lembrei de alguém ter comentado esse negócio das plaquinhas ou acho que vi num seriado do Law and Order... Não lembro agora. Daí fui pesquisar e achei que daria uma boa idéia...

    Obrigada meninas, maior prazer que escrever, é ser lida e agradar!

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  5. Poxa que história triste!
    Eu que sempre mato meus personagens no final e tals, mas eu gosto dos finais trágicos, não tristes. Deu vontade de chorar... :(
    Tinha tudo pra ser uma liiiinda história de amor, e terminou de maneira depressiva :(
    Maaaas o texto é ótimo Sammy! Curtinho e lindo! ótima história, parabéns.

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  6. Nossa, quase chorei no final (eu choro facilmente). Muito bonito esse pequeno texto, Sammy. O mais engraçado disso tudo é que com uma imagem você começa a imaginar toda uma história. Adorei!

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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