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Uma pequena fábula sobre o amor

Posted by Aptos on 15 de janeiro de 2013 07:00 in , ,

Era uma vez.... uma mulher... gostaria de falar que era uma mulher linda, esplendorosa. Uma mulher excepcional, inteligente, culta... Nada disso se aplicava. Era uma mulher.  Aproximadamente 3,4bi da população mundial é composta por mulheres. E ela, era apenas mais uma nesse mundo.

Esta mulher, não era sexy, não era sensual. Nem mesmo poderia se considerar um grande padrão de beleza. Tinha seu charme. Uns quilinhos a mais no corpo curvilíneo, pernas bem torneadas, pele branca e ligeiramente rosada. Um ar simpático e pueril. Cabelos longos, rosto arredondado e um olhar sincero e divertido.

Descrevo esta mulher para entenderem que ela era aparentemente, uma mulher comum. Convivia com seus amigos, era sociável, e de tempos em tempos, até tinha um namorado...

Mas essa mulher, tinha um problema... Ela não era capaz de amar. Então, não acreditava no amor. Tinha o coração fechado. 

Ela não era sociopata! Ela tinha sentimentos! Era doce... carinhosa... gostava das pessoas e as pessoas gostavam dela. Mas ela sempre teve muito medo de se machucar. Policiou-se tantas vezes, que um dia percebeu que mesmo se quisesse, não seria capaz de amar alguém.

Teve várias paixonites. Considerava-se até mesmo meio ciumenta. E o mais engraçado, é que depois de um tempo, ela achou que queria conhecer o amor... Todas as vezes que engrenava em um relacionamento, pensava... é agora! Vou amar... Mas nenhum de seus namorados fazia aquilo que os grandes mestres da literatura diziam... Não tinha "friozinho na barriga" (só quando estava com fome!), nem "coração palpitante" (só quando esquecia o celular vibrando no bolso da camiseta do uniforme).

Ela tentava... Entregava-se aos relacionamentos, e mesmo exigindo em seus pensamentos um amor todo certinho e cheio de regras, estava muito longe de conseguir...

Achava, em sua ingenuidade, que o amor poderia ser fabricado... Uma pitada de beijos, outra de sexo, outra de carinhos e o amor estava pronto... Como ela estava enganada. O amor é espontâneo, é irracional, não se prende a situações pré-estabelecidas...

Por não encontrar o amor em um parceiro, esta mulher, decidiu entregar-se. Aos amigos... ao voluntariado... aos desconhecidos... às causas humanitárias... ela se entregava ao mundo, menos a si mesma.

Seguiu as instruções de Francisco de Assis e espalhou luz onde havia escuridão e desesperança... Foi paciente e bondosa, como aprendeu com Fernando Pessoa, deu sorrisos amorosos e estendeu sua mão por ensinamento de Madre Teresa de Calcutá... Mas nada era suficiente. Ela não conseguia sentir esse amor de que falavam tanto... 
Não me refiro a amor ao próximo... Esse, ela tinha de sobra... mas um amor romântico.

Um belo dia... esta mulher sonhou... e em seu sonho, percebeu que o que ela tinha, na verdade era maldição... quantos corações despedaçara apenas por não querer se envolver? Lembrou especificamente de um rapaz, que fez de gato e sapato...  Quanto tempo manteve o pobre apaixonado, alimentando sua paixão com migalhas. Será que ele teria lançado uma maldição? Ou seria ela mesma a campeã de auto-sabotagem?

Estaria ela pagando pelo que fez? Pagã que era, resolveu fazer rituais para Afrodite, a deusa do amor, pedindo para se apaixonar. Seus rituais não funcionavam...  o que estaria faltando?  o que estava errado?

Desistiu... desistiu do amor.. desistiu da vida... Foi ao seu lugar favorito para pensar, uma pedra no alto do Arpoador, em frente à Praia do Diabo no Rio de Janeiro. 

Era lua cheia. Deveria estar concentrada em fazer um esbat para a Deusa-Mãe. Mas não fez... E ali, em prantos, fez um último apelo... Não pediu um amor... não pediu um namorado. Humildemente, pediu apenas que fosse restabelecido em seu coração, sua capacidade de amar. Passou a noite inteira chorando. Afrodite, compadecida de suas lágrimas, resolveu atender a esse sincero pedido...

Cansada de chorar uma noite de lágrimas, ela encostou a cabeça em uma pedra e cochilou. E mesmo dormindo por pouco tempo, seu sono foi profundo.

Acordou com o toque de alvorada do Forte de Copacabana na Praia do Diabo. Abriu os olhos devagar, e o mundo tinha um colorido todo especial. O amanhecer, recheado de tons alaranjados misturados ao azul d céu.. Ela ouviu os pássaros passando em revoada... sentiu o cheiro da maresia... Passou a enxergar com novos olhos.

E foi neste momento, que ela percebeu... Ela estava pronta para AMAR.


















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Desafios de Natal e Ano Novo

Posted by Unknown on 14 de janeiro de 2013 08:00 in , , ,
Finalmente, pra quem tava com saudade dos meus textos... e pra quem não tava também, estou respondendo aos desafios de natal e ano novo gente!

Natal


*Mas não é da cor que eu pedi!

*Claro que Papai Noel existe, meu bem.
*A lareira está acesa?
*Eu prefiro muito mais tender.
*Sabia que tinha esquecido de algo





- Mamãe, mamãe, acorda, vamos, já é natal!
- Ham...? – Gabriela abriu os olhos, ainda com sono, e viu Jorge ao lado da cama a olhando animado. Olhou para o relógio, 6h da manhã.
- Ah, filho, volte para a cama, está muito cedo...
- Não mãe, quero ver meus presentes, meus presentes! Será que Papai Noel trouxe o que pedi?
Aquilo lançou um alerta na cabeça de Gabriela, estivera tão ocupada trabalhando que esqueceu de comprar o presente de Jorge, como pôde?  Jorge, que não queria esperar nem mais um minuto para ver seus presentes, saiu correndo em direção á sala.
- Amor, acorde. – Gabriela sacudiu o marido que ainda dormia.- Marco, acorde!
- O que foi?
- É natal, e não compramos o presente do Jorge, levante!
Marco sentou-se na cama, também sobressaltado pela constatação de que não havia comprado os presentes do filho.
Sabia que tinha esquecido de algo!
Nesse momento Jorge voltou correndo ao quarto, haviam lágrimas quase escorrendo de seus olhos.
- Mamãe, papai, o Papai Noel esqueceu de mim? Não tem presente nenhum debaixo da árvore!
- Calma filho, calma... – Gabriela tentou dizer, mas Jorge estava irado.
- Droga de Papai Noel, odeio ele, odeio...
- Ora, pare com isso Jorge, arrume-se e vamos sair. – disse Marco.
Jorge saiu do quarto batendo os pés e chorando, Gabriela olhou para Marco esperando uma explicação.
- Vamos comprar o presente dele ora. – dizendo isso ele se levantou e foi se arrumar.
Os três saíram de casa, Marco resolveu fazer um programa especial para o dia de natal, para compensar o esquecimento. Primeiro tomaram café em uma padaria do bairro, depois foram a um parque de diversões que, por sorte, estava aberto no natal, fizeram de tudo para alegrar o menino, mas ele só resmungava e não esboçava nenhum sorriso. Por último foram ao mercado fazer compras para um jantar especial, mas Jorge continuava cabisbaixo, irritado.
- Vamos comprar um peru! – Anunciou Gabriela, sabendo que Jorge adora peru, mas ele não teve reação.
- Huum, eu prefiro muito mais tender. – Forçou o pai de Jorge, mas o garoto não esboçou emoção nenhuma.
Gabriela e Marco se olharam decepcionados, Marco decidiu então ir até a seção de brinquedos enquanto Gabriela terminava de fazer as compras com Jorge. Lá ele encontrou o presente que Jorge tanto queria, uma bicicleta vermelha como o fogo. Fez a compra e guardou no porta-malas do carro antes que Jorge e Gabriela aparecessem, depois do mercado foram para a casa.
Como parte do plano Gabriela distrair Jorge, indo até a casa de um vizinho para desejarem um feliz natal enquanto Marco foi preparar tudo, entrou em casa, acendeu a lareira e deixou a bicicleta com um grande laço de presente debaixo da árvore, depois saiu.
Quando entraram todos juntos em casa Marco exclamou:
- Olha, a lareira está acesa?
Jorge lançou um olhar deprimido, mas curioso, para o centro da sala e percebeu algo debaixo da árvore, correu até lá com um sorriso no rosto, que desapareceu quase instantaneamente.
Mas não é da cor que eu pedi! – bufou irado. – Eu queria azul... – e lágrimas voltaram a aparecer em seus olhos.
Gabriela lançou um olhar desaprovador para Marco, que se explicou num sussurro:
- Era a única cor que eles tinham.
Jorge correu para abraçar a mãe.
- Que droga de Papai Noel mamãe, Papai Noel não existe!
Claro que Papai Noel existe, meu bem, ele só... é atarefado demais.
- Ele esqueceu de mim, ele não gosta de mim.
- Olha, Jorge, Papai Noel te ama, eu tenho certeza, mas tem milhões e milhões de crianças no mundo, ele não consegue mais entregar toooodos os presentes em uma só noite , e não consegue fazer todos os brinquedos das cores exatas, mas você é especial para ele e eu tenho certeza que você vai adorar a bicicleta que ele te trouxe,  porque pode não ser da cor que você pediu, mas é a bicicleta vermelha mais veloz do bairro, todos vão admirar você quando estiver andando com ela.
- Verdade? - Jorge a olhou esperançoso, enxugando uma última lágrima.
- Verdade! - Gabriela sorriu para ele.
- Então... então eu vou correr para mostrar  aos meus amigos! - Jorge pegou a bicicleta e saiu correndo para a rua, com um sorriso largo no rosto. 
Marco olhou orgulhoso para Gabriela.
- Acho que esse natal nos deu uma lição.
- O que? - ela perguntou.
- Que nosso filho não precisa de verdade de presentes caros para ser feliz, ele só precisa que conversemos mais com ele, ele precisa mais da nossa atenção.
Os dois sorriram, se abraçaram e foram para fora olhar Jorge brincando.





Ano Novo



As grades da prisão eram desgastadas por tantas mãos que passaram por ali ao longo do tempo, alisando-as. No canto, uma latrina sem tampa exalava um cheiro não muito agradável. Uma pequena janela deixava entrar as luzes dos fogos que pipocavam ao longe. Haviam 2 catres no cubículo, ambos demonstrando sinais de estarem ocupados. Ao longo do corredor várias celas, todas ocupadas. No final deste, uma sala de guardas, onde era possível ver uma parte da televisão com a Globo passando a queima de fogos em Copacabana. Além disso, também era possível ver uma poltrona e o topo da cabeça de alguém.

Dumbo, como Andrew era conhecido pelos amigos do crime devido a suas orelhas um pouco avantajadas, estava andando de um lado para o outro em sua cela, pensativo, havia chegado a hora, mas seus comparsas estavam atrasados, e ele muito irritado. Tinham que aproveitar a noite de ano novo, só havia um carcereiro, que estava distraído vendo tevê, ou outros estavam de folga, não haveria momento melhor.
Dumbo tinha sido preso dois meses antes, por tráfico de drogas, ele e um amigo tinham sido pegos, os outros fugiram, mas prometeram que os tirariam da prisão assim que possível. O amigo de Dumbo estava preso em outra seção da cadeia municipal, e agora que havia chegado o momento dos comparsas cumprirem a promessa, eles não apareceram. Dumbo então resolveu começar sozinho a fuga.
Havia um túnel no qual ele estivera trabalhando o mês inteiro, mas não estava acabado, era o seu plano B, já que seus amigos não tomaram a cadeia como haviam prometido, ele teria de usá-lo. Apanhou do chão uma colher imunda  que ele mantinha na cela e acordou seu companheiro, ambos ergueram um dos catres e entraram no túnel, seu companheiro de cela, Jack, trazia consigo uma pá pequena de jardinagem que conseguira fazer com que sua esposa trouxesse durante uma visita.
Caminharam algum tempo no escuro até encontrarem o fim do túnel e começaram então a cavar para cima, para fazer uma saída, mas o problema é que não tinham ideia de onde o túnel iria dar, era um plano muito mal planejado esse.
- Então Dumbo, eu te avisei que seus amiguinhos iam dar pra trás, mas você não me ouviu. Deveríamos ter terminado antes esse túnel e já estaríamos fora daqui.
- Não enche! – Andrew estava irritado demais para conversar.
Perderam a noção do tempo enquanto cavavam, aquilo parecia uma eternidade, quando finalmente Jack tirou uma quantia de terra que abriu um buraco, iluminando os dois com uma luz fraca, sons de poucos fogos ao fundo, já era madrugada. Apressaram-se e conseguiram sair para o ar livre, para a sorte deles num terreno baldio ao lado da cadeia, e começaram a correr em direção à rua.
Porém, para o azar deles os comparsas de Dumbo só estavam um pouco atrasados e haviam tentando tomar a cadeia enquanto eles estavam no túnel, mas deu tudo errado e eles haviam sido pegos, reforços estavam chegando por todos os lados e já sabiam que os dois haviam fugido, estavam alertas quando Dumbo e Jack saíram para a rua.
- Ah, cara! Que droga, eles descobriram, vamos nos entregar. – Jack falou assustado com toda a movimentação policial, levantou as mãos em sinal de rendição.
- Nem pensar, não volto para lá! – Dumbo gritou para Jack e voltou correndo para dentro do terreno baldio, mas correu apenas uns 10 metros até que tiros ecoassem pela rua.
Dumbo foi baleado e hospitalizado em estado grave. Pela manhã recebeu uma visita no hospital, era Raquel, sua noiva.
- Andrew, o que você fez? Porque? – ela perguntou quando ele acordou, seus olhos estavam vermelhos e inchados de chorar.
- Me perdoe... meu amor... – ele falava com dificuldade. – tudo que fiz... tudo, foi por você! Eu te amo.
- Pare de falar isso! Eu pedi pra você não se envolver com o crime, pedi pra você não fazer nada errado, você não me ouviu. Se me amasse teria ouvido...
- Mas eu te amo! Eu queria comprar uma casa pra gente... queria tirar você daquela favela, te dar uma vida melhor... eu não conseguiria... isso... – ele gemia ao falar. – com meu emprego de merda... por isso comecei a vender drogas, é... muito mais fácil. Eu conseguiria, em breve, se não tivesse sido preso... já estava com bastante dinheiro, poderíamos morar num bairro ótimo... ter um ótima vida...
- Você fez tudo errado Andrew, tudo errado! – ela estava revoltada.
- Raquel, eu fugi porque não ia aguentar mais nem um dia sem você... não aguento... não...
Ele pareceu desmaiar e Raquel o sacudiu, desesperada.
- Andrew, não, não morra.
Ele deu um suspiro e voltou a falar, fazendo muito esforço.
- Acho que... isso vai ser o melhor para você... não sirvo pra você então vou sair da sua vida... Feliz ano novo Raquel... feliz... vida nova, meu... amor...
Dumbo suspirou, fechou os olhos e não tornou a abri-los, Raquel ficou ao seu lado, perplexa, sem saber o que fazer até que os médicos vieram e a tiraram do quarto, confirmando a morte.


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Desafio de Aniversário

Posted by Unknown on 07:59 in , , , ,
Para o meu desafio de aniversário do blog eu escolhi a série Percy Jackson e os Olimpianos, espero que vocês gostem! ^^

palavras: encontro, oceano, século, sono, cultural

Percy Jackson e a Medusa

Era outra manhã comum para a maioria dos adolescentes da Good High School, inclusive para mim, era o penúltimo dia de aula e estávamos tendo um “encontro cultural” com alunos de outra escola, uma chatice, mas como sou um meio sangue, já estava pressentindo que algo ia sair errado.
Bem como eu pensei, lá pelo fim da manhã encontro com Rachel Elizabeth Dare caminhando no corredor em minha direção e meu coração dispara, instintivamente fico mais alerta. Rachel é minha amiga mortal, ela nos ajudou muito em algumas batalhas e no último verão, depois de salvarmos o Olimpo e todo o mundo ela recebeu o espírito do Oráculo de Delfos, se tornando assim o novo oráculo dos semideuses, mas durante o ano letivo ela foi estudar em uma escola para damas cumprindo uma promessa que fez ao pai, então ela definitivamente não deveria estar aqui, na minha frente, e a expressão dela não era nem um pouco feliz.
Quando nos encontramos ela me pegou pelo braço e me puxou para dentro de uma sala vazia.
- Oi para você também. - eu disse, encabulado.
- Não temos tempo Percy, algo muito ruim vai acontecer hoje. - ela me olhou com os olhos cheios de pavor.
- Calma, me conte o que houve, você viu algo?
- Sim, eu não viria até aqui se não fosse muito importante. Toda a escola está correndo perigo.
A olhei ansioso, esperando que continuasse, e ela continuou, mas a sua voz estava triplicada, os olhos brilhavam, era o oráculo falando:
A vida de um semideus ela vai bagunçar / e a todos trará um sono profundo / por vingança ela jurou não fracassar / e mostrará a todos o seu poder imundo.
Rachel voltou a ser ela mesma, eu ainda estava perplexo, acho que nunca vou me acostumar a ver o oráculo falar através dela.
- Então, - ela disse – a profecia é sua, você é o semideus, por isso vim.
- E quem é ela?
- Não sei...
Antes que Rachel pudesse dizer mais alguma coisa ouvimos gritos vindos do ginásio, nos entreolhamos e corremos para lá a tempo de encontrar três estátuas de líderes de torcida horrorizadas, o que fez meu sangue gelar. Ouvi passos vindo atrás de nós e o som inconfundível de serpentes, muitas serpentes sibilando, não demorou nem um segundo para eu entender a profecia. Rachel tentou se virar para ver quem iríamos enfrentar mas eu a segurei com força.
- Não olhe, é a Medusa.
Rachel estremeceu.
Eu já havia derrotado a Medusa alguns anos antes, na minha primeira missão do Acampamento, eu sabia que os monstros não morriam para sempre e voltavam em algum dia, mas bem que ela poderia ter passado um século no Tártaro, seria pouco para ela.
A Medusa voltou para me atormentar, o transformando todos que encontrava em estátua, ou seja, deixava todos num sono profundo para se vingar de mim com seu poder imundo vindo direto do tártaro. Nunca compreendi uma profecia tão rápido.
Tentei pensar rápido, ali no ginásio eu não teria chance nenhuma, nem mesmo poderia saber exatamente onde ela estava, nada que refletisse, nada que me ajudasse. Peguei Rachel pelo braço e puxei-a, corremos até a porta do outro lado do ginásio, para os vestiários, eu sabia o que fazer, a Medusa iria se arrepender, pela segunda vez, de cruzar meu caminho!
- Está com medo, Percy Jackson? - A Medusa falou – Volte aqui e me enfrente!
Mandei Rachel entrar em uma cabine de banheiro e se fechar lá, eu não queria que minha amiga/oráculo virasse uma estátua pro resto da vida. Quando a Medusa entrou no vestiário (pude ver por um reflexo muito embaçado nos azulejos imundos da parede) eu evoquei todo o meu poder de filho de Posseidon, me concentrei e senti um repuxo na barriga, não demorou para toda a parede atrás das torneiras começarem a tremer, as torneiras explodiram e jorraram um oceano de água para dentro do vestiário, acertando em cheio a Medusa, que caiu e não conseguiu se levantar patinando no chão todo molhado, nesse momento tirei contracorrente do bolso, destampei-a fazendo crescer minha espada e dei um giro de olhos fechados rezando aos Deuses que acertasse o pescoço dela.
Continuei ainda de olhos fechados por um tempo, esperando alguma reação, nada, nenhum som, apenas a água jorrando das torneiras estouradas e minha respiração e de Rachel, virei-me de costas para onde a Medusa estava e caminhei até a lata de lixo, peguei o saco e, de novo de olhos fechado, tatei o chão até encontrar a cabeça repugnante da Medusa e colocá-la dentro do saco.
- Tudo bem Rachel, pode sair agora.
- Rachel saiu do banheiro com um olhar de quem diz “até que enfim”. Ergui o saco com a cabeça da Medusa mostrando para ela, como quem exibe um troféu.
- E agora, fazemos o que? - ela perguntou.
- Vamos jogar no mar e pedir que algum dos meus amigos marinhos esconda o saco bem no fundo, onde ninguém possa encontrar. - dei-lhe um sorriso bobo e ela conseguiu rir, saímos do vestiário caminhando como se nada tivesse acontecido.


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Seleta gentileza

Posted by Aptos on 13 de janeiro de 2013 07:00 in , ,
Já estava escurecendo quando percebi a luz acesa. Aquela janela era particularmente acolhedora para mim. Olhava ansioso durante o dia, toda aquela preocupação com os pássaros e me perguntava o porquê de tanta gentileza.

Meus instintos me atraíam automaticamente. Não saberia explicar o porquê de sentir tanto apelo. Talvez aquele rosto gentil e despreocupado. Balancei a cabeça. Não. Teria que ser algo mais. Muito mais do que uma impressão.

Talvez mesmo um pouco de paixão. Me aproximei devagar.

Meu olhar ansioso estava esperando aquele olhar humano cálido, gentil e despreocupado. Feliz eu diria. Ela tinha movimentos lépidos e eu percebia que havia horário certo para ela aparecer. Não entendia como ela poderia estar ali por tao pouco tempo e no exato horário do crepúsculo. Aquilo era um grande mistério para mim e mesmo assim, eu esperava ansiosamente seu comparecimento diário na varanda com um objeto interessante. Algo como uma nuvem portátil.

Chovia por ele e ela sorria enquanto permitia que a chuva pousasse suavemente pelas folhas dos arbustos. Fiz uma anotação mental da necessidade de saber o nome daquele objeto.

Sem desviar os olhos, me perguntei como seria o contato com ela. Certamente ela entenderia meu interesse. Vi ela retirar nosso bebedouro (sim, este eu já havia aprendido o nome). Sorri sensível e resolvi testar seu súbito esquecimento da porta da varanda aberta.

Aproveitei a semi-escuridão para me fazer passar despercebido. Observei um cão deitado e sonolento próximo à mesa. Ele levantou rapidamente, o olhar bastante atento para mim. Não entendi aquele olhar caçador. Não achei que eu pudesse causar tamanha comoção quando percebi um uivo assustador. Ele estava me intimidando! Pronto para pular sobre mim, certamente preocupado com a reação daquela criatura a quem eu tanto admirava.

Ela surgiu suavemente, saltitando pela casa. Era uma senhora encantadora e eu estava apaixonado! Meu gemido de satisfação deve ter parecido um guincho assustador. Contudo, eu não estava preparado para aquela reação. Um misto de horror e asco encheram seu rosto. Perdi imediatamente o controle de minhas ações e fui ofuscado pela luz acesa rapidamente.

Não consegui distinguir seus gritos das minhas explicações de que eu precisava conhecê-la. Percebi que quanto mais eu me explicava, mais assustada ela se tornava. O cão uivava furiosamente para mim, pulando, tentando talvez me atacar.

No meio dessa caos ela saiu e retornou com um objeto comprido cheio de pontas, acho que o nome daquele objeto era vassoura. Preciso aprender mais! Percebi com pesar que ela tentava me expulsar de sua presença. Gemi novamente, angustiado com o terror e aversão que eu lhe causava e virei graciosamente para tentar sair pelo mesmo lugar que entrei.

Aquelas luzes, barulho, tudo me confundia e ofuscava. Fiquei desorientado mais alguns breves instantes até perceber a escuridão me chamando lá fora. Saí rapidamente e pousei numa árvore. Não entendia porque ela não me amava como aos pássaros que ela gentilmente alimentava com néctar...

Foi então que eu vi ela fechando rapidamente a porta de vidro e apagando as luzes. Aproximei-me novamente e pude perceber que o vidro se transformara num objeto reluzente, refletindo meu horror.

Agora eu tinha entendido seu medo. Eu era um morcego.

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Desafio de ano Novo by patydeuner - Continuação

Posted by PatyDeuner on 12 de janeiro de 2013 11:00 in , ,
Fui desafiada pela Sammy a escrever uma estória para o Pedro, um pobre rapaz preso que na noite de ano novo fez um telefonema para um número aleatório e conheceu Júlia.

As palavras do desafio são:

Amofinar - Displicente - Abismado - Labuta - Manchil

Júlia acordou com o barulho dos fogos ainda latejando em suas têmporas. Taças e mais taças de espumante somado a um estômago vazio contribuíam para seu lamentável estado físico. Não conseguiu comer nada e nem dormir direito depois do telefonema daquele homem. Sacudiu-se para fora da cama limpando os pensamentos enquanto decidia que precisava comer algo para silenciar seu estômago. A casa estava um caos e todos pareciam estar dormindo ainda. Chegando na cozinha foi logo abocanhando uma fatia de rabanada fria e murcha. Enquanto mastigava lembrou novamente do pobre homem dizendo “Normalmente é só um mexido de arroz com feijão mesmo.”
Aquilo a fez perder totalmente o apetite. Ao que parecia, tudo hoje a faria lembrar-se dele, então desistiu de lutar contra os pensamentos.Tinha vontade de conhecê-lo e saber mais da sua história. Não sabia bem porque mas sentia que a escolha do seu número não era só uma coincidência. Foi até o telefone verificar as chamadas recebidas e lá estava o número. Seus dedos tremeram em antecipação a discagem. Deveria mesmo ligar? E se fosse um assassino cruel e doente? Aquelas idéias revolviam-lhe o estomago, mas discou mesmo assim.

- Delegacia de Polícia.

- É...ahmm...bem ,eu gostaria de saber a respeito de um preso. O nome dele é Pedro.

Tentou.

- Pedro de que senhora?

- Não sei.

- Temos mais de 40 presos aqui no momento senhora. Poderia ser mais objetiva?

- Só sei que o nome dele é Pedro e gostaria de fazer uma visita.

- Hoje é feriado minha senhora, então não temos visita.

- Bom mas, não poderia abrir uma exceção? Não posso durante toda a semana e é muito importante pra mim.

- Seria só a senhora nessa visita?

- Sim, apenas eu. E poderia por favor verificar pra mim sobre esse Pedro...como ele está no momento?

- Bem, deixe-me verificar nos arquivos aqui. Temos dois detentos com o nome de Pedro. Pedro Alcântara e Pedro Augusto Lancelloti. Qual seria?

Tentando parecer o mais displicente possível, arriscou um dos nomes. Lancelloti parecia sugestivo.

- O segundo senhor. Pedro Augusto Lancelloti. Quais são as acusações dele?

- Não damos informações dos presos senhora. É contra as normas da delegacia.

- Tudo bem então. Obrigada.
... 


Quando ela estacionou na entrada da 5ª DP no Centro, suas pernas começaram a tremer tanto que pensou seriamente em voltar atrás. Por que estava fazendo isso? Por que não esquecia de vez essa história? Vinha se perguntando durante toda a longa trajetória de sua casa em Botafogo até ali, mas não achava resposta alguma. A única coisa que tinha certeza é que iria se amofinar para o resto da vida se não conhecesse o tal homem. Foi com esse pensamento que firmou as pernas da melhor maneira que pode e entrou na delegacia.
... 

Pedro tentou se ajeitar melhor no canto do seu catre de forma que sua coluna não doesse tanto. Depois que desligou o telefone, embalou-se nas lembranças da doce voz de Júlia e adormeceu ali mesmo, agachado ao lado das barras frias de ferro. Rejeitou o pingado com pão seco da manhã porque não se sentia bem, mas agora os efeitos dolorosos do estômago vazio cobravam seu preço. A labuta diária da prisão era ainda pior quando se estava com fome.

-Visita detento!

O grito do policial o ensurdeceu tanto quanto o som retumbante de suas batidas nas barras de ferro.
Nem se importou com o anúncio, imaginando ser a lamentável mãe de Caco, seu companheiro de cela, que roncava sonoramente em seu canto.

-Pedro?

Há meses não escutava seu próprio nome ser pronunciado por alguém, e antes de voltar-se ao encontro daquela voz sentiu um calafrio correr-lhe a espinha. Era a voz de Júlia. Sua mente nunca mais esqueceria aquele doce som.
Reunindo toda a sua coragem virou-se para olhá-la. Ficou completamente abismado com a beleza da mulher parada ali, atrás das grossas grades. Cabelos escuros e cacheados escorriam pelos ombros e os olhos eram verdes e profundos. Usava um vestido muito elegante e sua postura revelava uma mulher de classe.

-Você é a Júlia? Do telefonema?

-Sim. É você mesmo Pedro?

-Sou eu. O que está fazendo aqui? Como me achou?

-Eu...bem...você desligou muito rápido ontem. Eu queria conversar mais.

-Sei. Não é a resposta para o que perguntei. Mesmo assim não deveria estar aqui. Isso não é lugar pra você.

Pareceu mais ríspido do que gostaria, mas estava muito nervoso com a presença dela.

-Não me quer aqui?

-Não! Não é isso..é só...é tão bom conhecer você que não sei nem o que dizer. É isso.

-É bom conhecer você também Pedro. Engraçado...pensei encontrar alguém mais gordo. E mais baixo. E bem mais velho.

Ela deu uma risadinha tão graciosa que ele sorriu também, com o peito aquecido.

-Pois você é exatamente como imaginei. Tão linda quanto sua voz.

Ela enrubesceu estendo pra ele o que tinha nas mãos.

-Trouxe pra você. Está meio bagunçado por que revistaram tudo na entrada, você sabe como é.

O pacote revelou algumas rabanadas e grossas lascas de peru que exalaram um cheiro tentador. Seu estômago urrou em antecipação, mas forçou-se a ser educado.

-Obrigado Júlia. Estou mesmo com fome.

-Então coma.

Queria comer mas também queria desfrutar da companhia dela. Queria saber mais dela.

-Então vamos fazer assim. Eu como e você fala. Conte-me mais sobre você.

-Não Pedro.

-Não?

-Não. Tenho que ser sincera. Vim aqui porque precisava te conhecer. Quero que me conte tudo sobre o que você fez e como veio parar aqui.

-Você é mesmo direta. Não precisa me conhecer Júlia. Não vale a pena. Só vou te dizer uma coisa. Foi um acidente. Mas isso não me redime. Agi de forma violenta e irracional. Eu sou assim Júlia. Um monstro irracional. Então não vale a pena me conhecer. 


A expressão dela foi de desapontada a determinada em fração de segundos.

-Não importa. Se vale a pena ou não, somente eu posso julgar. Sinto decepcioná-lo, mas se quer um julgamento justo da minha parte vai ter que se abrir. Ou sairei daqui com a imagem de um manchil em suas mãos assassinando alguém. 

Ele sabia que não era justo esconder dela o sangue que sujava suas mãos, afinal era por sua culpa que ela estava ali em primeiro lugar. Deixou o pacote de comida sobre o colchão e se aproximou mais, colocando as mãos bem próximas as dela na grade.

-Tive uma namorada que amava demais. Ou pelo menos era isso que achava, porque hoje eu vejo que...era mais uma doença...não sei explicar. O ciúme me cegava sempre. Não podia vê-la sequer falando ao telefone com alguém que exigia explicações. Levava-a e buscava-a no trabalho, almoçava com ela, ia ao dentista, ao supermercado, a igreja, enfim...queria estar com ela todo o tempo e sempre repetia a mim mesmo que essa obsessão era pelo amor que sentia por ela. Hoje eu sei que esse não era o verdadeiro motivo. Sou um homem doente e irracional. E me irrito muito facilmente. Transformo-me em um homem muito violento quando pensamentos obscuros ocupam minha mente. Então um dia brigamos realmente sério, e ela parou de atender minhas ligações. Não saiu de casa todo o dia e não quis falar comigo. Esperei pacientemente que ela superasse nossa briga e voltasse a me procurar. Naquele mesmo dia fui a um bar lá em Botafogo onde costumava encontrar com alguns amigos pra ver se conseguia desacelerar um pouco minha ansiedade. E lá estava ela, abraçada com um amigo meu. Descobri depois que era só um abraço e ela chorava a minha falta em seu ombro. Mas na hora eu virei um monstro. Um gosto amargo de traição subiu como bílis pela minha boca e eu não vi mais nada. Quando dei por mim, meu melhor amigo estava caído debruçado sobre a calçada e sangue escorria da sua cabeça. Acho que entrei em estado de choque ou alguma coisa assim por que...não me lembro o que aconteceu. Só conseguia ouvir gritos enquanto uma correria se formava ao redor do bar. Eu não me lembro de tê-lo matado mas...ela gritava “Você o matou, você o matou!” Até hoje não tenho certeza do que aconteceu naquela noite. Meu defensor público usa a defesa de homicídio culposo, sem intenção de matar. Uma briga de bar que acabou em acidente. Ele não conseguiu se comunicar com ninguém que esteve ali naquele dia, e essa minha namorada sumiu do mapa. Ninguém conseguiu achá-la até hoje pra prestar depoimento. Como posso culpá-la? Provavelmente só está fugindo de um homem louco. Doente. Mas Júlia...eu posso sentir bem aqui no fundo que foi mesmo um acidente sabe? Eu nunca mataria alguém, muito menos um amigo! É tão frustrante não lembrar! 

Quando terminou de falar estava com a testa encostada nas mãos de Júlia. Sentiu quando ela abriu as palmas de encontro a sua cabeça e parou repentinamente, como se em dúvida se isso era o correto a fazer. Então levantou a cabeça e fixou seu olhar no dela. Ela parecia calma, pensativa.

-Pode me julgar agora. Mas por favor, não vá embora com a imagem de um assassino. Pelo menos enquanto eu não provar que eu não fui capaz de fazer aquilo. 

Ela continuou em silêncio por um bom tempo antes de se afastar e dizer concisa.

-Quero falar com seu advogado. Quando será seu julgamento?

-Você não...Júlia, quero que vá embora agora e esqueça que me conheceu. Você já teve o que queria. Conheceu o homem que te perturbou em plena noite de ano novo. Eu já desabafei, adorei conhecer você, mas é só. Já me ajudou mais do que pode imaginar Júlia. Por favor vá embora agora.

-Estarei de volta assim que puder Pedro. Você acaba de conhecer sua futura advogada. 


Ela virou-se e saiu, enquanto ele abria e fechava a boca sem proferir uma única palavra.

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Regrinhas para pegar um livro emprestado...

Posted by Aptos on 11 de janeiro de 2013 08:00 in , ,
Bom dia... meu nome é Samantha Freitas e eu sou viciada em livros.

Comecei aos três anos de idade... No começo, eram só as figuras que me interessavam... depois, parti para os gibis... livrinhos com poucas frases.

Hoje estou incontrolável. Não consigo passar um dia sequer sem ler pelo menos a legenda de um filme... a bula de um remédio... as palavras do closed caption da tv e o pior de tudo... os livros... Para que eu possa ficar plenamente satisfeita, eu preciso de livros com mais de 250 páginas. Eu os cheiro, compro em promoções, sebos, feiras literárias... Troco mais livros do que consigo ler...

Pois é... se você se identificou com meu texto, você é das minhas... é uma viciada em livros. O que sim, é um vício bom... Mas aí, com o tempo, você estende esse vício de leitura para o vício obsessivo de acumular livros... e ele ainda consegue evoluir mais ainda...

Do momento que você é viciada em livros, para o momento que você começa a comprá-los é um pulo, mas aí tem um terceiro momento... Aquele em que seus amigos vão te visitar e dão de cara com suas estantes com seus livros... A maioria, não tem a menor noção do perigo... E sai pegando, tirando os livros da estante, folheando... aquilo vai te enlouquecendo até que.... Eles finalmente ultrapassam todos os limites e pedem algum livro emprestado.

Dificilmente dizemos "NÃO" de cara... sempre queremos ser simpáticos, generosos, gentis... Mas ao mesmo tempo, você precisa proteger os seus... filhos...

Então, pensando nisso, com ajuda de alguns amigos na net, bolamos uma lista de regrinhas que é devidamente entregue junto ao livro emprestado... Segue abaixo a reprodução das regras! 

Funciona tão bem, que 60% dos meus amigos, depois de ler, nem leva o livro emprestado :-)



Parabéns!

Se você está levando um livro emprestado, é porque eu confio em você e sei que você será cuidadoso (a) o suficiente para estar com ‘meu precioso’.  Amo discutir sobre as estórias, os personagens e comparar as opiniões. Eu até empresto o livro com relativa boa vontade, mas se me devolver sujo, rasgado, amassado ou até descascado, esqueça, nunca mais...
Pois é... Livros para mim são quase como “O UM ANEL” do Gollum, então elaborei algumas regrinhas básicas para você levar meu livro...

     Todo livro que é emprestado, deve voltar;
Pense nisso como a lei da gravidade... Tudo que sobe, tem que descer, então...

     Escolha um livro de cada vez;
Não, você não pode pegar mais de um livro por vez, leia um e quando terminar eu te empresto outro.

     Se pegar um livro, LEIA;
Sério... depois de todo esse estresse para tirar o livro da minha preciosa estante, onde ele faz a maior falta, fica aquele buraco, seus irmãos livros lamentando sua saída... e você deixa o pobrezinho abandonado em casa? No way! Melhor nem levar, se está sem tempo para ler, deixa para pegar emprestado quando você estiver com mais tempo disponível.

     Não deixe o livro em qualquer lugar;
Acredite...  Merdas acontecem. E normalmente acontecem justamente quando estamos com algo que não nos pertence. Não deixe o livro espalhado pela casa. Não leve o livro para o banheiro ou cozinha... Sempre vai ter alguém que vai derrubar algo nele, ou seu bichinho de estimação pode atacá-lo ou mesmo até a empregada guardar em algum lugar e ele nunca mais ser encontrado. NÃO DEIXE ISSO ACONTECER!

     Não coma e leia ao mesmo tempo;
Não estou preocupada com sua saúde e nem se faz mal ou não para a digestão se você está comendo e lendo. Desculpe, mas eu estou mesmo é preocupada com a integridade do meu livro... Não coma nem biscoito, nem pão... Aqueles dedinhos engordurados, com migalhas, brrrr me deu até arrepios só de pensar... Se possível, lave até mesmo as mãos antes de ler o livro, rs

     Marque o livro somente com marcadores, papéis e afins;
Eu sei que existem aquelas orelhas no livro que tecnicamente existem para isso, mas já viram como isso estraga o livro? Amassa tudo e os deixa com uma aparência horrível, desleixada, como um bêbado às 4 da manhã. Eu sempre empresto livros com marcadores, use-os! Resista ao impulso de dobrar a página do livro pra marcar, eu sempre encontro essas dobras (por menores que sejam) e vou ficar muito aborrecida se você fizer isso.

     Não rabisque, escreva, marque o meu livro.
Às vezes há frases e diálogos que gostamos tanto que queremos marcar. Não faça isso. Nunca! Não quero saber se você não tinha nenhum papel em mãos naquele momento, NÃO RABISQUE os meus livros! Nada, nada mesmo, justifica isso.

     Não vire a página com saliva.
Acho que é até desnecessário fazer algum comentário adicional...

     Não escancare o livro para ler, ou o dobre no meio.
Sério, eu nem nunca imagino que uma pessoa que eu confio, faria isso, mas, sempre é bom avisar né? Vai que...

.   Nem todos os livros que eu tenho eu empresto.
Sério, Sim, existem alguns livros que eu simplesmente não empresto, não insista...

Depois de ler as regras, sorria e acene e de preferência, se você for tão neurótico quanto eu sou... não empreste!









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Escrever profissionalmente ou por hobby: o que é melhor para a sua carreira literária?

Posted by PatyDeuner on 10 de janeiro de 2013 16:00 in , , , ,
Texto escrito por: Henry Alfred Bugalho no Blog do Escritor
Na íntegra.
A ambição de muitos escritores diletantes é a de poder largar seu emprego atual e, um dia, viver somente com o lucro de sua escrita. Normalmente, este anseio é resultado de uma visão distorcida dos sucessos estrondosos de alguns best-sellers, ou pelo romantismo de algumas sofridas figuras clássicas da Literatura.

Durante anos, como vários autores, escrevi amadoramente em meu tempo livre, sonhando com a possibilidade de tornar-me um autor profissional.
E, desde algum tempo, tenho sido escritor em tempo integral, ganhando o pão com a vendagem de meus livros e com a minha escrita.

Vou lhes apresentar as duas faces desta moeda, duas perspectivas sobre cenários literários que se complementam.

Escritor amador X escritor profissional

Muita gente se aproxima cheia de dedos quando se trata de realizar uma distinção clara entre escritor amador e profissional. Inclusive, alguns defendem que é de definição impossível, pois existem amadores que se dedicam muito mais à carreira literária do que profissionais.

Longe de querer esgotar esta discussão, apresentarei a minha definição.

O critério único e fundamental de determinação entre escritor amador e profissional é monetário.

Um escritor profissional difere-se do amador por obter toda sua renda, ou boa parte dela, através de seu ofício.
Como ser escritor não é um título, que se possa obter numa faculdade, qualquer um que decida sentar-se para escrever meia dúzia de páginas já pode ser considerado um escritor amador, independentemente do grau de competência ou comprometimento.
Já um escritor profissional é aquele que faz da escrita a sua carreira e seu sustento, que paga suas contas com a escrita, que depende dela para sobreviver.

Não se trata de nenhuma distinção qualitativa, como se profissional fosse melhor do que amador. Inclusive, em se tratando de liberdade criativa, um escritor profissional possui restrições muito maiores do que um amador, pois depende de vários critérios exteriores, como a aprovação de editores, do público, ou de outras instâncias de legitimação.
Um escritor amador pode querer agradar somente a si próprio, sem se importar muito com a opinião dos demais e, muitas vezes, esta é uma das condições para a criação de obras-primas.

A escrita como passatempo
Entendamos a escrita como passatempo não como falta de seriedade, mas como alguém que se dedica à atividade somente em suas horas vagas, às vezes, sem pretensão alguma de abandonar sua ocupação atual para converter-se em escritor profissional.

Muitíssimos grandes autores da Literatura possuíam um emprego principal, escrevendo durante o tempo livre. Guimarães Rosa e Vinícius de Moraes eram diplomatas; Jorge Luis Borges foi funcionário público; Kafka, advogado; Cortázar e Fernando Pessoa, tradutores; existe um sem fim de grandes escritores que possuíam ocupações tradicionais, como professores, engenheiros, médicos, psicólogos, políticos, donas de casa, etc. e que, às escondidas, produziam seus contos, romances e poemas.
Alguns até chegaram a realizar a transição entre o diletantismo e o profissionalismo, mas vários prosseguiram em suas profissões, produzindo Literatura num segundo-plano.

Existem algumas vantagens em escrever como hobby:
- liberdade criativa irrestrita. Não há ninguém para lhe ditar o que você pode ou não escrever, tampouco para impor-lhe prazos ou condições;
- produzir não é uma obrigação; você pode escrever quando bem entender, se quiser, como quiser.
- não há a necessidade em pensar na Literatura como um produto;
- ter um trabalho que o ponha em contato constante com outras pessoas é uma rica fonte de inspiração para histórias.

Já as desvantagens podem ser:
- falta de disciplina; como não se trata de um trabalho, pode não haver um compromisso real com a escrita;
- pouco tempo para dedicar-se ao ofício. Ao dividir seu tempo disponível entre um trabalho oficial e a escrita, haverá menos oportunidades para produzir, promover seu trabalho e aperfeiçoar-se;
- o risco de alienar o leitor. Quando um escritor devota-se a escrever somente para si, há a possibilidade de produzir obras que ninguém, além dele mesmo, queira ler.

A escrita como profissão

Geralmente, esta é uma etapa posterior. Inicialmente, começa-se a escrever por puro prazer, porém, aos poucos, quando a atividade se torna mais séria, é dado um passo além para a profissionalização.

Antes de tudo, vale lembrar que são bem poucos os autores que realmente fazem a vida somente com a venda de livros. Não é impossível, mas é pouco provável que isto ocorra com a maioria dos escritores.
Os ditos escritores profissionais podem até receber valores consideráveis com a venda de seus livros, mas frequentemente suas obras os projetam para outros tipos de atividades remuneradas, como palestras, oficinas, traduções, jornalismo, e assim por diante.
De certo modo, mesmo com muitos autores profissionais, a escrita acaba sendo uma atividade remunarada secundária, que alavanca ganhos através de outros canais. Pois para sobreviver exclusivamente com a vendagem de livros é preciso vender muito e vender sempre, o que não é para todos os escritores.

A escrita profissional é relativamente recente e os grandes autores profissionais se concentram nos países desenvolvidos, com mercados editoriais fortes. No Brasil, quem se propõe a escrever profissionalmente acaba recaindo, em algum momento, no periodismo, e há uma lista imensa de grandes autores brasileiros que dividiram seu tempo com crônicas em jornais e revistas, ou mesmo como repórteres.
Há um duplo benefício em se aliar à imprensa, pois através dela é que o autor poderá comunicar-se com seus colegas e conseguir atrair publicidade para seus trabalhos literários.
Com uma oferta tão imensa de obras sendo publicadas todos os meses, o compadrio acaba sendo uma poderosa força no mercado editorial brasileiro. "Quem não se comunica, se trumbica", já diria o sábio Chacrinha.

Não é fácil ser um escritor profissional e, não raro, alguns se decepcionam com o cenário que encontram. Um caso notório foi o de Aluísio Azevedo, autor de "O Cortiço", que assim que conseguiu um emprego público, largou a escrita para nunca mais voltar.
Nada prepara um escritor para as agruras da profissionalização, pois produzir um livro de sucesso é uma loteria. Não há garantias que uma obra venderá, ou que a crítica a aprovará. Ser um escritor profissional é caminhar na corda bamba, sem segurança alguma, sem nenhuma certeza.

As vantagens de ser um escritor profissional são:
- todo o tempo para produzir e pesquisar;
- há um prazer especial em ganhar para fazer aquilo que gosta.

Já as desvantagens da profissionalização são consequências diretas dela:
- obrigação de escrever constantemente, mesmo quando não há disposição;
- é uma carreira incerta, repleta de altos e baixos, com momentos de grandes sucessos e outros de total indiferença;
- nem sempre se ganha tanto quanto se imaginava.

Conclusão

Para muitos autores, a profissionalização é uma grande etapa almejada e, certamente, possui algumas evidentes vantagens. Todos nós queremos trabalhar com aquilo que amamos, que nos dá alegria, que nos realiza, mesmo que nossa renda não seja tão extraordinária.
Por outro lado, há uma diferença brutal entre escrever por prazer quando se tem vontade e a obrigação cotidiana de acordar sabendo que você terá de escrever qualquer coisa, mesmo que não acredite mais no que está fazendo.

Há escritores que produzem mais e com maior qualidade quando são amadores, mas que se desesperam no momento em que se profissionalizam. Enquanto há aqueles que, ao poderem se dedicar completamente ao ofício, florescem e atingem seu máximo potencial.

Certamente, não existe uma fórmula aplicável a todas as pessoas, o que é a realização para uns é a ruína de outros. O essencial é jamais perder o deslumbramento pelo ofício da escrita e, a partir do momento em que escrever começar a tornar-se um martírio, rever as escolhas feitas.

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