Suzane chorava sem saber o que estaria
por vir, imaginava se Cristopher estaria vivo quando escurecesse novamente. E
os vampiros? O que aconteceria com ela se eles a encontrassem? Passara o dia
escondida na catedral, queria sair para comer alguma coisa, queria dormir um
pouco, mas não podia. Seu ferimento do braço também doía, não pôde cuidar dele.
Estava morrendo de medo de sair dali, do solo sagrado, e ao mesmo tempo tinha
medo de ficar ali, aquele vampiro conseguira entrar em solo sagrado, e se
outros viessem a conseguir também? Cristopher dissera algo sobre o seu sangue, mas
Suzane não sabia se havia entendido direito.
O sol já estava baixo, se
escondia por trás dos edifícios, Suzane sabia que faltava muito pouco para
escurecer e tremeu com o pensamento.
Quando o ultimo raio de sol
deixou de tocar o solo, Cristopher sentiu o formigamento da transformação, sua
consciência voltava e quando a transformação acabou ele percebeu que o vampiro
não estava mais ali.
- Mas... Como...?!
Olhou enraivecido para todos os
lados, aquilo não era nada bom. Será que o sangue de Suzane era tão forte assim
que o fez se levantar e fugir? Ou talvez os vampiros tivessem algum tipo de
acordo com criaturas do sobrenatural que pudessem andar durante o dia?
“Não, talvez Suzane seja ainda
mais importante do que eu pensava, talvez eu estivesse subestimando o poder do
sangue dela.” Ele pensou enquanto corria pelo subterrâneo, temendo não encontrar
Suzane na catedral.
Guiou-se pelo cheiro dela e
felizmente a encontrou sentada num canto, encolhida e meio adormecida.
- Suzane... – sussurrou.
- Ow, Cristopher! – Ela ficou
muito aliviada ao vê-lo e jogou-se aos seus braços, mesmo ele estando na forma
horrenda e gelada de gárgula.
Cristopher sentiu o calor do
corpo dela junto ao seu e tremeu com um calafrio gostoso. Devia dizer algo a
ela, devia se preparar para lutar, devia pensar num lugar realmente seguro para
levá-la, mas sua cabeça esvaziou-se por completo, tudo que queria era estar
ali, com ela em seus braços dando-lhe aquele carinho gratuito.
Quando Suzane percebeu que o
abraçava e que ele retribuía sentiu-se um pouco constrangida e se afastou,
dando as costas a ele para que não visse seu rubor.
- Então... – ela disse. –
Conseguiu destruir aquele vampiro que nos seguia?
- Não... – Cristopher não podia
mentir, e ainda estava um pouco zonzo com o efeito daquele abraço, falava
devagar. – Ele... sumiu. Não sei como.
Suzane virou-se e o olhou com
terror.
- Isso quer dizer que ele pode
aparecer aqui mesmo e nos pegar? E a qualquer hora?!
- Tenha calma mon amour... não
deixarei que nada lhe aconteça.
Ele se transformou em humano e
pousou a mão sobre o ombro de Suzane, para dar-lhe segurança. Os dois se
olharam.
- Temos que cuidar desse
ferimento. – Ele disse por fim, olhando para o braço de Suzane. O corte parecia
estar infeccionando.
- Não é seguro sair daqui.
- De fato, mas se não cuidarmos
disso pode piorar muito. Você vai ficar bem escondida aqui enquanto eu saio e
consigo algo para fazer um curativo e alguma comida para você aimé.
- Não, você está louco? Eles vão
te pegar, vão te matar se você for lá fora! Pelo que sabemos um deles pode ser
invencível agora...
- Eu vou, não importa o que você
diga. Eu preciso cuidar de você...
- Então... – Suzane suspirou. –
Beba meu sangue antes de ir.
- O que? – Cristopher a olhou
como se estivesse ficando louca.
Suzane pegou em sua mão e o olhou
com súplica.
- Eu... Eu... Amo você... – Ela gaguejou.
– Não quero que corra nenhum risco... então, se meu sangue fez aquele vampiro
ficar tão forte, pode fazer você ficar ainda mais forte e invencível que ele,
por favor...
Cristopher sentiu seu corpo todo
tremer. Então, ela o amava também?! Milhões de coisas passaram por sua mente em
um instante, até que percebeu que ela esperava ansiosa por uma resposta, com a
expressão cansada, mas com um brilho mágico no olhar.
|