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DESAFIO MUITO DESAFIANTE - by Sammy Freitas

Posted by Aptos on 10 de outubro de 2013 06:00 in , , , ,
Foi-nos proposto um desafio pela nossa querida Paty Deuner conforme você pode conferir aqui.

“Uma viagem inesperada de trabalho foi requisitada, e você só teve tempo de juntar algumas coisas pessoais e seu inseparável livro, que nos últimos dias ocupava não só grande parte do seu tempo quanto também de sua mente. Era uma viagem curta para uma cidade do interior, então você não precisou se preocupar com aparências, e deixou-se relaxar sobre a poltrona reclinável enquanto absorvia com avidez a escrita inteligente e sedutora da autora. Quando se deu conta do tempo, o sol já se recolhia no horizonte traçando linhas alaranjadas sobre o verde da paisagem, e sua mente viajou por aquelas imagens... e de repente tudo ficou escuro. Você só sentiu uma forte fisgada na nuca e o som brusco de uma freada.”



Quando meu chefe me chamou na sala no fim da tarde eu já desconfiava que alguma coisa tinha acontecido. Adorava quando tinha que viajar a trabalho, mas dessa vez eu estava tão cansada, que meu desagrado ficou estampado no meu rosto. Nem mesmo quando me foi prometida uma folga meu rosto se abriu. 

Paciência... desde que eu tinha ganhado o kit babaca júnior composto por celular e laptop da empresa, eu sabia que as chamadas fora de hora e as viagens seriam constantes. 

Olhei para o ônibus desalentada. Quatro horas de viagem apenas para conferir se as gigantescas engrenagens da usina de pelotagem haviam chegado com as medidas conforme nossas especificações. Milhões de dólares investidos, portanto, qualquer erro era fatal.

Acomodei-me na poltrona esticando os pés cansados. Minhas exigências foram claras: Só viajaria de semi-leito e bem confortável... Observei o rapaz na poltrona-leito ao lado da minha e ele parecia uma biblioteca ambulante. À sua volta, uns doze livros e ele parecia em dúvida sobre qual ler primeiro. 

Abri minha mochila sorrindo e peguei o item mais importante. Estava lendo "O livro do amanhã" da Cecelia Ahern. Estava amando a história! Imagina que barato um livro com o poder de te contar o que vai acontecer no dia seguinte! Era o segundo livro que eu desejava este ano. O primeiro era o Death Note. Pois é... eu não era tão boazinha assim... 

As luzes do ônibus piscaram duas vezes e apagaram. Tudo ficou escuro e o motorista deu uma freada e tanto e parou. Abriu a porta da frente no exato momento em que eu lia entretida um trecho do livro: "Oi mãe, sou eu. Saí de casa num ônibus cheio de livros e um rapaz simpático vai me levar até a cidade. Voltarei em algumas horas. No caso de eu não voltar, ele se chama Marcus Sandhurst, tem um metro e oitenta de altura, cabelos pretos, olhos azuis..."¹

Sorri diante da leitura da cena quando observei um casal subindo no ônibus. A menina falava ao celular e olhava o rapaz e suas palavras, faziam coro com o livro: "tem um metro e oitenta de altura, cabelos pretos, olhos azuis... Tatuagens?"

O rapaz levantou a camisa e ela continuou falando...

Abri e fechei a boca três vezes... comparei o que estava escrito no livro com o que acontecia na minha frente. Olhei para o rapaz que lia Stonehenge à minha direita e ao senhor que roncava ruidosamente à minha esquerda. Ninguém parecia perceber que o que estava acontecendo já estava escrito.

Fiquei em dúvida se "assistia" a cena que acontecia na minha frente ou se prosseguia a leitura. Optei por permitir que o livro se transformasse num filme na minha frente e sorri com Tamara e Marcus "viajando" para o México através da leitura dos livros cujas lombadas começara a sobressair no bagageiro. Quase levantei para "participar" da história, mas me mantive como mera expectadora. Estava achando o máximo a encenação! Fiquei me perguntando se não seria uma brincadeira do meu namorado ator, que não só sabia de minha paixão por livros como brincou com o título do meu livro... Recordei das palavras dele pela manhã...

- "O livro do amanhã"? Ruivinha, você estava lendo ontem, logo, esse livro é "O livro de Hoje"! e Amanhã, ele deverá se chamar: "O livro do Ontem"!

Lembrava perfeitamente da hora que joguei uma almofada nele e nos beijamos. Livros são maravilhosos, mas a vida real é ainda melhor. Por isso eu tinha optado por largar temporariamente o livro e assistir ao casal na minha frente... 

Depois de quase uma hora, as luzes piscaram novamente e o ônibus parou. Tamara segurava um livro grosso, com capa de couro e uma pequena fechadura quando ouvimos um grito:

- Tamara! Volte para nós, criança!²

A jovem gritou:

- Eu vou voltar. Só saí há uma hora!

Foi então que o momento mágico aconteceu. Aquele momento em que a ficção toca levemente a realidade. Tamara olhou nos meus olhos como se soubesse que eu realmente estivesse ali. Ela estendeu o livro e sussurrou:

- Guarde-o para mim... Minha tia não pode vê-lo... - ela aproximou-se e empurrou o livro para dentro da minha manta. 

Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, ela correu e desceu do ônibus. Sumiu com a mesma velocidade que surgiu. O ônibus iniciou novamente sua marcha e eu levantei a manta devagar, temendo que tudo tivesse sido fruto de minha imaginação.

Não tinha nenhum livro dentro da manta. Até levantei, olhei em volta, procurei no vão das poltronas, pelo chão... Mas realmente não o achei. Suspirei novamente. Delírios de uma apaixonada por livros, só podia ter sido isso...

Desci em Itabira e peguei minha mochila ultra pesada. Um carro me aguardava para me levar ao hotel. Conversei com o motorista, mas sem tirar Tamara da cabeça. Teria sido um sonho??

Registrei-me e subi para tomar um banho. Quando abri minha mochila... uma surpresa...

Um livro de capa grossa de couro. Sentei atordoada na cama quando vi a pequena fechadura. 

Estava curiosa, mas ao mesmo tempo, eu tinha medo de abrir o livro. A curiosidade venceu... Peguei o chaveiro e fui testante se alguma de minhas chaves ajudaria a abrir. A menorzinha encaixou no fecho. Olhei assustada. Não lembrava desta chave no chaveiro...

Abri o livro e sorri encantada. Desta vez, Theo, meu namorado realmente tinha caprichado na surpresa. Tamara tinha sido mesmo apenas fruto do meu sonho e imaginação delirante, porque dentro do livro, havia algo que eu jamais ia imaginar...




Um anel e um bilhete: "Casa comigo?"






¹ Pág. 78 - O livro do amanhã
² Pág. 86 - O livro do amanhã








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Desafio da Paty - By Nanda Cris

Posted by Nanda Cris on 9 de outubro de 2013 06:00 in ,
Oi gente!

Nos foi dado um início de texto e a tínhamos que continuar daí, embasando a história no que foi apresentado... O texto é este aqui:

“Uma viagem inesperada de trabalho foi requisitada, e você só teve tempo de juntar algumas coisas pessoais e seu inseparável livro, que nos últimos dias ocupava não só grande parte do seu tempo quanto também de sua mente. Era uma viagem curta para uma cidade do interior, então você não precisou se preocupar com aparências, e deixou-se relaxar sobre a poltrona reclinável enquanto absorvia com avidez a escrita inteligente e sedutora da autora. Quando se deu conta do tempo, o sol já se recolhia no horizonte traçando linhas alaranjadas sobre o verde da paisagem, e sua mente viajou por aquelas imagens... e de repente tudo ficou escuro. Você só sentiu uma forte fisgada na nuca e o som brusco de uma freada.”

Vamos ver o que minha mente produziu?



Eu me ajeito na poltrona reclinável do ônibus da melhor forma possível e olho a paisagem correndo pela janela. Suspiro, enquanto penso:

- Meu chefe sempre arruma essas viagens inesperadas que acabavam caindo em mim. Só porque não tenho filhos. Mas sou casada, ora bolas! Meu marido já esta farto dessas viagens, essa é a verdade. Isso pode ser enquadrado como uma espécie de preconceito do meu chefe, não?! Será que posso processá-lo? Afinal, eu tenho direito a chegar em casa cedo, tenho direito a ter um fim de semana inteiro sem reuniões ou jantares ou seja lá o que for. Oras!

Prendi o cabelo em um coque frouxo, coisa que sempre faço quando estou sem saber como agir. Minhas mãos abrem a bolsa, sem eu nem notar o que estão fazendo. Vejo o laptop mas me recuso a trabalhar durante a viagem de uma hora.

- Eu vou relaxar, isso sim. - pensei com convicção.

Peguei o meu exemplar de Cidade das Almas Perdidas e abri onde o marcador estava. Em alguns instantes eu já estava mergulhada no universo de Nephilins, Vampiros, Lobisomens, Fadas e um amor tão forte que eu nunca julguei ser possível existir. Me perdi naquele mundo e só saí dele quando percebi que estava difícil de enxergar as páginas. O sol já estava se pondo, então a luminosidade estava escassa. Fechei o livro e o abracei, como se o estivesse acalentando. Passei a mão pela capa enquanto deixava os olhos vagarem para o exterior do ônibus. Lá fora tudo era rural, verde e gado. Fiquei imersa em pensamentos sobre a paisagem e logo vaguei para o universo do livro, tentando achar uma forma de salvar Jace do controle de Sebastian. Estava completamente focada na resolução deste problema quando senti uma súbita freada e uma fisgada na nuca. Não houve tempo para nenhuma reação, simplesmente desmaiei.

Acordei desorientada e sem saber onde estava. Olhei em volta, um lindo quarto de menina, todo rosa e babados. Sentei-me na cama e senti uma forte dor de cabeça. O que estaria acontecendo? Sentia a boca seca. Olhei em volta e notei uma jarra com água em cima de uma penteadeira no canto direito. Encaminhei-me para lá e olhei distraidamente meu reflexo no espelho. Fiquei chocada com o que vi. Ainda era a mesma Fernanda, mas uma Fernanda bem mais nova, de uns 12 anos talvez. Levei a mão a boca e o reflexo fez o mesmo.

- Não, isso é impossível - pensei enquanto recuava e o reflexo repetia a minha retirada. Olhei para baixo. Pés pequenos, pernas gorduchas. Olhei para minhas mãos. Unhas ruídas, de criança. Sem esmalte! Jesus, que maldição era aquela?

Me encaminhei para a porta do quarto e girei a maçaneta. Ela rodou, mas a porta não abriu. Trancada. Corri para a janela, mas ela tinha grades. Eu podia ver apenas que estava no terceiro andar, que a propriedade era imensa e que não tinha ninguém a vista, apenas 2 dobermans enormes com cara de poucos amigos. Fui pisando duro até a porta, resoluta. Comecei a esmurrar, meus pequenos braços fazendo bastante força para alcançar a maior quantidade de barulho possível. Não sei quanto tempo se passou, horas, minutos, segundos... era difícil precisar. Ninguém apareceu. Encostei a testa na porta e comecei a xingar todos os nomes que eu conhecia e outros que eu inventei. Gritei e excomunguei até cansar. Então sentei, abracei as pernas com os braços e chorei como não chorava há muito tempo. Após um tempo, cansada e desesperada dormi. E sonhei.

Eu não podia acreditar. estava de volta ao ônibus, pessoas me perguntando se eu estava bem, parecia que eu tinha desmaiado após a freada brusca que o ônibus deu porque um filhote de tamanduá tinha cruzado a estrada. Olhei meu livro no chão, a capa amassada, e o recolhi rapidamente antes que fosse pisoteado pelas pessoas que estavam querendo me ajudar. Elas não entendiam que dançar sapateado em cima da capa mais linda do universo não ia me ajudar em nada, mas achei melhor não falar isso, eu poderia acabar sendo taxada de louca, não é? Ao me abaixar, senti uma pressão na nuca e passei a mão para verificar os estragos sofridos. Senti um leve desconforto, mas de resto, estava tudo bem. Não havia sangue, calombo, nada. Estranho. Após afirmar mil vezes que estava bem, ser atendida por um médico que viajava no mesmo ônibus e já estar com o início de uma enxaqueca, todos me deixaram em paz e o ônibus prosseguiu viagem. Ainda íamos ter uns 20 minutos de viagem. Achei que uma soneca não iria cair mal e talvez até passasse minha dor de cabeça. Reclinei ainda mais a poltrona, fechei os olhos e resvalei para o mundo dos sonhos.

Acordei e senti que estava abraçando minhas pernas. Olhei em volta, o mesmo quarto de menina. Eu voltei a ter 12 anos. Ok, isso estava realmente ficando cansativo. Que diabos era aquilo?! Levantei-me a fim de explorar o quarto mas ele estava todo vazio. As gavetas da penteadeira, a cômoda, o armário. Tudo sem nada. A frustração estava me sufocando, eu parecia que ia explodir. Sentei na cama e olhei fixamente para a jarra de água. Não sei bem como fiz, mas a água começou a flutuar, acima da jarra, e eu fiquei olhando impressionada para aquilo. A porta se escancarou neste momento e eu me desconcentrei, fazendo a água ensopar todo o carpete do quarto perto da penteadeira. Um velho bem enrugado estava me olhando fixamente.

- Quem é você? - perguntei tentando fingir bravura.
- Sou seu futuro mestre. O último dobrador de água existente.
- Dobrador?
- Sim, eu sei manipular a água e vou te ensinar a fazer como eu.
- E porque eu iria querer aprender isso? Porque tenho 12 anos novamente? Que lugar é esse?
- Você tem muitas perguntas, é melhor eu me sentar. - O velho aproximou-se da cama e sentou-se com um solavanco de colchão. - Quando você fez 10 anos, seu poder aflorou. Sua mãe tentou te ensinar, mas ela era uma dobradora de ar, não sabia muito sobre dobrar água. Seu poder saiu de controle e ela procurou os Xintas, assim como fez com a sua irmã quando ela era mais nova.
- Minha irmã?
- Sim, ela é uma dobradora de fogo e sua mãe também não conseguiu controlá-la por muito tempo.
- Mas nunca vi minha irmã fazer nada de anormal... 
- Não porque você era muito pequena para se lembrar. E ela perdeu as lembranças desse dom, assim como você também.
- Quem são os Xintas?
- É uma organização ilegal que tem como finalidade transferir o dom, de alguém que não o queira para alguém que queira.
- Mas eu quero o meu dom!
- Sim, mas quem escolheu por você na época foi a sua mãe. Ficamos sabendo ha pouco tempo que não foi você quem escolheu abrir mão. E isso é algo inadmissível para nós nós da Protector. Por isso estamos aqui para te oferecer o dom de volta, pois achamos que você já é senhora de si o suficiente para decidir.

Eu só o encarei, tentando assimilar os fatos. Ele prosseguiu:

- Você está na sede da Protector e está com 12 anos porque é o único modo que temos de reverter o que os Xintas fizeram ilegalmente. Retornamos você no tempo para antes do roubo do poder. Se você quiser ser treinada, ficará conosco e sua vida seguirá daqui, dos 12 anos em diante.
- Mas e o Kbeça? Eu tenho 12 e ele tem 13 agora, nós nunca vamos nos conhecer? Casar? Ter o Snoopy e a Ciça?
- Quem pode prever o futuro, Fernanda? Você pode ficar com o certo, com sua vidinha, ou pode se tornar uma dobradora de água e ajudar a manter este mundo pacífico. Em 2015 eclodirá uma guerra, estamos trazendo todos que podemos para o nosso lado, a fim de vencermos. Se perdermos, os humanos perecerão.
- Mas porque eu sou tão importante assim? Minha irmã, dobradora de fogo, não seria mais útil?
- Primeiro que ela não aceitou se juntar à nós e não quis nos dizer o porquê. Segundo que você esquece de uma questão básica biológica, o sangue é líquido. Você pode dobrar o sangue... e explodir inimigos num piscar de olhos.

Olhei para ele, atônita. Eu poderia ser treinada por 20 anos e salvar o mundo ou poderia voltar para meu marido, cachorros, mãe e sogra e esperar os acontecimentos. Talvez essa guerra nem acontecesse. Como ele mesmo havia dito, "quem pode prever o futuro?"

Levantei os ombros, ajeitei a coluna, me aprumando. Lembrei do sorriso do Kbeça, do modo como a gente se completa e como não posso imaginar minha vida sem ele. Encarei o velho e afirmei:

- Sua oferta é tentadora, mas não poderei aceitar. Sou egoísta. De que me adianta salvar o mundo se será um lugar em que corro o risco de nunca encontrar o amor da minha vida? Até porque ele ama uma programadora de sistemas apaixonada por esmaltes e livros. Talvez não vá gostar de uma dobradora de água mega-poderosa.

O velho me encarou chocado.

- Como você pode desperdiçar seu talento, deixar todo o nosso planeta em perigo por causa do Anderson?
- Não é pelo Anderson, é por mim. E pelo amor que eu sinto por ele. Não quero abrir mão disso e não vou. Me devolva a minha vida.

Comecei a escutar uma música bem baixinho e foi aumentando aos poucos. O quarto e o velho começaram a se dissipar a minha volta e foi ficando tudo escuro. Senti um leve vibrar no meu bolso. Estiquei a mão e senti que era o meu celular. Levei-o ao ouvido, meio sonolenta ainda.

- Alô?
- Nanda, você está aonde? Ainda não chegou na cidadezinha?
- Oi Kbeça... Kbeça! - acordei de súbito, me aprumando na cadeira e abrindo um sorriso imenso. Estava de volta ao ônibus. - Que bom estar falando com você, mô! Que saudades!
- Nanda, eu te levei na rodoviária há 50 minutos, já está com saudades?
- Mor, te amo, estou sempre com saudades de você!
- Nanda, você está bem? O que te deu para estar tão romântica assim?
- Não é nada mor, eu só descobri que o amor que sinto por você é muito maior do que qualquer amor de ficção, não consigo imaginar viver sem você.
- Nhá, também te amo. Termina logo essa reunião boba e vem pra casa, vou te esperar pra jantar.
- Está bem mor, mas sem pisar na jaca, hem? Vamos comer algo light.
- Ok, beijo.
- Beijo, mor.

Desliguei o telefone e olhei para a plataforma. Havíamos chegado. Não sei se foi sonho ou se realmente aconteceu tudo o que eu vi. Em 2015 vou descobrir, mas espero que de mãos dadas com o meu amor.






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DESAFIO MUITO DESAFIANTE - PatyDeuner

Posted by Unknown on 8 de outubro de 2013 10:21 in , , , ,
Essa é a minha reposta ao desafio que foi proposto para todas as meninas Retalhenses.
DESAFIO MUITO DESAFIANTE.

                         
Não foi nenhuma surpresa quando meu chefe ligou no final da tarde de quinta-feira desfiando um novelo inteiro de ordens e explicações desmedidas sobre a minha suposta capacidade de resolver os problemas do nosso cliente da cidade de Rio Acima. Sempre era a única que se submetia a ser escravizada naquela agência de publicidade. Mas eu realmente não me importava. Gosto de viajar, conhecer novos lugares, interagir com pessoas singulares. A vida pode ser muito mais emocionante quando realmente saímos da nossa zona de conforto.
Uma sacudida violenta do ônibus me tirou do estupor e a imagem de inúmeros picos de montanhas voltou ao foco da minha visão. A estrada já contornava o morro mais alto do relevo encantador das terras de Rio Acima, uma cidade histórica de Minas Gerais cujos rios e cachoeiras deslumbravam qualquer visitante. Mas a estrada de terra batida cheia de buracos e cascalhos soltos não ajudava muito na investida de se conhecer o lugar. No fundo do vale, a maria-fumaça, também chamada de “Trem das Cachoeiras” atravessava sobre uma pequena queda d’água. Eu fiquei maravilhada, fazendo uma anotação mental de voltar a Rio Acima e fazer aquele passeio turístico pelas cataratas da região.
O sol já se recolhia no horizonte traçando linhas alaranjadas sobre os morros, e resolvi voltar à leitura do meu precioso livro, antes que a escuridão chegasse. Mal abri o livro quando uma brusca freada me fez bater a cabeça na janela e minha visão ficou turva. Senti uma forte fisgada na nuca que me fez agarrar o livro junto ao peito. E não vi mais nada.
...
Acordei me sentindo tão leve que pensei que fosse um sonho. O som de água correndo por entre pedras era a única coisa que conseguia ouvir, e a primeira coisa que vi foi meu livro aberto bem ao lado do meu rosto. Levantei devagar em busca de uma referência. Não lembrava te ter ido nem chegado a lugar algum, mas algumas lembranças foram tomando forma. Foi um acidente. Levei as mãos à cabeça e senti o pano úmido que a rodeava. Mas eu não sentia dor, nem cansaço. Retirei o pano ainda sujo de sangue e passei as mãos por toda a cabeça. Não havia nenhum ferimento, e eu não sentia absolutamente nada. Fisicamente eu quero dizer, porque a sensação de leveza foi substituída por puro pânico. Onde eu estava? Como tinha parado ali? A brisa soprou mais forte e uma página do livro virou, revelando uma mancha de sangue sobre a folha amarelada do pó calcário da estrada. Peguei o livro e li a frase que jazia sob o líquido vermelho: “Você foi escolhida”. Meu coração se acelerou ainda mais, e não contive a reação de sair correndo dali. Mas antes que pudesse tomar qualquer direção, percebi que estava em um vale profundo, e a minha volta, pedras altíssimas barravam qualquer intenção de fuga. O lugar era maravilhoso. As pedras irradiavam um brilho sobrenatural e a água refletia tons de prata. A brisa suave chacoalhava copas perfeitas de árvores que sobressaíam entre as pedras. Respirei fundo e comecei a escalada que prometia ser dolorosa. Aos poucos fui pegando o ritmo e quando cheguei ao que parecia ser o topo da parede rochosa, um barulho de grossos troncos sendo quebrados assumiu a posição do meu mais novo pânico. Fiquei escondida atrás de uma fenda procurando a melhor maneira de espreitar a origem do som sem ser vista. A pouco mais de dois metros dali, já numa planície arbórea sem muitas pedras, um homem com traços visivelmente mestiços, rachava uma tora de madeira com investidas incessantes do seu machado. Fiquei petrificada, evitando até mesmo respirar para que ele não notasse minha presença. Seu cabelo preto desgrenhado batia na altura dos ombros nus, que pareciam tão fortes e maciços quanto à madeira que ele descerrava. Subitamente ele se virou na minha direção, e seus olhos negros mergulharam nos meus. Um sorriso leve e gracioso surgiu em seus lábios quando ele disse:
- Você acordou.
Eu não sabia o que fazer. Muito menos o que dizer.
- Venha conhecer seu novo lar Samantha. Você tem muito o que aprender por aqui.
Continuei muda, mas aceitei a oferta dele sem pensar duas vezes. Ele era tão lindo que parecia um sonho realizado. E o mais incrível é que de repente eu não sentia mais medo. Tanto aquele homem quanto aquele lugar pareciam o certo pra mim. Tudo ali parecia certo.
Depois de alguns minutos de caminhada silenciosa ao lado dele, cheguei às margens de um grande rio, cujas águas límpidas deixavam transparecer o fundo verde e rochoso. Então, antes que eu pudesse começar a fazer as perguntas que assolavam a minha mente, ele começou a falar, com uma voz macia e calma.
- Esse é um lugar muito especial Samantha. Poucas pessoas têm a graça de chegar até aqui. Você foi uma pessoa boa e viveu sua vida com retidão e sabedoria. Teve tantos pecados quanto qualquer ser humano, mas soube reconhecer seus erros. Ajudou a todos que passaram por seu caminho e foi humilde o bastante para viver sem ostentação. Por isso você foi escolhida.
A última frase me deixou perplexa. Era a mesma frase do meu livro, manchado de sangue. Minha cabeça começou a girar enquanto tentava assimilar tudo aquilo. Só podia ser um sonho mesmo, e a qualquer momento acordaria dentro do ônibus na cidade de Rio Acima. Finalmente tomei coragem e pronunciei minhas primeiras palavras.
- Quem é você? Que lugar é esse?
- Sou seu companheiro em sua nova vida, e esse lugar é sua morada para a vida eterna.
Ele pegou minha mão e me conduziu alguns passos para dentro da água fria, que chegou até meus joelhos. Com um movimento circular de sua mão esquerda, o espelho d’água começou a girar formando um redemoinho prateado. Aos poucos a água se estabilizou e formas humanas se formaram na superfície. Fiquei surpresa ao ver minha vida se desenrolar em flashes dos momentos mais emocionantes e surpreendentes, desde a minha infância. Senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto quando percebi o que realmente estava acontecendo. O ônibus tomou forma nas imagens e meu rosto apareceu calmo e tranqüilo apreciando as montanhas. Então o momento ficou tenso. O ônibus nitidamente se descontrolou ao bater a roda dianteira em uma enorme pedra e despencou pelo desfiladeiro. Um nó se formou na minha garganta, quando mais uma vez a imagem se dissolveu e apenas meu corpo imóvel apareceu na cena, enrolado no meio de folhas úmidas e galhos retorcidos. Uma luz prateada surgiu me rodeando e aos poucos se transformou em uma forma humana. Ele me olhou com carinho me carregando no colo. Era o mesmo homem que estava ali ao meu lado.
- Você é um anjo.
Eu disse já soluçando tentando conter a emoção.
- E eu morri. Já não existo no mundo. É isso não é?
Ele afagou as costas da minha mão com o polegar e me puxou em um abraço.
- E mais do que isso Samantha. Você começou a existir agora. A vida humana é só uma passagem, tão rápida quanto uma brisa de verão. Nela o homem é provado e aprender a sabedoria da vida. São muito poucos que conquistam a dádiva da vida eterna. De todas as pessoas naquele ônibus, você foi a única escolhida. E eu sou um anjo sim. O seu anjo.
Depois de todas as emoções frustradas que me absorveram anteriormente, fui acometida de uma profunda paz. Ali, nos braços do meu anjo, pude sentir que tudo o que eu vivera até aquele momento não tinha a menor importância. Agora estava finalmente em casa para toda a eternidade.



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DICAS: Sine qua non, você sabe o que é?

Posted by Nanda Cris on 7 de outubro de 2013 06:00 in , , ,


Minha mãe é formada em Direito, então sempre solta um termo em latim aqui e ali. Achei curioso trazer algumas expressões que ela usa para vocês, um pouquinho de cultura geral.



  • Mutatis mutandis - mudando o que tem de ser mudado;
  • Dura Lex, Sed Lex - a lei é dura mas é a lei;
  • A priori - De antemão;
  • Alea jacta est - A sorte está lançada;
  • De cujus - Refere-se à pessoa falecida;
  • Probastis probandi - Mostrando todas as provas, provando o que tem que ser provado;
  • Sine die - sem data marcada, sem prazo.

Entre outras! Mas o termo que eu mais gosto é quando ela fala "Sine qua non". Você sabe o que quer dizer?

Sine qua non ou conditio sine qua non é uma expressão que originou-se do termo legal em latim que pode ser traduzido como “sem a/o qual não pode deixar de ser”.

Ou seja, a priori te digo que é sine qua non que você comente este post, mesmo que seja sine die! ;-)



Fonte: Wikipédia
          Acadêmico de Direito


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Humor: Dia das crianças!

Posted by Nanda Cris on 4 de outubro de 2013 06:00 in , , ,
Não podia deixar passar o mês das crianças, sem fazer uma homenagem de humor a elas!
Qual mãe nunca passou por algumas situações, não é?
Achei alguns quadrinhos bem engraçados, que venho compartilhar com vocês!

Quando eu era criança, fazia marcadores de página e vendia para todos da minha casa. E o mais legal: todos compravam! Pena que meu público era meio restrito...


Crianças acreditam que podem mudar o mundo, nada é impossível para elas. Quando eu era pequena, acreditava no que a Xuxa dizia: "Tudo que eu quiser, o Cara lá de cima vai me dar".


Nunca gostei muito de matemática, vide que eu só fiquei em recuperação 2 vezes na vida: em química e em matemática. Realmente, essas 2 disciplinas são realmente questão de fé.


Quem nunca teve medo do monstro embaixo da cama ou no armário? Eu até tinha, mas não ficava com muito medo, porque até os 11 anos, dormia no mesmo quarto com a minha irmã e a minha avó. E depois disso, sempre dormi com a minha avó. Com elas por perto, me sentia super segura. Mas evitava sair do perímetro, para fazer xixi ou beber água, por exemplo.


Minha família sempre incentivou meu lado artístico. Toda vez que eu participava de algum evento coletivo na escola, todo mundo botava a mão na massa para fazer a fantasia para mim. Vovó costurava, minha irmã desenhava, minha mãe idealizava e pagava.


Crianças sempre aprontam. Sempre testam limites e sempre se ferram. Como eu sempre fui uma criança quietinha, de apartamento, criada por vó... nunca diz nenhuma atrocidade dessa, pelo menos, não que eu me lembre!


Desde criança eu gostava muito de ler. No meu colégio tinham sempre 4 livros extra-classe para ler, um por bimestre. Eu tentava ler todos de uma vez só e minha mãe ficava escondendo os livros, para me impedir de ler antes do tempo.


Sempre fui muito organizada na minha bagunça. Sabia onde estava cada uma das minhas coisas. Até que vinha um adulto, arrumava tudo e eu ficava mais perdida que cego em tiroteio!


Desculpas para não fazer o dever, desculpas para matar aula, desculpas, desculpas e mais desculpas... pena que lá em casa nunca colava e eu era sempre obrigada a fazer tudo certinho!


Que criança nunca deu um susto nos pais? Vc está olhando, ela está ali, vc desvia o olhar 2 segundos, a criança desapareceu. Eu não me lembro de ter aprontado nenhuma dessas, porque, sempre fui bem tranquila nesses quesitos.

E aí, gostaram? Relembraram a infância?
Feliz mês das Crianças!!!


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O carrinho maldito

Posted by Aptos on 2 de outubro de 2013 11:24 in , , , ,


Era uma noite chuvosa embora fizesse calor. Não que isso fizesse muita diferença, já que eu estava confortavelmente em minha casa esperando a famosa "Black Night". Não... Black Night não era nada relacionado a qualquer tipo de ritual satânico. Ao menos, não parecia ser. Era apenas uma proposta de marketing do comércio digital para venda de produtos com preços irrisórios e que iria iniciar exatamente às 22h.
E então.. eu observava a chuva escorrendo pelo vidro da janela enquanto acompanhava o relógio do site fazer a contagem regressiva.
E então, quando o site terminou a contagem, imeditamente atualizei. Um horror. Duas mil pessoas entrando ao mesmo tempo, buscando ofertas interessantes.
Achei algumas que me interessavam e por mais que eu mandasse os livros para o carrinho, ele insistia em cuspi-los de volta. E quando não cuspia, alterava os valores ou simplesmente saía do ar.
A certa altura, fiquei irritada com isso. Alternava entre choro impotente e gargalhadas estridentes e desesperadas.

Foi então que fiz algo que jamais deveria ter feito. Gritei a imprecação favorita da minha mãe envolvendo as palavras inferno e demônios por três vezes.

Não sei se vocês conhecem a história do Beetlejuice, mas se repetir o nome dele três vezes, o infeliz aparece. Acho que foi isso que aconteceu. A sobrecarga de informações, os milhares de acessos, o servidor caindo e as palavras malditas.
Fiquei tonta e acho que desmaiei por alguns minutos. Quando olhei à minha volta, não estava mais em casa. Estava no ambiente virtual, dentro do site de compras.
Andei naquele ambiente branco e achando muito engraçado encontrar os livros que outrora enfeitavam minha tela, arrumados em colunas. Foi então que vi uma enorme "seta" vindo em minha direção. Ela esbarrou em meu ombro causando uma queimadura enorme. Foi quando eu percebi que era perigoso estar ali.

Corri e me escondia atrás de livros. Conforme as setas iam arrastando os livros para os carrinhos de compras das pessoas, eu ficava cada vez mais desprotegida.

Até que encontrei um livro que tinha grandes quantidades em estoque. Tremia assustada atrás do livro "Inferno", em um determinado momento, alguém clicou na última edição e me mantive agarrada ao livro.

Todas as vezes que a pessoa teimosamente tentava enfiar o livro no carrinho, eu o empurrava de volta, para que eu não fosse esmagada ali.

Teimei por muito tempo, pois essa pessoa era bastante insistente. E foi aí que algo aconteceu. Um clarão surgiu na minha frente e tampei os olhos com os braços. Quando abri, eu estava novamente deitada em minha cama com o laptop no colo. Pisquei nervosa quando observei que na tela do computador na minha frente, havia uma pessoinha minúscula empurrando os livros para fora dos carrinhos.

Imagino eu, que a pessoa tenha feito o mesmo que eu fiz, xingando o computador e o carrinho maldito e quando ela fez isso, ela tomou meu lugar e me libertou.
Depois disso, eu nunca mais arrisquei entrar nessas promoções súbitas. Você pode até rir e achar que é ficção, mas se você ainda tem suas dúvidas, sugiro que na próxima Black Friday, você grite e xingue seu computador... Só para testar...




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DICAS: Aonde ou onde?

Posted by Marcinha on 30 de setembro de 2013 06:00 in , , ,
Aonde ou onde? Entenda as diferenças e veja dicas para não errar
"Esta é a rua ONDE ou AONDE fica o nosso depósito"?

O mais adequado é: "Esta é a rua ONDE fica o nosso depósito." ONDE significa "no lugar" (=o depósito fica NA RUA).

AONDE significa "ao lugar". Só pode ser usado com verbos cuja regência pede a preposição "a" (IR, CHEGAR, DIRIGIR-SE, LEVAR…): "Esta é a praia AONDE fomos no sábado passado" (=fomos À PRAIA).

Observe a diferença: "Esta é a cidade ONDE ela nasceu" (=ela nasceu NA CIDADE); "Este é o bairro ONDE ele mora" (=ele mora NO BAIRRO); "Esta é a sala ONDE estamos" (=estamos NA SALA); "Esta é a cidade AONDE gosto de ir nas férias" (=gosto de ir À CIDADE); "Este é o estádio AONDE fui ontem" (=fui AO ESTÁDIO); "Este é o lugar AONDE ele quer chegar" (=ele quer chegar AO LUGAR).

Fonte:
Professor Sérgio Nogueira

http://g1.globo.com/platb/portugues/

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