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Perdida by sammyfreitas

Posted by Aptos on 23 de novembro de 2014 21:30 in , , , , , ,



E então eu me perdi. 

Eu me perdi nos meus sonhos, nos meus segredos. 
Eu me perdi nas minhas dúvidas, nas incertezas da vida.

Eu me perdi porque a vontade de ser eu mesma estava condicionada a tudo aquilo que as pessoas esperavam de mim.

Eu me perdi nos gestos de ternura. Eu me perdi no cuidado e preocupação com as pessoas.

Eu me perdi na capacidade de me doar, eu me perdi quando colocava as pessoas em primeiro lugar. 

Eu me perdi porque achava que amar o mundo e doar parte de mim eram a eterna tentativa de tornar ele melhor.

Eu me perdi porque achava que olhar para fora, era suficiente para encher o vazio que havia em mim.

Eu me perdi porque amava ao mundo, mas não necessariamente me amava na mesma intensidade. 

Eu me perdi no amor que eu distribuía, mas que não deixava nada em mim.

Eu cansei de estar perdida. 
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.
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E então eu conheci você. 
E me achei. 



Hoje tudo está mais claro, não há mais dúvidas. Os olhos que vêem são os mesmos, a paisagem é a mesma, mas tudo dentro de mim mudou. 

Hoje posso compreender, aceitar e amar. Amar sem medo e sem culpa e nada mais importa, só o peso que deixou de existir.





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Conhecimento

Posted by PatyDeuner on 1 de agosto de 2012 12:00 in , , , ,
Olá amigos retalhenses!!!


Ando meio sumida eu sei, mas estou ocupada em adquirir novos conhecimentos que estão me deixando de cabelo em pé. A boa notícia é que junto com o desafio de incorporar novas competências tive o prazer de conhecer uma pessoa incrível, pra dizer o mínimo. Quero apresentar pra vocês Angello Marques, arquiteto e escritor, que sem dúvida alguma é a pessoa mais cheia de bons adjetivos que conheci até hoje, começando por seu altruísmo. E para homenageá-lo vou compartilhar um dos seus textos que dignifica justamente essa qualidade.


Eu o vejo como uma janela aberta.....

Não é imagem, não é render, não é trabalho...mas é ambíguo...

Todo o exalar de conhecimento que se vai com naturalidade à teu próximo...
possui muito mais valor quando há, espontaneamente, um retorno...
A pretensão de superioridade de quem absorve e se cala diante da incerteza do teu conseguinte; este não prolifera...ele apenas se torna um afresco estático, belo para quem simplesmente observa, nulo para ciclo do conhecimento!
Ninguém pode deter o conhecimento, o fim justifica os meios em uma palavra: PERSPICÁCIA!


Angello Marques

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Romance do Substantivo masculino e o Artigo feminino

Posted by PatyDeuner on 8 de março de 2012 15:07 in , , , , , ,




Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. 
Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.
O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.
Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.
Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.
Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.
Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

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Case-se com alguém que você gosta de conversar...

Posted by Nanda Cris on 29 de setembro de 2011 17:42 in , , , ,
Hoje li no Facebook um texto muito bonito que trago aqui para nós com alguns comentários meus abaixo, sobre as coisas que eu pensei enquanto lia o texto.



Por que quando o tempo for seu inimigo, e as linhas de expressão dominarem sua face e sua vitalidade não for como você gostaria, tudo que restará será bons momentos de conversa com alguém que viveu com você muitas histórias, que segurou as suas mãos inúmeras vezes, que lhe abraçou quando sabia que precisava e que lhe falou a palavra no tempo certo.
Vai se lembrar ao longo da vida de momentos felizes, engraçados, apaixonados e vocês ainda vão rir muito juntos.
Então lembre-se que a beleza passa, pois é vã. Mas o carinho , o respeito, o conhecimento este aumenta a cada dia.
Então case-se com alguém...com quem realmente você gosta de conversar, porque ao longo dos anos, isso fará toda a diferença...


As pessoas hoje em dia estão tão preocupadas com botox, silicone, lipoescultura, drenagem linfática... mas será que essa busca desenfreada pela beleza, esse culto ao físico vale a pena? Pessoas belíssimas por fora que quando abrem a boca só demonstram a ignorância que tem na alma.
Um exemplo disso é a Viviane Werpp, ela é candidata à musa do Grêmio e colocou a seguinte declaração no seu Facebook:

Pq tá tdo mundo apavorado com esse negocio de torturar animais... por mim eles nem precisavam existir, sério!


Sério que ainda existem pessoas assim? E, não satisfeita, depois de centenas de recados discordando dela, ela ainda postou mais comentários, como por exemplo:

sério não gosto de animais.... tortura sim!!!
vamo mata tudoooo hahaha


Mais detalhes: aqui.

Como diria minha vó: "Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento". Quando essa mulher ficar velha e feia... o que vai sobrar? Alguém obscuro por dentro, que, se bobear, vai maltratar os netos. Amargurada. Você quer isso pra você? Porque eu, sinceramente, dispenso isso para mim.

Ler um bom livro, ir ao cinema, comer pipoca, passear vendo o pôr do sol, viagens cheias de curiosidades, lugares lindos, comidas saborosas e gargalhadas, ir ao zoológico, rir de alguma piada, carinho no cabelo, cheirar uma flor, ver os primeiros passos de uma criança, beber com os amigos, um bom bate-papo, ter alguém ao seu lado dizendo que tudo vai dar certo nos momentos mais difíceis, pisar na bola e ser perdoado de coração, ganhar um presente inesperado... tudo isso contribui para quem você é, para te fazer uma pessoa melhor. Nós trabalhamos 5 dias por semana, folgamos 2. Normalmente nestes 2, 1 usamos para resolver problemas. Nos sobra só 1. 1 pra ser feliz. Para amar e ser amado. Para recarregar as baterias, para fazer a vida valer a pena.
Quando amamos, somos mais amáveis. E o amor não tem haver com a beleza externa. A paixão tem. O amor é ligado intrinsecamente com a beleza interna.

Temos que ser bonitos por dentro para podermos arrumar uma cara metade também bonita por dentro. A beleza passa, mas a inteligência, a bondade, a sagacidade, essas ficam. E melhoram com o tempo, como um bom vinho.

Quando morrermos e nossa vida passar na nossa mente, o que vamos lembrar? De um corpo perfeito ou de uma vida perfeita?

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Fragmento

Posted by PatyDeuner on 19 de setembro de 2011 16:21 in ,

Tinha um medo doentio da morte. Aquilo da gente apodrecer debaixo da terra, ser comido pelos tapurus, me parecia incompreensível. Todo o mundo tinha que morrer. As negras diziam que alguns ficavam para semente. Eu me desejava entre estes felizardos. Por que não podia ficar para semente? Dentro de um navio, enquanto o mundo todo se acabasse. E nesse barco eu me via cercado de tudo que era bicho, e a minha tia Maria, a negra Generosa, a vovó Galdina, o meu avô, tudo que me amava estaria comigo. Esta horrível preocupação da morte tomava conta da minha imaginação.


José Lins do Rego em "Menino de Engenho"

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