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Desafios de Natal e Ano Novo

Posted by Denize Ternoski on 14 de janeiro de 2013 08:00 in , , ,
Finalmente, pra quem tava com saudade dos meus textos... e pra quem não tava também, estou respondendo aos desafios de natal e ano novo gente!

Natal


*Mas não é da cor que eu pedi!

*Claro que Papai Noel existe, meu bem.
*A lareira está acesa?
*Eu prefiro muito mais tender.
*Sabia que tinha esquecido de algo





- Mamãe, mamãe, acorda, vamos, já é natal!
- Ham...? – Gabriela abriu os olhos, ainda com sono, e viu Jorge ao lado da cama a olhando animado. Olhou para o relógio, 6h da manhã.
- Ah, filho, volte para a cama, está muito cedo...
- Não mãe, quero ver meus presentes, meus presentes! Será que Papai Noel trouxe o que pedi?
Aquilo lançou um alerta na cabeça de Gabriela, estivera tão ocupada trabalhando que esqueceu de comprar o presente de Jorge, como pôde?  Jorge, que não queria esperar nem mais um minuto para ver seus presentes, saiu correndo em direção á sala.
- Amor, acorde. – Gabriela sacudiu o marido que ainda dormia.- Marco, acorde!
- O que foi?
- É natal, e não compramos o presente do Jorge, levante!
Marco sentou-se na cama, também sobressaltado pela constatação de que não havia comprado os presentes do filho.
Sabia que tinha esquecido de algo!
Nesse momento Jorge voltou correndo ao quarto, haviam lágrimas quase escorrendo de seus olhos.
- Mamãe, papai, o Papai Noel esqueceu de mim? Não tem presente nenhum debaixo da árvore!
- Calma filho, calma... – Gabriela tentou dizer, mas Jorge estava irado.
- Droga de Papai Noel, odeio ele, odeio...
- Ora, pare com isso Jorge, arrume-se e vamos sair. – disse Marco.
Jorge saiu do quarto batendo os pés e chorando, Gabriela olhou para Marco esperando uma explicação.
- Vamos comprar o presente dele ora. – dizendo isso ele se levantou e foi se arrumar.
Os três saíram de casa, Marco resolveu fazer um programa especial para o dia de natal, para compensar o esquecimento. Primeiro tomaram café em uma padaria do bairro, depois foram a um parque de diversões que, por sorte, estava aberto no natal, fizeram de tudo para alegrar o menino, mas ele só resmungava e não esboçava nenhum sorriso. Por último foram ao mercado fazer compras para um jantar especial, mas Jorge continuava cabisbaixo, irritado.
- Vamos comprar um peru! – Anunciou Gabriela, sabendo que Jorge adora peru, mas ele não teve reação.
- Huum, eu prefiro muito mais tender. – Forçou o pai de Jorge, mas o garoto não esboçou emoção nenhuma.
Gabriela e Marco se olharam decepcionados, Marco decidiu então ir até a seção de brinquedos enquanto Gabriela terminava de fazer as compras com Jorge. Lá ele encontrou o presente que Jorge tanto queria, uma bicicleta vermelha como o fogo. Fez a compra e guardou no porta-malas do carro antes que Jorge e Gabriela aparecessem, depois do mercado foram para a casa.
Como parte do plano Gabriela distrair Jorge, indo até a casa de um vizinho para desejarem um feliz natal enquanto Marco foi preparar tudo, entrou em casa, acendeu a lareira e deixou a bicicleta com um grande laço de presente debaixo da árvore, depois saiu.
Quando entraram todos juntos em casa Marco exclamou:
- Olha, a lareira está acesa?
Jorge lançou um olhar deprimido, mas curioso, para o centro da sala e percebeu algo debaixo da árvore, correu até lá com um sorriso no rosto, que desapareceu quase instantaneamente.
Mas não é da cor que eu pedi! – bufou irado. – Eu queria azul... – e lágrimas voltaram a aparecer em seus olhos.
Gabriela lançou um olhar desaprovador para Marco, que se explicou num sussurro:
- Era a única cor que eles tinham.
Jorge correu para abraçar a mãe.
- Que droga de Papai Noel mamãe, Papai Noel não existe!
Claro que Papai Noel existe, meu bem, ele só... é atarefado demais.
- Ele esqueceu de mim, ele não gosta de mim.
- Olha, Jorge, Papai Noel te ama, eu tenho certeza, mas tem milhões e milhões de crianças no mundo, ele não consegue mais entregar toooodos os presentes em uma só noite , e não consegue fazer todos os brinquedos das cores exatas, mas você é especial para ele e eu tenho certeza que você vai adorar a bicicleta que ele te trouxe,  porque pode não ser da cor que você pediu, mas é a bicicleta vermelha mais veloz do bairro, todos vão admirar você quando estiver andando com ela.
- Verdade? - Jorge a olhou esperançoso, enxugando uma última lágrima.
- Verdade! - Gabriela sorriu para ele.
- Então... então eu vou correr para mostrar  aos meus amigos! - Jorge pegou a bicicleta e saiu correndo para a rua, com um sorriso largo no rosto. 
Marco olhou orgulhoso para Gabriela.
- Acho que esse natal nos deu uma lição.
- O que? - ela perguntou.
- Que nosso filho não precisa de verdade de presentes caros para ser feliz, ele só precisa que conversemos mais com ele, ele precisa mais da nossa atenção.
Os dois sorriram, se abraçaram e foram para fora olhar Jorge brincando.





Ano Novo



As grades da prisão eram desgastadas por tantas mãos que passaram por ali ao longo do tempo, alisando-as. No canto, uma latrina sem tampa exalava um cheiro não muito agradável. Uma pequena janela deixava entrar as luzes dos fogos que pipocavam ao longe. Haviam 2 catres no cubículo, ambos demonstrando sinais de estarem ocupados. Ao longo do corredor várias celas, todas ocupadas. No final deste, uma sala de guardas, onde era possível ver uma parte da televisão com a Globo passando a queima de fogos em Copacabana. Além disso, também era possível ver uma poltrona e o topo da cabeça de alguém.

Dumbo, como Andrew era conhecido pelos amigos do crime devido a suas orelhas um pouco avantajadas, estava andando de um lado para o outro em sua cela, pensativo, havia chegado a hora, mas seus comparsas estavam atrasados, e ele muito irritado. Tinham que aproveitar a noite de ano novo, só havia um carcereiro, que estava distraído vendo tevê, ou outros estavam de folga, não haveria momento melhor.
Dumbo tinha sido preso dois meses antes, por tráfico de drogas, ele e um amigo tinham sido pegos, os outros fugiram, mas prometeram que os tirariam da prisão assim que possível. O amigo de Dumbo estava preso em outra seção da cadeia municipal, e agora que havia chegado o momento dos comparsas cumprirem a promessa, eles não apareceram. Dumbo então resolveu começar sozinho a fuga.
Havia um túnel no qual ele estivera trabalhando o mês inteiro, mas não estava acabado, era o seu plano B, já que seus amigos não tomaram a cadeia como haviam prometido, ele teria de usá-lo. Apanhou do chão uma colher imunda  que ele mantinha na cela e acordou seu companheiro, ambos ergueram um dos catres e entraram no túnel, seu companheiro de cela, Jack, trazia consigo uma pá pequena de jardinagem que conseguira fazer com que sua esposa trouxesse durante uma visita.
Caminharam algum tempo no escuro até encontrarem o fim do túnel e começaram então a cavar para cima, para fazer uma saída, mas o problema é que não tinham ideia de onde o túnel iria dar, era um plano muito mal planejado esse.
- Então Dumbo, eu te avisei que seus amiguinhos iam dar pra trás, mas você não me ouviu. Deveríamos ter terminado antes esse túnel e já estaríamos fora daqui.
- Não enche! – Andrew estava irritado demais para conversar.
Perderam a noção do tempo enquanto cavavam, aquilo parecia uma eternidade, quando finalmente Jack tirou uma quantia de terra que abriu um buraco, iluminando os dois com uma luz fraca, sons de poucos fogos ao fundo, já era madrugada. Apressaram-se e conseguiram sair para o ar livre, para a sorte deles num terreno baldio ao lado da cadeia, e começaram a correr em direção à rua.
Porém, para o azar deles os comparsas de Dumbo só estavam um pouco atrasados e haviam tentando tomar a cadeia enquanto eles estavam no túnel, mas deu tudo errado e eles haviam sido pegos, reforços estavam chegando por todos os lados e já sabiam que os dois haviam fugido, estavam alertas quando Dumbo e Jack saíram para a rua.
- Ah, cara! Que droga, eles descobriram, vamos nos entregar. – Jack falou assustado com toda a movimentação policial, levantou as mãos em sinal de rendição.
- Nem pensar, não volto para lá! – Dumbo gritou para Jack e voltou correndo para dentro do terreno baldio, mas correu apenas uns 10 metros até que tiros ecoassem pela rua.
Dumbo foi baleado e hospitalizado em estado grave. Pela manhã recebeu uma visita no hospital, era Raquel, sua noiva.
- Andrew, o que você fez? Porque? – ela perguntou quando ele acordou, seus olhos estavam vermelhos e inchados de chorar.
- Me perdoe... meu amor... – ele falava com dificuldade. – tudo que fiz... tudo, foi por você! Eu te amo.
- Pare de falar isso! Eu pedi pra você não se envolver com o crime, pedi pra você não fazer nada errado, você não me ouviu. Se me amasse teria ouvido...
- Mas eu te amo! Eu queria comprar uma casa pra gente... queria tirar você daquela favela, te dar uma vida melhor... eu não conseguiria... isso... – ele gemia ao falar. – com meu emprego de merda... por isso comecei a vender drogas, é... muito mais fácil. Eu conseguiria, em breve, se não tivesse sido preso... já estava com bastante dinheiro, poderíamos morar num bairro ótimo... ter um ótima vida...
- Você fez tudo errado Andrew, tudo errado! – ela estava revoltada.
- Raquel, eu fugi porque não ia aguentar mais nem um dia sem você... não aguento... não...
Ele pareceu desmaiar e Raquel o sacudiu, desesperada.
- Andrew, não, não morra.
Ele deu um suspiro e voltou a falar, fazendo muito esforço.
- Acho que... isso vai ser o melhor para você... não sirvo pra você então vou sair da sua vida... Feliz ano novo Raquel... feliz... vida nova, meu... amor...
Dumbo suspirou, fechou os olhos e não tornou a abri-los, Raquel ficou ao seu lado, perplexa, sem saber o que fazer até que os médicos vieram e a tiraram do quarto, confirmando a morte.


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5 comentários:

  1. PERFEITO!

    Eu também acho que muitas vezes os filhos se decepcionam com a vida porque os pais simplesmente não conseguem conversar e explicar da forma correta. O que eles precisam é de muita conversa e atenção.

    Mandou muito bem Olhos!

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  2. Texto de Ano Novo:

    A maioria das vezes é assim...quando nos arrependemos das burrices que fizemos já é tarde demais. Existem tantos caminhos pra se alcançar os objetivos e as vezes só conseguimos enxergar o pior deles. Isso é lamentável no ser humano.

    ótimo texto Olhos!

    Duas frases me incomodaram um pouco (não que esteja errado)e sugiro que vc desmembre, interrompendo parte delas com ponto final, porque ficaram muito grandes e confusas (é só uma opinião)

    "Dumbo, como Andrew era conhecido pelos amigos do crime devido a suas orelhas um pouco avantajadas, estava andando de um lado para o outro em sua cela, pensativo, havia chegado a hora, mas seus comparsas estavam atrasados, e ele muito irritado."

    "Perderam a noção do tempo enquanto cavavam, aquilo parecia uma eternidade, quando finalmente Jack tirou uma quantia de terra que abriu um buraco, iluminando os dois com uma luz fraca, sons de poucos fogos ao fundo, já era madrugada."

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  3. Ótimos textos, Olhos, adorei! Dois textos muito bem bolados, duas histórias com uma característica em comum: as consequências de negligenciarmos aqueles que amamos.
    Pais que trabalham demais, tentando prover conforto material, a ponto de esquecer de comprar o presente de Natal do filho único.
    Um noivo que se envolve com o crime tentando prover conforto à sua amada, pagando o preço de ser encarcerado e separado dela pra sempre.
    Não nos damos conta de que, muitas vezes, aqueles que nos amam não precisam de conforto... apenas de atenção.
    Parabéns, Olhos, dois textos que nos fazem refletir...

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  4. Considerações sobre o conto natalino:

    "pra quem tava com saudade dos meus textos... e pra quem não tava também" kkkkkkkkkkkkkkkk, figuraça!

    "Marco decidiu então ir até a seção de brinquedos enquanto Gabriela terminava de fazer as comprar com Jorge, lá ele encontrou o presente que Jorge tanto queria" - acho que não é comprar é compras e acho que, após Jorge, devia ser ponto e não vírgula.

    "- Então... então eu vou correr mostrar para os meus amigos!" - correr para mostrar?

    O texto está bem legal, só achei que os pais foram muito desalmados de esquecer de comprar o presente! Depois o moleque vira um serial killer porque não ganhou presente de Natal, olha o problema formado. kkkkk.

    Considerações sobre o conto de ano novo:

    Não achei nenhum problema na escrita. Achei a morte dele bem dramática, algo meio Getulio Vargas: "saio da vida para entrar na história", sabe como é? rs. Mas o texto foi bom, parabéns!

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  5. Ja corrigi Nanda ^^ valew pelos toques!

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