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O Galpão

Posted by Kbeça on 20 de julho de 2012 16:01 in , , ,

Scott caminha com cautela pelo galpão, empunhando uma pistola. Sobressalta-se a cada nova sombra criada. Sentia-se enjoado e desorientado pelo ambiente e pela ausência de ver o mundo exterior. O calor e a iluminação o faziam sentir-se claustrofóbico.
Escorrega em uma poça e, na tentativa de se equilibrar, agarra um das caixas derrubando flocos de isopor e... Armas. Seu coração dispara devido ao barulho. Segura a sua arma tremendo. Apontando para cada sombra, cada vulto que o assusta. No meio de seu ataque de pânico vislumbra o furgão. Engole em seco, pois teme o que poderá encontrar. Levanta-se. Fica repetindo mentalmente "Calma, Scot. Calma.". Há alguns metros do furgão o portão por onde ele entrou está fechado. Scott não consegue se acalmar e cada passo vacilante o deixam mais nervoso. Ouve um gemido. Rapidamente vira na direção do som e vê um homem amarrado na cadeira.


John não sabe dizer se é dia, ou noite, ou há quanto tempo está ali. Apesar da dor que está sentido, devido a tortura, tenta se manter acordado e lúcido. Não sente mais os dedos das mãos, ou dos pés. Nem sequer sabe se ainda os tem. Já faz algum tempo que seus torturadores saíram. Ele sabe que eles podem voltar a qualquer momento, mas agradece por esse instante de paz.
Um barulho chama sua atenção. Alguma coisa caindo. Com um olho inchado e outro machucado já seria difícil de enxergar, com essa iluminação precária e amarelada é ainda pior. Ele olha em volta, mas só consegue ver o furgão e várias caixas. O barulho das goteiras faz com que o galpão pareça maior do que é.
John vê alguma coisa, mas não sabe se é só mais uma sombra, um vulto, ou alguém. De repente ele vê um homenzinho segurando uma pistola, com flocos de isopor em sua farda, andando como se estivesse todo borrado. "Um tira" pensou. Se esforçou para gritar, mas a mordaça e o cansaço permitiram apenas um longo e abafado gemido. O guardinha ouviu. "Ótimo".


Giacomo não aguentava mais aquele galpão. Na verdade, não aguentava mais esse trabalho. Quando o senhor di'Tommaso o mandou tomar conta das caixas de papelão ele pensou que seria um dinheiro fácil. Quando lhe mandaram torturar o prisioneiro, ele até se divertiu no começo, mas agora toda aquela umidade, aquele calor abafado, aquela meia luz amarela e, até mesmo a tortura, estavam lhe dando nos nervos. As duas únicas coisas que o mantinham ali eram o senhor di'Tommaso e que ele podia dirigir o furgão preto. Giacomo adorava dirigir.
Enquanto ele fumava próximo a uma janela, no andar superior do galpão, ouviu um barulho vindo lá de baixo.  Um barulhão, na verdade. Ele esperou um tempo para ver se ouvia mais alguma coisa. Depois de muito tempo Giacomo jogou fora o cigarro, pegou sua espingarda, abriu a porta e, do alto das escadas, olhou para o prisioneiro amarrado na cadeira. Tudo parecia normal. Giacomo não era burro. Assistia muitos filmes. Então, ele sabia, alguma coisa estava acontecendo. Desceu as escadas devagar indo na direção de John.


Scott correu na direção John, guardou a pistola, removeu a mordaça e começou a desamarra-lo.
- Calma, vai ficar tudo bem. Eu vou tirar você daqui. - Dizia ele para John.
- Fique quieto e me escute. Caso contrário nós dois vamos morrer aqui. - Algo no tom de voz de John fez com que Scott obedecesse. - O grandalhão vai descer para investigar o barulho. Assim que ele não me ver aqui, vai chamar os outros e vão começar uma caçada atrás de nós.
- O que vamos fazer?
John olhou em volta e viu a mesa com os instrumentos de tortura, sorriu a ver uma bela faca utilizada nele. Sabia o quão afiada ela era.
- Policial...
- Scott! Meu nome é Scott, senhor.
- Bom. Policial Scott, pegue aquela faca ali para mim, por favor, e depois se esconda.
Scott obedeceu e John colocou novamente a mordaça na boca e as mãos para trás. Agora livres e com uma surpresa brilhante. John sinalizou para ele se esconder nas sombras e abaixou a cabeça. Alguns instantes depois a porta do segundo andar se abriu.


Giacomo, realmente, era grande. Dos seis irmãos, ele era o maior. Ele desceu toda a escada e parou na frente de John. Olhou em volta e viu o de sempre: caixas, sombras e o seu precioso furgão.
- Olá docinho.
John não sabia se era com ele, mas resolveu olhar para cima. Na mesma hora Giacomo virou-se para ele.
- Ah... Que bom. Você está acordado. Pode me dizer que barulho foi aquele? Foi você por acaso?
John resmungou alguma coisa e Giacomo se abaixou até ficar face-a-face com ele.
- O que foi que você disse?
Um barulho de gatilho e alguém grita:
- Ele disse que você está preso! Solte a arma e levante as mãos!
Giacomo apenas se virá lentamente sem, nem por um segundo sequer, afrouxar os dedos da espingarda.
- E quem é você, ratinho?
- E-eu... E-eu so-sou...
- Ele é a Lei, babaca! - Exclamou John, ao pé do ouvido de Giacomo, enquanto cravava a faca na jugular dele.
O grandalhão não teve nem tempo de reagir. Caiu sobre uma nova poça. Mas, desta vez, de seu próprio sangue.
- Policial Scott, sabe dirigir? - ele afirmou com a cabeça - Ótimo. Então acho que é hora de respirarmos um pouco de ar puro.


Taí a resposta do meu desafio. Espero estar de acordo com o que foi proposto e que todos tenham gostado. 

Meu primeiro Pulp Fiction.

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BORBOLETA

Posted by PatyDeuner on 4 de julho de 2012 12:01 in , , , ,


                             Respondendo ao desafio da Olhos com essa imagem inspiradora!

- Olha mamãe!
- Que foi Clarinha? Aproveite o parque porque não temos muito tempo!
Ela gritou pra sua filha sem tirar os olhos das mãos que trabalhavam com destreza no bordado monocromático.

De tempos em tempos consultava as horas para não se atrasar. Seu marido chegava às 18:00h, e ainda tinha que passar na padaria e fazer o lanche. À noite preparava tudo para o dia seguinte. O uniforme da escola, a merendeira, o terno do marido e a lista dos afazeres matinais, organizados por ordem de prioridades. Graças a Deus sempre conseguia sentar um pouco para assistir a última novela do dia. Tinha todas as suas tarefas sincronizadas para que lhe sobrasse esse tempo. Às vezes tinha a sensação que o tempo nunca era suficiente.

- Mamãe você tem que ver isso!
- Só um minuto filha! Daqui a pouco já estamos indo embora!
Quase perdeu o último ponto na tentativa de olhar o que a Clarinha queria com ela. Mas conseguiu recuperá-lo a tempo.
“Tempo” Por um minuto parou seu bordado fixando os olhos no horizonte e pensou na profundidade daquela palavra. Tudo se determinava com o tempo. Ou era o tempo que determinava? A vida seria dominada pelo tempo ou teríamos alguma chance de manipulá-la ao nosso favor?

Ficou ali um tempão pensando sobre aquilo, e aos poucos foi se dando conta de onde estava, de como estava. Os sons do parque preencheram seus ouvidos, a brisa leve acariciou seu rosto e sentiu o toque suave do sol em suas mãos. Girou seu rosto para ver a filha a poucos metros dela com um sorriso imenso nos lábios e a mão estendida na sua direção. Na ponta do dedo pousava uma linda borboleta colorida, que parecia sorrir também. Era a borboleta mais linda que já vira. Se é que algum dia realmente tinha reparado em alguma. Na verdade sentia que jamais havia reparado em muita coisa na sua rotina. Largou seu bordado no banco e foi de encontro à filha. A borboleta voou, lenta e cautelosa enquanto ambas, mãe e filha acompanhavam seus movimentos. Deram-se as mãos e passearam todo o resto da tarde pelo parque. Cada pedrinha, cada folha caída no chão, era motivo para um mundo interior de conversas e brincadeiras.

Nesse dia chegaram em casa muito depois das 18:00h. Esquecera-se do tempo. E sentia-se muito mais leve e feliz.



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Dê Tempo ao Tempo!

Posted by Olhos Celestes on 29 de maio de 2012 16:55 in , ,
Oie genteee... Esta é a resposta ao desafio da Telma. 
Paty, sei que me desafiou antes e peço desculpas por estar respondendo ao desafio da Telma primeiro, mas é por que achei um pouco mais fácil, sua imagem é inspiradora demais e quero fazer um texto totalmente empolgante com ela, enfim, na verdade quero ver se retorno um pouco as minha origens escrevendo sobre aquela imagem, e isso pode me tomar um pouquinho mais de tempo para me inspirar...

Enfim, vamos a resposta. A imagem que escolhi:



Dê Tempo ao Tempo


“Deuses, Senhores do Universo, por favor me ajudem nesse caso perdido, eu não sei mais o que fazer, estou prestes a cometer um grande erro, vocês o sabem, se minha amada não me perdoar eu vou... não, não posso colocar a culpa nela, a culpa é minha! Ah, por favor me digam um jeito de concertar tudo, como fazer para ela me perdoar?”
As lágrimas escorriam pelo seu rosto pálido enquanto orava, ajoelhado ao lado da cama, os olhos inchados, um retrato dela em mãos. Há três dias não dormia, não comia ou bebia direito, tendo apenas beliscado umas bolachas quando sentiu q ia apagar de fome no dia anterior, e o único banho q tomara desde então fora um banho gelado, assim que chegou na casa do amigo na noite em que tudo aconteceu, tentando acordar de seu pesadelo.
A amava mais que tudo, não entendia como pudera ser tão burro, como pudera deixar aquilo acontecer, foi uma besteira, mas uma besteira que talvez ela nunca perdoaria, e nem deveria, foi seu erro mais fatal...
Bebeu... ela havia pedido pra que nunca mais bebesse, ele achou que duas latinhas de cerveja e uma dose de whisky não fariam mal algum, já fazia tanto tempo que não bebia. Chegou em casa achando que ela entenderia, mas ela não quis saber “Você prometeu que não faria mais isso, não prometeu?!” gritou com ele. Infelizmente a dose de whisky o deixara um pouco alterado também, começaram a discutir, ele nem mesmo se lembrava sobre o que exatamente falavam, lembra-se apenas do momento em que a deu um tapa no rosto, não foi forte, ele sabia, mas não importava... lembrava-se do olhar dela, de terror, ela começou a chorar descontrolada e disse que não queria vê-lo mais, colocou-o para fora de casa. Rafael, sem saber o que fazer ou pra onde ir, ficou vagando algumas horas sem rumo, até que um conhecido o encontrou e o levou para casa, deixando-o dormir lá até fazerem as pazes... coisa que Rafael sabia, seria impossível. Jamais tratá-la com tamanha grossura e maldade... justo ela que era tão maravilhosa para ele...
“Deuses... Deuses... me digam o que fazer! Não vou aguentar mais um dia sem ela! Sem seu corpo, seus lábios, seus olhos, céus o seu sorriso...! Ela não me atende, não quer mais saber de mim. Como me aproximar de volta e me redimir?” Pensava alto ao mesmo tempo que clamava por ajuda, estava já tão desconcertado que não percebeu uma presença atrás de si.
- Acha mesmo que merece o perdão dela? – a voz soou como um trovão, ele ficou em pé num pulo e virou-se para trás, o coração saindo pela boca com o susto.
- Que... quem...?
- Não questione quem sou eu, questione a si mesmo se merece o perdão dela...
Aquela voz era assustadora, mais assustadora ainda era aquela aparição. Um homem grande e velho, os cabelos e a barba brancos e longos, mas os olhos eram de um menino, levava em sua aura todo o conhecimento do mundo, pelo menos assim pensou Rafael.
- Você é um Deus...? – Rafael disse baixo e lentamente.
- Aprenda! – a voz gritou com ele, mas o velho mal mexia os lábios. – Não faça perguntas insignificantes. Meu caro, você perdeu muito tempo de sua vida com coisas insignificantes, não entendeu o que realmente importava algumas vezes, vocês humanos são quase todos assim, depois se arrependem e correm atrás de ajuda divina, mas se tivessem ocupado o tempo da forma correta, jamais precisariam de nós!
Rafael sentiu-se confuso com o sermão, sentiu-se confuso com tudo. Será que estaria delirando de sono? De fome? Ou mesmo de angústia? Por um tempo não disse nada, ficou fitando aquele velho sábio.
- Responda... – o velho disse, delicadamente dessa vez.
Rafael suspirou e baixou os olhos para o retrato dela, as lágrimas voltaram com toda a força.
- Não... Eu não acho que eu mereça o perdão dela. O que fiz foi horrível! Não suporto pensar que ela me odeie, mas sei que ela está certa, eu mesmo estou me odiando demais.
- A verdade dói... mas é muito bom que você reconheça a verdade, é o primeiro passo. Para amenizar seus sofrimentos vou contar-lhe que ela não te odeia, ela ainda te ama mais do que a qualquer um e acredito que te amará para sempre, mas sabe tão bem quanto você que foi muito injusto o que você fez, e ela não pode tolerar injustiças. Porém também está sentindo a sua falta, tanto quanto você a dela.
- Então... – Rafael tinha um brilho de esperança no olhar. - o que devo fazer? Ela não fala mais comigo, já tentei de vários jeitos, como vou me redimir com ela?
- Dando tempo ao tempo... aliás, tempo que você não tem muito... você sofre de câncer meu rapaz. Vá a uma consulta amanhã, tratar daquela dor de cabeça, o cansaço... lembra? Faça todos os exames que lhe pedirem, verá...
Rafael o olhou assustado, temeroso. Seria loucura?
- Mas não é disso que vim tratar, certo. – continuou o velho. – Não adianta procurá-la até que ela esteja pronta a te perdoar, e isso vai levar menos tempo do que você imagina.
- Quem é você afinal? E por que está me dizendo tudo isso? – ele continuava assustado com tantas revelações.
- Eu sou apenas o Senhor do Tempo meu rapaz, e não faço nada além de ajudar as pessoas que acho que precisam... vocês dois têm uma história linda juntos, e seu tempo é curto. Você fez uma burrada sem tamanho, mas ela te perdoará, porem isso pode acontecer tarde demais pra você, e ela também sofreria muito com isso... eu entendo do tempo e nesse momento só estou vindo até você para que você saiba que tem que se tratar, não vou mentir, o tempo nunca mente, sua doença não tem mais cura, mas se você começar a se tratar logo ainda pode ter muito tempo para viver com ela. Neste momento estou mergulhando seu tempo num lago muito fundo, é a ultima coisa que posso fazer para atrasar o relógio. O resto depende de você, e de tempo... confie no tempo e ela irá te perdoar, e vocês ainda viverão juntos e felizes por mais algum... tempo.
- Mas por quanto tempo!? – a voz de Rafael soou assustada mas firme, ele voltaria a ficar com ela, isso era maravilhoso, mas precisava saber quanto duraria.
Mas como resposta ouviu apenas o ecoar de sua voz no quarto vazio, o velho se fora. Senhor do tempo ou apenas sua imaginação? Não importava, agora entendia o que fazer.

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