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Escritos Milenares

Posted by PatyDeuner on 15 de maio de 2013 06:00 in , , , , ,

Você acha que a mulher de hoje tem o devido respeito e aceitação da sociedade e da família? Será que todos os séculos de opressão, desvalorização e preconceito foram totalmente apagados? Dá para acreditar que esses escritos milenares eram realmente aceitos como regra de conduta feminina?

Leiam para crer!


“A mulher deve adorar o homem como a um deus. Toda manhã, por nove vezes consecutivas, deve ajoelhar-se aos pés do marido e, de braços cruzados, perguntar-lhe: Senhor, que desejais que eu faça?”
Zaratustra (filósofo persa, século VII a.C)

"Todas as mulheres que seduzirem e levarem ao casamento os súditos de Sua Majestade mediante o uso de perfumes, pinturas, dentes postiços, perucas e recheio nos quadris, incorrem em delito de bruxaria e o casamento fica
automaticamente anulado."
 Constituição Nacional Inglesa (lei do século XVIII)

"Mesmo que a conduta do marido seja censurável, mesmo que  este se dê a outros amores, a mulher virtuosa deve reverenciá-lo como a um deus. Durante a infância, uma mulher deve depender de seu pai, ao se casar  de seu marido, se este morrer, de seus filhos e se não os tiver, de seu soberano. Uma mulher nunca deve governar a si própria."
Leis de Manu (Livro Sagrado da Índia)

"Quando um homem for repreendido em público por uma mulher, cabe-lhe o
direito de derrubá-la com um soco, desferir-lhe um pontapé e quebrar-lhe o nariz para que assim, desfigurada, não se deixe ver, envergonhada de sua face. E é bem merecido, por dirigir-se ao homem com maldade de linguajar
ousado."
 Le Ménagier de Paris (Tratado de conduta moral e costumes da França,
século XIV)

"As crianças, os idiotas, os lunáticos e as mulheres não podem e não têm capacidade para efetuar negócios.“ 
 Henrique VII (rei da Inglaterra, chefe da Igreja Anglicana, século XVI)

"Quando uma mulher tiver conduta desordenada e deixar de cumprir suas
obrigações do lar, o marido pode submetê-la à escravidão. Esta servidão pode, inclusive, ser exercida na casa de um credor de seu marido e,  durante o período em que durar, é lícito a ele (ao marido) contrair novo matrimônio" 
Código de Hamurabi (Constituição Nacional da Babilônia, outorgada pelo
rei Hamurábi, que a concebeu sob inspiração divina, século XVII A.C.)

"Os homens são superiores às mulheres porque Alá outorgou-lhes a primazia sobre elas. Portanto, dai aos varões o dobro do que dai às mulheres. Os maridos que sofrerem desobediência de suas mulheres podem castigá-las: deixá-las sós em seus leitos, e até bater nelas. Não se legou ao homem maior calamidade que a mulher."
Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos, recitado por Alá a Maomé no século VI)

"Que as mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar. Se quiserem ser instruídas sobre algum ponto, interroguem em casa os seus maridos.“ 
São Paulo (apóstolo cristão, ano 67 D.C.)

"A natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem inferior."
 Aristóteles (filósofo, guia intelectual e preceptor grego de Alexandre, o Grande, século IV A.C.)

"O pior adorno que uma mulher pode querer usar é ser sábia.“
Lutero (teólogo alemão, reformador protestante, século XVI)


Grandes mudanças ocorreram na sociedade graças as árduas e incessantes lutas das mulheres pela sua liberdade de expressão e por um lugar digno dentro da sociedade. Mas não se iludam. Algumas culturas ainda tratam as mulheres como seres inferiores, e se olharmos ao nosso redor veremos diversas atrocidades que muitas mulheres ainda são obrigadas a aceitar para não serem punidas.
Devemos continuar lutando contra cada pequeno ato de desrespeito e injustiça. 

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Conclusão

Posted by PatyDeuner on 17 de abril de 2012 16:21 in , , , ,
Estavam ali parados. Marido e mulher. Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça tímida, humilde, sofrida. Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho, e tudo que tinha dentro. Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar novo rancho e comprar suas pobrezinhas. O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula, entregou sem palavra. A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou, se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar e não abriu a bolsa. Qual dos dois ajudou mais? Donde se infere que o homem ajuda sem participar e a mulher participa sem ajudar. Da mesma forma aquela sentença: "A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar." Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada, o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso e ensinar a paciência do pescador. Você faria isso, Leitor? Antes que tudo isso se fizesse o desvalido não morreria de fome? Conclusão: Na prática, a teoria é outra.

Cora Coralina

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Isaac Asimov

Posted by PatyDeuner on 16 de abril de 2012 08:48 in , , , , , , ,
O russo Isaak Yudovich Ozimov nasceu em 1920 e emigrou aos EUA aos três anos de idade com a família. Cresceu no Brooklin e apaixonou-se por ficção científica. Bioquímico, professor catedrático na faculdade de Medicina da Universidade de Boston, e grande pesquisador, Asimov morreu em 6 de abril de 1992, deixando uma vasta obra literária de ficção.
Ele escreveu quase 500 obras, entre romances, contos e publicações científicas, sendo reconhecido, ainda em vida, como um dos três grandes da ficção cientifica, ao lado de Robert A. Heinlein (1907-1988) e Arthur C. Clarke (1917-2008). Suas obras mais importantes, entre muitas outras, são a série Fundação, a série Robôs (Nós, Robôs; Sonhos de Robô e Visões de Robô), O Fim da Eternidade, Os Próprios Deuses e O Despertar dos Deuses.
Isaac Asimov profetizou diversas coisas como nossa relação com os robôs, formas de trabalho, exploração do espaço etc. Também, acreditem, profetizou a criação do Google.

Abaixo segue um vídeo de uma entrevista concedida em 1988, onde Asimov critica o modelo padrão de aprendizado que massifica o povo, imposto mais como obrigação do que prazer. Ele deixa claro que a escola é importante, mas o futuro está na possibilidade do ser humano aprender o quiser, pesquisando no seu próprio ritmo, e no lugar onde se sinta melhor. Isso nada mais é que a previsão das possibilidades que a internet pode oferecer e como ela irá impactar a vida das pessoas.

É genial a sua colocação na época, de que o aprender é algo limitado à infância, quando deve ser algo constante e sem fim.


Algumas obras de Asimov foram adaptadas para o cinema, como Eu, Robô e O Homem Bicentenário, e há pelo menos outras cinco em produção.

Fonte: 






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A menina que calou o mundo por 5 minutos

Posted by PatyDeuner on 15 de abril de 2012 16:04 in , , , , , , ,
Simplesmente "maravilhoso."

Chorei assistindo esse vídeo. Vejam por favor.




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Análise Literária da Música "AI SE EU TE PEGO"

Posted by PatyDeuner on 13 de abril de 2012 16:21 in , , , , ,

Já que professor de literatura sou, dediquei alguns minutos do meu precioso tempo para me debruçar sobre a letra desse "fenômeno" de crítica e público que assola as rádios e tv's, não só do Brasil, mas também do mundo: "Ai, se eu te pego", desse grande artista chamado Michel Teló.
Uma letra de música tão profunda, filosófica e poética como essa merece, sem sombra de dúvida, uma análise literária mais esmiuçada...

Então vamos lá!

"Delícia, delícia.

Assim você me mata"

Nos versos acima, nota-se de imediato que o eu lírico expressa metaforicamente seu deleite sex ual, chegando mesmo - pode-se dizer - a um estado de clímax sexual, um orgasmo. Entretanto, à medida que avançamos na leitura da letra da música, percebemos logo no verso seguinte uma ideia parodoxal que nos leva a constatar que talvez o eu lírico, através de um eufemismo muito bem elaborado, aponte para uma das práticas difundidas na tradição literária ocidental, principalmente a partir do Romantismo.. Observem o verso:

"Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego"

A anáfora presente nesse verso, com a repetição da interjeição "ai", mais uma vez denota a ideia de deleite, de clímax sexual. Entretanto, através do papel hipotético conferido pela conjunção condicional "se", percebe-se que o eu lírico não chegou, de fato, a um enlace, a uma conjunção carnal com o objeto de seu desejo: o "ai se eu te pego" signicando algo como "ai, como eu gostaria de te pegar" ou "ai, se eu pudesse te pegar" (levando-se em consideração também o neologismo já ab sorvida pela linguagem coloquial quando ele usa o verbo "pegar" para significar o ato sexual).
Ou seja: se, nos dois primeiros versos, o eu lírico expressa seu deleite, seu clímax sexual, seu orgasmo; mas, logo imediatamente, nos dá dicas de que o enlace sexual não ocorreu de fato, somos forçosamente levados a considerar que o eu lírico é...

UM PUNHETEIRO DE MARCA MAIOR !!!!!!!

E essa porcaria vende, meus amigos!!!!

Por Edmilson Borret, professor de Português

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Um desabafo junto com um desafio

Posted by PatyDeuner on 11 de abril de 2012 17:57 in , , , , ,
Retalhenses queridos.

Vejo que todos os nossos colaboradores estão sumidos, mas sei que cada um deve ter seus motivos. Sei também que talvez nosso espaço não esteja muito criativo ou muito empolgante, mas gostaria de pedir por obséquio que dessem uma passada por aqui pelo menos uma vez por semana para ler alguma coisa (pode deixar os textos grandes e ler só os pequenos mesmo), ou pelo menos dar um oi.
Pra falar a verdade eu estou postando aqui tudo o que acho e gosto só para minha própria satisfação, e não espero que ninguém comente ou goste, porque quero que daqui a alguns anos (eu espero que dure anos), eu tenha o registro das diversas coisa que passaram pelos meus olhos e foram relevantes. Espero estar velhinha e poder curtir todos esses registros, como um álbum de conhecimentos, que talvez alguém de outras gerações da minha família possam olhar e dizer "olha que legal o blog da bisa Paty!" rsrsrsrs. Pode parecer loucura minha, mas penso desse jeito mesmo.
Enfim, isso não é uma cobrança e sim um desabafo, que tem também por finalidade avisar a todos que não vou desistir do blog porque tenho esse objetivo de perpetuá-lo.

Bom, depois dessa choradeira vamos ao que interessa.
Resolvi propor um desafio para quem quiser participar. A imagem a seguir tem vários caminhos que levam a universos fantásticos, e desafio vocês a escreverem um pequeno texto sobre o caminho que escolherem. Quando eu digo pequeno, é pequeno mesmo. Só um conto relatando sua caminhada em direção ao fantástico, ou os perigos que você está correndo seguindo pra lá, ou até o porque de escolher esse caminho. A única regra que proponho é que cada um registre no post sobre qual caminho quer seguir e ninguém mais poderá escolhê-lo. Então se você gosta muito de um determinado caminho corra pra fazer sua escolha, senão ficará sem ele.



Estou esperando o registro de quem quiser participar.

bjs  meus amigos

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Imagem

Posted by PatyDeuner on 17:29 in , , , , ,
Gente, adorei essa!
Tá bem, tá bem, eu sei que já rodou o face de todo mundo, mas não resisti a deixar registrado no nosso blog.



rsrsrsrs
Muito boa!

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E se TITANIC fosse feito por George Lucas, J.J. Abrams, e Michael Bay?

Posted by PatyDeuner on 10 de abril de 2012 08:14 in , , , , , , ,
O filme Titanic, lançado em 1997, foi durante muito tempo um dos líderes de arrecadação nos cinemas. A direção, produção e o roteiro do filme foram de James Cameron, que em 2010 voltou a emplacar outro sucesso, o filme Avatar. Para ganhar mais uma vez a atenção da mídia, James Cameron resolveu relançar nesse ano de 2012 o seu grande sucesso de 97, agora em versão 3D. Mas já imaginou como seria se esse remake tivesse sido feito não por Cameron, mas pelo trio de diretores George Lucas, J.J. Abrams e Michal Bay?? Alguém imaginou e criou esse vídeo engraçadíssimo!

Adorei esse vídeo!

Retirado do blogideias.com


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Como fazer um livro artesanalmente

Posted by PatyDeuner on 7 de abril de 2012 19:47 in , , , , , ,
Esse vídeo, criado por Glen Milner, é uma pequena vinheta que mostra a criação de um livro usando os métodos tradicionais. O livro escolhido foi “Mango e Mimosa”, de Suzanne St Albans, e a produção foi feita em Leeds, na Inglaterra, numa gráfica chamada Smith-Settle. O processo é bastante artesanal, o que é bastante incomum nesses dias em que um jornal imprime centenas de milhares de exemplares da noite pro dia. Curtam aí o vídeo “Birth of a Book”!


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"DIGNIDADE É COISA QUE HOMEM NENHUM TIRA"

Posted by PatyDeuner on 4 de abril de 2012 09:46 in , , , , , ,
Amigos do Retalhos.
Não deixem de ler essa história.
Uma amiga muito querida chamada Eliza Mary  (mãe da nossa amiga Lívia), enviou-me por email e queria compartilhar com vocês.
Obrigado Dª Eliza.

Por Andréa Pachá

Separações são sempre difíceis. Mesmo quando a decisão é construída pelos dois, a sensação é de fracasso, culpa, tristeza profunda. E o pior é que não tem bula ou manual de instruções.
Tudo parece tão fácil — nos filmes. Depois da tela escura, amanhece.
Cada qual na sua casa, com a roupa de cama no armário, a louça na cozinha e os livros displicentemente arrumados nas estantes. Ninguém faz as malas, ninguém discute o significado dos objetos colecionados durante quase 30 anos. Não se reflete sobre o melhor momento de empacotar a vida ou apartar o paletó do vestido.
Costumam ser rápidas as audiências consensuais de separação. Raramente uma reconciliação, mas com freqüência um choro e sempre a dor da ferida ainda não cicatrizada.
Fernando e Teresa não se pareciam com nenhum dos milhares de casais que acostumei ver naquela situação. Mal conseguiam se entreolhar. Não tinham filhos. Não precisavam de pensão. O patrimônio do casal seria dividido em partes iguais e ela voltaria a usar o nome de solteira.
Antes que eu formulasse a burocrática pergunta sobre a possibilidade de reconciliação — especialmente burocrática naquele caso, considerando a nítida distância entre os dois —, entra na sala uma senhora. Era muito idosa, cabelos brancos arrumados, chiquérrima e com
um buquê de rosas colombianas vermelhas na mão.

— Desculpa, doutora. É minha mãe – informou Teresa.

— Posso aguardar aqui dentro, excelência? – perguntou a senhora com as rosas.

— Se vocês não se incomodarem...

Tanto Teresa quanto Fernando assentiram. Altiva, ela sentou e, tranqüila, aguardou o encerramento do ato. O acordo foi ratificado e o tempo não passava. Nunca demorou tanto uma impressão de texto. Parecia a eternidade. O silêncio, ali, era sólido, machucava. Eu não sabia o que podia fazer, ao menos, para amenizar o visível constrangimento do casal e, óbvio, o meu.
Ele era professor universitário e ela pesquisadora. Provoquei alguma pauta política do dia e a discussão sobre os arquivos da ditadura veio à tona. Qualquer coisa era mais suportável que aquele silêncio.
Soube, então, que se conheceram nos anos 60, no movimento estudantil, e foi um amor de idéias e liberdade. Companheiros da resistência, não podia haver qualquer evento capaz de destruir a solidez dos projetos e sonhos. Dividiam as almas e se imaginavam juntos até o fim.
Ela nunca engravidou e em exames preparatórios para um tratamento de infertilidade, quase aos 40 anos, veio o diagnóstico de câncer de mama.
Ele a acompanhou na cirurgia e na quimioterapia. Poucos meses depois do retorno do hospital, a notícia de uma gravidez não programada de outra mulher, com quem Fernando tivera um relacionamento eventual e passageiro, caiu como uma bomba no já detonado quarteirão doméstico.
Mesmo fragilizada pela doença, a racionalidade prevaleceu. E se teve impulsos de descontrole ou vitimização, e se pretendeu quebrar tudo, Teresa se conteve. O que os fazia parceiros era muito mais do que um sentimento de posse. Maduros, éticos, leais e politicamente corretos, enfrentariam a situação como adultos que eram e continuariam no mesmo barco.
Atenta, eu assistia hipnotizada e admirada à história contada pelos dois.
Alguns anos depois, um novo tumor. Desta vez, Fernando não suportou o encargo, a responsabilidade. Não era falta de compreensão ou solidariedade. Era falta de vontade de prosseguir. Conversaram. De novo, sem drama, sem tragédia e sem bolero. Procuraram o advogado e ali estavam.
Assinados os papeis e prontos para sair, a senhora das rosas levanta e numa voz firme, pede a palavra. Informei que a audiência havia terminado e, caso Fernando quisesse,
podia sair, mas, autoritária, ela o impediu.

— Só preciso dizer uma coisa, Fernando. E gostaria que você ouvisse.

Ele parou respeitosamente e permaneceu de pé.
Ela prosseguiu:

— No dia do casamento de vocês, meu marido, ainda vivo, te entregou o nosso bem mais precioso. Hoje, eu fiz questão de vir aqui, com flores, para receber de volta a melhor mulher que você podia ter encontrado na sua vida. Não te culpo por nada. Só lamento que você não tenha conseguido chegar nessa idade com a sabedoria, a maturidade e a generosidade que se espera de um homem. Sempre te acolhi como um filho e nunca imaginei que uma pessoa de caráter pudesse abandonar qualquer ser humano no momento mais frágil da sua vida. Isso, rapaz, é papel de moleque. A vida não serviu para que você se transformasse numa pessoa
melhor. Nessas horas, dói mais pra mim, a revelação do seu egoísmo e falta de compaixão.
Nenhuma reação. Nem de Teresa, nem de Fernando.

— Acabei. Pode ir. Seja feliz, coisa que eu duvido que você consiga.

Ainda da porta, ele ouviu o que faltava:

— Você, minha filha, me dá um abraço apertado. Essas flores são para que você nunca esqueça da mulher íntegra que é e que muito me orgulha. Não temos, no sangue, a capacidade de armazenar ressentimentos. Você vai ser muito feliz porque merece. Dignidade é coisa que homem nenhum tira da gente.
Fernando deixou a sala. Levantei e pedi um abraço da senhorinha.
Racional, como Teresa, eu não podia ter feito aquele discurso, principalmente porque não sou juíza para julgar desejos, impulsos e limitações alheios.
Não consegui, entretanto, esconder a satisfação de presenciar um acerto de contas, vindo de uma autoridade que só a idade e a dignidade conferem. Aquela mãe não tinha nenhum compromisso, quer com a racionalidade, quer com a legalidade. Podia falar o que quisesse
naquelas circunstâncias.

Partiram, mãe e filha, de braços dados, com o buquê de rosas vermelhas, no cortejo para a vida.

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Posted by PatyDeuner on 29 de março de 2012 22:36 in , , , , , ,

O degustador de uma loja de vinhos havia falecido e o proprietário começou a buscar alguém que fizesse o trabalho. Um oficial piloto da Marinha, bêbado e velho se apresentou para concorrer pelo lugar.
 O proprietário se preguntava como poderia livrar-se dele.
Então deram um copo de vinho para ele tomar. O velho piloto provou e disse:

- É um Moscatel de três anos, elaborado com uvas colhidas na parte norte da região, guardado em um barril de carvalho. É de baixa qualidade porém aceitável.

- Correto, disse o chefe. Um outro copo por favor.
E o velho novamente:
- É um cabernet, de 8 anos, com uvas colhidas nas montanhas ao sul da região, guardado em barril de carvalho Americano a 8 graus de temperatura. Ainda faltam uns três anos para que alcance sua mais alta
qualidade.

- Absolutamente correto. Um terceiro copo, pediu o dono do restaurante ao chefe.
E o piloto novamente responde:

- É um champanhe elaborado com uvas pinot blanc de alta qualidade e exclusivas” disse calmamente o bêbado.

O proprietário não acreditava no que estava vendo e fez um sinal com os olhos para sua secretaria e pediu a ela que fizesse algo. Ela saiu da loja e regressou com um copo de urina.
O “bebum” provou e... disse:

- É mijo de uma ruiva, de 26 anos de idade, com três meses de gravidez e se não me derem o emprego, digo quem é o pai!

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Finalmente Pasárgada

Posted by PatyDeuner on 28 de março de 2012 08:41 in , , , , , ,
A morte ameaçava-o há bem uns cinqüenta anos. Só agora ganhou a parada. Enquanto ele folgou, nesse longo entremês para o último ato, continuou manipulando a matéria prima do seu pensamento, de onde sangrava os poemas.

E assim se fez rico, riquíssimo esse pernambucano ermitão, que acaba de desencarnar. Mas "almaticamente" — para usar do lindo neologismo recém criado por Tom Jobim — continua conosco, na cinza de todas as horas, até a consumação dos tempos.

Sua riqueza declarada são seus versos. O preço pago foi morrer, morrer sempre, sem parar, esvaindo-se, "dando à angústia de muitos uma palavra fraterna", como ele mesmo disse faz pouco tempo.

— "Eu faço versos como quem morre".

"Agora a morte pode vir — essa morte que espero desde os dezoito anos: tenho a impressão de que ela encontrará, como em Consoada está dito, a casa limpa, a mesa posta, com cada coisa em seu lugar".

Manuel Bandeira, poeta imenso, passou a limpo a história de sua vida nos poemas que cometeu. Sempre na mesma linguagem: a da poesia, em que se diz o que não se pode dizer.

Imagino que Bandeira nunca teve inimigos. Só implicava com as coisas absolutamente implicáveis.

— "Há três coisas que incompatibilizam a gente com uma pessoa. Uma é o esperanto. As outras duas são o positivismo e o xarope de groselha"!

Era um simples e um santo (há santos complicadíssimos). Seu Aqueronte seria assim: uma porção de diabinhos pregando o positivismo em esperanto e uma forte redolência de groselha, menu único em todas as refeições.

O poeta inventou a sua cidade, para onde se foi. Quem não sonha com a sua Pasárgada, numa Pérsia intangível, que a magia dos versos traz para tão perto de nós?

Lá, ele é amigo do rei. Aqui, seus milhões de herdeiros universais (basta que saibam a língua portuguesa) continuarão desfrutando o cabedal infinito da beleza que ele criou. À luz da sua poesia, espero purificar-me o suficiente para um dia merecer Pasárgada, ser amigo do rei, ter a mulher que eu quero, na cama que escolherei. E Joana a Louca da Espanha, rainha e falsa demente, virá a ser contraparente da nora que nunca tive".

Que lindo é ser Manuel Bandeira! Que eu seja amigo do amigo do Rei, é o quanto me basta.


Carlos CoqueiroCarlos Coqueijo Torreão da Costa (05/01/1924 - 20/01/1988) foi compositor, maestro, jurista, jornalista, poeta, letrista, homem de teatro, cronista e cantor. Nasceu em Salvador (BA) em família de músicos. Sua mãe era exímia pianista e seu pai, médico, tocava violoncelo. Faziam saraus e reuniam em casa músicos, intelectuais, poetas, artistas plásticos e escritores.

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Personalizando-se

Posted by PatyDeuner on 27 de março de 2012 12:13 in , , , , , ,
Garotas do Retalhos, achei a maneira ideal de se sentir parte de qualquer história assustadora e entrar pra dentro de seus personagens. Vamos personalizar nossa vestimenta mais sexy...apresento-lhes o 
                                                        
                                                           "SUTIÃ MACABRO"

                     


P.s. Usar preferencialmente lendo "Cidade dos Ossos" rsrsrsrs




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O amor pela literatura

Posted by PatyDeuner on 08:52 in , , , , , ,
Como expressar o amor pela literatura?
Escrevendo belos textos, analisando grandes obras?
 Não foi isso que o fotógrafo inglês Joel Robison resolveu fazer. 
Para expressar seu amor pela literatura, Joel resolveu usar imagens. Algumas das imagens criadas por ele receberam uma boa dose de Photoshop, mas ainda assim ficaram incríveis! 

O amor pela literatura expressado de uma maneira diferente

O amor pela literatura expressado de uma maneira diferente

O amor pela literatura expressado de uma maneira diferente

O amor pela literatura expressado de uma maneira diferente

O amor pela literatura expressado de uma maneira diferente


Confiram o trabalho dele no flickr também.

Retirado do "blogideias"

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Para começar a semana

Posted by PatyDeuner on 26 de março de 2012 07:32 in , , , , , ,
              



“Há pessoas que nos fazem voar.
A gente se encontra com elas e leva um bruta susto. Primeiro, porque o vento começa a soprar dentro da gente, e lá, de cantos escondidos de nossas montanhas e florestas internas, aves selvagens começam a bater asas, e a gente não sabia que tais entidades mágicas moravam dentro de nós, e elas nos surpreendem, e nós nos descobrimos mais selvagens, mais bonitos, mais leves, com uma vontade incrível de subir até as alturas, saltando, saltando de penhascos, pendurados numa asa-delta (acho que o nome disso é fé…)”

"Dos sustos que nos melhoram" de Rubem Alves


Uma boa semana para todos!

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Nova Ortografia

Posted by PatyDeuner on 20 de março de 2012 09:07 in , , , , ,
Não sei quanto a vocês, mas eu estou sempre na dúvida quanto às novas correções ortográficas. Para ajudar um pouco quando a dúvida aparece, estou usando um resumo que achei pela net. Ele é ótimo, e está reduzido a apenas uma página. Espero que ajude vocês também.



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Se você fosse você

Posted by PatyDeuner on 11 de março de 2012 13:46 in , , , , , ,
Quando eu não sei onde guardei um papel importante e a procura revela-se inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor sentir.

E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser movida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas e mudavam inteiramente de vida.

Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o futuro ao futuro.

"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido.

No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teriamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos emfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando, porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais

Clarice Lispector




Gostei muito desse texto da Clarice, porque me fez pensar em muitas atitudes loucas que, embora estejam intrínsecas em meus desejos, jamais conceberia externá-las. Seria isso uma falta de personalidade? Ou o medo de me expor ao pensamento críticos das pessoas? Eu realmente não saberia responder a essa pergunta, mas com certeza meu princípio ativo principal seria não magoar, não horrorizar, nem afastar quem eu amo, com atitudes tão intrépidas e inesperadas de uma efígie já concebida. Chego a conclusão que realmente guardo mentiras pra mim mesma, e vou morrer guardando muitos desejos ocultos, somente em meus sonhos. Se sou feliz assim? Com certeza, porque amo quem sou e quem está comigo na empreitada da vida, mas, se eu pudesse trazer alguns sonhos para minha realidade, sem condenação, com certeza eu traria.

Paty

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Romance do Substantivo masculino e o Artigo feminino

Posted by PatyDeuner on 8 de março de 2012 15:07 in , , , , , ,




Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. 
Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.
O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.
Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.
Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.
Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.
Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

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Isso é que é aprender!

Posted by PatyDeuner on 3 de março de 2012 19:07 in , , , , ,
Vi esse vídeo e fiquei lembrando dos meus tempos de escola, quando não conseguia decorar as fórmulas e a ultima saída era fazer uma colinha. Com certeza se eu tivesse um professor desses, até hoje eu saberia de cor as fórmulas.



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Censurado o dicionário Houaiss

Posted by PatyDeuner on 18:56 in , , , , , , ,

Ou botaram alguma coisa na água do bebedor do MPF (Ministério Público Federal) de Belo Horizonte ou o parquet não sabe para que serve um dicionário.

É despropositada a ação civil pública que o MPF ajuizou pedindo a retirada de circulação do dicionário "Houaiss", porque a obra contém "expressões pejorativas e preconceituosas" contra os ciganos.

Entre as múltiplas definições para a palavra, constam "aquele que trapaceia, velhaco, burlador" e "agiota, sovina". Evidentemente, o "Houaiss" marca esses usos como pejorativos.

Não cabe ao lexicógrafo dar lições de moral ou depurar o idioma das injustiças sociais que ele carrega, mas tão somente registrar as acepções presentes e passadas dos vocábulos. Se deixa de fazê-lo, a obra torna-se inútil.

Por isonomia, o MPF deveria também mandar recolher todos os dicionários que trazem, por exemplo, o termo "beócio". Para essa palavra, o "Aurélio" registra: "curto de inteligência; ignorante, boçal". Se olharmos para a etimologia, descobriremos que estamos diante de um imemorial preconceito dos atenienses, para os quais os habitantes da Beócia não passavam de camponeses estúpidos.

Na mesma linha vão "capadócio" (natural da Capadócia, mas também ignorante, trapaceiro, canalha), "filisteu" (antigo habitante da Palestina e pessoa inculta, vulgar), "vândalo" (membro de uma tribo germânica e destruidor), além de "lapônio", "ladino", "safardana", "maltês".

Também carregam alguma dose de intolerância termos como "judiar" (agir como judeu e maltratar), "cretino" (quem padece de hipotireoidismo), "escravo" (que vem de eslavo).

No fundo, línguas são verdadeiros catálogos de preconceitos, às vezes nem originais, mas herdados de outros povos. Com o passar do tempo, já nem os reconhecemos como tal, mas as palavras em que resultaram enriquecem e dão caráter histórico ao idioma. Privar a língua dessa dinâmica é torná-la uma língua morta.

Hélio Schwartsman
Folha de São Paulo

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